terça-feira, junho 13, 2006

Mundial 2006 Desmente Aristóteles e Vieira

"Falando dos peixes, Aristóteles diz
que só eles,
entre todos os animais,
se não domam nem domesticam.

Dos animais terrestres
o cão é tão doméstico,
o cavalo tão sujeito,
o boi tão serviçal,
o bugio tão amigo ou tão lisonjeiro,
e até os leões e os tigres com arte e benefícios se amansam.
Dos animais do ar,
afora aquelas aves que se criam e vivem connosco,
o papagaio nos fala,
o rouxinol nos canta,
o açor nos ajuda e nos recreia;
e até as grandes aves de rapina,
encolhendo as unhas,
reconhecem a mão de quem recebem o sustento.

Os peixes, pelo contrário, lá se vivem nos seus mares e rios, lá se mergulham nos seus pegos, lá se escondem nas suas grutas, e não há nenhum tão grande que se fie do homem, nem tão pequeno que não fuja dele.

Os autores comummente condenam esta condição dos peixes, e a deitam à pouca docilidade ou demasiada bruteza; mas eu sou de mui diferente opinião.
Não condeno, antes louvo muito aos peixes este seu retiro, e me parece que, se não fora natureza, era grande prudência.

Peixes! Quanto mais longe dos homens, tanto melhor; trato e familiaridade com eles, Deus vos livre!

Se os animais da terra e do ar querem ser seus familiares, façam-no muito embora, que com suas pensões o fazem.
Cante-lhes aos homens o rouxinol,
mas na sua gaiola;
diga-lhes ditos o papagaio,
mas na sua cadeia;
vá com eles à caça o açor,
mas nas suas piozes;
faça-lhes bufonarias o bugio,
mas no seu cepo;
contente-se o cão de lhes roer um osso,
mas levado onde não quer pela trela;
preze-se o boi de lhe chamarem formoso ou fidalgo,
mas com o jugo sobre a cerviz,
puxando pelo arado e pelo carro;
glorie-se o cavalo de mastigar freios dourados,
mas debaixo da vara e da espora;
e se os tigres e os leões lhe comem a ração da carne que não caçaram no bosque,
sejam presos e encerrados com grades de ferro.

E entretanto vós, peixes, longe dos homens e fora dessas cortesanias, vivereis só convosco, sim, mas como peixe na água".

As imagens são de peixes, domados e domesticados, para um "Mundial 2006 aquático," disputado no "Aquário de Yokoshava", no Japão, entre a equipa da casa(de azul) e o Brasil(de amarelo).

As imagens foram retiradas
daqui , daqui, daqui
e também
daqui


O texto é do "conhecido" Sermão de Santo António" do P.e António Vieira, pregado em S. Luís do Maranhão, três dias antes de se embarcar ocultamente para o Reino.

Leitor, se desperdiçaste os dois linkes anteriores, aproveita este terceiro linke, que faz o favor de te levar directamente à leitura de todo o Sermão".

Não te assustes com a palavra "Sermão".
Também lhe podes chamar
"o mais belo texto que, alguma vez, foi escrito em português".

domingo, junho 11, 2006

Portugal-Angola O peso dos preconceitos gauleses

A última novidade que esperava encontrar hoje, era um texto em francês, do "universalista" Le Monde, sobre o Portugal-Angola desta tarde, no mais puro estilo chauvinista gaulês, mas bem mascarado com a desculpa dos "apostadores britânicos" e as peripécias e as imagens de um desafio de futebol, velho de 5 anos.
Daqui a pouco poderemos ter a confirmação ou não( esperemos que não) destes sombrios presságios parisienses.

Portugal-Angola : le poids du passé

Pour les parieurs britanniques, l'Angola est l'équipe dont on a le moins à espérer, l'outsider suprême de ce Mondial. En face, les Deco, Pauleta, Cristiano Ronaldo devraient faire parler leur talent. Mais la rencontre s'annonce aussi musclée : le dernier match entre le Portugal et son ancienne colonie, en 2001, avait en effet donné lieu à une avalanche de cartons rouges... [Link]




S P Q R - o profetismo do P.e António Vieira...

... e os trocadilhos alfacinhas

"Finalmente, se havemos de dar fé a Corásio, êste foi o mistério com que as sibilas escreveram aquelas quatro letras S. P. Q. R., as quais os romanos aplicaram às suas bandeiras, entendendo por elas: Senatus, Populus Que Romanus, sendo que a verdadeira significação era: Salva Populum Quem Redemisti (8)... [Link]




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Estas quatro letras garrafais, inscritas nos enormes pendões das procissões da Quaresma e Semana Santa, sempre deram origem às mais disparatadas e inventivas traduções.
Algumas ficaram ligadas aos maiores nomes da nossa literatura.
Ou porque as forjaram. Ou porque as registaram.
Eis dois exemplos.
De séculos diferentes.


O primeiro, é de Gervásio Lobato, o romancista e homem de teatro, e que é recordado na literatura portuguesa, sobretudo, como autor da "Lisboa em Camisa".
Descreve ele, o ambiente das procissões da Semana Santa, na Lisboa dos finais do século XIX, que, ao contrário de tempos recentes, já decorriam, "quase sem espectadores e sem actores.
Poucos irmãos com capa, poucas senhoras nas janelas, poucos basbaques pelas ruas".
Mas, ainda assim...


"...Sempre houve quem representasse o espírito lisboeta
e os bons ditos tradicionais, que sempre são inspirados pelo pendão, disseram-se.
Ouvimo-los no Chiado, no Domingo de Ramos.


S. P.Q.R.



- Senhor, o povo quer república, dizia um.
- São propostas que rejeito, dizia outro.
E, por fim, houve um terceiro que teve o espírito originalíssimo de
lhe dar esta interpretação perfeitamente nova e graciosíssima
Salada, Pão, Queijo e Rábanos.
Depois disto, compreendem bem que não assistimos ao resto da procissão.
Viemos para casa rir com o bom dito para não darmos escândalo na rua."

O outro exemplo é do século anterior e, como quase não podia deixar de ser, atribuída ao inevitável Bocage:


"Assistia Bocage a uma récita de curiosos, no camarote do pai de três meninas que representavam na peça - uma grande peça do século XVIII.
No meio do segundo acto aparece um pendão, em que se lêem as letras seguintes:


S.P.Q.R.

O pai das meninas pergunta confidencialmente:
- Ó senhor Bocage, que querem dizer aquelas letras?
Bocage respondeu:
- Senatus populosque romanus.
- Sim - insistiu o pai. - Mas aquilo, no teatro, deve ter outra qualquer significação, que o senhor saiba.

Bocage respondeu:
- Tem, mas eu é que não queria dizer-lha.
- Porquê? Diga, diga!
Então, Bocage, ao ouvido do homenzinho, exclamou:
- São p... quantas representam.
Escusado é dizer-lhes que o pai das três meninas
o pôs fora do teatro".

Como se vê, também quase sem excepção, as narrações das anedotas do Bocage acabam a fazê-lo pagar pelo seu atrevimento.
É dentro desta regra, (que desafiar as conveniências, sempre se pagou caro em Portugal), que Gervásio Lobato não deixou de incluir na sua descrição, o cuidado de, prudentemente, se retirar para rir no recato de casa, para não sofrer as conseqüências de "dar escândalo na rua".
Como seria de esperar e se pode confirmar pela Wikipedia, não são exclusivas dos portugueses, as traduções fantasiosas desta sigla.

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Sono Pazzi Questi Romani (Astérix)

sexta-feira, junho 09, 2006

O que é Tourear? A Resposta do Filósofo (Ortega y Gasset) II

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  • Nesta entrada - O que é Tourear? A resposta do Filósofo (Ortega y Gasset) I - tinha interrompido este tema na  definição com que  Ortega sintetiza a sua explanação sobre o acto de tourear. 
    É a seguinte:
    Tourear bem é fazer que não se desperdice nada da investida do animal, mas que o toureiro a absorva e governe inteira”.
    Antes de abordar, em pormenor, os diferentes elementos técnicos desta definição, parece-me vantajoso fazer, com Ortega, uma prévia digressão sobre outra actividade lúdica com a qual o toureio parece ter, à primeira vista, grande afinidade.
    O acto de caçar.
    Mas não. Tem muito menor proximidade do que aquela que  se possa supor. Há mesmo entre as duas antagonismo total.
    Retomemos as considerações de Ortega:
    "A caça é uma faina entre dois animais, dos quais um é agente e o outro paciente, um caçador  e outro caçado.


Se o caçado fosse também, e na mesma ocasião, caçador, não haveria caça.


Teríamos um combate, uma luta em que os dois interessados se comportariam  com a mesma intenção e análoga conduta.
A luta é uma ação recíproca.
O gladiador no circo não caçava a pantera que da jaula lhe tinham soltado, mas lutava com ela..."
Esta comparação orteguiana com o gladiador é suficiente para assinalar  a diferença entre a caça e qualquer tipo de luta entre homem e animal.
Quando ela existe não há caça. Mas, tanto pode haver circo romano como pode haver... toureio.
As diferenças ficam mais claras ainda, nesta prosa de Ortega:
"Se um animal que é uma peça a caçar lutasse normalmente  com o homem, de modo que a relação entre os dois consistisse nesse combate, teríamos um fenómeno completamente distinto da caça.
Por isso, tourear não é caçar.
Nem o homem caça o touro nem este, ao investir, o faz com intenção venatória.
A tauromaquia é, com efeito, algo assim como uma luta sui generis que, em rigor, tão pouco é isto (...)
A caça termina no "apoderar-se" da peça, viva ou morta.
Por isso, além de ser, no toureio, recíproca a perseguição, dizia eu antes, que nem o toureiro caça o touro nem este aquele, apesar de ambos atacarem com grande afinco e sem contemplações o corpo um do outro.
Mas nem o toureiro pretende "apoderar-se" do touro nem o touro do toureiro.
A investida do cornúpeto tem uma intenção oposta ao "apoderamento".
O touro não quer ter o toureiro vivo nem morto, mas, pelo contrário o que quer é suprimi-lo, aniquilá-lo, "tirá-lo da sua frente, "desmaterializá-lo".
Por isso, quando o corneou à sua vontade e tem a impressão de que ele já não existe, deixa-o a li, abandona-o e provê, sem mais, a outras necessidades suas.
Pelo contrário, os actos da caçada vão todos informados pelo propósito e fim de ter a peça, de a "tomar".
Se o caçador desportivo mata a rês não é para a matar, não é um  assassino; mas a morte do animal é a forma mais natural de o ter e  o "colher".


Podemos ainda perguntar. E no toureio espanhol, porque o toureiro mata o touro?
Nesta entrada, vou-me quedar por aquilo que Ortega disse sobre o tema, numa nota deste livro "Sobre a Caça e os Touros":
"Quanto ao que o toureiro se propõe fazer com o touro, não se pode dizer em poucas palavras, porque é matéria muito subtil.
Desde logo, não se propõe o mesmo que  o touro em relação a ele.
O que lhe interessa  não é suprimir o touro, matando-o. 
A sorte de matar, o seu sentido e a sua exigência são um segredo da história do toureio que não vou esclarecer aqui".

Constate-se apenas que Ortega não esclareceu aqui, nem em nenhuma outra ocasião.  O livro que anunciou sobre o assunto (Paquiro o las corridas de toros) nunca chegou a ser escrito.

terça-feira, junho 06, 2006

À Boa Memória deste Dia


Esta entrada é dedicada a todos aqueles
que estão interessados em manter
a boa memória deste dia.




... entendemos fazer sentido instituir no calendário oficial um dia dedicado à sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães tem na nossa vida, dia que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas nossas crianças e nos nossos jovens, razão pela qual parece adequada fazer aproximar esta data do 1 de Junho, Dia da Criança...

Nestes termos, a Assembleia da República resolve, nos termos do nº 5 do artigo 166º da Constituição, instituir o dia 6 de Junho como Dia Nacional do Cão. [Link]



Para que, deste dia, se recorde o que deve ser recordado
mas também não se esqueça o que não deve ser esquecido.

domingo, junho 04, 2006

Sara Santos...de casa faz milagres em casa

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  • Santos de casa não fazem milagres?
    É a regra geral do comum dos mortais.
    Mas está a provar-se que Sara Santos se rege por regras próprias.
    Pertence à categoria dos Santos de casa que fazem milagres. Em casa. Na própria casa e em casa alheia. Alternando não só nas casas, mas também na qualidade dos milagres. Uns são bons. Outros não podiam ser piores.
    Milagre, verdadeiro milagre. E dos bons, é a revista Magma. Conseguir lançar uma revista de qualidade literária reconhecida e, sobretudo, badalada, dentro e fora das fronteiras regionais dos Açores, é autêntico milagre. Milagre da sua "casa" municipal e feito na sua "casa" municipal.
    Mas, conseguido este suave milagre, Sara Santos resolveu alternar. Na casa e no tipo de magia. Da casa municipal voltou-se para a sua própria casa. E da magia branca daquele primeiro milagre para um segundo, de magia muito mais escura.
    Porque não transformar o marido, em chefe de gabinete?
    Se bem pensou, melhor o fez, como é da praxe dizer-se nas histórias mais antigas.
    Sobretudo daquelas que têm nomes também muito antigos como o de nepotismo.
    Mas, contra estas apressadas classificações históricas, tem, a Santos de casa que faz milagres em casa, sólidos contra argumentos.
    Miraculosamente irrefutáveis.
    E sofisticados.
    Ninguém consegue provar que, se o marido, porventura não o fosse, não seria nomeado, por ela, para o mesmo cargo.
    Conclusão.
    Não se podendo prová-lo, passa a ser, miraculosamente óbvio, que ela, se o não fizesse, estaria a prejudicar o marido, por ser marido.
    Não é evidente?
    Claro que não.
    Mas também não é ilegal.
    Bem. Mas não há aquela regra da "mulher de César"...?
    Dirá a Santos de casa que faz milagres em casa, está na cara, isto é, na própria letra, que esta regra é para a mulher do marido.
    Não, para o marido da mulher.
    É abusivo tentar alargar esta interpretação, aplicando-a ao marido.
    Seria uma "liberdade" literária admissível na Sara Santos, directora da "Magma", mas que a Sara Santos, Presidente da Câmara, rejeita peremptoriamente.
    Mas estes milagres chegarão para a canonização da Santos de casa que faz milagres em casa?
    Não.
    Mas há mais milagres.
    E milagres tais, que vão obrigar a abrir o processo de declaração de santidade exemplar.
    Exemplos.

  • O dom da ubiquidade concedido ao marido no despacho de nomeação, permitindo-lhe ser chefe de gabinete da Câmara das Lajes do Pico, nos Açores, e exercer a actividade docente, algures, no Continente.
    Querem mais?
    Pois aí vai.

  • Os tradicionais eleitores do velho PSD-Açores desesperam, à procura da antiga herança política dos tempos de Mota Amaral, malbaratada pelos seus, sucessivamente mais precários, continuadores.
    Esta é precisamente uma das mais típicas tradições desses "saudosos" tempos.
    E começo a acreditar que o actual líder do PSD-Açores, Costa Neves, está a conseguir recuperá-la.
    Ele, que foi seu infatigável praticante, nos seus tempos de Secretário Regional.
    Tinha mesmo uma prática magnanimamente alargada a ascendentes e a colaterais.
    Se ressuscitar estas práticas não é verdadeiro milagre, o que é que será um milagre?
    Nem sequer é ressurreição, por inércia de uma prática recente.
    É mesmo o regresso a um passado longínquo que, se está mesmo a ver, que os açorianos "anseiam" que reapareça no Pico e se transforme num "tsunami" político a chegar a todas as ilhas.
    Será preciso ainda falar de mais milagres?
    Não, acho que não.
    Mas, para os cépticos que ainda restem, tomem lá mais um.

  • Quem tenha lido as notícias sobre este assunto na imprensa regional, deve ter reparado no mesmo fenómeno que eu.
    Os títulos da notícia falam é dos socialistas que acusam. Não, dos acusados. O marido e a Sara Santos.
    Quem quiser saber algo sobre os dois, tem de ter o trabalho de ler a notícia.
    E toda a gente sabe, a começar pelos jornalistas, que os olhos dos leitores são preguiçosos.
    E muitos passarão adiante, encolhendo os ombros e carregando o sobrolho, diante de "mais uma estúpida briga entre partidos".
    Que chamar a isso?
    Pura magia milagreira.
    Daquela que, se não leva aos altares, leva aos palcos da grande política.
    É por isto, que julgo traçado o destino da Sara Santos de casa que faz milagres em casa própria e alheia.
    É deste confuso magma que a nossa vida política (não) necessita, mas vive.
    Screenshot - 03-06-2006 , 12_33_07.

sexta-feira, junho 02, 2006

"Corporações" Profissionais que Aprendem Depressa

... e corporações profissionais que não esquecem, nem aprendem, nem mudam.



http   www ai mit edu lab olympics 99 cover superman gif 26-12-2005 17 02 33


Dei comigo, ontem , a dividir as nossas organizações que representam a sociedade civil portuguesa (sindicatos e organizações patronais), nessas duas clássicas categorias, depois de ouvir um representante da FENPROF a barafustar argumentos contra a Ministra da Educação, nos seguintes termos:




  • A Ministra da Educação ofendeu todos os professores porque disse que os professores são responsáveis pelos insucessos do sistema escolar. E, como prova, leu o título de um jornal.
    Quem, nos dias jornalísticos que correm, utiliza o título de um jornal para prova de qualquer afirmação, de quem quer que seja, pretende enganar quem?
    Só se é a si próprio que, provavelmente, nada esqueceu, nada aprendeu e vive num mundo qualquer à parte.
    O mundo sindical, por exemplo.
    Provavelmente, um dos poucos "mundos", em Portugal, em que nada mudou nos últimos vinte ou trinta anos.
    Nem sequer os slogans das bandeiras das manifestações, que se podem considerar o equivalente sindical dos títulos dos jornais.
    Não existem para reproduzir a realidade, mas para mobilizar as pessoas.
    Como os títulos de jornais, que obedecem ao propósito, (compreensível, diga-se) não de resumir ou reproduzir o que as pessoas tenham dito, mas de "mobilizar" os leitores à compra e leitura do jornal.
    Esta característica do jornalismo actual é mais um defeito do que uma virtude?
    Também assim penso. Mas é um facto que não se pode fingir ignorar.


  • Acrescentava o mesmo arguto dirigente sindical, no sentido de agravar as malfeitorias da senhora Ministra:
    Só apresentou o novo Estatuto da Carreira docente, no mês de Maio. E quer negociá-lo em quatro meses.
    E, mais argutamente ainda, inculpava: Na realidade, serão reduzidos a dois, porque os outros dois coincidem com as férias escolares.
    Até ouvir este sindicalíssimo argumento sobre as férias escolares, julgava que a última classe que considerava as suas "preciosas" férias como um direito não só "adquirido", mas sagrado e eterno, eram os senhores juízes.
    Enganei-me.
    Os senhores dirigentes sindicais da FENPROF, também acham que não podem "sacrificar" as suas merecidas férias para negociarem o Estatuto dos professores.
    É claro que se percebe a lógica, sindicalmente adjacente ou subjacente, ao argumento das sacras férias governamentalmente violadas.
    O lamento sindical é porque, durante as férias, não podem contar com a dedicação docente dos seus sindicalizados para contribuirem, com a ameaça de mais umas greves, para "melhorarem" o insucesso escolar, o sistema de ensino e os critérios de avaliação dos professores.

  • A este propósito ainda, de (nada) aprender de novo, de (nada) esquecer de velho e de (nada) mudar para se adaptar, termino com a citação do historiador que ontem referi: Eric Hobsbawm:


Diz ele, ao analisar o comportamento dos sindicatos mineiros britânicos nos anos 80:
(Era) "patente que as ilusões de uma liderança extremista, baseada na retórica do militantismo e na tradicional recusa por parte dos sindicatos de retirar a meio da batalha, estava a conduzir a organização dos mineiros e as comunidades a que estes pertenciam a um desastre previsível".
Não parece ser outra coisa, o que aguarda a FENPROF:
O desastre previsível.


E quanto "às corporações" que já aprenderam à sua custa?
Aceitam-se palpites.
Em qualquer caso, elas hão-de aparecer por aqui, em próximas entradas.
http   www ai mit edu lab olympics 99 cover superman gif 26-12-2005 17 02 33.

quinta-feira, junho 01, 2006

Lamento do Maio Breve

Ou A Importância de (Nunca) Vestir um par de jeans

tempos interessantes (capa) 1


Era meu propósito não ter deixado acabar o mês de Maio sem a referência a duas personalidades, que, em circunstâncias muito diferentes da minha vida, tiveram alguma influência na minha visão da realidade social e da realidade histórica do mundo em que me tem cabido viver.
Afinal, o mês de Maio chegou mesmo ao fim.
E não consegui encontrar a oportunidade para me referir a nenhum deles.
Vou começar fazê-lo já hoje, no dia em que o mês de Junho é ainda uma criança e começa os seus dias a lembrar todas as crianças.
Pelas crianças, nada penso escrever hoje.
Mas vou repetir uma coisa que faço muita vez.
Passear o meu neto e os seus dois frágeis e buliçosos anitos, por um sítio aprazível desta ilha.
Mas, hoje, vai ser ele a escolher esse sítio.
 Faço questão de lho permitir, a ele, no dia que o mundo dedica a todas as crianças, aquilo que este mesmo mundo não vai permitir a milhões de outras (nas suas, por vezes, bem mais penosas que longas vidas) :
a possibilidade de escolher;
a alegria de optar;
a oportunidade de decidir;
E de se enganar, talvez.
Mas de poder repetir.
O engano.
Ou a correcção.
Mas, vamos, então, lá, ao historiador Eric Hobsbawm.
É dele mesmo que se trata.
Alguns conhecerão apenas o nome.
Outros, o título da sua obra, há algum tempo já, traduzida em português:
A Era dos Extremos.
Outros hão-de conhecê-lo muito melhor do que eu.
Outros, ainda estarão a fazer o mesmo que eu.
A ler-lhe a autobiografia, publicada o ano passado pela "Campo das Letras".
Já em situação anterior aqui o referi.
A propósito do dia da Europa.
E é por causa de um dos mitos da Europa, que quero que ele venha falar aqui,de novo.
E também se perceberá porque o queria ter trazido até ontem.
É porque se trata do mito de Maio de 68.
Por sinal, um dos meus mitos pessoais.
Vivido à distância.
Mas vivido com intensidade.
Mas vejamos, então, o que é que Eric Hobsbawm, o historiador e o activista político, nos tem a dizer sobre a importância histórica efectiva do Maio de 68.


"O que realmente transformou o mundo ocidental foi a revolução cultural dos anos 60.
Talvez 1968 não seja um ponto de viragem tão decisivo, em termos da história do século XX, como 1965, ano sem qualquer importância política, mas que foi aquele em que a indústria francesa do vestuário produziu pela primeira vez mais calças de mulher que saias, e em que o número dos alunos dos seminários católicos começou a diminuir visivelmente
Sempre disse aos alunos dos meus cursos de história do movimento operário que a grande greve dos estivadores de 1889, a que todos os manuais concedem grande relevo, talvez tenha sido menos significativa que a silenciosa adopção, por parte das massas trabalhadoras da indústria britânica, algures entre 1880 e 1905, de uma cobertura da cabeça facilmente identificável como típica da classe operária, o boné de pala que toda a gente conhece. Poder-se-ia sustentar que o sintoma verdadeiramente eloquente da história da segunda metade do século XX não foi nem a ideologia nem o movimento estudantil, mas o triunfo dos jeans.

E acrescenta, com a preocupação de precisar os limites da sua visão de historiador mas também de participante na vida do seu século:


Pelo meu lado, contudo, não faço infelizmente parte dessa história. Porque as Levis triunfaram, tal como a música rock, como emblemas da juventude.
E nessa altura eu já não era jovem.
Não sentia grande simpatia pelo equivalente de Peter Pan da época, o adulto que deseja continuar a ser adolescente toda a vida.
Nem era capaz de me ver a mim próprio desempenhando, com um mínimo de credibilidade, o papel do adolescente mais velho do b
ando.
Por isso decidi, quase como se de uma questão de princípio se tratasse, nunca vestir tal peça de vestuário, e nunca o fiz.  
É
uma circunstância que me impede de ser um historiador dos anos 60.
Fiquei à margem deles.
O que
escrevi acerca da década é o que pode escrever um auto biógrafo que nunca vestiu um par de jeans.



    

quarta-feira, maio 31, 2006

Costa Neves Adora os números da Madeira




Costa Neves detesta os números dos Açores.
Costa Neves adora a realidade da Madeira
que os números revelam.
Costa Neves detesta a realidade dos Açores
que os números revelam.
Costa Neves adora a Madeira.
Costa Neves detesta os Açores.
Dos Açores, é esta
a realidade
que Costa Neves
mais detesta:

Em 2002 e 2003
os Açores deixaram
de ser a região do país
com menor PIB per capita,
passando, em 2003,
a ter um índice superior
à região norte e à região centro.


Costa Neves detesta os seguintes números dos Açores,
que exprimem e confirmam aquela realidade açoriana:

Costa Neves detesta a realidade açoriana que o obriga,
para cumprir o seu papel de líder da oposição alternativa
ao Governo do PS, a pensar para além dos slogans,
que lhe podem dar títulos dos jornais, mas ignoram a realidade
que tem vindo a decidir as opções políticas dos açorianos,
nos últimos dez anos.

Os açorianos nunca "chegaram à Madeira".
Os açorianos não querem "chegar à Madeira".
O único açoriano que " já chegou à Madeira"
chama-se Costa Neves.
O único açoriano que gosta "de ter chegado à Madeira"
chama-se Costa Neves.
Os açorianos não gostam dos gostos de Costa Neves.

segunda-feira, maio 29, 2006

Costa Neves: Elogia na Madeira...

...aquilo que finge ignorar nos Açores.

É a única conclusão que posso tirar desta notícia:

"O líder dos sociais-democratas açorianos, Carlos Costa Neves, participa, no XI Congresso do PSD da Madeira.No seu discurso, o líder do PSD-Açores vai congratular-se com o nível de desenvolvimento da Madeira, cujos indicadores traduzem a convergência real com o Continente português e com a União Europeia".Diario Insular

Só mesmo um açoriano tão "atípico" como Costa Neves é que ia mostrar admiração na Madeira por aquilo que, descaradamente, tem fingido ignorar nos Açores, onde lidera o que resta de um partido.
Com efeito,


É o que, facilmente, se pode comprovar pelo quadro seguinte, relativo à evolução do PIB( Produto Interno Bruto) por habitante, nas regiões, em Portugal entre 1996 e 2003.

É claro que este quadro só vai servir para quem não quiser ser "ceguinho à Costa Neves".



Para quem tiver a tentação de "fechar os olhos como Costa Neves," talvez possa vencê-la, mais facilmente, reparando nos números do quadro, só com os valores relativos aos Açores, à Madeira e a Portugal no seu conjunto:




Também é claro, que quem quiser continuar a ser "ceguinho à Costa Neves" está no seu pleno direito à cegueira.
E até pode aspirar ao mesmo alto cargo que Costa Neves desempenha.
Quem é que garante que, ser "ceguinho" não é mesmo a única condição que se exige aos candidatos àquele prestigioso cargo?
E, como se vê, pela amostra, Costa Neves tem-no desempenhado de forma altamente prestigiante para todos os açorianos!

domingo, maio 28, 2006

O Estado Moribundo em dois Estados ?

Ou, pelo menos, atacado de doença fatal?
Timor-Leste,
em perigo de abortar,
por malformações congénitas.


E o Brasil,
atacado por "doença prolongada,"
em plena maturidade democrática.
Sempre em risco de perder nas prisões,
o que ganha nos tribunais e nas urnas do voto.


brasilestadoperd14

brasilcontrolo5

brasilsistemapr6

brasiltextomonop 7

(do "Courrier Internacional", nº 59)

E que dizer do Estado, em Portugal, há alguns anos,
sempre "em vésperas" de superar uma crise fatal,
ou então, sempre "em vésperas" de lhe sucumbir?



sábado, maio 27, 2006

TIMOR-Leste: A mesma dura realidade em dois linkes e duas línguas

TIMOR-ORIENTAL � La liberté, mais des campagnes affamées... [Link]


"Les Nations unies fixent le seuil de pauvreté au Timor-Oriental à 0,46 euro par jour, et 40 % de la population disposent de moins encore. La famine touche surtout les zones rurales, où seule la moitié de la population a accès à l'eau courante et un dixième à l'électricité. Un enfant sur dix meurt avant son premier anniversaire." [Link]


Timor-Leste


Free but hungry
Mar 9th 2006
The UNDP sets the poverty line for Timor-Leste at 55 American cents a day. Around 40% of the population has less than this, so hunger is widespread.
From The Economist print edition


Destitution in the world's youngest country

quinta-feira, maio 25, 2006

Timor: A Desilusão que Nos Faltava


Ao contrário de muitas outras pessoas, sempre fui muito reticente em acrescentar aos três "Dês" do 25 de Abril, este "D" da Desilusão.
Os melhor informados sobre os objectivos oficiais proclamados pelo Movimento das Forças Armadas que desencadeou o 25 de Abril de 1974, sabem que eles se costumavam resumir em três "Dês".
O D de Democracia .
O D de Desenvolvimento.
O D de Descolonização.
Como também todos sabemos, nunca faltaram pessimistas de todos as cores e feitios para acrescentarem a cada um destes "DÊS", o" D" de Desilusão.
Ou porque querem "outra" democracia, que não a representativa e parlamentar.
Ou porque não querem nenhuma forma de democracia.
Ou porque querem "outro" tipo de desenvolvimento e, em vez de tentar torná-lo claro e aceitável junto da população, se limitam a exorcizar, com mais retórica do que convicção, o pouco ou muito, que conseguimos.
Ou porque acham que o desenvolvimento que temos já é desenvolvimento a mais, por ter encerrado e enterrado o saudoso regresso ao passado com que sonharam.
Ou porque acham que a Descolonização feita, não correspondia àquela que cada um projectava na sua imaginação.
Ou porque ela, de facto, não correspondeu, sequer, ao modelo teórico que o próprio MFA prometia.
Ou, simplesmente, porque nunca devia ter havido qualquer descolonização, seguindo a velha doutrina do "Estado Novo".
Mas fosse qual fosse a corrente de opinião que cada um seguisse nesta matéria, Timor conseguira o consenso de todos os portugueses, como o modelo que resgatava todas as falhas históricas, imaginadas ou reais, de todas as outras descolonizações do Portugal pós-Abril.
Apenas passados quatro anos, sobre esta descolonização modelar,
votada,
referendada,
apadrinhada,
abençoada,
pelo poder civil,
militar,
nacional,
internacional,
somos, brutalmente, acordados
para a desilusão de constatar:
que um major ambicioso com umas escassas dezenas de soldados;
que a ausência de uma liderança clara, consensual e efectiva;
que a retirada apressada das forças internacionais de apoio e ajuda;
que alguns interesses obscuros que, porventura, se movimentem nos bastidores de todas estas falhas;
que instituições democráticas que, só por si, não conseguem vencer preconceitos e conflitos ancestrais;
que o silêncio da Igreja timorense (única liderança reconhecida por todos os timorenses);
Tudo isto, e mais outras questões, que o tempo, decerto trará à luz,
nos retirou o último pedestal que nos restava, para nos continuarmos a rever na estátua da nossa capacidade,
única entre todos os povos,
de realizar uma,
pelo menos uma,
descolonização modelar;
que nos permitisse continuar a pensar
que, no caso de Timor, tinhamos conseguido,
ao mesmo tempo,
Descolonizar, com oportunidade
e
Democratizar, com solidez.

terça-feira, maio 23, 2006

Nós, autonomistas açorianos, somos um pouco sicilianos

Nalgum sentido, até é verdade.


O modelo constitucional da nossa autonomia foi muito inspirado pelo modelo italiano de 1947.

Algumas disposições em concreto do nosso Estatuto foram retiradas do próprio Estatuto da Sicília.

Por causa desta dívida inspiradora, tavez, seja de algum utilidade chamar a atenção para a importância do dia 23 de Maio na Sicília e do próximo dia 28.

Se tiver curiosidade em saber porquê, leia o testemunho que o Link abaixo lhe proporciona.

Antes disso, ainda pode reter na sua memória esta frase:



E estes números, sobre o volume dos negócios da mafia:


JOAN QUERALT, COLABORADOR DEL MOVIMIENTO ANTIMAFIA DE PALERMO
"La mafia domina la obra pública siciliana"... [Link]


domingo, maio 21, 2006

A Grande Novidade Regional do Pequeno Congresso Nacional do PSD







É neste PSD-Açores, do voto por correspondência, em que ainda vivem o PSD de Costa Neves e o PSD de Marques Mendes.
São verdadeiras “bolsas” de anacronismos históricos.
Pensem só no caminho que ainda lhes falta percorrer “internamente”, para chegarem à actualidade democrática que se lhes exige em 2006.
Para não falar no caminho “ externo”, junto do eleitorado, que lhes faltará percorrer, para chegarem com fôlego eleitoral a 2008.






“Na altura das votações, Nuno Delerue, apoiante do ex-adversário de Mendes Luís Filipe Menezes, criticou a possibilidade de alguns delegados ao congresso terem votado por correspondência, sublinhando que essa prática "não faz nenhum sentido nos dias de hoje".

"“Na altura das votações, Nuno Delerue, apoiante do ex-adversário de Mendes Luís Filipe Menezes, criticou a possibilidade de alguns delegados ao congresso terem votado por correspondência, sublinhando que essa prática "não faz nenhum sentido nos dias de hoje".O voto deve ser pessoal e intransmissível. Essa excepção que tem razões históricas não faz hoje nenhum sentido", disse.

Delerue considerou "uma indignidade ver um delegado a votar por 30 ou 40 pessoas", sublinhando referir-se ao caso dos votos de delegados da Madeira e dos Açores que "foram dados ao actual chefe de gabinete de Marques Mendes", Pedro Vinha.

"Não está em causa uma questão de legitimidade mas está em causa a transparência", criticou. [Link]


Qual a Diferença ?






Qual a diferença entre estes dois procedimentos?

O procedimento do Governo Chinês, que "bloqueia" o uso do hotmail gratuito, há vários dias e sem qualquer explicação?
E o procedimento do Globo online que, também há vários dias e sem explicação plausível, bloqueia
a cópia dos seus conteúdos?
As semelhanças entre os dois procedimentos, vejo eu facilmente.
Ambos têm uma raiz censória.
Ambos têm o mesmo objectivo: impedir determinados modos de circulação de determinados conteúdos.
Ambos têm a mesma ineficácia de todas as formas de censura.
Por sinal, a do Globo online, ainda me parece mais ineficazmente ridícula do que a das autoridades censórias da China.
Porque, qualquer "analfabeto informático," como eu, encontra meio, por rudimentar que seja, de contornar o "bloqueio" à cópia.
No caso dos chineses que utilizam o hotmail, porventura, as alternativas, em condições equivalentes, não sejam tão acessíveis.
Mais ainda.
O Globo online pretende "obrigar" a usar uma determinada alternativa : o e-mail.

Não será caso para lembrar a velha afirmação de que ressaibo "fascista" não é apenas tentar, sem qualquer cobertura legal, impedir de fazer isto ou aquilo, mas, tentar obrigar a fazer desta ou daquela forma considerada a única aceitável e permitida?

Quanto às diferenças entre um procedimento e outro, continuo a procurá-las, em vão.

sábado, maio 20, 2006

Falar de touros e de futebol

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Qual a diferença?
Para o filósofo, Ortega y Gasset de novo, não parece que haja muita.
Ambos são temas que provocam "ressonâncias inacabáveis".
Falar seriamente ou falar apaixonadamente, seja qual for o tema, é que tem diferenças insuspeitadas.
Tentar descobri-las parece-me um útil desafio.
E este texto de Ortega y Gasset um eficaz instrumento para o conseguir.
Leia-o e estou convencido que passará a olhar com outros olhos e a considerar com outro significado, as "inacabáveis ressonâncias" que o aguardam para os próximos meses do mundial de futebol.
Se não conseguir mais do que isso. Pelo menos, encare a situação com a bonomia filosófica possível


"Devemos aproveitar a ocasião a fundo.
Para quê?
Muito simplesmente: para que, pela primeira vez, se fale de corridas de touros seriamente.
Não se aborreçam comigo os aficionados prematuramente ao ouvir isto.
Notem que o seu papel e missão enquanto aficionados não é falar de touros seriamente, mas apaixonadamente.
Se não fizessem assim faltariam à sua obrigação e ficaria amputado todo um hemisfério da festa taurina que consiste na ressonância inacabável do que acontece dentro das praças, nas aguerridas e incessantes discussões em volta das mesas em tabernas e cafés, nas associações recreativas, tertúlias e jornais.
Um dos maiores encantos das corridas de touros é que, sendo o toureio uma ocupação silenciosa, que se realiza de modo taciturno, contudo dá muito que falar.
Sem dúvida, é grande caridade dar aos homens que comer, mas sabe pouco de coisas humanas quem não nota tudo o que há de generosa caridade em dar aos homens de que falar.
Imaginem Vocês que, magicamente, extirpávamos à vida espanhola dos últimos dois séculos todas as discussões sobre assuntos taurinos e vejam o oco enorme, o pavoroso buraco de vazio que nela teríamos aberto.
Esquece-se demasiado que uma das coisas para que o homem em geral, e muito especialmente o homem meridional, veio a este mundo é para falar.
Não é tão fácil, como à primeira vista poderá supor-se que o homem médio de cada país tenha temas de que falar.
Uma das coisas que se apreciaram sempre mais é a fama.
Pois bem, senhores, fama é uma palavra grega que significa mais que isso:
o famoso é o que dá muito que falar.
Esplêndido donativo, magnífica esmola!"

quinta-feira, maio 18, 2006

A nossa imagem?

A imagem que os outros, os que nos vêem de fora e de longe, têm de nós próprios, como povo e como região, enquanto referência para a sua cultura ou alimento para a sua imaginação?
Ou a imagem que nós próprios, dentro desta pequena "tribo" de nove ilhas, temos uns dos outros, de uma ilha para a outra, do povo de uma ilha para o povo de outra ilha, como espelho ou caricatura?
Entre estas duas perspectivas, ambas deformantes e deformadas, qual delas mais nos deve preocupar?
Aquela que séculos de história e de pequenas e grandes "estórias" cavaram entre os açorianos?
Ou aquela que, nos dias de hoje, da informação rápida e superficial, continua a ser divulgada à velocidade
incontrolada das velhas e novas formas de informar e de deformar?
Dei, hoje, comigo a fazer estas perguntas de "algibeira," depois de,
há alguns dias atrás, ter lido os dois textos seguintes:




Este primeiro texto é de um jornalista do"Le Monde" e vem transcrito
num dos números recentes da versão portuguesa do "Courrier Internacional,"
incluido num artigo sobre Kátia Guerreiro.


O outro era este.


E é retirado do Diário Insular do passado dia 12 do corrente.






O primeiro texto. O das baleias e vulcões. Às vezes, dá-me vontade de rir.
Do segundo. O segundo, não. O segundo desconcerta-me.
Não consigo enquadrá-lo na idéia que faço de São Miguel e das suas gentes.
Mas atribuo esta reação a ignorância minha.
Ao meu eventual desconhecimento da história "secreta" de São Miguel.
Que, se calhar, ainda nenhum historiador escreveu.
Ou que algum dos novos historiadores, da nova fornada de "historiadores regionais,"
anda a escrever!

quarta-feira, maio 17, 2006

O que é Tourear? A resposta do Filósofo (Ortega y Gasset) I


Quem tiver assistido ontem, mesmo que só pela televisão, ao desempenho de Pedrito de Portugal, na sua actuação com o touro que lidou, na inauguração do Campo Pequeno, teve uma demonstração, ao vivo, daquilo que Ortega y Gasset define como o significado autêntico do vocábulo tourear.

Para facilitar a compreensão do pensamento de Ortega,
e tentar resumir também aquilo que o filósofo desenvolve em mais de 20 páginas,
comecemos pelas suas três aproximações graduais à definição do toureio e do acto de tourear, com que Ortega procura sintetizar o conjunto de aspectos que foi desenvolvendo
ao longo da sua explanação do tema sobre a arte do toureio, em Espanha.

No resumo final, que podemos considerar o mais genérico, por não incluir nenhum dos termos técnicos de que se serve no desenvolvimento do tema, diz ele:

Tourear é “lutar de todas as formas com o touro nesse breve espaço em que culmina o seu ser – o tempo em que permanece na praça”.

Ortega fica-se, aqui, ao nível da intuição mais imediata do que seja o toureio.
Trata-se de uma luta entre o homem e o touro.
E uma luta total.
Em que homem e touro põem em jogo todos os seus recursos.
Mas, como também é óbvio, nem todo o tipo de luta, por total que seja, entre estas duas entidades, pode ascender à categoria de toureio.

Que tipo de luta, é, então, o acto de tourear, para Ortega?

Em segunda aproximação à noção de toureio, ele esboça duas das características singulares desta luta.
Trata-se de uma luta, em que toureiro e touro se defrontam, ambos, com a morte.
Aquele dos dois que dominar o outro, domina a sua vida e a sua morte.
Esta é, digamos, a posição de partida dos dois intervenientes.
Qualquer deles coloca em jogo a própria vida.
Mas a aposta de que, também sempre se parte, é a de que o homem domine a morte dominando o touro.
Neste sentido, Ortega diz que:

"Tourear é dominar o animal, mas é também e ao mesmo tempo, uma dança, uma dança em frente da morte: entenda-se diante da própria morte”.

Subentenda-se que Ortega fala do toureio à espanhola.
Os chamados “touros ou touradas de morte”.
O que não se aplica, em toda a sua extensão e dramatismo, à tourada à portuguesa.
Nem no toureio apeado. Nem, muito menos, no toureio a cavalo.
Este dramatismo de encontro com a morte, está consideravelmente atenuado nas touradas portuguesas.
Foi retirado mesmo do esquema normal das touradas.
Está reduzido a simples acidente, quer para o touro, quer para o toureiro.

Numa terceira aproximação à elucidação do acto de tourear, e sobretudo, de bem tourear, na tourada espanhola, Ortega diz:

“Pode resumir-se assim: Tourear bem é fazer que não se desperdice nada da investida do animal, mas que o toureiro a absorva e governe inteira”.

Como se depreende, nesta definição, o filósofo já introduz terminologia técnica da arte de tourear, que necessita de ser clarificada.
É o que tentarei fazer, em próxima entrada.

domingo, maio 14, 2006

Dois Filósofos e os Touros (II)

Ou



O Último Retrato do último URO (Touro Primitivo)



É aqui que vai aparecer Leibniz.

Em 1712, escrevia ele a um seu correspondente:

”Não vi ainda a nova edição de Júlio César, mas fui eu que enviei aos editores o retrato do urus, porque interessei o rei da Prússia em que o mandasse fazer do natural, sobre o exemplar de urus, que ele tem em Berlim.
O urus de que Júlio César fala não é um urso, mas uma espécie de touro de um tamanho e força extraordinários; em alemão chama-se auerochs”.

Como salienta Ortega, as informações desta carta tem interesse por várias razões.

A primeira, em razão da própria imagem do animal que lá está.

Tem todas as probabilidades de ser o último retrato autêntico do último uro ou touro primitivo, de que descendem, segundo Ortega y Gasset, todos os bovinos, bravos ou domesticados, da Europa.

Em segundo lugar, porque as informações existentes, até à descoberta desta carta, davam notícias de que o último exemplar de uro – uma vaca, por sinal, - teria morrido em 1627.

A informação de Leibniz permite situar este desenlace nos começos do século XVIII.
Permite-nos também constatar, como diz Ortega, que “O (touro) primitivo – reproduzido na imagem - era muito maior que o mais corpulento dos nossos touros (espanhóis).
Quanto ao pêlo (…) o uro adulto era negro com uma lista branca em toda a coluna vertebral, às vezes castanho-escuro. Vitelas e bezerros eram mais claros, chegando quase ao castanho muito escuro.”

Finalmente, duas questões mantêm-se por explicar.

A primeira é de carácter cultural.

Como é que se explica que, tendo havido exemplares vivos de uros até ao século XVIII, reproduzidos em gravuras e descritos na literatura técnica, a que toda a Europa tinha acesso, persistiram e dominaram na cultura europeia as descrições mais fantasiosas deste animal.

Como diz Ortega “o esplêndido animal converteu-se num mito entregue à livre fantasia, e, como todo o mito, generoso em metamorfoses.
Uns imaginavam-no como um bisonte, outros como um búfalo e, em seguida, não poucos, o aproximavam das feras que nada têm a ver com os bovinos”.

A segunda questão é de carácter histórico científico.
As conclusões do estudo que referi no Epigrama, confirmam ou desmentem a seguinte categórica afirmação de Ortega y Gasset?

“A presença desta figura (do uro) aclara inteiramente a questão do nosso touro bravo.
É este, com toda a evidência, o descendente directo do uro ou auerochs.
O único elo intermédio que acaso houve é a forma quaternária do uro, que era de tamanho um pouco menor e teve a sua expansão na Mesopotâmia e no Norte de África”.
As conclusões do tal grupo de geneticistas parecem inclinar-se para a ideia de que o verdadeiro antepassado dos actuais bovinos do sul da Europa, seja esse "elo intermédio", vindo do norte de África.

O que parece certo é que, mais interessantes ainda do que estas considerações sobre o touro primitivo, são as subtilíssimas observações de Ortega y Gasset sobre o toureio e as touradas.

É o que poderá confirmar (ou não) proximamente.

sexta-feira, maio 12, 2006

Dois filósofos e os touros (I)

O retrato do Touro Primitivo (Uro)

A referência que, ontem, fiz, no Epigrama,
a um artigo jornalístico sobre o touro bravo,
trouxe-me à memória dois textos do filósofo espanhol Ortega y Gasset.
Um, sobre o touro primitivo.
O outro sobre a tauromaquia.
E que me proponho utilizar nas próximas duas ou três entradas neste Ventilhador.

Ortega Y Gasset seria o primeiro daqueles dois filósofos que refiro no título.

O outro é Leibniz.

Já veremos como é que os touros juntam um filósofo espanhol,
que nada espanta ter feito destes temas objecto da sua reflexão
e o alemão Leibniz,
de cujo ambiente cultural os temas taurinos parecem tão distantes.

Diz Ortega y Gasset, no seu livro “Sobre a Caça e os Touros”:

“Como é sabido, a variedade bovina dotada de bravura é uma espécie zoológica arcaica que se perenizou na Espanha quando, muitos séculos antes, tinha desaparecido de todo o mundo.
As causas desta perduração ainda não foram esclarecidas.
Somente é patente que, nas últimas três centúrias, as festas nobres de touros, primeiro, e as corridas populares, depois, conseguiram a sua artificial conservação.
Não sei se se tem isto bem em conta.
Se se está atento a que essa função da coragem, o que na terminologia taurina se chama «casta», é superlativamente instável e sempre a ponto de se extinguir.
A fúria da nossa rês brava não se parece com nenhuma outra no mundo animal ainda existente.
Isto tornava muito difícil explicar a origem zoológica do bovino que com tanta paixão a exerce. De um lado, aparece o touro especificamente bravo rodeado por toda a parte por bovinos domésticos em que tal ou qual exemplar manifesta ocasionalmente bravura, mas que como linhagem tornaram proverbial a sua mansidão.
De outro lado, acontece que todas as variedades, espécies ou subespécies de bovinos domésticos e mansos por sua natureza, provêm de um tipo de touro originário, o bos primigenius, que era feroz.
Os Alemães chamam-lhe auerochs, o touro selvagem, e os Germanos e Celtas deviam chamar-lhe com um nome parecido, que aos ouvidos de Júlio César soava urus.
Foi ele quem introduziu este vocábulo na língua latina.”
(Ortega y Gasset, Sobre a Caça e os Touros, Cotovia, 1989, pag. 129)

Mas Júlio César nunca chega a descrever o animal.
O que deu origem às maiores fantasias.
Além de que o uro ou touro primitivo desaparece, como espécie, no primórdios da Idade Média.
Mas…

O que acontece veremos em próxima entrada.







terça-feira, maio 09, 2006

EUROPEU - EU ponto -EURO ponto -PE ponto- EU ponto - EUROPEU



EUROPA
EUROPEU



  • EU.
    EURO.
    PE.
    EU.

  • EU.- o novo domínio da Europa no mundo virtual;
    Euro. - o recém criado novo domínio da Europa no mundo económico-financeiro;
    PE. - o domínio, em permanente renovação, da legitimidade política da Europa em construção: O Parlamento Europeu
    EU/UE - A própria União Europeia, como concretização no quotidiano e símbolo do seu próprio caminho e objectivo futuro.

    Quatro símbolos, bem vivos, de uma Europa em hora de letargia aparente, ( por agora, incapaz até de delimitar as suas horas de reflexão sobre o Tratado, das suas horas de decisão exigidas pela premência da aceleração da história).
    Quatro Símbolos que, sem grande esforço de imaginação, ( ela que vive da muita imaginação dos que nela apostam) podemos extraír da própria palavra Europa e do seu derivado mais importante: Europeu.
  • Como se estivesse inscrito na própria raiz da sua etimologia, o futuro que "os fluxos e refluxos" da sua intrincada história, já antevistos por nomes como Jean Vico e que outros nomes como o historiador Eric Hobsbawm viveram, também por antecipação, nas primeiras décadas do passado século vinte- o século da construção dos alicerces desta União Europeia em que, mentalmente, pelo menos, podemos viver e sem necessitarmos de qualquer deslocação física.
    Diz Eric Hobsbawm, considerado o maior historiador vivo do século XX, na sua autobiografia ( Tempos Interessantes -Uma Vida no Século XX, Campo das Letras, Porto, 2005):
    "A familia Hobsbawm não vivia em Berlim, mas num mundo que estava para além das nações e dos Estados, e no qual pessoas como nós continuavam a circular, de país em país, em busca de um lugar onde pudessem estabelecer-se.
    Podíamos ter raizes em Inglaterra ou em Viena, mas Berlim não representava mais do que uma pausa no intrincado caminho que poderia levar-nos quase indiferentemente a quase qualquer lugar da Europa que fosse a ocidente da URSS".
  • Na mesma linha de pensamento insiste Jorge Semprún, no seu "El Hombre Europeo", (Espasa, Madrid, 2005):
    "A vocação da Europa foi sempre a de superar as suas próprias fronteiras estritamente geográficas e a de assumir em permanência uma nova fronteira espiritual.
    Esta vocação de nova fronteira que já existia na época em que a Europa era a Cristandade, ou em que foi o Iluminismo, ou até na mundialização das normas do Direito e da Economia, prossegue, hoje, sob a forma da Democracia.
    Por esta razão, oito anos depois da Declaração do Conselho Europeu de Copenhague, que estabelecia, em 1993, os critérios de pertença à União Europeia, o Conselho de Laeken podia afirmar no seu preâmbulo: "A única fronteira que demarca a União Europeia é a da democracia e dos direitos humanos".

segunda-feira, maio 08, 2006

Bush Lamenta-se...

...Precisamente daquilo que devia orgulhar-se.

"Guantanamo est un sujet sensible pour les gens. Personnellement, j'aimerais bien fermer le camp et traduire en justice les détenus"
Propos du président américain, G. W. Bush, lors d'un entretien, hier soir, sur la chaîne de télévision allemande ARD. Et d'ajouter : "Ils auront la chance d'avoir un procès. On ne peut pas en dire autant pour les gens qu'ils ont tués. Ils n'ont pas donné à ces gens l'opportunité d'un procès équitable."



Aquilo de que Bush devia orgulhar-se,
era de não poder ser, nem dever ser, igual a Bean Ladden e seus sequazes.
Há muito, quem os tenha considerado irmanados no mesmo impulso fundamentalista.
A última surpresa que faltava, era esta aproximação de fundo não ser desdenhada pelo próprio Bush!
Um pouco mais, e Bush dizia explicitamente aquilo que insinua como seu desejo pessoal.
Os prisioneiros de Guantanamo serem tratados como, no 11 de Setembro, foram tratados aqueles que tiveram o azar de estar nas Torres Gémeas!
Pelo que se sabe, para alguns deles, as semelhanças de tratamento não foram simples coincidência



sábado, maio 06, 2006

Apanhado entre o Ridículo e o Preocupante (I)


A meio desta semana, resolvi retomar um velho hábito que, desde há tempos, interrompera.

Iniciar o meu dia, civicamente activo, com a “oração matinal” de ouvir o noticiário regional das oito e meia da RDP-Açores.

Não fiquei nada motivado para recair no velho hábito.

Porque não me apetece correr, em todas as manhãs dos meus dias, o risco de ficar em suspenso, entre o ridículo e o preocupante, como, nesse dia, de meados desta semana, me aconteceu.

Entre o ridículo de um “jornalista parlamentar” de muitos anos (pelo menos, em razão do número de anos que anda pela Assembleia devia justificar essa qualificação) de fazer notícia alarmista sobre a perspectiva de um plenário-relâmpago, dentro de uma semana, por, previsivelmente, vir a contar, “apenas,” com três pontos agendados para a reunião de Maio do plenário da ALRAA.
Precisamente, porque a sua experiência de veterano experimentado, senão no saber, pelo menos na idade “parlamentar,” lhe devia ter ensinado que a duração do plenário de uma assembleia política, nunca dependeu da quantidade de matéria legislativa agendada para a ordem do dia.
Depende antes, sempre, da “qualidade”da matéria política que os senhores deputados, conseguem (ou não conseguem) levar ao plenário, servindo-se ou não da matéria legislativa agendada, mas utilizando o quase inesgotável arsenal de instrumentos de actuação política que o Regimento generosamente lhes concede.
É verdade que, por norma, não o têm conseguido.
Apenas um exemplo, entre milhentos possíveis, por me parecer muito significativo.
No plenário do mês passado, o PSD-Açores tomou a decisão, “heróica,” de fazer a sua primeira interpelação ao Governo Regional, quando já vai a meio da terceira legislatura como partido da oposição.
Por acaso, já houve algum jornalista, preocupado com a duração dos trabalhos da Assembleia, que se tivesse dado ao incómodo de tentar perceber quantas interpelações ao Governo Regional, o PSD-Açores podia ter levado a efeito se usasse as possibilidades que o regimento lhe dá?
Nada mais, nada menos do que 19 (dezanove) interpelações (deixando em aberto a possibilidade de vir a fazer a 20ª interpelação no próximo mês de Junho).
É verdade.
O partido de alternativa, que é o PSD-Açores, podia/devia ter feito na Assembleia, 8 (oito) interpelações ao Governo, na Legislatura de 1996 a 2000, outras 8 (oito) interpelações ao Governo, na Legislatura seguinte (2000 a 2004).
Na actual Legislatura, no passado mês de Março, teve o glorioso “rasgo” político de transformar uma intervenção de um seu deputado no período antes da ordem do dia, em interpelação (pelo menos, foi essa a ideia transmitida pelos próprios serviços da Assembleia) macaqueando em estreia única, o que devia ser uma rotina de anos.
E ainda tem a possibilidade regimental de fazer a segunda interpelação, no próximo mês de Junho, em que termina a presente sessão legislativa.
Tudo somado, dá (daria) a bonita soma de 20 interpelações, em duas legislaturas e meia.
É por isto, e por mais algumas coisas de que falarei em próximas entradas, que não fiquei com muita vontade de voltar ao meu velho hábito de “regionalizar”as minhas manhãs com as preocupações “quantitativas” dos noticiários matinais da RDP-Açores.

quarta-feira, maio 03, 2006

No regresso...uma paisagem

É isto mesmo que torna o momento do regresso inesquecível.
O reencontro com a nossa paisagem.
O reencontro com aquilo que, para cada um, é "A Paisagem".
Esta mesmo.
Tal como foi vista pelos olhos do pintor.



Ou tal como foi sentida pela alma do escritor: