Esta manhã, os acasos da informação avulsa,
levaram-me até aqui:
Trata-se de um sítio totalmente novo para mim.
E também de recente criação.
E com tesouros que parecem inesgotáveis para acesso online.
Por hoje, fiquei-me pela primeira janela
que encontrei aberta sobre a literatura portuguesa.
Esta janela sobre Bocage, que espreito,
antes de passarem os fervores das comemorações
dos 200 anos da sua morte e ele desapareça,
de novo, do espaço mediático da cultura portuguesa.
Esta observação introdutória sobre Bocage parece-me importante.
E esta lamentável peripécia inquisitorial do "pidesco" Pina Manique,
ainda me parece mais significativa.
Só pensar nos poucos portugueses que, hoje,
escapariam a esta "peneira" inquisitorial,
dá-me tentações de ir ali...
... até à Dinamarca.
Só para fazer uma caricatura.
Nem ímpia. Nem sediciosa.
E, muito menos, crítica, claro.
O facto é que algumas obras de Bocage
tiveram de fingir
que "vinham" de sítios mais longínquos
ainda que a própria Dinamarca.
Esta, por exemplo,

É precisamente o que nos diz, o autor que temos vindo a seguir
e a citar
Mais proibida!
Mais subversiva!
Mais actual!
E com pouco mais de 150 anos!
G'ande Manel!
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Esta Manhã... Aconteceu-me Bocage
Publicada por Dsousa à(s) 11:56 da manhã 0 comentários
domingo, fevereiro 19, 2006
A Tentação do Abscôndito
No fundo, é o que mais me seduz na informática.
Serem mais as coisas que desconheço, do que aquelas que, muito lentamente, vou conhecendo um pouco mais.
Por isto mesmo, tenho uma atracção quase mórbida por páginas da internet que espicaçam a minha vasta ignorância, com perguntas provocatórias como as seguintes:



E que respondem a todas estas perguntas, mas, ao mesmo tempo que nos alertam para os perigos presentes:
Nos advertem que, no futuro, os perigos ainda poderão ser maiores:
Acabando por nos anunciar que , afinal, já foi encontrada uma solução para o perigoso presente e para o tenebroso futuro:
E, ainda mais, até o prazo para o remédio gratuito que, inicialmente, estava previsto caducar, no próximo dia 1 de Março, foi prorrogado até Maio.
Assim, ainda temos dois meses para nos entretermos a procurar, graciosamente, os nossos "hidden itens", "hide spyware", e "invisible rootkits", que podem estar a infestar os nossos permeáveis computadores.
Com a minha compulsiva e sôfrega tentação do mistério, já recorri ao milagroso
Já o utilizei, o mais convictamente possível, por várias vezes.
O resultado tem sido sempre um desafio para a minha incomensurável crença:
Mas a minha fé "informática"mantém-se inabalável.
São invisíveis. Não as encontro no meu computador.
..."Pero que las hay, las hay"!
Publicada por Dsousa à(s) 6:36 da tarde 1 comentários
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
O que faz correr Mota Amaral?

O que faz correr Mota Amaral, quando, no mês de Fevereiro de 2006, apresenta, para escândalo de muitos e silêncio espupefacto de outros tantos, o seu "esboço" de projecto de lei do Estatuto do Representante da República nas Regiões Autónomas?
Esta é a pergunta que se pode fazer, repetidamente, em relação a todas as opções políticas importantes da vida pública de Mota Amaral, variando apenas as circunstâncias de lugar, tempo e modo, mas mantendo-se sempre igual a resposta.
A resposta é, de facto, sempre a mesma: O que sempre fez (e continua a fazer) correr Mota Amaral é o destino nacional que Mota, desde sempre, busca e procura forjar para si próprio.
Não um destino confinado à Região, muito menos a qualquer das suas ilhas.
Não um destino confinado à autonomia ou ao seu desenvolvimento e evolução, mas um destino que utilizasse a autonomia e as suas etapas históricas, como instrumento e trampolim para o seu sonhado destino nacional.
Não um destino limitado a um qualquer órgão de representação política ou mandato de âmbito meramente regional, mas um destino que se pudesse articular, quase por predeterminação histórica, com um órgão institucional de dimensão que ultrapasse as estreitas fronteiras geográficas e históricas da Região Autónoma dos Açores.
Passemos ao teste.
Quando se faz a história da evolução do perfil do representante da soberania do Estado nas regiões, diz-se que " as origens da figura do Ministro da República remontam ao projecto de "Bases do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores" elaborado pela Comissão Organizadora do núcleo de Ponta Delgada do então PPD e apresentado à comunicação social, em 8 de Novembro de 1974, por João Bosco Mota Amaral".
Em face disto, conclui-se que o "Ministro da República é um órgão de "genuína criação regional."
Quem mais, na vida política portuguesa, pode apresentar um título tão "glorioso" como este ?
Deixar o seu nome ligado ao momento histórico, quase mágico, da demonstração da capacidade de, numa só figura constitucional, fazer a síntese histórica dos contrários.
Entre aquilo que uns abominam como o representante maior dos restos do "colonialismo" português.
Tendo presente este facto, até já podemos dar o salto para Fevereiro de 2006 e perceber por que é que Mota Amaral não podia estar ausente, quando se volta a colocar, 32 anos depois, a questão do Estatuto da figura do Representante da República, criado pela revisão constitucional de 2004.
Entre a duas datas, fica um quadro de muitos factos e aspectos que nos irão conduzir sempre ao mesmo desenlace histórico.
Mota Amaral preparando o terreno para lançar as sementes do seu rumo nacional.
Noutras entradas, cuidarei de procurar o rasto dessa paciente sementeira.
Publicada por Dsousa à(s) 1:25 da manhã 0 comentários
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Para uns, o "teólogo do terror"

Para outros, uma "aproximação" de moderado...embora pouco.
Fiz-lhe uma referência, numa entrada anterior no Epigrama.
Volto a ele, aqui no Ventilhador, por várias razões.
Em primeiro lugar, para lhe dar o nome correcto, que é Iusuf-al-Qaradawi.
Em segundo lugar, por ser uma forma, tão boa como outra qualquer, de nos irmos aproximando de uma realidade que, embora, remetendo-nos, numa primeira impressão, para um mundo muito distante, na verdade, nos está cada vez mais próxima.
Em terceiro lugar, porque Qaradawi é uma figura controversa, e até “moderada,” num universo cultural que, na imagem de cada dia informativo, sobretudo televisivo das últimas semanas, nos parece totalmente monolítico, fechado e impermeável ao mundo e a valores exteriores.
Mas não é totalmente assim.
Qaradawi é uma dessas frágeis pontes, entre as estreitas margens de rios caudalosos de vários integrismos e fundamentalismos islâmicos.
Embora enredado em contradições insustentáveis ( Israel, bombismo suicida, etc. etc.) é, apesar de tudo, uma dessas pálidas luzes de esperança, que atenuam a escuridão tenebrosa, que se tem a impressão de dominar completamente o mundo árabe.
Quem tiver algum interesse num primeiro contacto com a personagem, pode fazê-lo, facilmente, em muitos sítios da internet, ou aproveitar alguns dos seguintes:
1
2
3
Publicada por Dsousa à(s) 2:15 da tarde 0 comentários
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
A auto destruição da democracia
A questão é suficientemente grave;
O clima de confronto aberto, entre governos de países muçulmanos e os valores e interesses dos países de cultura ou influência europeia é tão violento e tão exacerbado a qualquer pretexto;
que devemos começar a preocupar-nos em fazer as perguntas que devem ser feitas.
Esta de que trata o conhecido Giovanni Sartori, neste breve apontamento, é uma delas.
GIOVANNI SARTORI - 11/02/2006
CORRIERE DELLA SERA, MILÁN, 9 / II / 2006
La clamorosa victoria de Hamas en las elecciones palestinas del 25 de enero pasado ha replanteado un problema sobre el que ya se discutía en los años cuarenta: si la democracia puede matar a la democracia. Porque Hamas no es sólo una organización terrorista; es también la expresión de un fundamentalismo islámico que rechaza frontalmente la idea misma de la democracia. Por esto, no podemos cerrar los ojos sobre el islam. El problema es demasiado grande para dar la impresión de que no nos preocupa. Lo primero que hay que hacer es clarificar las ideas. No es cierto que si hay elecciones hay democracia, o que las elecciones produzcan democracia. En Alemania, en 1933, unas elecciones mataron a una democracia. En Irán, ahora, el voto ha institucionalizado un despotismo reforzado. De por sí, unas elecciones son sólo un método para elegir a los jefes.
Por lo tanto, las elecciones son un instrumento de democracia, sólo se celebran en el contexto de un sistema de estructuras democráticas, y sólo si éstas están gestionadas por unos partidos que profesan unos valores democráticos. Lo que no es el caso ni de Hamas ni de los jomeinistas de Irán. Las elecciones no son una medicina que lo pueda curar todo. Tengámoslo bien presente para prevenir errores futuros, por lo que se refiere a los Hermanos Musulmanes de Egipto. [Link]
Publicada por Dsousa à(s) 4:03 da tarde 0 comentários
Melhor que Cristo...
Melhor que Napoleão...
Mas pior do que qualquer outro,
Da história ou da ficção,
Só mesmo Berluscristo,
Ou antes Berluscão?
Je suis le Jésus-Christ de la politique. Je suis une victime patiente, je supporte tout le monde, je me sacrifie pour chacun."
Le premier ministre italien, Silvio Berlusconi, a inauguré samedi soir la campagne pour les élections législatives des 9 et 10 avril, alors que les sondages le donnent perdant. La veille, "Il Cavaliere" s'était pris pour Napoléon, affirmant que seul l'empereur des Français, avant lui, avait réussi à faire mieux pour l'Italie.
Publicada por Dsousa à(s) 2:40 da tarde 0 comentários
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
António Pinto Ribeiro Falou e Disse
Advogado da Banca e das empresas, José António Pinto Ribeiro tornou-se conhecido publicamente pelo seu combate pelos direitos cívicos em Portugal. Na lei, nas práticas administrativas e sobretudo no sistema judicial.
Fundou e presidiu ao Fórum Justiça e Liberdade, associação destinada ao estudo, promoção e defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
Foi membro da comissão nacional para as comemorações do 50� aniversário da Declaração dos Direitos do Homem. [Link]
António Pinto Ribeiro, advogado e fundador do Fórum Justiça e Liberdade lembra que em Portugal não existe nunca uma avaliação das organizações e que não há qualquer fiscalização ao Ministério Público. Sublinhando que os meios de investigação criminal são fracos e pouco qualificados. Continuam a ser: a confissão, a denúncia e a escuta telefónica.Os tribunais desempenham uma função de mediação concreta entre o privado e o público. É ali que nos confrontamos, que temos razão ou perdemos razão, que se resolvem os conflitos próprios de uma sociedade democrática. Sendo as sociedades democráticas essencialmente conflituais, a condição para que elas funcionem é que os conflitos sejam rapidamente resolvidos. O sistema judicial tem de ser um sistema que resolve rapidamente esses conflitos - sejam de natureza penal, civil ou de natureza administrativa e fiscal. Tem de ser rápido, transparente e credível.... verificar se o sistema judicial produz ou não esses resultados é algo que tem de ser feita pelos órgãos políticos. Não chega o auto-controlo ou a auto-regulação. Se o Parlamento funcionar mal é sujeito a escrutínio público de quatro em quatro anos, por via das eleições. No sistema judicial isso não acontece... [Link]
Em Portugal, o que é típico é que, quando as coisas falham, nós procuramos bodes expiatórios - pessoas concretas. O modelo do Conselho Superior da Magistratura ou do Conselho Superior dos Tribunais administrativos e fiscais é sempre um modelo de sancionar pessoas concretas, apurar a sua culpa individual. Não é um modelo que leve a avaliar a organização, o seu funcionamento e os métodos segundo os quais funciona. [Link]
Publicada por Dsousa à(s) 1:58 da tarde 0 comentários
Será possível dizer algo de novo sobre a "nossa" justiça'?
No próximo fim de semana não sei se ainda será.
No passado fim de semana ainda foi.
Conseguiu tamanha proeza, o advogado António Pinto Ribeiro, em entrevista à “Única” do jornal “Público”.
Mesmo admitindo que, para a maior parte, esta informação já venha atrasada, não queria deixar passar a oportunidade de registar o facto.
Que considero notável.
Por várias razões.
Em primeiro lugar, porque, em assunto, tão mediática e politicamente estafado e requentado, parece difícil descobrir ângulos novos de abordagem do problema.
António Pinto Ribeiro conseguiu isto mesmo.
Em segundo lugar, porque não se fica pela análise dos problemas da justiça, que derivam dos seus agentes, dos seus órgãos ou do próprio sistema judicial, mas relacionou-os com as (más) características do (mau) funcionamento do nosso sistema social global, nomeadamente do nosso sistema político.
E que, todos nós, em cada uma das parcelas do sistema que melhor conheçamos, podemos avaliar e confirmar.
Exemplificando, pelo que melhor conheço.
No sistema político:
- Assembleias de freguesia que nunca (vezes nunca) fiscalizam juntas,
- Assembleias Municipais que nunca( vezes nunca) fiscalizam Câmaras;
- Assembleias Regionais que nunca( vezes nunca) fiscalizam Governos Regionais
- Assembleia da República que nunca (vezes nunca) fiscaliza Governo da República.
Podia multiplicar os exemplos noutras áreas, como a educação, por exemplo.
Mas prefiro acrescentar dois ou três exemplos muito curiosos e elucidativos nesta área da politica.
Da política regional, especialmente.
É o que farei em próxima entrada.
Para não tornar esta, intragável para leitor de blogue.
No entrementes, aqui ficam alguns aperitivos da entrevista do António Pinto Ribeiro.
Mas não se fiquem por eles.
É para ler/ reler ( por que não?)toda a entrevista.
Publicada por Dsousa à(s) 1:58 da tarde 0 comentários
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
O Espinheiro do Apólogo
Este tema do espinheiro, como símbolo de uma das atitudes mais tradicionais e, culturalmente mais enraizadas, sobre a política e os políticos, é um tema quase inesgotável.
E também venerável pela sua antiguidade.
A sua primeira leitura é obviamente desfavorável ao exercício da actividade política e aos seus actores.
Mas não é, seguramente, a leitura inevitável, nem sequer a única leitura possível.
Bastará pensar que não se pode criticar o espinheiro por não dar azeitonas, figos ou uvas, como a oliveira, a figueira e a videira.
Senão, não seria espinheiro.
Mas oliveira ou figueira ou videira.
Mas dá sombra.
E dispõe-se a oferecer a sua sombra a todos.
Só põe uma condição.
Que todos a queiram.
Que é uma condição, que, hoje, nós percebemos muito bem , no contexto em que é posta pelo Apólogo.
Mas que é uma condição, que se poderia considerar revolucionária para o, provável, século XII AC, em que é posta.
Não se deve considerar isto, um belo “fruto”, para um reles espinheiro de tão recuados tempos?
Além disso, trata-se de um “fruto”que não nasce no espinheiro com a inevitabilidade biológica com que as azeitonas nascem nas oliveiras, os figos nas figueiras e as uvas nas videiras.
Se o espinheiro se quedasse ao nível biológico apenas produzia espinhos.
Dito isto, deixo-vos com duas imagens alusivas ao espinheiro.
A primeira é de uma acácia.
Género a que pertence o espinheiro.
A segunda, é a imagem de um ramo de uma “acacia glomerosa Benth”, a que se dá a designação vulgar de espinheiro.
A estas imagens acrescento um texto, que sugere também uma outra pista para uma diferente leitura do apólogo do espinheiro.

Publicada por Dsousa à(s) 1:39 da tarde 0 comentários
terça-feira, fevereiro 07, 2006
O Apólogo do Espinheiro
Joatão foi e parou sobre o cimo do monte Garizim.
Levantando a voz, clamou, dizendo:
Ouvi-me homens de Siquém, para que, assim, Deus vos ouça.
Foram (uma vez) as árvores, para eleger sobre si um rei.
Disseram à oliveira:
Reina sobre nós.
Mas ela respondeu:
Porventura, posso eu deixar o meu óleo, de que se servem os deuses e os homens, para vir a ser superior entre as árvores?
E as árvores disseram à figueira:
Vem e reina sobre nós.
Mas ela respondeu-lhes:
Porventura, posso eu deixar a minha doçura, os meus suavíssimos frutos, para ir ser superior entre as outras árvores?
E as árvores disseram à videira:
Vem e reina sobre nós.
Mas ela respondeu-lhes:
Porventura, posso eu deixar o meu vinho, que alegra Deus (nos sacrifícios) e os homens, para ser superior entre as outras árvores?
E todas as árvores disseram ao espinheiro:
Vem e reina sobre nós.
E ele respondeu-lhes:
Se vós deveras me constituís vosso rei, vinde e repousai debaixo da minha sombra.
Mas, se o não quereis, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano.
(Juizes, 9, 7-15)
Publicada por Dsousa à(s) 3:08 da tarde 0 comentários
Juízes, porquê?
No Israel do Antigo Testamento, porque exerciam a função de julgar?
Claro que não.
Juízes foram chamadas certas personagens insignes que, depois da morte de Josué até à constituição do reino - isto é, desde o século XII ao XI a.C. - libertaram, em várias circunstâncias, o povo de Israel dos inimigos.
Não formaram uma série ininterrupta, mas eram chamados pelo Senhor segundo as necessidades. Eram uma espécie de "ditadores" que, cumprida a missão libertadora, continuavam a exercer autoridade sobre o povo pelo resto da vida. Não dominavam sobre todo o povo, mas só nas tribos que libertavam do inimigo; desta forma não é impossível que alguns juízes exercitassem ao mesmo tempo sua função. [Link]
Este livro toma seu nome dos 13 homens levantados para libertar Israel durante a decadência e a desunião que se seguiram à morte de Josué. Mediante estes homens, Jeová continuou seu governo pessoal de Israel. O versículo chave da condição de Israel é 17.6: “Cada qual fazia o bem que lhe parecia”...") ... [Link]
Houve três tipos principais de Juízes:
1. Juiz Guerreiro como Gideão e Sansão
2. Juiz-Sacerdote, como Eli
3. Juiz-Profeta, como Samuel
No Portugal actual:
Assim sendo, em Portugal,
Os nossos Juízes
Não são,
De certeza,
Nem guerreiros, nem profetas, nem sacerdotes.
Não é impossível,
que alguns exerçam a sua função.
Mas, muito provavelmente,
“cada qual fazia aquilo que lhe apetecia”.
Publicada por Dsousa à(s) 1:51 da tarde 0 comentários
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Os "distritos" dos Açores
Continuemos, então, com os anacronismos institucionais que o Secretariado Técnico para os Assuntos Eleitorais ( STAPE), provavelmente a coberto
de algum misterioso pretexto informático, continua a espalhar pelo país, servindo-se das técnicas mais modernas.
Nas eleições presidenciais, foram as televisões. No caso presente, é a internet.
Na sua página da "Divisão Territorial e Endereços, vamos encontrar a "Divisão Territorial-Portugal" e os respectivos "códigos de distrito".
No elenco de todos eles, vemos surgir, depois dos 18 distritos do continente, os seguintes:
Para completar a confusão, a seguir a um distrito/código
aparecem-nos os dois seguintes:

Parece-me claro que o raciocínio mais espontâneo é o seguinte:
Se, ao distrito/código "90 continente" correspondem 18 distritos reais, também ao distrito/código "91 Região Autónoma dos Açores" devem corresponder três distritos efectivos. Tanto mais que o título principal da página é "Divisão Territorial".
Também me podem dizer que toda a gente sabe que " 90 continente" não pode ser uma divisão administrativa efectiva.
Então- pergunto eu- como se justifica estar na mesma "prateleira" do"91 Região Autónoma dos Açores" e "92 Região Autónoma da Madeira", que são, ambas, divisões territoriais bem reais?
Parece-me saltar à vista que há, aqui, lógicas contaditórias, que levam a que estas "confusões" terminológicas terminem em manuais de Educação Cívica, adoptados nos Açores, que as reproduzem.
É tema que fica, já, para uma das próximas entradas.
Publicada por Dsousa à(s) 5:15 da tarde 0 comentários
Os Açores como distrito
...Ou os distritos dos Açores
É assunto que retomo da última entrada.
Mas, agora, noutra dimensão.
Não já na simples dimensão da ignorância cívica individual.
Mas da “confusão” cívica institucional.
Para usar linguagem muito moderada.
E tomo como primeiro exemplo, a página oficial do Secretariado para os Assuntos Eleitorais, organismo técnico do Ministério da Administração Interna, onde as confusões são quase tão variadas e graves como as que existiam na cabeça da professora de que ontem falei.
Na imagem que antecede este texto estamos a ver a verdadeira fonte daquilo que as televisões repetiram para milhões de espectadores na noite das eleições presidenciais.
Os Açores classificados como aquilo que não são e durante séculos lutaram por não ser.
Mais um distrito como todos os outros do continente.
Poderá ter havido muita gente que pensou que esta designação “distrito Açores” era uma falha das televisões.
Não senhor.
Foi apenas uma daquelas soluções de facilidade e facilitação “informática” do STAPE para poder abranger todo o país na “rasoira” de um mesmo título.
Contribuindo assim, por verdadeiro e lamentável “desleixo” e “descuido” cívico, para espalhar um erro que milhares, senão milhões, de portugueses terão, consciente ou inconscientemente, assimilado.
Mas a referida página do STAPE abunda noutros anacronismos cívicos institucionais, de que falarei já a seguir.
É mesmo já a seguir...
Publicada por Dsousa à(s) 3:01 da tarde 0 comentários
terça-feira, janeiro 31, 2006
Os Açores têm três distritos

É a sólida convicção de uma senhora professora de Educação Cívica de uma das nossas escolas integradas.
E, pelo exemplo, também "integradoras".
Tão sólida é a convicção da cívica educadora que desafiou as suas jovens alunas a apresentarem-lhe uma declaração escrita(sic) do Presidente da Câmara (sic) a demonstrar-lhe o contrário.
É claro que a demonstração apropriada desse monumental dislate de uma professora de Educação Cívica, nos Açores, já lhe foi feita e, neste momento, já a senhora docente deve estar da posse de toda a verdade "cívica" sobre o tema.
Só lamento não estar em condições de informar como é que ela reagiu a tão inesperada informação e que crediblidade passará a ter junto dos seus alunos no seu estatuto de docente "cívica".
Quaisquer considerações sobre este "analfabetismo" cívico parecem-me escusadas.
Só espero que se trate mesmo de um caso único.
E a extinguir, quando vagar...Ou até antes!
Publicada por Dsousa à(s) 3:10 da tarde 0 comentários
domingo, janeiro 29, 2006
What is badware ?
Não creio ser demais repetir a pergunta.
Há escassos minutos ainda, a palavra e o conceito eram-me inteiramente desconhecidos.
Nem sequer constam do glossário tradicional do "malicious software" que atormenta todos os utilizadores da internet.
Como se pode constatar por este glossário.
Reviews and free downloads at Download.comMas já tem presença na internet

Já tem manifesto programático
StopBadware Manifesto
E definição com rigor universitário
Badware is malicious software that tracks your moves online and feeds that information back to shady marketing groups so that they can ambush you with targeted ads.
Vamos, então, aguardar notícias (ou contribuir para as descobrir), sobre esses "shady marketing groups".
Publicada por Dsousa à(s) 12:36 da manhã 0 comentários
sábado, janeiro 28, 2006
O Mozart possível. No dia seguinte.
Ontem, não houve actividades bloguísticas, aqui por estes lados.
Assim, só hoje, me posso juntar, ao que todo o mundo comemorou, ontem.
O 250º aniversário do nascimento do WAM, no ano do WAM, no tempo em que WAM estará mais no centro das memórias de todos os cultores desinteressados ou interessadíssimos de WAM.
Uso só a sigla, com as iniciais do nome de Mozart, em vez do seu nome, porque, se a sigla ainda não nasceu, não estará longe de ver a luz do dia da publicidade e do mercado global.
Junto o meu tributo do dia seguinte, com a seguinte história, já muito antiga:
Na corte celeste, quando Deus Padre está presente, os anjos ouvem Bach.Quando Deus Padre se ausenta, os anjos ouvem...Mozart.
Se me permite um conselho, seja "anjinho".
Ouça Mozart.
Ou WAM, se preferir.
E até pode tê-lo todo, em sua casa, por uma pechincha.
Por menos de 1,50€ por CD.
Enquanto não se decide, deixo-o com estas imagens.
Este é considerado o último retrato de Mozart vivo.
É de 1789.
Mozart morreu, em 1791.
A imagem seguinte é da família.
Quando o que está em comemoração é o nascimento de Mozart,
é oportuno lembrá-la.
Finalmente, outro membro da família.
Joseph Haydn.
A quem o próprio Mozart, chamava o "papá Haydn".
Pai espiritual, claro.
De muita da sua inspiração e de muitas das suas obras.
Com toda a familia e obra de Mozart, assim reunida, podemos avançar, serenamente, pelo que promete ser o "ano um" da era Mozart.
Ou era WAM.
Esperemos que o seja, para muitos novos ouvintes WAM!
Wolfgang
Amadeus
Mozart
Nota Bene. Esta nota também é do "dia seguinte" a esta entrada mozartiana. Só, ao voltar a ler a entrada depois de publicada, é que constatei que o preço "por/CD" do "Tout Mozart" está errada. O custo de cada CD anda é pelos 0,70€.
Publicada por Dsousa à(s) 4:15 da tarde 0 comentários
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Assim se faz a GLOBALIZAÇÃO cultural
Achinesando a ...GOOGLE(LIZAÇÃO).

Google chinês vai censurar termos politicamente sensíveis... Mesmo contrariando sua defesa por um livre fluxo de informações, a empresa se dispôs a fazer concessões. O sacrifício se justifica pelo tamanho do mercado chinês, o segundo maior do mundo, com 111 milhões de internautas.
Outras companhias, como a Yahoo e a Microsoft, também bloqueiam em seus sites chineses temas delicados, como a independência de Taiwan e o movimento espiritual Falun Gong (cujas práticas têm imensa popularidade na China, mas foram proibidas em 1999).
- Para operar na China, retiramos... [Link]
Publicada por Dsousa à(s) 1:48 da tarde 0 comentários
quarta-feira, janeiro 25, 2006
No se puede descartar que Portugal entre en una fase de convulsión.
Esta é uma das muitas frases que a imprensa internacional dedicou a Portugal, nos comentários à eleição do novo Presidente da República.
Parece-me que é evidente para toda a gente que nada pode ser descartado.
- Nem a convulsão nem a comunhão.
- Nem o entendimento total, nem o desentendimento absoluto.
- Nem um país que, todo ele, se acolha à sombra pacificadora do novo “Cavaco-Presidente”, eleito por mais 30.000 votos, como, em 86, se acolheu, à sombra do “Soares-Presidente”, eleito por mais 100.000 votos de que o seu opositor.
- Nem um país que continue tão dividido, nas expectativas e na imagem que se faz do novo Presidente, como se revelou nos votos.
Tudo está em aberto.
Tudo pertence ao mundo dos possíveis.
Tudo está tão incerto e indefinido
- como antes da apresentação das candidaturas em tribunal,
- como antes das candidaturas apresentarem os seus programas eleitorais,
- como antes de se iniciar a pré-campanha eleitoral,
- como antes de se iniciar a campanha eleitoral,
- como antes dos debates televisivos de há um mês,
- como antes...
- como antes...
- de ter havido um acto eleitoral considerado democraticamente modelar, em participação, em mobilização, em execução, no dia eleitoral e na noite de apuramento eleitoral, nas sondagens, nos comentários e nas declarações dos candidatos.
Esta é uma situação que, ontem mesmo, num dos muitos debates que se sucederam ao apuramento dos resultados, ouvi elogiar como fazendo parte do mistério, da nebulosa de secretismo e indefinição que deve rodear as funções e a figura do Presidente.
Porque este Presidente eleito teria sido, como candidato, o que melhor teria incarnado a imagem de
- o menos ligado a qualquer partido,
- o que menos compromissos concretos assumiu com o eleitorado,
- o que só reconheceu e agradeceu o apoio dos líderes dos partidos que o apoiaram depois da eleição,
- o que deu uma imagem de menor enquadramento partidário ou político,
ao apresentar-se à multidão, das varandas do CCB, não na companhia dos seus mandatários ( apolíticos, também?)
para quem acabara de fazer um discurso político, mas da família alargada, com a qual se gaba de nem falar de política.Mas é uma situação que, cada vez mais custa a aceitar e a justificar depois de uma movimentação nacional para as presidenciais que mobiliza, há seguramente mais de dois anos, jornalistas, meios de comunicação social, comentadores e políticos de um país inteiro.
E que, depois de todo este trabalho de apuramento, selecção, triagem e decantação, o que se conseguiu foi eleger alguém, que entrou em todas estas sucessivas fases de “testagem”, como um enigma e a todas superou, saindo ainda com uma feição, humana e política, mais enigmática do que quando nelas entrou.Com tabú e como tabú saiu da política há dez anos, e com tabú e como tabú regressa e se consolida(rá) para outros dez (prováveis).
Afinal, este país adora, da democracia, não é o seu esforço permanente que, como definição a singulariza, para tornar transparentes os mecanismos de funcionamento da sociedade, mas aquilo que, em democracia, continua a subsistir e a resistir a todos os esforços de transparência.
Com duas circustâncias agravantes, neste caso concreto de Cavaco.
Ele representar e ser apoiado pela área política de direita, a que o povo nunca tinha confiado, em trinta anos, a Presidência, por a considerar mais propensa à crispação, ao confronto e à instrumentaização das funções do Estado, do que ao consenso e ao compromisso e isenção inerentes ao cargo.
E ainda por, os motivos de possível conflito, entre a Presidência e o Governo, derivarem, não do exercício das funções para que Presidente e Primeiro Ministro foram eleitos pelo voto popular, mas daquilo que ambos são para além disto.
O Presidente, quer queira quer não, o depositário dos sonhos frustados da direita portuguesa.
O Primeiro Ministro, quer o queira fazer esquecer quer o assuma, o líder de um partido abalado por duas derrotas numa só eleição (um verdadeiro recorde para o “Guinesse”).
A derrota (absoluta) do candidato que escolheu.
E a vitória (relativa) do candidato que rejeitou.
Publicada por Dsousa à(s) 9:30 da manhã 0 comentários
terça-feira, janeiro 24, 2006
Uma Sensibilidade Nova...
Le président de l'Assemblée nationale, Jean-Louis Debré, a-t-il proposé que chaque Conseil européen soit désormais précédé d'une séance spéciale de l'Assemblée au cours de laquelle le gouvernement explique les positions qu'il s'apprête à défendre. Plus révélateur encore de la sensibilité nouvelle des parlementaires sur les questions européennes, les auditions systématiques des ministres à l'issue des principales réunions intergouvernementales. Ainsi, pour la première fois, le ministre de l'économie, Thierry Breton, sera-t-il entendu conjointement, jeudi 26, par la commission des finances et la délégation pour l'Union européenne, sur les décisions en matière de taux réduits de TVA.
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As virtudes do “NON”

Le non au référendum sur la Constitution a agi auprès des parlementaires français comme un révélateur de la distance qui s'était établie avec les instances européennes. La première conséquence a été le renforcement de la présence de fonctionnaires du Parlement français à Bruxelles afin d'améliorer le suivi des négociations européennes et d'anticiper sur l'impact des propositions de la Commission au niveau national. Le traité d'Amsterdam prévoit, en effet, un délai de six semaines entre la transmission au Conseil et au Parlement européens d'une proposition d'acte législatif et son inscription à l'ordre du jour. [Link]
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domingo, janeiro 22, 2006
Uma semana de (pequenos) dilemas
Há semanas assim.
Em que a vida nos obriga a opções sem meio termo.
Ou entregarmo-nos à força e à intensidade dos factos e acontecimentos de cada dia (ou semana) que nos cabe em sorte, ou continuarmos dispersos por mil e uma pequenas tarefas.
Como escrever para "o ventilhador", "o epigrama" ou o "álamo esguio".
A minha opção desta semana foi pela "velha" vida, contra as novas tecnologias.
E da próxima?
E da outra, depois da próxima?
É questão de esperar.
Para ver.
Esperemos, então.
E, logo, veremos!
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segunda-feira, janeiro 16, 2006
# 1 Os dilemas das presidenciais 2006
“Penso que devo ser o último dos grandes presidentes de França.
Quero dizer, na linha de De Gaulle. Depois de mim, não haverá nenhum outro...
Por causa da Europa...
Por causa da mundialização...
Por causa da evolução inevitável da instituições...,
o Presidente vai transformar-se numa espécie de Super-Primeiro Ministro.
Ele será frágil.”
Nesta fase do debate e do combate das eleições presidenciais, não seria uma boa altura para pensar nestas palavras de François Miterrand, proferidas a poucos dias da sua morte de que a França, neste mês de Janeiro, comemorou e recordou a passagem do seu décimo aniversário ?
Não será mesmo de um Super- Primeiro-Ministro, que os portugueses andam à procura?
Pelo menos a maioria que as sondagens vão permitindo captar.
Decerto, não é à procura de um rei eleito, que reine mas não governe.
De alguém, que os representa, mas não os pareça acompanhar nas suas incertezas e dificuldades diárias.
De alguém, que esteja muito acima de todos eles pelo seu percurso e pelo seu estilo de vida .
De alguém, com quem eles apenas sintonizam através de entidades abstractas como a soberania nacional, o poder de veto,a promulgação das leis, o semipresidencialismo;
De alguém, que deixou, por alguns momentos, as páginas da história em que já o julgavam para sempre entronizado e, que, com divina e mais que humana generosidade, se predispõe a conceder-lhes a benesse da sua experiência universal e imensa sabedoria dos homens e da vida.
Será que o paradigma jurídico do Presidente da República ainda corresponde ao paradigma sociológico que os portugueses procuram nestas eleições?
Algum ajustamento haverá a fazer.
Que orientação deve seguir tal ajustamento, é o que há-de ditar o resultado destas eleições e a experiência de equilíbrio, desequilíbrio ou reequilíbrio de poderes, que se lhe seguirá.
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sexta-feira, janeiro 13, 2006
Sobre Souto Moura. O que não se compreende.
Mantendo-nos apenas naquilo que, hoje, é notícia sobre Souto Moura, que também dá pela designação de Procurador Geral da República, o que não se compreende é o título das notícias. Mas, então, ainda é notícia, e título de notícia ou "lead" de notícia, que:
- Souto Moura diz que será instaurado um inquérito
- "Ordenou-se de imediato a instauração de um inquérito que apurará com rigor a correspondência ou não correspondência de tais notícias ao efectivamente ocorrido e daí se extrairão as devidas consequências", diz a PGR em comunicado.
- Casa Pia: PGR abre inquérito sobre registo de chamadas telefónicas
- «inquérito rigoroso » sobre o caso.
- Casa Pia: PGR abre inquérito sobre escutas (act.)
- A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito para apurar a veracidade da notícia divulgada hoje pelo 24horas sobre um registo de milhares de chamadas feitas a partir de telefones de altas individualidades no âmbito do processo Casa Pia.
Mas tudo isto, já não é dito e redito pela enésima vez, sem quaisquer resultados?
- E continua a ser notícia ?
- E continua a ser título de notícia?
- E continua a ser "lead" de notícia?
E se, para variar, passasse a ser notícia, e título de notícia e "lead" de notícia:
- PGR ainda precisa de fazer inquéritos para saber o que se passou no processo mais mediático dos últimos anos em Portugal.
- Encontra-se o registo das chamadas, mas não o mandado do juiz para as fazer.
- Encontram-se chamadas aos milhares, números de telefone às centenas, conteúdos de conversas sem qualquer relevância para o processo, nem uma só que tenha qualquer ligação com o processo Casa Pia.
E, por exemplo, a terminar, uma notícia como a seguinte:
- Há uma razão histórica de peso para Souto Moura, também conhecido, desde há anos demais, como Procurador Geral da República, não ter pedido a demisão:
Pilatos também ainda nunca pediu para sair do "Credo".
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quarta-feira, janeiro 11, 2006
Esta manhã, o "surrealismo" belga...veio ter comigo
Vou é necessitar do dia todo, para esclarecer se o auto-designado " surrealismo belga" me atingiu com esta notícia:

Cinq ans après avoir interdit l'écourtage des oreilles des chiens, la Belgique a interdit cette année l'amputation des queues de chien, sous peine d'amende pouvant atteindre 5 500 euros.Ou, se, pelo contrário, o que me deve deixar verdadeiramente siderado, são os preconceitos mútuos, entre flamengos e francófonos:
Cloisonnement identitaire entre Flamands et Wallons
Les francophones jugent globalement les Flamands égoïstes, orgueilleux, austères, mais aussi courageux, gestionnaires et créatifs. » Paradoxalement, dans la même enquête, les Flamands s’estiment moins rigoureux et créatifs mais plus négligents que les Francophones... « On aura tout vu ! Avec ces résultats, qui apparaissent tellement à contre-courant des idées reçues, ce sondage confirme une des grandes caractéristiques de la Belgique : le surréalisme. »
La presse aussi est exclusivement unilingue. « Il n’y a jamais eu de journal bilingue en Belgique, alors que ça a été le cas en Suisse ou au Luxembourg. Le bilinguisme n’a jamais existé en Belgique », observe Guido Fonteyn. Pas de médias bilingues et très peu de lecteurs bilingues. « Il n’y a que 3 % de personnes qui lisent la presse de l’autre communauté », ajoute M. De Winter.
Pior ainda será, provavelmente, se alguém tiver a curiosidade de procurar saber o que pensam os cães com donos flamengos, dos cães com donos francófonos.
Ladram-se, uns aos outros, em inglês, na Grand-Place?
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terça-feira, janeiro 10, 2006
Esta manhã, a Google veio ter comigo.
Publicada por Dsousa à(s) 1:29 da tarde 0 comentários
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Uma leitura matinal: Três Ideias a Reter
ue font les Français ? Ils regardent la télévision. Trois heures et 26 minutes en moyenne par jour et par personne, si l'on en croit les derniers chiffres de Médiamétrie.Contrairement à ce qu'on supposait, la télévision n'a pas tué la radio : celle-ci a su conserver un public attentif, qui tend l'oreille et retient ce qu'il écoute. En revanche, la presse écrite quotidienne a été de plus en plus affectée par le petit écran, avant de l'être par Internet, qui a effacé les frontières entre texte, son et image.
Le zapping ne se limite plus à la boîte à images : c'est devenu une manière de vivre. Faire un kilomètre à pied par tous les temps pour acheter son quotidien semble appartenir à un autre siècle : on attend qu'il soit livré à domicile, dans la boîte aux lettres ou sur l'écran. Tout doit être à portée de main, de télécommande ou de souris.
La boîte à images , par Robert Solé
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domingo, janeiro 08, 2006
# 4 as histórias Fabulosas de...
http://www.lavanguardia.es/web/20060108/51216362752.html
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# 3 as histórias Fabulosas de...
\Explorer Capturesratzineircristianismo\INOXNET 05-01-2006 13 57 49.jpg)
O Joãozinho feliz
Tendo achado demasiado pesada e incómoda a barra de ouro que ganhara,
o Joãozinho
- trocou-a primeiro por um cavalo,
- depois trocou o cavalo por uma vaca,
- a vaca por um ganso
- e o ganso por uma pedra de amolar;
- e mesmo esta acabou lançando à água,
pois não se dava conta do prejuízo.
Pelo contrário:
achava que tinha ganho, finalmente, o dom precioso da liberdade completa.
A história deixa por conta da fantasia do leitor
imaginar o tempo que João deve ter levado a curar-se da sua perturbação,
e como deve ter sido sinistro o momento em que despertou da sua pretensa libertação.
Moral: Há uma variedade de insensatos que, mesmo antes de analisarem uma novidade, já a consideram melhor, por se tratar de algo novoHá uma variedade de insensatos que, mesmo antes de analisarem uma novidade, já a consideram melhor por se tratar de algo novo.
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quinta-feira, janeiro 05, 2006
# 2 As histórias Fabulosas de...
Antonio Alçada Baptista![]()
Mas, afinal, o que é o Brasil?
É tão fácil de ver e tão difícil de dizer.
O Brasil é aquele homem loiro que uma noite, há treze anos, dançava numa boite de São Paulo com uma negra e para quem o meu amigo Diaulas Readel me chamou a atenção:
-Estás vendo aquele alemão, além, dançando com a mulata?
- Estou, e daí?
É capaz de estar aqui há três meses e há quatro ainda era nazi.
O Brasil é isso.
Desta vez, Fernando Claro deu-me mais um precioso elemento para a explicação deste meu caso com o Brasil.
Isto porque eu lhe perguntei qual a razão por que não havia lá touradas já que, em toda a
a América Espanhola, a tourada suscitava interesse e aficion.
-A Coisa tentou-se mas o negócio não deu, não.
Em 1950, quando Mendes de Morais foi prefeito do Rio mandou construir uma praça de touros ao lado do Maracanã.
Para promover melhor as corridas, deixou que a entrada fosse gratuita.
Aquilo ficou cheio mas teve que acabar.
Pois não é que o povo torcia pelo touro?! Era. Aplaudia o touro e
assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizavam muito e a
coisa não deu, não.
Pois não é que o povo torcia pelo touro?! Era. Aplaudia o touro e assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizavam muito e a coisa não deu, não.
Moral: Creio que o Brasil corresponde àquela parte de mim que torce
pelo toiro,
que homenageia a sua fúria solitária,
a sua coragem desacompanhada,
- contra o jogo,
- as astúcias
- e as vantagens dos homens.
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# 1 As histórias Fabulosas de...
Millôr Fernandes
O Socorro
Ele foi cavando, foi cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar.
Mas, de repente, na distracção do ofício que amava, percebeu que cavara de mais.
Tentou sair da cova e não conseguiu.
Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair.
Gritou.
Ninguém atendeu.
Gritou mais forte.
Ninguém veio.
Enrouqueceu de gritar.
Cansou de esbravejar.
Desistiu com a noite.
Sentou-se no fundo da cova, desesperado.
A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardas.
Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia mais um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos.
Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos.
Deitado no fundo da cova o coveiro gritou.
Os passos se aproximaram.
Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia:
«O que é que há?»
O coveiro então gritou, desesperado:
« Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!».
«Mas coitado!» - condoeu-se o bêbado. - «Tem toda razão de estar com frio.
Alguém tirou a terra toda de cima de você, meu pobre mortinho!».
E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri- lo cuidadosamente.
Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
Publicada por Dsousa à(s) 2:13 da tarde 0 comentários
segunda-feira, janeiro 02, 2006
# 2 O Mito e os mitos
Mantenhamo-nos, um pouco mais, na questão dos pequenos e grandes mitos.
Continuemos, igualmente, com a obra de que falei na entrada anterior, ( Los mitos de la Historia de España), mas cujo autor, por lapso, omiti.Aqui fica o seu nome: Fernando García de Cortázar.
Voltemos à citação do seu texto, que ficou incompleto na anterior entrada de fim de ano. "Um país, em democracia, não necessita de mitos.
Necessita é de viver com naturalidade, sem tribos nem bíblias políticas, o facto e a consciência nacional.
Um país em democracia não vive de metafísica, mas de compartilhar um legado comum de recordações, de lealdades não excluentes nem exclusivas, que permitam olhar o passado sem ódio nem azedumes recriminatórios.
Com a crítica dos absolutos começa a esperança, começa a liberdade". Alguns, ao ler este texto, poderão ser levados a pensar que ele traz tão marcada a verdadeira luta de Jacob e do Anjo de Rembrandt, que intercalei neste "post", e que, desde sempre, se trava em Espanha, com a virulência e o extremismo de posições, que o tornaria inaplacável em Portugal. Não me parece que seja assim.
Para qualquer das regiões deste país de centralismos muito enraízados.
Lembremos apenas, os obstáculos "mitológicos"( não lhes encontro melhor classificação) que, até hoje, impediram a regionalização do continente português, apesar de a Constituição o impor sem ambiguidades.
E muito menos o é para as Regiões Autónomas.A dificuldade está em conseguir reduzir às dimensões de um blogue, os abundantes exemplos destes escolhos "mitológios"que, até hoje, impediram a clarificação de questões de alcance vital para as Autonomias Insulares
Vou-me ficar apenas por um só exemplo.
Porque tem sido um dos meus "cavalos de batalha," nos tempos mais recentes, e em instâncias várias.
Alguém conseguiu explicar, até hoje, porque é que nunca se concretizou, com clareza, a simples disposição constitucional que diz:
"As regiões autónomas(...)têm os seguintes poderes, a definir nos respectivos estatutos"?
A concretização desta simples disposição, contida nesta palavra definir, já poderia ter arrumado, em definitivo, e há muito, aquilo que seis revisões constitucionais não conseguiram e três versões estatutárias ( se não erro no número) também não lograram alcançar.
Tudo, por uma simples razão.
Porque, fazê-lo, seria matar, de vez, uma dupla ilusão.
A ilusão dos autonomistas "progressivos"(mantenhamos o palavrão que, historicamente, os baptizou) e que continuam a dizer e a escrever, em moções para congressos recentíssimos, que é uma "leitura constitucional possível, de que, nas Regiões Autónomas, o Estado são os órgãos de governo próprio."
Deixo para futura entrada, a referência a um "mitologismo" perfeitamente desfasado, apesar de totalmente ridículo, que, nem a última revisão conseguiu arredar do texto constitucional.
Publicada por Dsousa à(s) 9:53 da tarde 0 comentários










