sábado, janeiro 28, 2006

O Mozart possível. No dia seguinte.

Ontem, não houve actividades bloguísticas, aqui por estes lados.

Assim, só hoje, me posso juntar, ao que todo o mundo comemorou, ontem.

O 250º aniversário do nascimento do WAM, no ano do WAM, no tempo em que WAM estará mais no centro das memórias de todos os cultores desinteressados ou interessadíssimos de WAM.

Uso só a sigla, com as iniciais do nome de Mozart, em vez do seu nome, porque, se a sigla ainda não nasceu, não estará longe de ver a luz do dia da publicidade e do mercado global.

Junto o meu tributo do dia seguinte, com a seguinte história, já muito antiga:

Na corte celeste, quando Deus Padre está presente, os anjos ouvem Bach.Quando Deus Padre se ausenta, os anjos ouvem...Mozart.

Se me permite um conselho, seja "anjinho".

Ouça Mozart.
Ou WAM, se preferir.

E até pode tê-lo todo, em sua casa, por uma pechincha.

Por menos de 1,50€ por CD.

















Enquanto não se decide, deixo-o com estas imagens.

Este é considerado o último retrato de Mozart vivo.

É de 1789.

Mozart morreu, em 1791.














A imagem seguinte é da família.

Quando o que está em comemoração é o nascimento de Mozart,

é oportuno lembrá-la.



Finalmente, outro membro da família.

Joseph Haydn.

A quem o próprio Mozart, chamava o "papá Haydn".

Pai espiritual, claro.

De muita da sua inspiração e de muitas das suas obras.



Com toda a familia e obra de Mozart, assim reunida, podemos avançar, serenamente, pelo que promete ser o "ano um" da era Mozart.
Ou era WAM.
Esperemos que o seja, para muitos novos ouvintes WAM!

Wolfgang
Amadeus
Mozart

Nota Bene. Esta nota também é do "dia seguinte" a esta entrada mozartiana. Só, ao voltar a ler a entrada depois de publicada, é que constatei que o preço "por/CD" do "Tout Mozart" está errada. O custo de cada CD anda é pelos 0,70€.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Assim se faz a GLOBALIZAÇÃO cultural

Achinesando a ...GOOGLE(LIZAÇÃO).






Google chinês vai censurar termos politicamente sensíveis... Mesmo contrariando sua defesa por um livre fluxo de informações, a empresa se dispôs a fazer concessões. O sacrifício se justifica pelo tamanho do mercado chinês, o segundo maior do mundo, com 111 milhões de internautas.

Outras companhias, como a Yahoo e a Microsoft, também bloqueiam em seus sites chineses temas delicados, como a independência de Taiwan e o movimento espiritual Falun Gong (cujas práticas têm imensa popularidade na China, mas foram proibidas em 1999).

- Para operar na China, retiramos... [Link]


quarta-feira, janeiro 25, 2006

No se puede descartar que Portugal entre en una fase de convulsión.

Esta é uma das muitas frases que a imprensa internacional dedicou a Portugal, nos comentários à eleição do novo Presidente da República.


Parece-me que é evidente para toda a gente que nada pode ser descartado.



  • Nem a convulsão nem a comunhão.
  • Nem o entendimento total, nem o desentendimento absoluto.
  • Nem um país que, todo ele, se acolha à sombra pacificadora do novo “Cavaco-Presidente”, eleito por mais 30.000 votos, como, em 86, se acolheu, à sombra do “Soares-Presidente”, eleito por mais 100.000 votos de que o seu opositor.
  • Nem um país que continue tão dividido, nas expectativas e na imagem que se faz do novo Presidente, como se revelou nos votos.







Tudo está em aberto.


Tudo pertence ao mundo dos possíveis.







Tudo está tão incerto e indefinido



  • como antes da apresentação das candidaturas em tribunal,
  • como antes das candidaturas apresentarem os seus programas eleitorais,
  • como antes de se iniciar a pré-campanha eleitoral,
  • como antes de se iniciar a campanha eleitoral,
  • como antes dos debates televisivos de há um mês,
  • como antes...
  • como antes...
  • de ter havido um acto eleitoral considerado democraticamente modelar, em participação, em mobilização, em execução, no dia eleitoral e na noite de apuramento eleitoral, nas sondagens, nos comentários e nas declarações dos candidatos.

Esta é uma situação que, ontem mesmo, num dos muitos debates que se sucederam ao apuramento dos resultados, ouvi elogiar como fazendo parte do mistério, da nebulosa de secretismo e indefinição que deve rodear as funções e a figura do Presidente.

Porque este Presidente eleito teria sido, como candidato, o que melhor teria incarnado a imagem de


  • o menos ligado a qualquer partido,
  • o que menos compromissos concretos assumiu com o eleitorado,
  • o que só reconheceu e agradeceu o apoio dos líderes dos partidos que o apoiaram depois da eleição,
  • o que deu uma imagem de menor enquadramento partidário ou político,

ao apresentar-se à multidão, das varandas do CCB, não na companhia dos seus mandatários ( apolíticos, também?)
para quem acabara de fazer um discurso político, mas da família alargada, com a qual se gaba de nem falar de política.

Mas é uma situação que, cada vez mais custa a aceitar e a justificar depois de uma movimentação nacional para as presidenciais que mobiliza, há seguramente mais de dois anos, jornalistas, meios de comunicação social, comentadores e políticos de um país inteiro.
E que, depois de todo este trabalho de apuramento, selecção, triagem e decantação, o que se conseguiu foi eleger alguém, que entrou em todas estas sucessivas fases de “testagem”, como um enigma e a todas superou, saindo ainda com uma feição, humana e política, mais enigmática do que quando nelas entrou.

Com tabú e como tabú saiu da política há dez anos, e com tabú e como tabú regressa e se consolida(rá) para outros dez (prováveis).

Afinal, este país adora, da democracia, não é o seu esforço permanente que, como definição a singulariza, para tornar transparentes os mecanismos de funcionamento da sociedade, mas aquilo que, em democracia, continua a subsistir e a resistir a todos os esforços de transparência.

Com duas circustâncias agravantes, neste caso concreto de Cavaco.

Ele representar e ser apoiado pela área política de direita, a que o povo nunca tinha confiado, em trinta anos, a Presidência, por a considerar mais propensa à crispação, ao confronto e à instrumentaização das funções do Estado, do que ao consenso e ao compromisso e isenção inerentes ao cargo.

E ainda por, os motivos de possível conflito, entre a Presidência e o Governo, derivarem, não do exercício das funções para que Presidente e Primeiro Ministro foram eleitos pelo voto popular, mas daquilo que ambos são para além disto.

O Presidente, quer queira quer não, o depositário dos sonhos frustados da direita portuguesa.

O Primeiro Ministro, quer o queira fazer esquecer quer o assuma, o líder de um partido abalado por duas derrotas numa só eleição (um verdadeiro recorde para o “Guinesse”).

A derrota (absoluta) do candidato que escolheu.

E a vitória (relativa) do candidato que rejeitou.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Uma Sensibilidade Nova...

...embora tardia, chegou a França.
 
Estará a caminho da Assembleia da República, em Portugal?
 
Chegará, algum dia, à Assembleia Legislativa, nos Açores?
 
Em França, foi necessário o terramoto político do referendo ao Tratado Constitucional da União Europeia, para que despertasse essa "sensibilidade parlamentar nova" para as questões europeias.
 
Em Portugal e nos Açores, quantas escalas de Richter e Mercalli terão de ser galgadas, para que o equivalente aconteça?  
 

Le président de l'Assemblée nationale, Jean-Louis Debré, a-t-il proposé que chaque Conseil européen soit désormais précédé d'une séance spéciale de l'Assemblée au cours de laquelle le gouvernement explique les positions qu'il s'apprête à    défendre. Plus révélateur encore de la sensibilité nouvelle des parlementaires sur les questions européennes, les auditions systématiques des ministres à    l'issue des principales réunions intergouvernementales. Ainsi, pour la première fois, le ministre de l'économie, Thierry Breton, sera-t-il entendu conjointement, jeudi 26, par la commission des finances et la délégation pour l'Union européenne, sur les décisions en matière de taux réduits de TVA.

 
 
 
 

As virtudes do “NON”

Jose Manuel Barroso, le 23 janvier 2006, à Bruxelles. | AFP/JOHN THYS


Le non au référendum sur la Constitution a agi auprès des parlementaires français comme un révélateur de la distance qui s'était établie avec les instances européennes. La première conséquence a été le renforcement de la présence de fonctionnaires du Parlement français à Bruxelles afin d'améliorer le suivi des négociations européennes et d'anticiper sur l'impact des propositions de la Commission au niveau national. Le traité d'Amsterdam prévoit, en effet, un délai de six semaines entre la transmission au Conseil et au Parlement européens d'une proposition d'acte législatif et son inscription à l'ordre du jour. [Link]


domingo, janeiro 22, 2006

Uma semana de (pequenos) dilemas

Há semanas assim.

Em que a vida nos obriga a opções sem meio termo.

Ou entregarmo-nos à força e à intensidade dos factos e acontecimentos de cada dia (ou semana) que nos cabe em sorte, ou continuarmos dispersos por mil e uma pequenas tarefas.

Como escrever para "o ventilhador", "o epigrama" ou o "álamo esguio".

A minha opção desta semana foi pela "velha" vida, contra as novas tecnologias.

E da próxima?

E da outra, depois da próxima?

É questão de esperar.

Para ver.

Esperemos, então.

E, logo, veremos!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

# 1 Os dilemas das presidenciais 2006


“Penso que devo ser o último dos grandes presidentes de França.
Quero dizer, na linha de De Gaulle.
Depois de mim, não haverá nenhum outro...
Por causa da Europa...
Por causa da mundialização...
Por causa da evolução inevitável da instituições...,
o Presidente vai transformar-se numa espécie de Super-Primeiro Ministro.
Ele será frágil.”


Nesta fase do debate e do combate das eleições presidenciais, não seria uma boa altura para pensar nestas palavras de François Miterrand, proferidas a poucos dias da sua morte de que a França, neste mês de Janeiro, comemorou e recordou a passagem do seu décimo aniversário ?


Não será mesmo de um Super- Primeiro-Ministro, que os portugueses andam à procura?


Pelo menos a maioria que as sondagens vão permitindo captar.


Decerto, não é à procura de um rei eleito, que reine mas não governe.


De alguém, que os representa, mas não os pareça acompanhar nas suas incertezas e dificuldades diárias.


De alguém, que esteja muito acima de todos eles pelo seu percurso e pelo seu estilo de vida .


De alguém, com quem eles apenas sintonizam através de entidades abstractas como a soberania nacional, o poder de veto,a promulgação das leis, o semipresidencialismo;


De alguém, que deixou, por alguns momentos, as páginas da história em que já o julgavam para sempre entronizado e, que, com divina e mais que humana generosidade, se predispõe a conceder-lhes a benesse da sua experiência universal e imensa sabedoria dos homens e da vida.


Será que o paradigma jurídico do Presidente da República ainda corresponde ao paradigma sociológico que os portugueses procuram nestas eleições?


Algum ajustamento haverá a fazer.


Que orientação deve seguir tal ajustamento, é o que há-de ditar o resultado destas eleições e a experiência de equilíbrio, desequilíbrio ou reequilíbrio de poderes, que se lhe seguirá.


sexta-feira, janeiro 13, 2006

Sobre Souto Moura. O que não se compreende.

Mantendo-nos apenas naquilo que, hoje, é notícia sobre Souto Moura, que também dá pela designação de Procurador Geral da República, o que não se compreende é o título das notícias. 

Mas, então, ainda é notícia, e título de notícia ou "lead" de notícia,

que:

 
  1. Souto Moura diz que será instaurado um inquérito
  2. "Ordenou-se de imediato a instauração de um inquérito que apurará com rigor a correspondência ou não correspondência de tais notícias ao efectivamente ocorrido e daí se extrairão as devidas consequências", diz a PGR em comunicado.
  3. Casa Pia: PGR abre inquérito sobre registo de chamadas telefónicas    
  4. «inquérito rigoroso » sobre o caso.     
  5. Casa Pia: PGR abre inquérito sobre escutas (act.)
  6. A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito para apurar a veracidade da notícia divulgada hoje pelo 24horas sobre um registo de milhares de chamadas feitas a partir de telefones de altas individualidades no âmbito do processo Casa Pia.

 

Mas tudo isto, já não é dito e redito pela enésima vez, sem quaisquer resultados?

  • E continua a ser notícia ?
  • E continua a ser título de notícia?
  • E continua a ser "lead" de notícia?

E se, para variar, passasse a ser notícia, e título de notícia e "lead" de notícia:

  1. PGR  ainda precisa de fazer inquéritos para saber o que se passou no processo mais mediático dos últimos anos em Portugal.
  2. Encontra-se o registo das chamadas, mas não o mandado do juiz para as fazer.
  3. Encontram-se chamadas aos milhares, números de telefone às centenas, conteúdos de conversas sem qualquer relevância para o processo, nem uma só que tenha qualquer ligação com o processo Casa Pia.

E, por exemplo, a terminar, uma notícia como a seguinte:

  • Há uma razão histórica de peso para Souto Moura, também conhecido, desde há anos demais, como Procurador Geral da República, não ter pedido  a demisão:

Pilatos também ainda nunca pediu para sair do "Credo".

 

 

 

 

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Esta manhã, o "surrealismo" belga...veio ter comigo

Vou é necessitar do dia todo, para esclarecer se o auto-designado " surrealismo belga" me atingiu com esta notícia:







Cinq ans après avoir interdit l'écourtage des oreilles des chiens, la Belgique a interdit cette année l'amputation des queues de chien, sous peine d'amende pouvant atteindre 5 500 euros.Ou, se, pelo contrário, o que me deve deixar verdadeiramente siderado, são os preconceitos mútuos, entre flamengos e francófonos:

Cloisonnement identitaire entre Flamands et Wallons



Les francophones jugent globalement les Flamands égoïstes, orgueilleux, austères, mais aussi courageux, gestionnaires et créatifs. » Paradoxalement, dans la même enquête, les Flamands s’estiment moins rigoureux et créatifs mais plus négligents que les Francophones... « On aura tout vu ! Avec ces résultats, qui apparaissent tellement à contre-courant des idées reçues, ce sondage confirme une des grandes caractéristiques de la Belgique : le surréalisme. »


La presse aussi est exclusivement unilingue. « Il n’y a jamais eu de journal bilingue en Belgique, alors que ça a été le cas en Suisse ou au Luxembourg. Le bilinguisme n’a jamais existé en Belgique », observe Guido Fonteyn. Pas de médias bilingues et très peu de lecteurs bilingues. « Il n’y a que 3 % de personnes qui lisent la presse de l’autre communauté », ajoute M. De Winter.



Pior ainda será, provavelmente, se alguém tiver a curiosidade de procurar saber o que pensam os cães com donos flamengos, dos cães com donos francófonos.
Ladram-se, uns aos outros, em inglês, na Grand-Place?

terça-feira, janeiro 10, 2006

Esta manhã, a Google veio ter comigo.

 Não é que este encontro não seja quase diário.
 
Mas, hoje, teve, porventura, algumas modalidades próprias.
 
Veio, quase em simultâneo, nas suas duas faces.
 
A sua face de inovação e novidade quase permanente
 
com o seu   
 
Google Pack
Tenho de confessar que o "Pack" não me deslumbrou. Talvez por, de imediato, não lhe ter conseguido medir o alcance. É assunto a seguir.
 
A outra é a dos receios que, recentemente, tem vindo  a ser  soprados de França, contra o perigo da hegemonia  da Google. Que seria apenas mais um dos disfarces para a hegemonia anglo-saxónica da cultura.
Este debate que, em França, surgiu a propósito do projecto da Google de construir um biblioteca "numérica universal", volta  a ser retomado pelo
Magazine Literaire deste mês.
Infelizmente as duas páginas dedicadas ao assunto não estão acessiveis no "site " da revista.
Mas o debate e as suas  conclusões são bastante equilibrados.
Uma das conclusões é que a resposta da Europa ao desafio da "Biblioteca Numérica Universal" deve ser, não a de tentar impedi-la, como se fosse uma ameaça para a cultura europeia na sua diversidade, mas "Construir uma biblioteca numérica europeia". E  a outra, é que "opposer papier et écran dans lédition est un faux dilemme".
Vai mesmo em francês. Porque parece tratar-se, em grande parte, de mais um "faux dilemme", dos muitos em que a França dos últimos anos se tem enredado.
 
Magazine
 
 
 

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Uma leitura matinal: Três Ideias a Reter

Que font les Français ? Ils regardent la télévision. Trois heures et 26 minutes en moyenne par jour et par personne, si l'on en croit les derniers chiffres de Médiamétrie.


Contrairement à ce qu'on supposait, la télévision n'a pas tué la radio : celle-ci a su conserver un public attentif, qui tend l'oreille et retient ce qu'il écoute. En revanche, la presse écrite quotidienne a été de plus en plus affectée par le petit écran, avant de l'être par Internet, qui a effacé les frontières entre texte, son et image.



Le zapping ne se limite plus à la boîte à images : c'est devenu une manière de vivre. Faire un kilomètre à pied par tous les temps pour acheter son quotidien semble appartenir à un autre siècle : on attend qu'il soit livré à domicile, dans la boîte aux lettres ou sur l'écran. Tout doit être à portée de main, de télécommande ou de souris.



La boîte à images , par Robert Solé;

domingo, janeiro 08, 2006

# 4 as histórias Fabulosas de...

JOSEP MARIA FONALLERAS  
 
Tabaco y adulterio
 
Allí se va a encontrar con personajes de su calaña con los que mantendrá, al principio, conversaciones sin ningún interés, sobre la propia ley, sobre lo oprimidos que están los fumadores, sobre el resfriado que van a pillar. Poco a poco, después de tres o cuatro excursiones fuera de la nave, los astronautas fumadores cogerán confianza e incluso puede que acaben por intercambiarse los números de móvil. Él le dirá a ella: "No fumar en un estanco es como ir a la panadería y no darse el placer de comerse un mendrugo antes de haberlo pagado". Y ella le contestará: "O como entrar en una tienda de ropa y no resistir la tentación de mirarte al espejo". Él intervendrá: "   ¿Piensas dejarlo?". Y ella: "Ahora, menos que nunca". Y él: "   ¿Quedamos después de los entremeses? Y ella: "Cielos. A mí ya me traen los postres". Y así, hasta llegar al adulterio.

http://www.lavanguardia.es/web/20060108/51216362752.html

# 3 as histórias Fabulosas de...

 

O “Joãozinho feliz”

Tendo achado demasiado pesada e incómoda a barra de ouro que ganhara,

o Joãozinho

  • trocou-a primeiro por um cavalo,
  • depois trocou o cavalo por uma vaca,
  • a vaca por um ganso
  • e o ganso por uma pedra de amolar;
  • e mesmo esta acabou lançando à  água,

pois não se dava conta do prejuízo.

Pelo contrário:

achava que tinha ganho, finalmente, o dom precioso da liberdade completa.

A história deixa por conta da fantasia do leitor

imaginar o tempo que João deve ter levado a curar-se da sua perturbação,

e como deve ter sido sinistro o momento em que despertou da sua pretensa libertação.

Moral: Há uma variedade de insensatos que, mesmo antes de analisarem uma novidade, já a consideram melhor, por se tratar de algo novoHá uma variedade de insensatos que, mesmo antes de analisarem uma novidade, já a consideram melhor por se tratar de algo novo.

 
 
 

 

quinta-feira, janeiro 05, 2006

# 2 As histórias Fabulosas de...



Antonio Alçada Baptista


Mas, afinal, o que é o Brasil?


É tão fácil de ver e tão difícil de dizer.


O Brasil é aquele homem loiro que uma noite, há treze anos, dançava numa boite de São Paulo com uma negra e para quem o meu amigo Diaulas Readel me chamou a atenção:


-Estás vendo aquele alemão, além, dançando com a mulata?


- Estou, e daí?


É capaz de estar aqui há três meses e há quatro ainda era nazi.


O Brasil é isso.


Desta vez, Fernando Claro deu-me mais um precioso elemento para a explicação deste meu caso com o Brasil.


Isto porque eu lhe perguntei qual a razão por que não havia lá touradas já que, em toda a
a América Espanhola, a tourada suscitava interesse e aficion.


-A Coisa tentou-se mas o negócio não deu, não.


Em 1950, quando Mendes de Morais foi prefeito do Rio mandou construir uma praça de touros ao lado do Maracanã.


Para promover melhor as corridas, deixou que a entrada fosse gratuita.


Aquilo ficou cheio mas teve que acabar.


Pois não é que o povo torcia pelo touro?! Era. Aplaudia o touro e
assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizavam muito e a
coisa não deu, não.
Pois não é que o povo torcia pelo touro?! Era. Aplaudia o touro e assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizavam muito e a coisa não deu, não.


Moral: Creio que o Brasil corresponde àquela parte de mim que torce
pelo toiro,



que homenageia a sua fúria solitária,


a sua coragem desacompanhada,




  • contra o jogo,


  • as astúcias


  • e as vantagens dos homens.

# 1 As histórias Fabulosas de...




Millôr Fernandes



O Socorro




Ele foi cavando, foi cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar.


Mas, de repente, na distracção do ofício que amava, percebeu que cavara de mais.


Tentou sair da cova e não conseguiu.


Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair.


Gritou.


Ninguém atendeu.


Gritou mais forte.


Ninguém veio.


Enrouqueceu de gritar.


Cansou de esbravejar.


Desistiu com a noite.


Sentou-se no fundo da cova, desesperado.


A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardas.


Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia mais um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos.


Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos.


Deitado no fundo da cova o coveiro gritou.


Os passos se aproximaram.


Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia:


«O que é que há?»


O coveiro então gritou, desesperado:


« Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!».


«Mas coitado!» - condoeu-se o bêbado. - «Tem toda razão de estar com frio.


Alguém tirou a terra toda de cima de você, meu pobre mortinho!».


E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri- lo cuidadosamente.



Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

# 2 O Mito e os mitos

Mantenhamo-nos, um pouco mais, na questão dos pequenos e grandes mitos.

Continuemos, igualmente, com a obra de que falei na entrada anterior, ( Los mitos de la Historia de España), mas cujo autor, por lapso, omiti.
Aqui fica o seu nome: Fernando García de Cortázar.


Voltemos à citação do seu texto, que ficou incompleto na anterior entrada de fim de ano.

"Um país, em democracia, não necessita de mitos.
Necessita é de viver com naturalidade, sem tribos nem bíblias políticas, o facto e a consciência nacional.
Um país em democracia não vive de metafísica, mas de compartilhar um legado comum de recordações, de lealdades não excluentes nem exclusivas, que permitam olhar o passado sem ódio nem azedumes recriminatórios.
Com a crítica dos absolutos começa a esperança, começa a liberdade".

Alguns, ao ler este texto, poderão ser levados a pensar que ele traz tão marcada a verdadeira luta de Jacob e do Anjo de Rembrandt, que intercalei neste "post", e que, desde sempre, se trava em Espanha, com a virulência e o extremismo de posições, que o tornaria inaplacável em Portugal.

Não me parece que seja assim.
Para qualquer das regiões deste país de centralismos muito enraízados.
Lembremos apenas, os obstáculos "mitológicos"( não lhes encontro melhor classificação) que, até hoje, impediram a regionalização do continente português, apesar de a Constituição o impor sem ambiguidades.

E muito menos o é para as Regiões Autónomas.
A dificuldade está em conseguir reduzir às dimensões de um blogue, os abundantes exemplos destes escolhos "mitológios"que, até hoje, impediram a clarificação de questões de alcance vital para as Autonomias Insulares
Vou-me ficar apenas por um só exemplo.

Porque tem sido um dos meus "cavalos de batalha," nos tempos mais recentes, e em instâncias várias.
Alguém conseguiu explicar, até hoje, porque é que nunca se concretizou, com clareza, a simples disposição constitucional que diz:
"As regiões autónomas(...)têm os seguintes poderes, a definir nos respectivos estatutos"?
A concretização desta simples disposição, contida nesta palavra definir, já poderia ter arrumado, em definitivo, e há muito, aquilo que seis revisões constitucionais não conseguiram e três versões estatutárias ( se não erro no número) também não lograram alcançar.
Tudo, por uma simples razão.
Porque, fazê-lo, seria matar, de vez, uma dupla ilusão.
A ilusão dos autonomistas "progressivos"(mantenhamos o palavrão que, historicamente, os baptizou) e que continuam a dizer e a escrever, em moções para congressos recentíssimos, que é uma "leitura constitucional possível, de que, nas Regiões Autónomas, o Estado são os órgãos de governo próprio."

A definição que a Constituição remete para os Estatutos, se realmente efectivada, impediria toda a verosimilhança a afirmações deste jaez.

Do outro extremo do espectro político, de pendor centralista, deixaria, também, de haver margem para afirmações como as que foram produzidas depois da penúltima revisão constitucional, em 1997, em que se chegou a falar de "festim autonomista".

Exclamações que, inevitavelmente, voltarão a ouvir-se, enquanto persistir a indefinição actual, que só serve de pasto a estas duas posições "mitológicamente"extremadas.

Deixo para futura entrada, a referência a um "mitologismo" perfeitamente desfasado, apesar de totalmente ridículo, que, nem a última revisão conseguiu arredar do texto constitucional.

sábado, dezembro 31, 2005

O Mito e os mitos



Salvador Dali A persistência da memória

Tenho de reconhecer que, neste momento em que escrevo,
no final da manhã do dia 31 de Dezembro de 2005,
não tenho qualquer disposição para alinhar em considerações
mais ou menos "ad hoc",
mas sempre de ressonâncias, mais ou menos mitológicas,
sobre um tempo
(velho, inevitavelmente) e que acaba
e um tempo (novo, inevitavelmente novo) e que começa.

A minha inclinação é para arremeter contra todas as mitologias.
Mas esta mitologia do fim do ano é apenas uma pequema mitologia, incrustada no pequeno mundo quotidiano de cada um de nós.

De interesse muito mais relevante são aqueles mitos que, vindos do passado, mas com maquilhagem nova, continuam a comandar a nossa história de povo, nação e Estado do século XXI.

Mas, sobre isto, tenho aqui, na minha frente, palavras que, sem favor, se podem considerar definitivas.

Vêm de Espanha.

Foram escritas sobre "Os Mitos da História de Espanha".

Mas não são estas circunstâncias que lhes retiram oportunidade ou aplicação a Portugal.

O meu único trabalho vai ser o de traduzi-las.

Com a esperança que, mais alguém, entre o fim de 2005 e o começo de 2006, se dê аo incómodo de as ler.

E porque não? De pensá-las.


" O mito corrompe a História, isola os factos do mundo, deixa-os fundidos num marasmo teológico, num sonho agónico de vencedores e vencidos, apenas relacionados consigo próprios.

Eco e espelho, o mito contamina o presente de velhos fantasmas, fábulas e lendas.

Fica, então, o ruído e a fúria, o enfrentamento de séculos ou o vitimismo agressivo.

Daí que as sociedades mais sãs sejam aquelas que, livres de furores absolutos, pulverizam, com o pensamento científico e o debate, as manipulações mitológicas".

Há mais texto ainda.

Fica para próxima oportunidade.

Já agora, uma proposta mítica:

Que tal, entrar, em 2006, ( ou sair, de 2005, como preferirem) com o inabalável propósito de debater, (mais importante ainda, que, simplesmente, combater) todas as "manipulações mitológicas" que, descarada ou encapotadamente, nos assediam a cada hora de cada dia?

Grandes, muito grandes Entradas!

Mesmo que à custa de resvalar para o pequeno mito!

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Afinal, O Espirito Santo foi um pouco mais loquaz.


E, em italiano, ainda me permitiu chegar quase ao pormenor dos segredos do Conclave.


Através deste


“Il diario di un cardinale che racconta i giorni dell'elezione papale.


Quem estiver interessado nestes altíssimos segredos vai ter mesmo que “puxar” pela capacidade linguística típica dos portugueses para se desenrascarem em todas as línguas românicas.


Para abrir o apetite, acrescento apenas que há duas referências, nada divinas, muito humanas mesmo, aos dois cardeais portugueses que participaram no Conclave.


A um, como fumador inveterado. Ao outro, como confidente de um cardeal em transe de angústia com o andamento das votações.


Leia.


Verá que são três dias eleitoralmente escaldantes.


E com o Espírito Santo muito... mas muito mesmo, abstencionista.

O Espirito Santo falou, em várias línguas.


Em italiano, tive me de contentar com o título da mensagem...


“ Dal diario segreto di uno dei partecipanti al conclave emerge per la prima volta la vera storia che portò Benedetto XVI alla guida della Chiesa. Al terzo scrutinio, l’argentino Bergoglio sembrava in grado di bloccarlo. Ma poi... [Link] (procurar o sumário 86)


E com um resumo que os interessados poderão ler no link seguinte:


“Il card. Bergoglio (Buenos Aires) era a un passo dal soglio di Pietro



Que O Espirito Santo sopra onde quer...


E não onde a Igreja diz (dizia?) que sopra,


É o que se comprova pelo facto de quatro respeitáveis nomes da Imprensa Internacional se repetirem, em cadeia,


a respeito da eleição do actual Papa, Bento XVI, o antigo Cardeal Ratzinger?


O Courrier International repete “El Pais”:


Plusieurs évêques brésiliens interrogés sur le sujet se disent peu surpris par une telle campagne et rappellent que "le cardinal allemand avait déjà affirmé, en 1978, que 'ce n'est pas l'Esprit Saint qui dicte aux cardinaux le choix du nom du nouveau pape', comme le prétend l'Eglise... [Link”]


O Jornal“ El Pais“ repete “O Globo”


El cardenal brasileño señala que a Martini no le benefició el hecho de "caminar con bastón" y que los amigos de Ratzinger hicieron correr la voz de que sufría el mal de Parkinson. [Link]


O brasileiro“ O Globo“ repete a reputada revista italiana de geopolítica “Limes“


Mas o mais radical de todos, é mesmo o antigo cardeal Joseph Ratzinger que, com grande antecipação sobre a sua eleição já dizia, em 1978, que, “ não é o Espírito Santo que dita aos cardeais a escolha do Papa como o pretende a Igreja”.

terça-feira, dezembro 27, 2005

As ”guerras santas” particulares...são as piores!

Eis outro exemplo sugestivo de guerras santas privativas.


Que nos vem de França.


Que, nos últimos tempos, se tem transformado num estranho viveiro de estranhíssimos exemplos(negativos).


L'extrême droite
s'adresse aux SDF... [Link]


Une association d'extrême droite proche du Bloc identitaire crée la polémique en distribuant une soupe populaire "exclusivement" au porc afin d'exclure les musulmans et juifs.


As regras são claríssimas. E de uma simplicidade... verdadeiramente cartesiana:


“Pas de file d’attente ni d’ordre de passage : ambiance gauloise oblige !! Seule condition requise pour dîner
avec nous : manger du cochonManger du cochon. En cas de doute, demander la carte d’adhérent à l’association Solidarité
Des Français. Si la personne n’est pas en possession de sa carte, prendre ses coordonnées et lui signifier
que son adhésion sera accordée lorsqu’elle fournira ses 2 parrainages d’adhérents à cours de cotisation
(voir nos statuts). Bien faire comprendre que nous n’avons déjà pas assez pour les nôtres.
Attention, fromage, dessert, café, vêtements, friandises, vont avec la soupe au cochon : pas de soupe, pas
de dessert...Pas de soupe, pas de dessert... [Link]


segunda-feira, dezembro 26, 2005

A cada um, a sua “guerra santa” particular...

São as piores de todas.


Porque não tem regra, nem lei, nem quaisquer outros limites de tempo, lugar ou modo.


São a cegueira total, ao serviço do ódio de morte ou do fanatismo visceral.


“Un vendedor palestino y musulmán que llegó procedente de otra ciudad de Cisjordania para ganarse la vida en Belén nos llama y saca algo del bolsillo que protege de la lluvia que cae sin piedad: una foto de Osama Bin Laden.Una foto de Osama Bin Laden. Le pregunto si de camino a Belén cruzó los puestos de control militares israelíes con esa foto en el bolsillo. "Sí, el jeque Ossama se merece que me arriesgue por él", El jeque Ossama se merece que me arriesgue por él",responde con un aire de vencedor de su guerra santa particular.

Belén, la cenicienta cristiana...

Belén, la cenicienta cristiana... [Link]


Por acaso, sabe que, em espanhol, a palavra “ceniciento”


significa mesmo aquilo que o nosso “portunhol” logo traduziria


por “cinzento”, “da cor da cinza”?


Mas que “Belén, la cenicienta cristiana”não é “Belém, a cristã cinzenta”, mas, sim, Belém, a cristã injustamente esquecida”.


Com efeito, a diferença de género, de ciniciento para cinicienta, acarreta uma diferença substancial de sentido. Significa “pessoa injustamente postergada, desconsiderada ou desprezada”.


Quem quiser fazer “filosofia linguística”, mais ou menos caseira, com este fenómeno de mudança de significado, que o faça por sua conta e risco. Por mim, não me arrisco. Até porque não tenho à mão um dicionário histórico da língua espanhola.


domingo, dezembro 25, 2005

A cada Natal, os seus Muros?


“tras la misa de medianoche, todos se olvidan. Hasta el año que viene".


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“en los alrededores están concluyendo un muro y verja de seguridad con todo tipo de cámaras de observación entre Belén y Jerusalén "que convierte la ciudad en una gran prisión".



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“En Belén se cuenta que si José y María hicieran hoy en día el trayecto de 150 kilómetros entre la ciudad israelí de Nazaret y la palestina de Belén, cruzando territorio de Cisjordania, tendrían que pasar por 15 puestos de control militares israelíes y esperar horas y horas en las colas”.



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Afinal, bem vistas as coisas, o Natal da cidade de Belém não é assim tão diferente da maior parte dos natais vividos por este mundo fora!

Com a meia-noite quase tudo acaba ou ...quase tudo recomeça como dantes...

As mesmas “prisões”de cada dia...

As mesmas horas e horas de espera nas “filas”...das ilusões ou desilusões da vida de cada um...

Muros...Muros... e mais muros...

Exigindo...saltos...e saltos... e mais saltos...

sábado, dezembro 24, 2005

#2 Natal das sombras!

Natal das sombras! Tu, agora, Avó!


Partiste há pouco, mas voltaste cedo...

Não tenho medo. Vem. Eu não estou só.

Chega-te ao pé de mim... Não tenho medo.

Medo de quê? É o Natal das Sombras...

A vida e a morte são a mesma linha.

Mistério dos que voltam: não me assombras!

Chega-te ao pé de mim, boa avózinha!

Foi bom que tu viesses! Mas eu, sei:

Não podes demorar-te, com certeza

Oh, avózinha, fica! Há bolo-rei

E nós cabemos todos nesta mesa!

E agora os tios... Boa noite... Olá!

Sentem-se aqui... Há lume na lareira..

Oh, a alegria enorme que me dá,

Se puderem ficar a noite inteira!

É Dezembro lá fora? Aqui, é Maio,

Pois onde entra o amor tudo florescePois onde entra o amor tudo floresce.

Quereis um golo de cacau? Tomai-o,

Bem quentinho! Vá lá, senão ele arrefece...

Porque não falam? Quero ouvir as vozes

Que há tantos anos esqueceram já!

Gostam de doces? Tenho aqui filhozes...

Foram feitas em casa... Provem! Vá!

E agora tu, meu filho... Tão pequena

Que a tua sombra franzininha é!

E ao pé dela é tão grande a minha pena...

Mas ainda é maior a minha fé!

Pousa as tuas mãozinhas nos meus ombros.

Não te esqueci, nem esqueço mais. Descansa.

Tu renasces comigo dos escombros.

Tu renasces comigo em cada esperança.

Encosta a cabecita nos meus braços.

É noite de Natal! Meu filho, vem! É noite de Natal! Meu filho, vem!

Foi longa a caminhada dos espaços.

Mas agora voltaste, ainda bem.

E por último, tu, Avô velhinho.

Meu Deus! Vens tão cansado, tão desfeito!

Tão pálido que estás... Tão curvadinho

Mas lá por dentro, sempre tão direito!

Toma esta manta e cobre os teus joelhos.

Já estamos todos... Como é bom assim!

Agora conversemos. Sim, meus velhos?

Saudade! É o teu Natal dentro de mim. Saudade! É o teu Natal dentro de mim.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

#1 NATAL DAS SOMBRAS


Vêm as sombras hoje ter comigo.

Vêm as sombras num cortejo lento.

(Vêm as sombras a pedir-me abrigo

Ou sou eu que as procuro em pensamento?)

Natal das Sombras!Natal das Sombras! Bem o oiço e vejo.

Bem o sinto! Andam passos no caminho...

Chegam todas as sombras num cortejo,

Sentam-se à minha volta, de mansinho...

Primeiro, a sombra de meu Pai... Meu velho,

Vem aquecer-te, que está frio no Espaço!

Vem dar-me a tua bênção, teu conselho

E o teu abraço... Ah, mas que fundo abraço!

Há tanto tempo que não vinhas! Tanto!

Já na minha lembrança era sol-posto...

Perdoa! Olha as estrelas do meu pranto

Como derramam luz sobre o teu rosto!

Vieste agora, Pai, vieste agora

A festejar comigo o dia eleito,

Na hora da Família, nesta hora

Em que a ausência é presença em cada peito!

A noite de Natal tomba ao de leve

E de mistério a natureza veste...

Lá fora há tanto frio! O luar é neve.

Mas cá dentro há calor - porque vieste...

(cont.)

(Miguel Trigueiros, in “ O Natal na Poesia Portuguesa“ de Luis Forjaz T., pag.115-116, Dinalivro, 1987)

O “Choque Natalício”


Este ano bem esperava escapar ao “Choque Natalício”.


Pelo menos, na sua expressão mais ou menos literária ou bloguística.


Uma vez que, na sua dimensão pessoal e familiar, é impossível escapar-lhe.


Ele entra-nos pela casa dentro e pela vida, pela mão de toda a família e pelos cartões e sms de amigos e conhecidos.


Não é, sequer, que estivesse pensando em fugir-lhe, como vivência própria deste período do ano.


Mas estava pensando reduzi-lo ao ritual social e familiar da consoada, da visita aos amigos, e de outras praxes típicas da quadra.







Mas não pensava nada que ele voltasse a envolver-me interiormente, de forma a ter que materializar-se num texto e a experimentar aquele frémito de alma que nos obriga a dizer: este Natal do calendário voltou a ser mais um natal “meu”.Da minha agenda de vida.







A verdade é que tinha resistido bem, numa indiferença assumida e cultivada, às versões mais recentes do natal “up-to-date”, com figuras acrobáticas de “Pais- Natal” “made in china,” trepando empenas e paredes de habitações, em exercícios mais musculados do que o dos respeitáveis anciãos que , durante todo o ano, se exibem nas montras de algumas farmácias, em anúncios ao “Alho Rogof”; tinha resistido bem ao “niagáras “ de lâmpadas a irradiarem cascatas de luz e cor pelas fachadas, escadas, janelas, empenas, muros e pátios de cada vez mais casas das freguesias da Terceira; tinha resistido bem às iluminações feéricas de três Câmaras e de outras tantas cidades açorianas (Angra, Ponta Delgada e Praia da Vitória).


Perante tudo isto, tinha mantido uma indiferença estudada e falsamente segura.


Mas a carapaça começou a esboroar-se ontem, numa ocasional leitura de jornal, durante uma viagem de avião de São Miguel para a Terceira.


Mas a carapaça começou a esboroar-se ontem, numa ocasional leitura de jornal, durante uma viagem de avião de São Miguel para a Terceira.É provável que as sombras da noite que, lentamente caíam, quase ao ritmo da chuva miudinha que as acompanhavam, tenham contribuído para a nostalgia que, inevitavelmente, envolve o natal do sexagenário que me prezo de ser (que remédio!).


Mas os artigos de Daniel de Sá e Mariana Matos, lidos no suplemento de Natal do Açoriano Oriental, foram o “click” decisivo, para, mais uma vez, interiorizar o que me esforçara por manter como algo puramente exterior e apenas uma injunção de calendário, sem dimensão nem peso pessoal. E as sombras de todos os natais vividos e imaginados vieram ter comigo.


Primeiro, vieram as sombras trazidas pela mão de Camões, cujas redondilhas de “Sôbolos rios que vão”, tinham sido objecto de releitura recente, por acasos nada natalícios:


Acha a tenra mocidade

prazeres acomodados.

E logo a maior idade

Já sente por pouquidade

Aqueles gostos passados.



Um gosto que hoje se alcança


Amanhã já não o vejo;
Assim nos traz a mudança,


de esperança em esperança


E de desejo em desejo.



Mas em vida tão escassa


Que esperança será forte?


Fraqueza da humana sorte,


Que quanto da vida passa


Está recitando a morte!



Mas em vida tão escassa Que esperança será forte? Fraqueza da humana sorte, Que quanto da vida passa Está recitando a morte!Mas deixar nesta espessura


O canto da mocidade!
Não cuide a gente futura


Que será obra da idade




O que é força da ventura.



Que idade, tempo, o espanto


De ver quão ligeiro passe,


Nunca em mim puderam tanto


Que, posto que deixe o canto.


A causa dele deixasse.


Mas, depois de Camões, veio outro poeta que, não apenas indirectamente como Camões, cantou, no meu natal de sombras, as sombras que povoam todos os natais, que se prolongam para além dos natais da infância.


Estes, sim. Sem sombras. E só “força da ventura.”


Será o poeta da próxima entrada neste blogue.


Ainda hoje, ou talvez, só amanhã!

domingo, dezembro 18, 2005

Qual Congresso?


Qual Congresso do PSD-Açores?



Houve foi "pão e jogos" para todos.







Pão para a imaginação dos delegados, militantes e simpatizantes;


Jogos para a "clique" dirigente de sempre do PSD-Açores, que se serve dos Congressos e dos militantes,



  • Para os seus ataques e contra-ataques pessoais;
  • Para gerirem os seus próprios tempos políticos;
  • Para se vitimizarem e exaltarem aos olhos dos militantes.






Quanto a pão, para enganar a fome negra ao militante e delegado,


Saboreiem só este naco, quentinho do forno da imaginação de Costa Neves:



  • Quanto a pão, para enganar a fome negra ao militante e delegado, Saboreiem só este naco, quentinho do forno da imaginação de Costa Neves:Para o PSD, " o nosso projecto de desenvolvimento sustentável, com as suas componentes económica, social, cultural e ambiental";
  • Para o PSD, "Os nossos valores que tanto influenciam a maneira como estamos na política";
  • Para o PSD, "o modo como vivemos a autonomia e a nossa cultura europeia";
  • Etc. etc.,

  • numa dúzia de parágrafos delirantes da moção sobre, "O que nos distingue". E que o passado do PSD desmentiu durante 20 anos e o decorrer do próprio Congresso se encarregou de reconstruir e reconstituir, perante o olhar espantado dos (poucos) açorianos, que ainda se terão dado ao incómodo de os ver e ouvir pela televisão e a rádio.

Tudo isto, devidamente contrastado com a imagem negregada do PS-Açores.Pois,


Para o PS-Açores,


reserva Costa Neves



  • "A falta de estratégia";
  • "A falta de ética";
  • "A vacuidade de ideias";
  • Etc. etc. etc.,

  • numa interminável ladaínha de palavrosa extensão e nenhuma coincidência com a realidade que os açorianos conhecem e vivem.

Este é mesmo o verdadeiro único grande problema do PSD-Açores.


Continuar tão cheio de si próprio, e tão satisfeito com a sua auto-imagem, que não tem lugar nem porta de entrada para a realidade dos Açores e dos açorianos.


Continuar tão cheio de si proprio, e tão satisfeito com a sua auto-imagem, que não tem lugar nem porta de entrada para a realidade dos Açores e dos açorianos.

sábado, dezembro 17, 2005

O que Mota Amaral deu...

Mota Amaral tira....






Mota Amaral deu ao PSD- Açores, 20 anos de protagonismo na instauração da Autonomia;


Mota Amaral deu ao PSD-Açores, 20 anos de exercício do poder regional nos Açores;


Mota Amaral deu ao PSD-Açores, 20 anos de maiorias absolutas na Assembleia Regional;


Mota Amararal deu ao PSD-Açores, 20 anos de liderança estável e indiscutida;


Mota Amaral deu ao PSD-Açores, durante 20 anos,a ilusão de ser o único partido da confiança dos açorianos.






Como se viu nesta manhã aziaga do Congresso do PSD,


Depois de dez anos de cura, de escassa eficácia terapêutica, na oposição,


uma simples referência à "liderança simbólica" e "acima de toda a suspeita" de Mota Amaral,


impediu o PSD,



  • De ter condições, em Congresso, para "os militantes avaliarem e discutirem o partido 'por dentro', como

pretendia um bem intencionado que queria "melhor acção, mais partido";



  • De ter condições para elegerem uma liderança pelos seus méritos no presente e sua capacidade para o futuro;

  • De deixarem de ter um partido de "primas donas" ofendidas pelas referências cabalistícas que trocam entre si;

  • De encerrarem, em definitivo, dez anos de total ausência de protagonismo na construção da autonomia de segunda geração;

  • De passarem a ter condições para regressarem ao exercício do poder político regional;

  • De alimentarem aspirações a qualquer tipo de maioria, relativa ou absoluta, na Assembleia Legislativa da Região;

  • De conseguirem alguns anos de liderança estável e indiscutida;

  • De conseguirem voltar a ser o partido que, a nível regional, merece alguma confiança de alguns açorianos.

Mota o deu...


Mota o tira...


Quando começará


o novo PSD,


liberto do peso


da tutela


histórica e simbólica


de Mota Amaral ?

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O Retrato do Eterno Feminino?...

...Ou apenas o retrato da mulher espartilhada pelas regras da etiqueta galante e palaciana da dama da corte dos séculos XVI/XVII?
O certo é que se trata do retrato (ideal) da dama da corte de Filipe III, tal como o esboçou D. Francisco de Portugal na "Arte de Galanteria", dado à estampa em 1670.
Cheguei a pensar traduzi-lo para linguagem actual, mas acabei por me convencer que seria mutilá-lo num dos seus maiores encantos: o sabor da linguagem barroca, própria da época em que foi escrito.
Espero é que a imagem do texto continue legível, quando "a der à estampa" no Ventilhador.

O Candidato...Preambular

Ao segundo debate, Manuel Alegre consolida a sua imagem do candidato que esgotou todos os seus méritos e virtualidades no gesto inicial da sua candidatura.

Manuel Alegre, como candidato presidencial, continua a resumir-se a esse gesto.

  • Mais nenhuma ideia.
  • Mais nenhum rasgo.
  • Mais nenhuma ousadia.
  • Mais nenhum grande propósito ou objectivo.

    E é a esta raiz que ele volta sempre, de forma directa ou indirecta.
    E a ela se reduz.

    Tal como o preâmbulo da Constituição de que é o autor material.
  • Mantem-se como nasceu.
  • Não por ser perfeito.
  • Mas por ser inútil.
  • Imutável.
  • Não por ser o texto que, na sua riqueza, contenha, potencialmente, todas as alterações que possam vir a ser efectuadas em todos os artigos da Constituição.
  • Mas, por ser uma moldura vazia que está para além do conteúdo de qualquer das alterações possíveis.
  • Manuel Alegre é apenas uma moldura para uma candidatura presidencial.
  • Uma bandeira a flutuar no vento que passa.
  • O que dirá o vento?

terça-feira, dezembro 13, 2005

Há Candidatos Presidenciais que dão Lições...

...Haverá candidatos presidenciais dispostos a recebê-las?


"J'ai tous les péchés : je suis une femme, je suis socialiste, je suis divorcée et je suis agnostique."

Michelle Bachelet, 54 ans, pédiatre, qui a élevé seule ses trois enfants, arrivée en tête à l'issue du premier tour de la présidentielle au Chili. Une femme courageuse et peu conventionnelle dans un pays conservateur où l'Eglise catholique est toute-puissante.

Quem quiser acompanhar, mais atentamente, esta nova saga do Chile pode fazê-lo a partir do texto seguinte:

"Avec 45,8 % des suffrages, Michelle Bachelet arrive largement en tête du premier tour de l'élection présidentielle au Chili.
La candidate socialiste confirme ses chances de devenir la première présidente du pays.
Elle affiche sa confiance en "une" de La Tercera (Santiago) : "Tout l'argent du candidat de droite ne pourra pas briser la volonté de la majorité (...). Je serai présidente du Chili."
Dans un billet titré "Michelle et le monstre", El Mostrador affirme que ce succès est d'abord une victoire contre le machisme. L'éditorialiste félicite la socialiste "pour s'être délibérément éloignée des modèles imposés par Margaret Thatcher, Hillary Clinton ou Condoleezza Rice, en donnant à sa personnalité publique une aura spontanée et chaleureuse".
A l'étranger, la percée électorale de cette fille de général mort sous la torture durant le régime de Pinochet est jugée avec bienveillance.
Pour le Seattle Times, elle signale "un changement culturel dans le pays".
Agnostique et séparée de son mari, Michelle Bachelet incarne les évolutions d'un pays "longtemps considéré comme le plus conservateur d'Amérique latine".

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Entretanto...

Lá pelo Epigrama passam-se coisas interessantes.

Interessantes, é capaz de ser um exagero desculpável do autor.

Mas, com alguma piada, seguramente.

Por que não dá uma espreitadela?

Olhe! Cuidado!

Não se deixe entusiasmar. E não perca o resto do seu dia, a devorar o Epigrama!!!

#08 A cada um, o seu muro da vergonha



  • A cada muro, o seu fracasso.

  • Em números, em cálculos oficiais, em tentativas de o tornar intransponível, na exigência de mais patrulhamento e mais agressivos meios técnicos de vigilância e defesa.

  • Mas esta é apenas a face oficial de uma política de fronteiras fechadas.

  • A face real é outra.
  • É a de uma avalanche permanente de tragédias humanas, que todos têm o cuidado de oficialmente lamentar, mas, na realidade, de se servir delas e de colher benefícios evidentes.
  • O caso da fronteira entre o México e os Estados Unidos é apenas um dos exemplos desta verdadeira "tragédia humanitária".
  • Mas é um dos mais eloquentes.
  • Ou será que os números que se seguem, e que escondem vidas sofridas e casos dramáticos, não falam bem alto?

"De l'Accord de libre-échange nord-américain (Alena) signé par le Canada, les Etats-Unis et le Mexique, en octobre 1994 on espérait qu'il allait freiner la tendance à l'émigration des populations du Sud.
Ce calcul était erroné, comme l'a souligné le chercheur californien Wayne Cornelius, de l'université de San Diego, dans un entretien diffusé par la chaîne de télévision CBS :

Aux Etats-Unis, on a sous-estimé la demande de main-d'oeuvre, tandis qu'au Mexique on a à la fois surestimé le nombre d'emplois qu'allait générer le libre-échange et sous-estimé le nombre d'emplois perdus à cause de la concurrence des produits importés des Etats-Unis".

Malgré tous les obstacles, 300 000 Mexicains réussissent, chaque année, à émigrer aux Etats-Unis, et l'économie américaine continue à profiter de ces millions de travailleurs peu exigeants, comme le prouve le laxisme de l'administration envers les entreprises qui embauchent des étrangers en situation irrégulière.

De son côté, le Mexique bénéficie des transferts de devises opérés par les émigrés : 20 milliards de dollars en 2005".

sexta-feira, dezembro 09, 2005

O "Enola Gay" da Politica Portuguesa




  • As eleições presidenciais revelam-se, cada vez mais, à medida que se repetem e à medida que as pessoas se defrontam, com maior insistência, com o leque limitado de poderes do Presidente da República para lhes resolver os problemas do quotidiano, aquilo que poderiamos designar pelo "Enola Gay" do sistema político português.
  • Não são importantes por si próprias.
  • Nem são importantes pela importância das personalidades que, em cada caso, as protagonizam.
  • Nem pelas raízes ou conteúdo idelógico dos candidatos.
  • São importantes pelo potencial de destruição que transportam para o funcionamento do sistema político.
  • Tal como o "Enola Gay".
  • Era um avião como qualquer outro.
  • Mas...transportava a bomba atómica.
  • E é a "bomba atómica" da dissolução da Assembleia, que, mesmo com maioria absoluta, depende da decisão exclusiva do Presidente, que todas as eleições presidenciais trazem para o jogo eleitoral.
  • E ainda mais, a "bomba de hidrogénio" da demissão do Governo.
  • Muito mais gravosa para a saúde do sistema, porque não implica a sua aferição imediata pelo voto e pode levar à sua degenerescência.
São estes dois poderes presidenciais de excepção que devem atormentar os sonhos de Sócrates e que vão pesar, na minha opinião, na decisão de voto de muitos portugueses.
Daqueles que disso se apercebam, claro.
E há muita direita portuguesa, da pura e dura particularmente, que está à espera de Cavaco, exactamente por isto.
  • Daí o grande perigo de noções ambíguas como a de "cooperação estratégica,"que pode empurrar o Presidente para o plano inclinado de um juízo presidencial sobre o não "regular funcionamento das instituições democráticas," previsto no artigo 195º da Constituição, para a demissão do Governo.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

# 2 Procure no Epigrama




Se quiser ver mais algumas perspectivas e notas sobre o Debate Cavaco/Alegre procure no Epigrama.

Se ainda não conhece, aproveite para conhecer.

Se já conhece, aproveite para testar a sua impressão inicial.

Dizem que a regra é não haver uma segunda oportunidade para uma primeira impressão!

Aproveita esta oportunidade para "pregar uma partida" à regra!

Trata-se de uma espécie de heterónimo bloguístico ( não é presunção! Cada um tem os heterónimos que pode!) do Ventilhador.

Não é bem um guardador de rebanhos.

É mais um espanta-pardais!

Mas, não se preocupe!

Não morde...pela calada!

Mas ladra alto!

Não está a ouvir?

terça-feira, dezembro 06, 2005

O Debate Previsto,mas não Visto (nem Ouvido)

Por isto mesmo, a maioria dos portugueses, nem valendo-se da sua reconhecida capacidade de percepção extra-sensorial, se deram ao esforço de tentar ouvi-lo.
É o que devemos concluir do inquérito-relâmpago da Eurosondagem.
Mas eu vi e ouvi. O debate-estreia. Má estreia, diga-se.
Importante, apenas, por aquilo que, nele, não aconteceu.
Pelo que não foi.
Mas debate importante .
Não para os dois candidatos que lá estiveram.
Mas para aquele que lá não esteve.
Exactamente.
Para Mário Soares.
Para ele,
que, contra todas as expectativas, dele próprio, provavelmente, e do PS, seguramente,
está transformado, no candidato-presente mais ausente ou do candidato-ausente mais presente (a combinação é indiferente) desta campanha presidencial.
Mário Soares está sempre à espera que ela arranque em moldes que lhe sejam favoráveis.
Para o que lhe basta começar a haver campanha.
O que voltou a frustrar-se, ontem.
Mais uma vez, não aconteceu campanha.
Em primeiro lugar, porque não houve verdadeiro debate.
Não houve confronto de posições.
Não houve troca directa de argumentos.
Nenhum esboço de polémica ou de ideias que delimitasse fronteiras claras e inultrapassáveis entre os dois candidatos.
Eles, não só fisicamente, mas também intelectualmente, nunca chegaram a estar frente a frente.
Tiveram apenas dois discursos paralelos.
Mas, para isso, bem podiam ter mandado à SIC dois mandatários.
O resultado seria o mesmo.
Eleitoralmente falando, claro.
E é disto que se fala, quando se trata de campanha eleitoral.
E não de um discurso académico, sobre as diferentes perspectivas que Cavaco e Alegre têm para a Presidência da República e para o País.
Diferenças que resultam, e nunca podiam deixar de ter resultado, não daquilo que eles deveriam ter mostrado, ontem, como candidatos, mas daquilo que os diferencia, inevitavelmente, como pessoas e cidadãos.
Mas tudo isto, os portugueses já conheciam.
Não precisavam ouvi-los, ontem.
E foi o que fizeram.
Não ouviram.
Ou simularam, para a Eurosondagem, que não ouviram .
O que vem a dar no mesmo.
Em segundo lugar, porque o debate se fez, sem qualquer alusão a nenhum dos outros candidatos que, nele, não participaram.
O que é perfeitamente compreensível, e até indiferente, para todos os outros candidatos.
Menos para Mário Soares.
O impulso que o trouxe a esta nova luta da sua vida, mais uma vez, não se confirmou.
Ser uma excepção.
O que, objectivamente, é.
Mas tarda, cada vez mais, a ser reconhecido.
A não ser nos aspectos negativos.
Na fronteira dos estereótipos do inconsciente colectivo português.
Em terceiro lugar, porque só uma vitória arrasadora de um dos dois contendores de ontem podia servir a Mário Soares.
Não foi nada disto que aconteceu.
Não aconteceu, nem relativo KO, nem absoluto OK, para nenhum dos lados.
Nenhum deles foi sequer “às cordas” daquele ringue, muito, mas muito, virtual.
Em quarto lugar, porque aquele formato de debate está talhado para Cavaco.
Mas, se ele não lhe conseguir dar a volta, como acho que conseguiu (ou quase ) com a entrevista a Judite de Sousa, na RTP, não serve a Mário Soares.
Em quinto lugar…Em quinto lugar, ponto final.
Para dois candidatos, que se revelaram tão pouco argumentativos,
mais argumentos revelam-se manifestamente…descabidos.
E, bloguisticamente falando, absolutamente indigest(ivos).

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Procure no Epigrama



Se, por acaso, procura pelo DSousa, por hoje, e por algumas horas, não o vai conseguir encontrar por aqui, no Ventilhador.

O Dsousa resolveu, hoje, ir deambular por outras coordenadas da blogosfera.

Mas não foi para muito longe.

Está aqui perto, mesmo ao virar da esquina desta pequena blogolândia insular.

Saiu, há momentos, para o seu novo Epigrama.

O nome é antigo. Os temas que evoca também. Mas espera-se que, aos poucos, se vá aproximando dos objectivos expressos nos subtítulos.

Apareça sempre! Epigrame-se!

De futuro, talvez o
Epigrama possa vir a dar uma ajuda a "Epigramar-se".

Por hoje, vai ter que "gramar" apenas com os prefácios.

Mas garanto-lhe que o "Epi"... vem já a seguir!

sábado, dezembro 03, 2005

Os blogues e a Internet: Quem Beneficia Quem?

É uma das perguntas que se podem fazer depois da leitura dos seguintes números da European Interactive Advertising Association, em resultado de um estudo abrangendo 7000 inquiridos em 8 países da Europa, em Setembro e Outubro passado, e que revelou que:


13% dos Europeus participam regularmente em blogues ("regularly contribute to blogs").



12% fazem "downloading" de "podcasts", ao menos uma vez por mês.


24% dos Europeus que usam a internet gastam mais de 16 horas por semana em linha (+17% que em inquérito anterior).



29% dos Europeus "descarregam" música da internet, ao menos uma vez por mês.



E 10% fizeram chamadas telefónicas através da web.



A média de tempo semanal dispendido na net é de 13 horas em França, 10 na Holanda e no Luxemburgo, 11 na Grã-Bretanha, 9 na Alemanha.



A média do internauta europeu é de 10 horas e meia semanais.



Como é habitual nestes assuntos, Portugal, embora, um "pouco" maior do que o Luxemburgo e com uma taxa de penetração da internet elevada (58,2% contra os 35,2% da média global de todo o continente europeu, segundo a "Visão"), não foi abrangido pelo inquérito.



Mais relevante ainda do que os números será a conclusão geral do estudo sobre a mudança de "estatuto" da internet, aos olhos dos utilizadores europeus desses 8 países:



"A confiança do consumidor na internet como fonte de informação transformou-a, para a generalidade das pessoas, no "media"mais consistente durante o dia. Com excepção das horas mais matinais (6am – 10am), a internet é o segundo "media" com mais utilização durante o resto do dia."


Mas, para além destes aspectos, o mundo dos blogues e da própria internet tem sido objecto de interessantes novidades de teorização e sistematização de que vou procurar fazer menção e reflexão em próximas entradas.




sexta-feira, dezembro 02, 2005

Algumas Horas Belas...

(…) Mas se te esqueceres ( e tu esquecerás…
/de resto tudo será esquecido, nada restará:
As alvoradas resplandecentes, as Primaveras
E os Outonos que pareciam não ter fim,
A luz vermelha que te iluminou o rosto numa tarde longínqua/
Deixa-me que te lembre, entre tantas,
Algumas horas belas(…)

(Safo, fragmento 96D)



Lembra algumas horas belas…
Deixa que a tua melancólica memória
Te lembre…
Lembra o sol de Outono,
em poente quente,
sobre as colinas de Roma.
Lembra o vulcão de milhões de lâmpadas
a implodir, em fogo, nos céus de Nova Iorque.
Lembra os rios de luz e de oiro,
nas águas nocturnas
do teu mar da tua Salga.
Lembra as sombras alongadas da vida,
na despedida do sol,
esgueirando-se pelas paredes
e pelas calçadas de Lisboa.
Lembra a plácida noite
do outono mediterrânico,
sem estrelas nem vento.
Só noite!
Lembra a feroz tempestade,
em estranja terra.
De tão certeira crueldade
que destruiu
os primeiros ninhos de andorinha
que conseguiste alinhar
nos telhados da tua vida.
Lembra…
Ou nada restará
De ti,
Na tua vida.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

#07 A cada um, o seu muro da vergonha



"Si le projet de "mur" integral défendu par Duncan Hunter, représentant de la Californie, et par son homologue Virgil Goode, de Virginie, a peu de chances de voir le jour, la pression reste forte. Le président George Bush a réservé 7,5 milliards de dollars de son budget 2006 afin d'"affronter le grave problème de l'immigration illégale". Le secrétaire à la sécurité intérieure, Michael Chertoff, prévoit le recrutement de 1 000 agents supplémentaires pour surveiller les frontières avec le Canada, et surtout avec le Mexique. Selon le quotidien Washington Times du 4 novembre, des législateurs républicains préparent un autre projet de loi, visant à mettre fin au "droit du sol", inscrit dans la Constitution américaine, qui garantit la citoyenneté à tout enfant né aux Etats-Unis".

Este sonho do "muro integral", sob outras formas históricas, porventura, menos grosseiras, é um dos mitos recorrentes da sociedade americana e que mergulha fundo nas próprias raizes da sua história originária de colonos fugindo todos de algum mal da velha Europa: a fome, a miséria, as perseguições religiosas ou políticas, o desejo de levar à realização integral determinados princípios religiosos, morais ou políticos.
E que também tem concretizações várias nos diversos movimentos isolacionistas que estão sempre prontos a reaparecer em momentos de crise ou de viragem histórica.
Entretanto, enquanto sonham com a sua nova "Torre de Babel defensiva" ou com as muralhas para a sua "nova Jericó," vão construindo o "muro possível"com milhões de dólares, milhares de polícias e criando uma legião de "metecos" a quem passarão a recusar o elementar direito de cidadania, para, mais facilmente os poderem recambiar para as suas terras de origem.
Assim se caminha para o fecho de um ciclo histórico que muitos outros povos já percorreram.
Um país de imigrantes que cria
emigrantes sem país.