quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bush continua noutra onda





Neste dia em que Bush falou à nação americana para dizer mais do mesmo:
Mais tropas para o Iraque.
Mais guerra no Iraque.
Mais dinheiro para o Iraque.
Mais mortes no Iraque.
Menos paz no Iraque.
Neste dia, convém lembrar que há muito quem pense que, nas eleições de Novembro passado, o povo americano exigiu duas coisas que são o contrário de tudo isto.
Tropas fora do Iraque,
já.
Bush fora da Casa Branca,
quanto antes.


Resta saber como é que os Democratas navegam nesta "onda" de 7 de Novembro.
Como se fosse mesmo um ultimato do povo americano.
Ou apenas como um voto pio, para ir adiando até ao esquecimento.







Dois espectros pairam sobre os dois partidos políticos americanos.
Sobre os republicanos, o espectro de Nixon e o seu "impeachment" por mentir ao povo.
Bush também mentiu.
Sobre os democratas, o espectro de Gerald Ford, que procurou fazer esquecer a mentira e a impugnação de Nixon.
A pressão das decisões com fortes custos políticos imediatos ou a prazo podem levar os democratas a repetir o papel de Gerald Ford.







American Chronicle: Will Nancy Pelosi Remember Her Populist Roots?



The American people spoke on Nov. 7, 2006.
Their agenda has two main prongs to it.
First: Bring the troops home from Iraq, now.
Second: Punish the liars who got us into this mess.
The people want a peace, not a troop, surge.
As Speaker of the House, Pelosi will have a solemn duty to bring Bush and Cheney, via impeachment proceedings, to the Bar of Justice. Meanwhile, in her own backyard, in San Francisco, a “Pelosi Watchdog” group, led by Code Pink’s Medea Benjamin, has been formed to support her in maintaining an agenda that is Constitutionally mandated. (10) Finally, will House Speaker Nancy Pelosi remember her populist roots from her Baltimore days or pull a Gerald Ford? (11) The jury is out.
Stay tuned for the verdict!
American Chronicle: Will Nancy Pelosi Remember Her Populist Roots?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

O morto que todos os dias ressuscita

Foi morto à pressa.






Tão à pressa que até parece que não chegou a morrer.


Pode já não respirar.


Mas ressuscita todos os dias.


É como a própria guerra do Iraque.


Começou, quando os americanos afirmavam para todo o mundo que ela havia acabado!


Este morto "mal matado"
todos os dias
salta do armário
mal fechado
do Senhor Bush!


O problema é que não pode deixar de nos atormentar a todos nós!


E não só ao Senhor Bush!


Porque, nesta macabra história,
o senhor Bush
nos representa a todos,
no pior de tudo
que nós todos temos.






ELPAIS.com - Un nuevo vídeo muestra a Sadam con el cuello girado 90 grados - Internacional



Un nuevo vídeo
del ex presidente iraquí, Sadam Husein, donde aparece cuello girado 90 grados, ha sido colgado en Internet hoy, una semana después de su ejecución el pasado 30 de diciembre
ELPAIS.com - Un nuevo vídeo muestra a Sadam con el cuello girado 90 grados - Internacional


segunda-feira, janeiro 08, 2007

Um sonho português com raízes nas ilhas

É de propósito que uso esta terminologia "continentalizada" para lembrar aqui António Câmara que, há menos de um mês, foi premiado por estar no centro daquilo que o júri do Prémio Pessoa considerou "uma verdadeira revolução".


Revolução que, para ele próprio, António Câmara, tem um objectivo e modelo preciso.
Define-o assim


antcamara frase 3


antcamara jJL 4 1


E define-o, numa página autobiográfica em que, por duas vezes, invoca a sua ligação a São Miguel.
Ao referir-se à mãe diz que "a (família) da minha mãe (é) da ilha de São Miguel, nos Açores".
E ao escolher esta fotografia, com esta legenda

O sonho que a maioria dos portugueses não se atreve sequer a sonhar e, menos ainda, a acreditar, já tem um protagonista a sonhá-lo e a realizá-lo.
É filho de uma açoriana e chama-se António Câmara.


Jornal de Notícias - António Câmara recebe Prémio Pessoa



António Câmara recebe Prémio Pessoa

António Câmara tornou-se ontem no primeiro empresário português a ser distinguido com o Prémio Pessoa, atribuído pelo semanário Expresso e pela empresa Unisys.


O trabalho desenvolvido pelo professor universitário e presidente-executivo da YDreams, especializada em novas tecnologias de informação e conhecida sobretudo pelos jogos interactivos para telemóveis, foi considerado pelo júri "uma verdadeira revolução".
Jornal de Notícias - António Câmara recebe Prémio Pessoa

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Imagens e Fantasmas

Imagens de um mundo-cão

Imagens do meu quintal

Imagens de vida

Imagens de morte

Imagens da natureza

Imagens da sociedade

Imagens para esquecer

Imagens para recordar

Imagens de hoje

Imagens de sempre

Imagens de renovação

Imagens de degradação

Imagens de pesadelo

Imagens de sonho

Imagens de horror

Imagens de encanto


Imagens
Inimagináveis
para nos encherem
os dias
que passam
e nos atormentarem
as noites
que teimam em não passar.





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Enforcamento: apenas uma jogada política





Penso que é o pior que os americanos podiam fazer, em nome dos valores da civilização e da democracia de que se pretendem missionários e cruzados armados no Iraque.


Mas é uma explicação possível para a precipitação justiceira na execução de Saddam.


Tentar um volte-face na situação desesperada em que os americanos se encontram no Iraque, atirando como engodo político aos chiitas e ao Irão, o cadáver do odiado tirano.


A encenação que acompanhou a execução de Saddam, com a insólita troca de insultos sobre a morte por Saddam de um antigo dirigente chiita, podia fazer parte desta montagem teatral à volta deste enforcamento.

A morte-relâmpago de Saddam seria a "bomba atómica" possível para os americanos tentarem apressar o fim ou, pelo menos, alterar o panorama negativo da guerra do Iraque.

E bem sabemos que esta, é não só uma tradição americana, mas uma tradição de que os americanos foram inventores e iniciadores.







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[ El Watan :: Dernière ]



affaiblir les Irakiens en exacerbant les contradictions et les différences qui opposent notamment les chiites et les sunnites et, ensuite, jeter tranquillement les bases d’un futur Etat irakien à majorité chiite pro-américain, capable d’endiguer la « menace » iranienne.


Les faits pouvant participer à corroborer une telle lecture sont nombreux. Le premier d’entre eux reste bien entendu l’exécution de l’ancien maître de Baghdad qui ne peut être interprétée autrement que comme un cadeau fait par les Etats-Unis aux chiites d’Irak.


L’Iran aussi a célébré sans retenue la disparition de l’ex-président irakien. Nombre d’observateurs ne s’expliquent pas non plus comment l’Iran a pu prendre ainsi le risque de s’aliéner les opinions arabes (qui sont majoritairement sunnites) au moment où il se confirme de plus en plus que leur pays - qui a actuellement le statut de puissance régionale - est dans le collimateur de Washington. Des opinions qui plus est l’ont, jusque-là, soutenu dans le bras de fer qui continue à l’opposer au Conseil de sécurité de l’ONU sur la question du nucléaire. En ce sens, l’on trouve étonnant que Téhéran - qui a habitué à être perspicace - n’ait pas prévu que sa réaction pouvait jouer en sa défaveur et peut-être ouvrir la voie à son isolement.
[ El Watan :: Dernière ]


terça-feira, janeiro 02, 2007

Ditadores "made in America"

O meu primeiro passo na blogolândia, em 2007, tinha de ser sobre esta diferença que o ano que passou não conseguiu retirar-me, nem, da retina, as suas imagens, nem da cabeça, o contraste do seu desenlace final.
A existência de dois tipos de ditadores.
É o que os americanos acabam de tornar institucional como herança de 2006.
Os ditadores que os americanos protegeram, apoiaram, financiaram, armaram e utilizaram para defesa dos seus próprios interesses ou para exorcizar os seus próprios medos e preconceitos.
Estes ditadores conseguem morrer na cama.
Pinochet é o modelo perfeito.
Perfeição que essa proteção norte americana conseguiu levar ao extremo de o imunizar de forma a que ele fosse resistindo às malhas que o sistema judicial do seu próprio país e da comunidade internacional lhe foram tecendo.
Pinochet morreu devagar.
Pela força da lei da natureza.
Pinochet morreu impune.
Pela fraqueza da lei dos homens.
Enterrou-se sem honras de Estado,
mas com honras militares,
pela rara e pouca força,
que o Estado chileno conseguiu
ter contra ele.
E pela muita e perigosa força
que o exército chileno
continua a ter contra o Estado.



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O outro tipo de ditador é o que morre na forca.
Que é julgado rapidamente.
Condenado rapidamente.
Executado rapidamente.
Transportado rapidamente,
pelos americanos,
para o local da execução.
Transportado rapidamente,
pelos americanos,
para o local do enterro.
Tudo isto, furtivamente,
antes do nascer do sol,
procurando transmitir ao mundo,
apenas as imagens
quase-holioodescamente convenientes,
dos acontecimentos.


Tudo leva a crer que,
mais uma vez, a administração-Bush meteu "a pata na poça" no aloleiro do Iraque.
Porque o enforcamento de Sadam Hussein, nas circunstâncias expeditas e furtivas em que ocorreu,
ou foi inútil ou foi perigoso.
Inútil, se Sadam, como parece, já estava politicamente morto.
E a sua morte será apenas mais um pecado ou erro cultural e civilizacional dos americanos.
Perigoso, porque o inútil vivo só poderá ser transformado em herói morto, por uma razão.
Por ter sido morto, em especial ao olhar do mundo muçulmano, pelos americanos.
E, então os americanos acumularão o erro cultural com o erro político.


Nota (quase) final.
Não escrevo estas reflexões com a pretensão de que elas tenham especial interesse para quem, porventura, as leia.
Mas porque um blogue também é (ou é principalmente) um meio de esconjurar fantasmas que nos atormentam.


Nota (mesmo) final.
Teremos de concluir que os americanos, quando fazem intervenções militares com a desculpa de expandirem ou defenderem a democracia, só conseguem fazer vingar o pior da cultura do Ocidente.
Estes dois exemplos bem nos podem levar a esta conclusão.
No caso do Chile, a ditadura.
No caso do Iraque, a pena de morte.

sábado, dezembro 30, 2006

Não deixe...

Por favor, não deixe os segundos que restam de 2006 correr sózinhos.

Corra com eles!

Olhe que eles vão correr consigo!

Pague-lhes na mesma moeda.

Corra com eles!


A grande pergunta de 2006

A grande pergunta com que se pode encerrar 2006 é precisamente esta:
A diferença entre as imagens da Praça chinesa de Tiananmen eram tão grandes,entre as apresentadas na página do Google.com e na página do Google.china, em Janeiro de 2006, que não se pode evitar a pergunta:

Em Dezembro de 2006, justifica-se a visão optimista da "Time" de que já entrámos na era da informação em que o utilizador é que domina?
Por cada "You" dominador, quantos "You" ainda dominados?
Por cada "You" que se julga dominante, quanto "You" iludido?




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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Mais Natal



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Mais imagens de mais natal.
Muitos natais dentro do mesmo natal.

Natal: Adultos-Adolescentes, Adolescentes-Adultos...

...Que matam e morrem ao volante.
Sem glória nas alturas,
Nem paz nas sepulturas.
Primeiro mandamento português,
nas auto-estradas do Natal:
Matai-vos uns aos outros.
Todos, ou à vez,
Tanto faz
como fez!




«Calma, rapaz!» -
Vozes de prudência faziam-se ouvir.
Compreendia-se, os protectores do rapaz pareciam querer dizer que entre ele e aquelas máquinas não havia distância,
que era uma questão de inteligência,
uma entrega total do rapaz ao corpo dos carros,
uma vocação extraordinária,
não uma inconsciência da sua pessoa,
isso não,
antes uma hiperconsciência da engrenagem mecânica,
o que era fantástico.
Mas reconheciam que jovens assim constituem um perigo,
não distinguem onde o seu corpo começa e onde ele acaba,
e por isso se entregam a corridas desenfreadas,
fazem proezas e acrobacias, ferem-se e matam-se,
precisamente porque entre eles e os objectos não estabelecem dis­tinção,
sentindo-se eternos e invioláveis.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

terça-feira, dezembro 26, 2006

O Natal que fica... (I)



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...No tempo que passa.

Natal...que vai ficando

natal na árvore

O Natal que passa...
E vai ficando pela casa disperso.
É o que acontece tradicionalmente cá em casa.
As expressões mais variadas e mais singulares do presépio, algumas vindas dos quatro cantos do mundo geográfico e do mundo da expressão artística, mais ou menos popular ou mais ou menos erudita, vão encontrando acolhimento e exposição em móvel próprio durante todo o ano.
São muitos anos de procura e muitas peças de recolha paciente ou ocasional por regiões e países.
Algumas vezes lembradas, outras, muitas mais, esquecidas, estas peças vão sendo distribuídas e acomodadas nos móveis e lugares mais imprevisíveis da casa, à medida que o calendário nos aproxima do Natal.
Normalmente começam por tomar conta de um dos cantos da sala com o presépio, de outro com a árvore de natal.
Depois, vão-se dispersando por mesas de função e estilos diversos, combinando o tradicional com o artístico, o espontâneo com o cultivado, o despojado com o mais luxuoso ou aparatoso, o original com a cópia, peças únicas datadas e assinadas com cópias de origem e mão duvidosa.
Tudo acaba por ter lugar.
Tudo acaba por desempenhar algum papel.
Tudo acaba por ficar
pela casa disperso,
assinalando,
no tempo que passa,
o rasto
do natal que fica...
ou vai passando.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A Quadra Perfeita (II)

Confesso-me obcecado pela ideia de dar a possível continuidade a este tema da quadra perfeita.

Falo em possível continuidade, porque ponho de parte, em absoluto, a hipótese de tentar, eu próprio, rabiscar uma quadra que se aproxime deste modelo.

Falta-me tudo para me dar à ousadia de sequer tentá-lo.
Experiência, inspiração, talento.
Mas não desisto de procurar outros exemplos, entre a numerosa produção poética da literatura portuguesa.
Embora sem referir todos os atributos da quadra de José Gomes Ferreira que, dias atrás, apresentei como modelo, convém deixar claro que me circunscrevo a quadras de 5 sílabas e com todas as combinações de rima possível, a chamada redondilha menor.
Como esta, justamente considerada exemplar, de Fernando Pessoa:

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

Nota final: Os mais atentos (poucos, pouquísimos, claro) hão-de notar que o próprio Gomes Ferreira faz uma citação indirecta desta quadra, na carta a Fernando LopesGraça

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Entre grandes e pequenos escândalos

É assim que estamos vivendo esta, sempre antiga e sempre nova, época do ano.
Como todo o mundo de influência cristã (re)vivemos a hora alta do aparecimento histórico de Cristo.
"Escândalo para judeus e gentios", assim foi definido por quem lhe fez a síntese da vida e do pensamento.
O grande escândalo da história da humanidade, na visão de outros que não vislumbram, no percurso da humanidade, outro rasto de um Deus que incarna e sofre como qualquer outro ser humano. Apesar de não faltarem traços, na história da cultura pré-cristão, de deuses que se divertem com formas e comportamentos humanos.

Em Portugal, estamos a viver a hora alta-baixa dos pequenos escândalos de dimensão caseira que se sucedem em cadeia.
No mundo do futebol, o escândalo oscila entre a alcova e o gangsterismo de bairro da lata.
Entre Pinto da Costa e a sua ex-Catarina Salgado e o Mantorras e as muitas histórias confusas de intermediários de milhões e intometidos de milhares de euros.
No mundo da política, a cada passo do governo, a oposição descobre o escândalo do passo em falso.
É o escândalo do tatrifário eléctrico.
Que tanto é escândalo por ser elevado demais, como é escândalo por ser baixo de mais.
É o escândalo da demissão do Jorge da ERSE.
Que tanto é escândalo por só agora se ter demitido, como é escândalo porque se demite a poucos dias de terminar o mandato.
Que, afinal, termina, não por o próprio se ter demitido, mas por ter sido dispensado por oportuno despacho ministerial.
Ao que parece, antes de ter tomado a iniciativa da demissão, apenas o PS se terá preocupado em requerer a audição, na Assembleia, do referido Presidente da ERSE.
Agora, todos os partidos querem ouvi-lo, como se ele ainda fosse aquilo que já não é, mas não acham grande interesse em ouvi-lo, na qualidade de "individualidade", única coisa que ele, agora, é.
E é tudo?
Não. Não é.
Ainda falta o escândalo maior ( ou o mais pequeno).
O escândalo de um governo, que, acusado de cometer "crimes" de inconstitucionalidade, tem o supremo descaramento de se defender perante o Tribunal onde é acusado.
Já viram maior escândalo (anti) democrático do que este?
Um acusado, a defender-se?!
É lá possível!
Mas é o que a lei prevê.
Para toda a gente e para todos os casos.
E não só para o governo e para este caso.
Não interessa.
É um escândalo.
Jornalista dixit.
Está dito.
E político repetiu.
Está redito.

Quando será que inteligente jornalista (e político idem) percebe que se tudo é escândalo, nada é escândalo?














No seu requerimento, o PS lembra que no dia 12 deste mês tinha apresentado “um requerimento oral para a audição do então presidente da ERSE, engenheiro Jorge Vasconcelos”, sobre outras matérias “além da questão do tarifário da electricidade suscitada pelo BE”.O PS recorda que queria ouvir o presidente da ERSE sobre “as questões da política energética e, estando a individualidade em referência em fim de mandato, sobre a experiência no relacionamento entre a entidade reguladora e a Assembleia da República”.
PUBLICO.PT










terça-feira, dezembro 19, 2006

O luto de Tom e Jerry







E a tristeza dos Flinstones.
Pudera!
Nenhum de nós é filho da sua arte e do seu talento.
E estamos de luto.
E estamos tristes com a morte de Joe Barbera.

Porque todos vivemos muitas horas da nossa vida, com Tom, Jerry, Silvestre e os Flinstones.
Que, por isto mesmo, como Tom & Jerry & os Flinstones, foram horas de vida que devemos a Joe Barbera
.


Não era bem de nenhuma destas horas que Joe Barbera falava, quando recomendava:




Nós é que podemos falar dessa hora definitiva como a hora-Barbera.
E desejar que ela tenha sido a hora em que Joe Barbera se tenha podido encontrar consigo próprio, para além das personagens que criou e da personagem que foi.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Eu, a pessoa do ano?

Tu, a pessoa do ano 2006?
Eu, quando sou tu e tu quando és eu, as pessoas deste ano?
Será só porque ele está a acabar e é para atirar para o caixote do lixo da história com a última folha do calendário de 2006? Não.
Garantem-nos que não.
Não. Não é por causa dos anos velhos e dos anos novos que todos os anos acontecem.
É por causa de um mundo novo que está a nascer todos os dias em que martelas duas linhas para um blogue.
TU e EU?
e Eu e TU?
TU como EU e Eu como Tu.
Será mesmo certo que estes monossilábicos pronomes pessoais têm dentro de si a chave para esse mundo novo?
Não nos deixemos paralisar pela interrogação.
Continuemos a tentar.
Tu e Eu.
Tu como EU.
Eu contigo e Tu comigo.

No fundo, NÓS.

TIME.com: Harriet Klausner -- Dec. 25, 2006 -- Page 1

Person of the Year Cover Story: Person of the Year: You Yes, you. You control the Information Age. Welcome to your world.
TIME.com: Harriet Klausner -- Dec. 25, 2006 -- Page 1



domingo, dezembro 17, 2006

Lula :O melhor

Gazeta do Sul


Lula é considerado o melhor presidente da história 17/12/2006 - 14:15 | O instituto Datafolha divulgou ontem (16) o resultado de uma pesquisa que aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o melhor presidente da história do País.
De acordo com o levantamento, Lula foi o preferido de 35% dos entrevistados. Fernando Henrique Cardoso foi o segundo colocado, com 12% das preferências, seguido por Juscelino Kubitscheck, que teve 11%. A pesquisa também constatou que 59% da população tem expectativas positivas com relação ao segundo mandato de Lula, esperando um governo ótimo ou bom.
Gazeta do Sul








Mesmo encolhendo os ombros, com o habitual refrão: as sondagens valem o que valem.
Mesmo assim, os números desta sondagem não deixam de ser expressivos:
a) Para um Presidente que acabou de sair de uma eleição que o obrigou à difícil prova de uma segunda volta.
b) Para um Presidente que termina um primeiro mandato extremamente complexo pelas altas expectativas que marcaram o seu início e pela abrupta queda na opinião pública dessas expectivas no seu final.
c) Para uma função presidencial que, em termos de responsabilidade efectiva nos rumos da governação do Brasil, está nos antípodas da distanciada responsalidade do semi-presidencialismo português.
d) É tão grande a diferença para com o seu antecessor directo, Henrique Cardoso, que tem o sabor amargo de injustiça popular.





sexta-feira, dezembro 15, 2006

A quadra perfeita (I)




Ontem, resolvi não acrescentar mais nenhuma informação à "quadra perfeita", para ela poder ressaltar sem sombras e para não a manchar ou diminuir com a imperfeição de outras mensagens.
Hoje, passado esse momento de fulgor, inevitavelmente fugidio mas imprescindível, parece-me ser altura de acrescentar alguns dados.
Em primeiro lugar, o texto em que ela aparece, em atenção daqueles que, porventura, não tenham oportunidade de o ler no JL.

É este o texto:



Este caro Fernando é o Fernando Lopes Graça.

A "Rústica" de que fala Gomes Ferreira é uma das chamadas "Canções Heróicas" de Fernando Lopes Graça.

Alguma informação útil relacionada com José Gomes Ferreira e a importância que a músiva teve
no início da sua vida artística pode ser colhida aqui:


http://www.esec-j-gomes-ferreira.rcts.pt/AmusicadeJoseGomesFerreira.htm

quinta-feira, dezembro 14, 2006

A quadra perfeita







terça-feira, dezembro 12, 2006

A música que é a filarmónica ou a filarmónica que é a música

Todos sabemos que, para a nossa ruralidade açoriana, até há muito pouco tempo, estas duas realidades confundiam-se.
A música, não eram os cantos da igreja.
A música, não eram as modas tradicionais.
A música, não era o piano que a senhora martelava na casa nobre ou rica.
Menos ainda a viola que muitos dedilhavam por tradição familiar ou gosto pessoal.
A música era a filarmónica.
A filarmónica da Praia era a música da Praia.
A música da Vila era a filarmónica da Vila.

É, em memória desses tempos,
e aproveitando a comemoração dos 120 anos da SFUS (Sociedade Filarmónica União Sebastianense) a que já fiz referência neste blogue e no Epigrama, que vou deixar também aqui, a transcrição dos versos sobre o ensaio e a bandeira, da "Festa Redonda" de Vitorino Nemésio, dedicados à Música da Praia, precisamente na sua "Décima da Música da Praia":

A Bandeira


Bandeira da filarmónica,
Tu é que me hás-de embrulhar
Na serpente a ponto cheio,
Cruz negra que eu vi bordar...


Bandeira de seda fina,
Alva como uma rainha!
Ainda tremes da pureza
dos dedos da Lucindinha!


O Ensaio


A casa do ensaio à noite
(Cá fora chuva e galochas)
Parece a câmara ardente
Rodeadinha de tochas...



Geme o fá, o si repica,
Berra o sol, o lá desanda,
Dó chora, ré mia ao mi,
Cada um pra sua banda...


Mas, de repente, na estante,
Bate a batuta o papel:
A força do folgo é tanta
Que se ouve em São Miguel!








Nota final (com segundas intenções e para segundas interpretações):

Às vezes, é preciso mesmo muito "folgo," para, da Terceira, ser ouvido em São Miguel!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

O que morre com Pinochet

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A morte deste sanguinário ditador chileno significou a morte de muita coisa.
Algumas positivas, outras negativas.
A morte de uma era na América latina.
A era dos ditadores do século XX,
que teve uma vida mais longa do que na Europa,
mas que parece, finalmente, encerrada.
Entre as negativas, recordemos apenas, a morte da esperança de os representantes das vítimas o levarem, vivo, a um tribunal chileno que o condenasse pelos seus crimes contra os chilenos e no Chile cometidos.
Mas, sobretudo, morreu, a sua busca perversa da impunidade para os seus crimes, recorrendo a expedientes legais.
E isto é o que mais importa para o futuro da humanidade e de todos nós.
A hora da sua morte (17h15 TMG de 10 de Dezembro de 2006) é uma hora decisiva para todos.







Le précédent Pinochet  Comment les victimes peuvent poursuivre à l’étranger les criminels des droits de l’homme



Ce qui dans l’affaire Pinochet frappe tout d’abord, c’est qu’un juge espagnol ait eu le pouvoir d’ordonner l’arrestation de Pinochet pour des crimes commis principalement au Chili et contre des Chiliens. Ce pouvoir se base sur la règle de compétence universelle, c’est-à-dire le principe que chaque État est fondé à traduire en justice les auteurs de crimes spécifiques d’intérêt international, quel que soit le lieu où le crime a été commis, et sans égard à la nationalité des auteurs ou des victimes.
Le précédent Pinochet Comment les victimes peuvent poursuivre à l’étranger les criminels des droits de l’homme


(via Chili : Augusto Pinochet est mort, CHILI)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

8 de Dezembro Senhora da Conceição

Se, para si, o dia 8 de Dezembro não é, apenas, mais um dia feriado, mais um dia de montras ou de iluminações natalícias em várias cidades açorianas.
Ou se é tudo isto, mas você deseja que seja algo mais.
Ou se é mesmo algo mais, na linha de uma tradição religiosa que dedica este dia à celebração do mistério da Imaculada Conceição de Maria.
Ou mesmo se não é nada disto, mas você sente um vago e indefinido mal estar por este dia não ser algo mais do que o muito ou pouco que já é.

Então, está na hora de dar um salto até ao



ÁLAMO ESGUIO




ÁLAMO ESGUIO

e deliciar-se com versos como estes:


Avé Maria dos pobres
De porta em porta a pedir
sem migalha para a fome
nem andrajo de cobrir...


Avé Maria dos presos
Encerrados na cadeia...
Avé Maria dos bêbados
dormindo à lua-cheia.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A filarmónica de São Sebastião - O livro da Fundação



A Filarmónica de São Sebastião é uma preciosidade histórica com 120 anos.
Este livro, cuja capa acima ser reproduz, também o é.
Tem a mesma idade da filarmónica.
Não terá exactamente o mesmo valor social e artístico.
Mas também não teve direito à mesma consideração e empenho que a própria filarmórnica sempre mereceu aos sócios, executantes, dirigentes e aos sebastianenses em geral.
Embora uma filarmónica seja, por definição, uma instituição com muitas estantes, provavelmente, o livro que regista os seus primeiros passos e devia registar as principais datas da sua vida, nunca chegou a ter direito, sequer, a uma banal prateleira.
Teve de resignar-se ao fundo de uma esconsa e esquecida gaveta.
Por isso, acho que merece ser aqui lembrado, a propósito da celebração, no passado dia 29 de Novembro, dos 120 anos da Filarmónica União Sebastianense.
A história desta designação, Sociedade Filarmónica União Sebastianense, e das suas vicissitudes históricas, tais como as da própria instituição, que as sucessivas designações testemunham, só a poderemos conhecer e tentar compreender, se tivermos a oportunidade e a curiosidade de espreitar para as actas da sua fundação.
É o que faremos.

terça-feira, dezembro 05, 2006

O senso comum...é o menos comum dos "sentidos"

Cincuenta años de inteligencia artificial y los robots aún no tienen sentido común - 20minutos.es


Crear una inteligencia artificial dotada de "sentido común" y que sea capaz de pensar como las personas es "tan difícil" como explicar el origen del Universo, advirtió López de Mántaras, quien se lamentó de que algunos científicos de otras disciplinas "exigen" que la inteligencia artificial consiga en 50 años "lo que no han conseguido ellos en siglos".
Cincuenta años de inteligencia artificial y los robots aún no tienen sentido común - 20minutos.es







Só mesmo a subtil ironia "cartesiana" podia ter levado Descartes a começar a erguer o seu método das ideias claras e distintas, partindo do pressuposto contrário.


Ou seja, que:
"O bom senso é a coisa mais bem partilhada do mundo, porque todos pensam possuí-lo tanto que, mesmo os mais difíceis de contentar em tudo o resto, não costumam desejar mais do que aquele que já têm".


Esta é, como todos (os franceses) sabem, a primeira frase do "Discurso do Método" de Descartes.








segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ser Europeu




Ser europeu é preferir:


As catedrais às pirâmides;
Bruges a Quioto;
o mar Egeu às Caraíbas;
o sentido estético ao sentido prático;
as interrogações às certezas;
o cepticismo ao fanatismo;
a dissidência à ortodoxia;
a liberdade às verdades;
a sabedoria ao saber;
a síntese à retórica;
as palavras às estatísticas;
a imprensa à televisão;
a literatura à tecnocracia;
o indivíduo às massas;
a lucidez da razão às profecias sem razão;
as heranças aos testamentos;
as memórias dispersas à memória única;
a diversidade à uniformização;
o valor dos homens ao valor do dinheiro;
a visão de conjunto à visão parcelar;
a inquietação ao optimismo;
o sonho à diversão;
a contradição ao apaziguamento;
os cafés e esplanadas aos bancos e seguradoras;
o curso do Danúbio ao curso do Amazonas;
Porto­fino a Acapulco;
Santorini a Punta del Este;
o lago Cuomo ao lago Titicaca;
a Grécia de Péricles à China da dinastia Han;
o império Austro-Húngaro à Turquia dos sultanatos;
a Roma imperial ao Japão dos samurais;
o Spectator ao New Yorker;
o vinho à Coca-Cola;
Margaret Thatcher a Indira Gandhi;
De Chirico e Delvaux a Portinari e Andy Warhol;
Fellini e Truffaut a Spilberg e Tarantino;
Malaparte e Yourcenar a John dos Passos e Kawabata;
Mouzinho de Albuquerque a Pancho Vila;
Garibaldi a Sun-Yat-Sen;
Marco Aurélio a Confúcio;
por fim,
uma noção equilibrada do tempo,
nem estática nem acelerada.

Numa palavra, a história da Europa à história universal.

Abril 2002

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Costa Neves & Costa Neves, Sociedade de banalidades anónimas e lugares comuns ilimitados



Em 8 anos,
Entre 1998 e 2006,
Entre um primeiro mandato como líder do PSD-Açores,
E um segundo mandato como líder do PSD- Açores,
Costa Neves nada aprendeu e nada esqueceu.
Mantém os mesmos refrões, os mesmos lugares comuns,
a mesma incapacidade de pensar e reflectir, em análise e propostas,
as mudanças da sociedade açoriana.

É o seguinte o retrato mental de Costa Neves em 1998:

















É o seguinte o retrato mental de Costa Neves em 2006:




Diario Insular 2006




(...) eu digo pior, digo que não há modelo de desenvolvimento no arquipélago, não há uma estratégia, não há um fio condutor.(...)




(...) Portanto, há uma ausência completa de políticas, a todos os níveis.(...)




(...) eu acho que não há estratégia.




(...) o PS falhou em toda a linha em dez anos de Governo regional.





Diario Insular 2006

Alguma diferença substancial entre estes "apanhados"
do Costa Neves líder-98 e o Costa Neves- líder 2006?

Nenhuma, claro.

Mas é também claro que, em oito anos, tudo mudou.

Menos Costa Neves.

Então, que fazer?

Mudar quem não muda, para se poder acompanhar

aquilo que muda?

quarta-feira, novembro 29, 2006

Um génio em contra mão



1905

Gaudí dispunha-se a atravessar a rua sem olhar. O médico reteve-o por um braço no exacto momento em que passava um automóvel que, por pouco, o não atropelava.
- Amigo Gaudí! Deveria ter mais cuidado.
- Obrigado, doutor. Mas quem deveria ter mais cuidado era ele. Quem anda numa máquina é inferior a quem anda a pé. Devia parar ou desviar-se. A máquina é inferior ao ser humano.
- Talvez tenha razão - respondeu o médico a sorrir. - Mas não
queira convencer os automobilistas disso, metendo-se debaixo
das rodas dos carros deles.

1926

Gaudí percorreu com passada segura o labirinto de galerias e passadiços e subiu as escadas. Acompanhavam-no as notas emitidas pelos tubos com um som que se repetia e perdia ao longe. Ainda com o eco nos ouvidos saiu para o ar livre da tarde.
Ao longe soava o rumor do trânsito, mas nos seus ouvidos retiniam as notas metálicas dos tubos.
A rua tinha pouco movimento. Na esquina avançava um eléctrico. Gaudí dispunha-se a atravessar a rua. A campainha do eléctrico soou insistentemente.
Os travões chiaram.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Gaudí jazia no chão. A sua mão inerte continuava a agarrar o projecto que lhe caiu da mão e se desenrolou mostrando um esboço da Sagrada Família terminada.

domingo, novembro 26, 2006

Repetir as perguntas mais repetidas

Quantas vezes já não foram feitas, nos últimos dias, estas quatro perguntas ou suas equivalentes?


Vamos insistir e fazê-las mais uma vez.



  • Porque é que Cavaco Silva escolheu, precisamente, aquela data e aquele exacto momento político para, em primeira entrevista portuguesa do seu mandato, fazer passar a única mensagem que só podia agradar ao eleitorado que nele não votou e desagradar àquele que nele votou?

Pior ainda, ou não(?). De tudo o que disse, foi a única ideia que ficará na memória ( ou até na história.) Tudo o resto se sumirá no magna das inutilidades mediáticas.
Será preciso recordá-la ?
Se for, aí vai: Este governo é reformista.
E, pelo tom e o contexto em que foi dito, foi entendido como: este governo, quanto a reformismo, é mesmo modelar.




  • Segunda pergunta. Porque que é que este país tanto parece estar, todo, na rua contra Sócrates e o seu Governo , como, um dia antes ou depois, se mostra disposto, nas sondagens, a continuar a dar-lhe maioria absoluta?



  • Terceira questão.
    Porque que é que o CDS-PP, ainda mal refeito de uma coligação à direita com o PSD, e mesmo internamente dividido por causa das sequelas do desastre político dessa coligação, aproveita , com aparente sofreguidão, todas as oportunidades para se mostrar receptivo a conúbios com o PS. E quase sempre em matérias que têm claro alcance institucional, (leis de finanças locais e regionais, no caso do CDS-PP de Ribeiro e Castro) ou em documentos essenciais à governação, como foi o caso do Plano e Orçamento da Região ( caso do CDS-Açores, que parece já não ser de Alvarino Pinheiro, mas ainda não se sabe de quem será).



  • Quarta questão.
  • Depois dos partidos de classe(PCP), depois dos partidos de causas, (BE) normalmente avulsas, do ponto de vista da sociedade no seu todo, mas quase sempre fracturantes, do ponto de vista dos comportamentos individuais ( casamentos e adopções homossexuais, por exemplo), e, ainda, depois dos partidos inter-classistas do centro esquerda (PS) e do centro direita (PSD), vamos passar a ter um partido-trincheira, a que parece estar reduzido o PSD-Marques Mendes e o PSD-Costa Neves?


Por agora, fiquemo-nos pelas perguntas.



Acrescentemos apenas, serem possíveis duas perspectivas totalmente diferentes e até opostas, para as tentativas (não poderão passar disto mesmo: tentativas) de resposta.
Uma das perspectivas é a de que todos estes casos não passam de meras jogadas políticas de conjuntura, a juntar a milhentas outras de que é fértil o nosso mundo político, e sem verdadeiro alcance para o futuro. Apenas com efeitos momentâneos, e mais do mundo da imagem e da encenação do que do mundo real.
A outra perspectiva é fácil deduzir qual seja.
É exactamente esta última que nos parece a mais provável.
Para lá, vamos...indo.

quinta-feira, novembro 23, 2006

A capital americana da desigualdade

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1.2 million New Yorkers (one in seven) live in food insecure households.
417,000 of them are children. Learn more...



A minha entrada de ontem pode ter parecido demasiado enigmática a alguns.
Demasiado imprecisa e incompleta a outros.
E, porventura, preconceituosa e tremendista a outros tantos.
Espero que o link para a página que ontem faltou e falhou ajude a alguma clarificação.


A coligação da cidade

quarta-feira, novembro 22, 2006

Sempre os tereis...nas grandes cidades

Eles aí estão...connosco


During the most recent three year time period (2003-2005), 1,256,000 of the city’s residents -- one in six -- lived in households that could not afford to purchase an adequate supply of food, according to U.S. Department of Agriculture data analyzed by NYCCAH. During this time, 15.4% of city residents lived in those food insecure households, representing an approximately 112,000-person increase over the 2000-2003 time period, when 14.0% of New Yorkers lived in such households.



Statewide in New York during that same time, the number of people living in food insecurity climbed from 9.4 % to 10.4%, representing a roughly 180,000-person increase. In 2005, according to the U.S. Census Bureau, New York was the only state in the nation in which both poverty and overall earnings income increased, making the state a leader in inequality of wealth.


Eles aí continuam, longe, muito longe...mas connosco


domingo, novembro 19, 2006

Mitos da autonomia à PSD-Açores

São muitos estes mitos.


E há décadas que embaraçam e baralham as perspectivas,
histórica e politicamente adequadas,
à dimensão real da autonomia dos Açores.
Um deles é o mito do garantidismo jurídico.
O que é isto?
Uma concepção quase-museológica da autonomia baseada na ideia que,
mediante determinadas precauções e artíficios jurídicos,
é possível preservá-la das contingências, dos avanços e recuos
e transformações de toda a ordem que ocorrem no País e na Europa em que nos integramos.
Esta concepção de uma autonomia blindada e preservada
das contingências que, nomeadamente, ocorrem no País, tem a sua expressão máxima em certos dogmas que se arquitetam à volta do Estatuto.
Por exemplo, a sua expressão máxima é a ideia de que todas e cada uma das alterações, em concreto, a introduzir no Estatuto, mesmo aquelas que digam respeito à mais ínfima das alíneas do menos importante dos artigos, só pode sê-lo por iniciativa da Região.
É uma ideia quase sagrada que o PSD-Açores introduziu na vulgata da autonomia mas que não tem sustentação objectiva.
Mas não deixa de ser curioso que o PSD-Açores, provavelmente, à falta de capacidade para se enquadrar, criativamente, nas condições históricas da "nova autonomia" em que , historicamente vivemos, continue a fazer a apologia do alargamento desta ideia do Estatuto da Região para outras áreas como a da Lei das Finanças Regionais.
Em vão.
E mais ainda, contra os precedentes históricos que o próprio PSD criou, em 2002, com a Lei de Enquadramento Orçamental de Manuela Fereira Leite.






Declaração de voto do PSD_Açores ( pag. 14 e 15 pdf)


Redundante com o estabelecido no artigo 7º.
A alínea c) necessita de ser clarificada.
A expressão “de modo a evitar situações de desigualdade” pode levar a
que se abra a possibilidade de intervenção da Lei de Estabilidade
Orçamental, ou outra semelhante, que introduza factores adicionais de
perturbação, abalando a estabilidade das relações financeiras que deve
estar presente na LFRA e conduzindo a situações rodeadas de
imprevisibilidade.


Não é claro que a “demais legislação complementar” se refira
exclusivamente à “presente Lei”. Dessa forma, poderá estar posta em
causa a estabilidade, e consequente previsibilidade, que devem ficar
associadas à nova Lei, uma vez que um outro instrumento legislativo,
por exemplo a Lei de Estabilidade Orçamental, se pode sobrepor à
LFRA.


Declaração de voto do PSD_Açores ( pag. 14 e 15 pdf)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Como é que as 17 Autonomias Espanholas resistem a 186 CAPF (Comissões de Acompanhamento)?


Hoje, 15 de Novembro, é um dia que ficará assinalado nos anais da autonomia dos Açores.
Finalmente, concretiza-se, no termo de 2006, a revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, que a própria lei previa se tivesse efectuado em 2001.
O atraso é grande.
Mas a História acabou por escrever direito por linhas tortas.
A Lei actual é da iniciativa de governos socialistas nos Açores e em Lisboa.
A sua revisão também acaba por sê-lo.
E os governos da República da responsabilidade do PSD, não mereciam o mérito desta revisão, pelo modo, perfeitamente arbitrário e atrabiliário, como lidaram com a autonomia financeira das Regiões Autónomas.
Em vez de completarem a revisão da Lei, que ficou, técnica e politicamente preparada, em 2001, preferiram, expeditamente, em 2002, suspender a sua aplicação.
Entretanto, também, neste ano da graça de 2006, o PSD-Açores resolve (re)inventar, como Adamastor do mar tenebroso do centralismo, a Comissão de Acompanhamento das Politicas Financeiras, que existe, pacifica e consensualmente, na Lei, desde 98.
Por acaso, sabem quantas comissões do género tinham existido nas vizinhas autonomias espanholas, até 2002?
Nada menos que 186.
Abjecto centralismo- dirá o lúcido PSD-Açores.
Como conseguem resistir as "raquíticas" autonomias espanholas, a tantas agressões do centralismo madrileno, pergunto eu, tentando ser quase tão lúcido como o lúcido líder Costa Neves?

As conferências sectoriais
são órgãos mistos formados por representantes das diferentes Comunidades Autónomas, no seio das quais ambas as administrações se encontram representadas, presididas pelo Ministro do departamento correspondente.
Com carácter genérico, estas conferências encontram-se previstas na lei do Processo Autonómico, se bem que possam estar, também, previstas em leis sectoriais.
Compete-lhes o debate e a formalização de acordos sobre as grandes linhas de actuação das administrações públicas numa matéria específica, pelo que actuam como instrumento de cooperação inter administrativa.
O Pacto Autonómico de 1992 desenvolve o princípio da cooperação, sobre o qual se fundamenta o funcionamento das conferências e das comissões sectoriais.
Diccionario de Términos Autonómicos, ob. cit., p. 32.

As comissões sectoriais são órgãos mistos e paritários compostos por representantes do Estado e de uma Comunidade Autónoma, cuja finalidade é o tratamento de questões que afectam o interesse dessa Comunidade.
A sua criação é voluntária, pelo que carecem de legislação específica.
Para além destas comissões, existem as comissões mistas de transferências, órgãos mistos e paritários formados por representantes do Estado e de uma Comunidade Autónoma e previstos nos Estatutos de Autonomia respectivos.
Nas suas reuniões são aprovados os acordos de transferência de meios e serviços necessários para o exercício de uma determinada competência.
Constituídas ao longo do processo autonómico, existem cerca de 186 comissões sectoriais.
Estas comissões, como mecanismo de integração, foram criadas com base na doutrina do TC e no próprio desenvolvimento do processo autonómico, visando as modalidades de relacionamento entre o Estado e as autonomias, em obediência aos princípios de coordenação, de colaboração e de cooperação.
Diccionario de Términos Autonómicos, ob. cit. p. 23; Manuel Fraga Iribarne, Impulso Autonómico, ob. cit., p. 65.

Nossa Senhora de todos os títulos e invocações

Coelho de Sousa lhos deu,
na sua poesia de gosto popular
e sabor lírico-religioso.
Tem, assim, três motivos
para a procurar



No


ÁLAMO ESGUIO



ÁLAMO ESGUIO

Uma coisa lhe posso garantir:
Se, pela mão de Coelho de Sousa,

não encontrar Nossa Senhora,
na água... na casa... na aldeia...
é porque a perdeu, em definitivo,
ou nunca chegará a encontrá-la.
Como o lamento por si!
Como me lamento por mim!


Por isso, lhe digo, com CS:

Nossa Senhora da água
fonte pura a correr tanto,
Que não sei se a fonte é mágoa
se a água é fonte e é pranto.


terça-feira, novembro 14, 2006

Quatro Mentiras em quatro Parágrafos

É difícil ficar mais perto de entrar no Guinesse dos recordes.


Só mesmo mentindo à linha.

Leiam este verdadeiro recorde de mentiras neste texto
oficial da nossa Assembleia Regional.


Declaração de voto (pag. 14 e 15 do pdf)


Surge agora um organismo controlador e fiscalizador –
Conselho de Acompanhamento;


Mentira histórica. Não surge agora, existe desde 1998.


Esse Conselho de acompanhamento está imbuído de poderes que
podem atentar contra a autonomia financeira dos Açores;

Mentira política. Este Conselho tem os poderes que sempre teve.
Meramente consultivos.


A composição do Conselho, para além de não ser igualitária,
Estado e Regiões Autónomas, é definida por despacho conjunto
do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, o que permitirá a
sua tutela directa, ficando a R. A. Açores dependente dos
“humores” mais ou menos centralistas;


Mentira literal. Literalmente, isto é, atendendo ao que está na letra
do artigo da proposta, não é, nem deixa de ser igualitário.
Simplesmente, está por definir na actual proposta.
Tal como estava na lei de 98.
Ou seja, a Proposta é má, naquilo que muda na lei de 98.
Precisamente, porque muda.
Mas também é má, naquilo que não muda.
Precisamente... porque não muda!


Este Conselho dá pareceres sobre tudo e todos actos
influenciando negativamente a relação Estado / Região Autónoma;


Mentira inútil e ociosa.
Dita , só pelo vício de mentir mais uma vez.
Estão definidos na proposta,
tal como sempre estiveram na actual lei,
o número exacto de situações e matérias
sobre as quais o Conselho dá pareceres.

Pergunta ociosa, mas, talvez, não de todo inútil:

Mentir ao Parágrafo passou a ser uma nobre actividade político-parlamentar?

domingo, novembro 12, 2006

As alíneas da discórdia

estão elas, as alíneas da discórdia.


Se estiver interessado em fazer uma avaliação pessoal da questão, leia, compare com o texto de 1998 e tire as suas próprias conclusões.


Não creio que, por razões objectivas, elas se afastem muito das seguintes:



  • As matérias em que o Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras (CAPF) é chamado a pronunciar-se, na proposta de lei, são matérias que pela sua natureza, (empréstimos públicos, endividamento, e projectos de interesse comum) excedem o âmbito restrito das competências próprias dos órgãos de governo das Regiões e, por isso mesmo, genericamente, já estavam compreendidas nas funções atribuídas ao CAPF na lei de 1998, particularmente na alínea b) do artº 9º.



  • Sendo matérias cuja decisão final depende dos órgãos de soberania, Governo e Assembleia da República, constitucional e estatutariamente, esses órgãos têm obrigação de ouvir os Governos Regionais, mas nada impede que a lei preveja a audição de outras entidades, como é o caso do CAPF, sobretudo, quando a sua função é meramente consultiva e de carácter mais técnico do que político.

Mantém-se de pé a questão.


Porquê, então, o clamor da oposição ?


Cada qual é capaz de encontrar as mais variadas explicações para esse singular facto.


Mas convém não esquecer, nessa apreciação, a recém- anunciada posição do CDS, que decidiu abster-se na votação na Assembleia da República e apresentar propostas de alteração, tendo em conta, especialmente, o caso da Madeira.

Em face disso, até podemos chegar, sempre, à mesma conclusão.


Tanto barulho e tanta gritaria só para disfarçar, aquilo que é indisfarçável.


O problema é da Madeira e das suas aventuras financeiras e não dos Açores nem, muito menos, das Autonomias.




Proposta de Lei nº 97/X


Artigo 27.º



Empréstimos públicos



1 -Os empréstimos a contrair pelas Regiões Autónomas denominados em moeda sem curso legal em Portugal não podem exceder 10% da dívida directa de cada Região Autónoma.


2 -Desde que devidamente justificada e mediante parecer prévio do Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras, a percentagem a que se refere o número anterior pode ser ultrapassada, mediante autorização da Assembleia da República, sob proposta do Governo.


Artigo 30.º



Limites ao endividamento


1 -Os limites máximos de endividamento regional são fixados tendo em consideração as propostas apresentadas pelos governos regionais ao Governo da República e o parecer do Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras, e obedecem às metas estabelecidas pelo Governo da República quanto ao saldo global do sector público administrativo, tendo em vista assegurar o cumprimento do princípio da estabilidade orçamental.


Artigo 40.º


Projectos de interesse comum


1 -A classificação de um projecto como sendo de interesse comum depende de decisão favorável do Governo da República e do governo regional.


2 -As condições concretas de financiamento pelo Estado dos projectos previstos no número anterior são fixadas por Decreto-Lei, ouvidos o Governo Regional a que disser respeito e o Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras.


sexta-feira, novembro 10, 2006

O Decálogo das Mentiras da Web 2.0

  • 1. We learned our lesson last time. And we're going to cash out before this bubble pops.

    Vamos aproveitar a lição da nossa última (má) experiência. Desta vez, vamos abandonar o "barco", antes de tudo isto estourar como um balão.

    2. This is not a bubble. Hot parties, overheated PR pitches, and five or six dozen social networking sites are just healthy indicators of a new boom.

    Desta vez, não se trata de uma "bolha". Festas animadas, operações promocionais, e cinco ou seis dúzias de "sítios sociais" na "net", são sinais saudáveis de novo momento favorável e próspero . É o novo "boom".

    3. It's all about community and sharing. But we told our venture capitalists that our exit strategy will make them rich. (Corollary: But you have to know someone to get into our conference/party.)

    Interessa é comunicar e partilhar. Mas já tivemos o cuidado de avisar o nosso capitalista patrocinador que a nossa saída estratégica o vai enriquecer.

    Corolário: Precisas de alguém das nossas relações que te recomende para participares na nossa conferência/festa.

    4. Online advertising will pay for everything. As if click fraud is any kind of a threat.

    Os anúncios "online" vão cobrir todas as despesas. Cliques fraudulentos são uma verdadeira traição.

    5. These sites are so easy, my mother could use them. And they're so geeky, she has no interest in even trying.

    Estas páginas da Web 2.0 são tão simples que até minha mãe as poderia usar. E ao mesmo tempo exigem tanta perícia que ela nem sequer se arriscaria a sonhar em tentar essa experiência.

    6. The analysts are trustworthy now. Like the one who said MySpace will be worth $15 billion in a few years -- or was that the one who said Amazon was worth $400 a share? Whoops, I'm mixing my bubbles.

    Desta vez, pode-se confiar nos analistas. Por exemplo, naquele que disse que "My Space" valeria milhões em poucos anos... ou será antes, naquele que previu que a "Amazon" nunca valeria mais que umas centenas de dólares? Que chatice... Acho que estou baralhando as "bolhas" todas!

    7. There's no glut of social networks -- young people are always up for trying something new. And we're happy to share in the 17 percent of them who aren't glued to MySpace.

    Não há "redes sociais" em excesso - os jovens estão sempre disponíveis para participar em coisas novas. O nosso alvo são os 17% que ainda não estão grudados no "My Space".

    8. Our site is still in Beta. And it won't be out of Beta until we figure out how to make money from it, or sell it to Google, whichever comes first. (Paraphrased from Ivor Tossell's piece in Canada's Globe and Mail newspaper.)

    O nosso "sítio" ainda está na fase Beta. Pensamos mesmo que, nela, vai continuar , até começar a dar lucro ou o vendermos à "Google". Veremos o que acontece primeiro.

    9. We're different from all those other sites. But we have a silly name, open APIs, some flashy Ajax technology, and other features just like the rest of them. (Thanks again to Tossell.)

    O nosso "sítio" é diferente de todos os outros.Apesar de, como todos os outros, ter um nome atoleimado, usar a mesma tecnologia e até " software" idêntico.

    10. We look forward to working with our new partners at Google. Take the money, hand over the keys and step aside. Larry and Sergey are driving your bus now.

    Estamos ansiosos por trabalhar com os nossos futuros parceiros na "Google". Pegar no dinheiro, deixar as chaves e e "raspar-se", é o nosso lema.O Larry e Sergey da "Google" já aí estão, ao dobrar da esquina.


    A tradução do texto é da nossa inteira responsabilidade. Não teve a intenção de ser literal, mas visou respeitar o seu sentido global. Provavelmente, nem sempre o conseguiu. Aceitam-se correcções, sugestões ou críticas.

    Não me parece que quaisquer comentários possam acrescentar algo de novo ao texto ou ao contexto tipicamente "americano" que ele reflecte. A anos-luz do nosso.

    The Tech Chronicles

quarta-feira, novembro 08, 2006

Descubra as diferenças

Tanta distracção, em 1998?

Para tão grande escândalo, em 2006?

É o que será possível avaliar, pela comparação com o texto de 1998 da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, que criou o Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras, com a aprovação explícita de todos os partidos e o consenso, explícito ou implícito, de todos os "grandes" e "pequenos" autonomistas, e o texto da actual proposta de lei presente na Assembleia da República.

Compare, então, por favor...



E, se continuar a achar, que a adição de uma alínea e a mudança de um verbo, alteraram a natureza e as funções de uma entidade pacificamente criada e aceite desde 1998,
então,
brade aos céus,
clame contra o centralismo,
rasgue as suas melhores vestes de autonomista,
bata-se pela intransigente defesa dos grandes princípios da autonomia,
junte-se, heróica e decididamente, a João Jardim, Costa Neves, Joaquim Ponte, Mota Amaral, Gustavo Moura e outros que tais.

Se não achar, faça como eu.
Pergunte:
Tanto barulho, porquê e para quê?
Onde dói a João Jardim é fácil de perceber.
A dor-fantasma de todos os outros é que não dá para entender.
Então, cortaram-lhes a tal "perna" da autonomia em 1998 e só agora, em 2006, é que eles a choram?

Até acho muito bem que Costa Neves tenha ido carpir a sua "grande" dor para a Madeira.
Espero que os madeirenses não o esqueçam.
Os açorianos não o vão esquecer.
Só não percebo por que é que todos eles não imitam em tudo João Jardim.
Façam-no em nome da Madeira.
Porque bem parece em vão, invocar aqui o nome dos Açores!





Proposta de Lei 97/X/2


Aprova a Lei de Finanças das Regiões Autónomas, revogando a Lei n.º 13/98, de 24 de Fevereiro.



Artigo 11.º

Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras

1 - Para assegurar a coordenação entre as finanças das Regiões Autónomas e as do Estado, funciona, junto do Ministério das Finanças e da Administração Pública, o Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras, com as seguintes competências:

a) Acompanhar a aplicação da presente lei;

b) Analisar as políticas orçamentais regionais e a sua coordenação com os objectivos da política financeira nacional, sem prejuízo da autonomia financeira regional;

c) Apreciar, no plano financeiro, a participação das Regiões Autónomas nas políticas comunitárias, nomeadamente as relativas à união económica e monetária;

d) Assegurar o cumprimento dos direitos de participação das Regiões Autónomas na área financeira previstos na Constituição e nos estatutos político-administrativos;

e) Analisar as necessidades de financiamento e a política de endividamento regional e a sua coordenação com os objectivos da política financeira nacional, sem prejuízo da
autonomia financeira regional;

f) Acompanhar a evolução dos mecanismos comunitários de apoio;

g) Emitir os pareceres estipulados no n.º 4 do artigo 27.º, no n.º 2 do artigo 30.º, e no n.º 3 do artigo 40.º;

h) Emitir pareceres a pedido do Governo da República ou dos governos regionais.

2 - O Conselho reúne ordinariamente uma vez por ano, antes da aprovação pelo Conselho de Ministros da proposta de Lei do Orçamento do Estado e, extraordinariamente, por solicitação devidamente fundamentada do Ministro das Finanças ou de um dos governos regionais.

3 - A composição e o funcionamento do Conselho, que integra representantes nomeados pelos governos regionais, são definidos por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças, depois de ouvidos os Governos Regionais dos Açores e da Madeira.



Lei nº 13/98 de 24 de Fevereiro (pag.3 do pdf)

Artigo 9º

Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras


Para assegurar uma mais correcta articulação entre as finanças das Regiões Autónomas e do Estado,funcionará junto do Ministério das Finanças o Conselho de Acompanhamento das Políticas Financeiras,que terá a sseguintes competências:

a) Acompanhar a aplicação da presente lei;

b) Analisar as políticas orçamentais regionais e a sua articulação com os objectivos da política nacional, sem prejuízo da autonomia financeira regional;

c) Apreciar,noplanofinanceiro,a participação das Regiões Autónomas nas políticas comunitárias,nomeadamente as relativas à união económica e monetária;

d) Assegurar o cumprimento dos direitos de participação das Regiões Autónomas na área financeira previstos na Constituição e nos estatutospolítico-administrativos;

e) Analisar as necessidades de financiamento e apolítica de endividamentoregional;

f) Acompanhar a evolução dos mecanismos comunitários de apoio;

g) Pronunciar-se sobre o financiamento dos projectos de interesse comum;

h) Dar pareceres a pedido do Governo da República ou dos governos regionais.

2—A composição e o funcionamento do Conselho,que integrará representantes dos governos regionais, e demais aspectos relativos ao seu funcionamento serão definidos por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças,depois de ouvidos os Governos Regionais dos Açores e da Madeira.
Lei nº 13/98 de 24 de Fevereiro (pag.3 do pdf)

A nova alínea e alteração de um verbo terão mesmo modificado a natureza e as funções deste, até agora, incontestado, Conselho?

É o que podemos tentar perceber em próxima ocasião.







terça-feira, novembro 07, 2006

O Aloím ?...Valha-nos Deus!


Foi já há uma semana que assisti, na nossa televisão regional, aos esforços desesperados e às mal alinhavadas e balbuciadas tentativas de um sociólogo da nossa praça, para explicar a "expansão" e a "força" que as singulares comemorações do Haloeen teriam entre nós ( entenda-se Ponta Delgada e montras das suas lojas), ao contrário do que aconteceria no continente português, (provavelmente também reduzido a Lisboa e arredores).
Mas foi só ontem, que, acasos vários, me fizeram chegar às mãos, a edição da revista do Diário Insular do passado domingo, em que Luís Fagundes Duarte, na sua habitual crónica semanal e no seu peculiar e saboroso estilo, nos demonstrava aquilo que o dito sociólogo televisivo se enredava em explicar.

Se ainda não leu, não perca a oportunidade.

Também, se tiver oportunidade, tente que o referido sociológo e alguém da nossa regionalíssima televisão se dêem ao útil incómodo de lê-lo.

Se ainda tiver oportunidade para isso, tente mostrar aos responsáveis da nossa regionalíssima televisão, que mais vale eles tentarem preocupar-se com manter ou reactivar velhas tradições como o pão por deus do dia 1 de Novembro, do que contribuir, zelosamente, para se estimular a macaqueação, na noite anterior, do equivalente festivo do Mcadonald que é o saxónico Haloeen.
Finalmente, divirta-se a repetir, alto ou baixinho, a tradicional cantilena da

Soca Vermelha
Soca Rajada
tranca no cú
a quem não dá/ não sabe nada.


O Aloím do Pão Por Deus

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sexta-feira, novembro 03, 2006

ÁLAMO ESGUIO


Mar! O Mar. Arremedo tenebroso da insondável eternidade!


Mar! O mar.
Um céu de água onde Cristo embarcou,
por entre o bem e a mágoa da barca-em-cruz
que nos levou
ao porto da sua luz!
ÁLAMO ESGUIO
(via Login)


O mar-espelho
continua
aberto
para o mergulho dos sentidos
e o espelho da alma


No



ÁLAMO ESGUIO

ÁLAMO ESGUIO

quinta-feira, novembro 02, 2006

Uma tradição que acaba...



a proposta de Plano para 2007, ontem entregue pelo vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, na Horta ao presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Meneses.

(via Diário Insular OnLine)



...e Outra tradição que começa?


É a pergunta que me parece justificado fazer, a propósito desta errada informação do DI sobre a entrega, na Assembleia Legislativa do Açores, da proposta de Plano para 2007.
Ela foi, efectivamente, entregue palo Vice Presidente do Governo Regional.
Mas foi recebida por um dos Vice- Presidentes da Assembleia.
Por sinal, o Vice-Presidente do PSD.
Não sei se esta circunstância também terá algum significado.
O que sei é que nunca teria acontecido, com o PSD na Presidência da Assembleia.
Pelo menos, o PSD que todos os açorianos conheceram até perder o poder em 1996.
Mas, o que tem, realmente, significado é a recepção do documento ter sido feita, pela primeira vez, por um Vice -Presidente da Assembleia.
A tradição, até ao início desta legislatura, tinha sido, desde sempre, a do Presidente do Governo se deslocar à Assembleia para entregar o documento. E, como se impunha, o Presidente da Assembleia recebia-o.
Até que...
a entrega começou a ser feita por um dos Vice-Presidentes do Governo. Mas este continuou a ser recebido pelo Presidente da Assembleia.
Parecia evidente o desacerto protocolar e institucional.
Mas manteve-se o desacerto, sem qualquer contestação conhecida, pelo menos publicamente, nos anos seguintes.
Até que...
Até que, este ano, se repôs o equilíbrio.
E até pode ter sido por acaso, ou em razão de qualquer circunstância fortuita.
Espero que não.
E espero, sobretudo, que seja, de facto, o nascimento de uma nova tradição.