domingo, fevereiro 04, 2007

Fim de semana em Nantes

Este fim de semana saiu prolongado.
É o que pode acontecer aos fins de semana que são vividos entre um passado que se tenta recordar, um presente que nos incomoda e um futuro em incerto projecto.
Desculpem as frases-feitas e, aparentemente enigmáticas, para dizer apenas o seguinte:

Passei o fim de semana a tentar seguir pela
Antena 2 da RDP
a "folle journée" de Nantes.



Assim, por algumas horas (muitas menos do que as 19 horas que a Antena 2 transmitiu ou retransmitiu),
Lá fui conseguindo, muito fragmentada e ultraperifericamente, ir participando na


Mas, em clara "desarmonia," com a decisão dos responsáveis pelas realizações culturais deste país, por não haver, este ano, pela oitava vez, a réplica portuguesa desta "folle journée", com "A Festa da Música" no CCB que, desde a sua 1ª edição, vinha sendo o meu salto anual para fora da ultraperiferia.
Tanto mais que, no decorrer da emissão da Antena 2, tinha a oportunidade de saber:


Que os brasileiros estavam preparando a sua importação para o Brasil, este ano.


Que calculavam que, no Brasil, a iniciativa custaria cerca de 600.000 euros.


Que os cálculos para o orçamento da "Festa" em Portugal eram de 1.200.000 Euros.


Que alguns dos grandes intérpretes presentes en Nantes, como Engerer e Berezovky, quando souberam que as razões(?) para a supressão da "Festa da Música", em Portugal, eram de ordem financeira, se mostraram disponíveis para participarem gratuitamente.


Que o responsável pela realização da iniciativa, Renée Martin, nunca chegou a ser contactado pelos responsáveis do CCB, para introduzir as adaptações que permitissem a continuidade da versão portuguesa da iniciativa.


Tudo razões que me levam a pensar que a supressão da "Festa da Música" foi precipitada por razões que parecem estar muito para além da questão financeira e que ficará, para sempre, como uma marca negativa para Mega Ferreira, o responsável último pela decisão.




É claro que também posso pensar em deslocar-me até Bilbao, daqui a um mês.

Será outra forma de tentar o salto sobre a ultraperiferia.
É claro que posso tentar.
Na verdade, é mesmo o que vou tentar.
Mas nunca poderei sentir-me bem com a ideia de ter de ir procurar em Espanha aquilo que já tive em Portugal.

É uma ideia que me incomoda mesmo muito.

Até porque também posso comparar aquilo que ocorreu em Nantes, este ano.
E que a RDP resumiu assim:




Posso comparar isto, com o que está previsto para Bilbao.
E que é o seguinte:






E continuar a pensar que Mega Ferreira não se deu ao menor esforço, para tentar as mil e uma variantes que pode assumir esta iniciativa e perfeitamente adaptáveis aos circunstancialismos de toda a ordem, a começar pelos financeiros.
E que, quem acompanhou as anteriores edições da "Festa da Música", mesmo sem estar por dentro dos segredos financeiros (e outros) da "Festa," percebeu que foram sendo feitas sucessivas adaptações e alterações de programação durante todos estes anos.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Um jornal da oportunidade perdida

É o que foi o Diário Insular do dia 31 de Janeiro.

Tudo por causa desta notícia doInstituto Nacional de Estatística (INE)



E, sobretudo, por causa deste mapa




E que, entre outras, revela estas realidades:

Entre 2000 e 2003, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (em termos nominais) da Região Autónoma dos Açores (RAA), foi o mais elevado de todas as Regiões do país.

A média do crescimento do PIB, nesses anos, foi de 7 % .
A média do crescimento nacional foi de 4,3%.
Imediatamente a seguir aos Açores ficaram a Região Autónoma da Madeira, o Algarve, o Alentejo e o Centro, respectivamente com crescimentos médios de 6,8%, 6,7%, 4,5% e 4,4%.

Mais ainda, em termos reais, em volume de crescimento, os Açores tiveram o segundo maior crescimento do país, com 2,9%, contra o crescimento real médio nacional de 0,7%, tendo sido apenas excedido pela Madeira, com 3,2%.


Mas onde está, então, a oportunidade perdida pelo Diário Insular naquele dia 31?

Está em ter conseguido levar, nesse dia, às páginas do jornal estes dois personagens maiores da nossa politica regional


mas, em vez de os colocar frente a frente e confrontá-los com estes e outros números e realidades reveladas por aquelas contas regionais, põe-nos, positivamente, de costas um para o outro.

Assim, oferece a Costa Neves a sua segunda página, para ele repetir, pela enésima vez, as suas lamurientes queixas contra a Inspecção Administrativa Regional e a falta de ambição do Governo Regional, quanto aos números futuros dos apoios da União Europeia.

Claro que se percebe a (anti) lógica "jornalística" do DI.
Confrontar Costa Neves com estes dados sobre o desenvolvimento económico do passado recente da Região, seria condená-lo, antecipadamente, à derrota.
O que, como é óbvio, ninguém quer.
Muito menos o Diário Insular.

Quanto a Carlos a César, o DI coloca na sua boca os números e a interpretação dos números, do Instituto Nacional de Estatística.
O que, como também é óbvio, só lhes diminui o impacto e a confiança que possam suscitar.

O que, porventura, muita gente também não que há-de querer.

Mas o DI pensa que sim.

São esses poucos que merecem a consideração do DI.

Felizardos beneficiários de uma oportunidade jornalística perdida!



quarta-feira, janeiro 31, 2007

Como querem que eu me sinta?

Se não estou incluído nos 80 milhões, por exceder o limite dos 44 anos?


Não sou chinês, a não ser por contraposição a uns "jap’neses", que também não são do Japão?


E, se calhar, ainda me sobra menos tempo que aos responsáveis dos meios de comunicação tradicionais,
para estar à altura dos desafios que nos são colocados a todos, pelo "novo mundo" da internet?


Sim, como querem que eu me sinta?

Como é que uma simples notícia, nos pode "envelhecer" e atirar para o mundo sem esperança dos excluídos, tão súbita e definitivamente?

Que este dia morra e pereça!


Revolution Web Site



Blogging craze soars for 80 million writers January 25, 2007


Blogs are set to become mainstream media with more than 80 million people aged 16 to 44 writing one.


China is the world's biggest blogging market with 25 million people writing one;


these are real challenges that brand owners and media companies must face up to
now - not in 10 years’ time."
Revolution Web Site

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ainda o Aborto no Mundo (2005)

Acabei de verificar que existe um quadro muito mais actualizado sobre a legislação relativa ao aborto, nos países que fazem parte da Nações Unidas.


Trata-se do seguinte quadro, que pode ser consultado no population policies 2005 .
(pag.22 do pdf)


Image-0222


Vem acompanhado do seguinte texto explicativo e interpretativo:
(pag 21 do pdf).
Aí se salienta, por exemplo, que a percentagem de países que autoriza o aborto, a solicitação da mulher, se alterou de 11 para 28% e que, actualmente, é esta a legislação de 1 em cada 7, entre os chamados países desenvolvidos.


Image-0223

domingo, janeiro 28, 2007

Aborto no Mundo (1999) e na Europa

Era este o quadro geral da legislação sobre o aborto no Mundo, em 1999, segundo as

Nações Unidas:


















Este é o quadro da situação actual na Europa, segundo a edição portuguesa do Monde Diplomatique:















Como se pode constatar, a alteração proposta pelo referendo do próximo 11 de Fevereiro, é de colocar a questão do aborto no patamar da responsabilidade pessoal e da decisão individual da mulher.
Justifica-se este salto sobre o nível intermédio das razões de ordem económico-social em que se situam ainda o Luxemburgo, o Reino Unido e a Finlândia?
Entendo que sim.
Em primeiro lugar, porque a solução será adoptada ( se o for) por referendo.
Em segundo lugar, porque o bloqueio que actualmente se vive neste domínio, em Portugal, resulta menos da lei do que das interpretações restritivas que dela faz a classe médica portuguesa, em geral, e os seus organismos representativos.
Continuar a manter a intervenção de uma outra entidade, corria-se o risco de pouco ou nada alterar na prática.
Em terceiro, mas mais importante lugar, é que mesmo nas condições actuais, a decisão última e decisiva é a da mulher.
Para quê e porquê continuar a manter este patamar intermédio de intervenção de um "tertium quid," que, ou tem influência decisiva e, então, é apenas mais um obstáculo artificialmente criado( como ocorre agora em Portugal) ou não a tem, e é apenas um simples alibi ( como acontece em Espanha).

Tudo razões para se voltar a classificar o referendo do próximo dia 11, como um desafio de dimensões históricas.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Um desafio histórico

É o que está lançado aos portugueses, no próximo dia 11 de Fevereiro, com o referendo sobre a despenalização do aborto, a solicitação da mulher.
Esta solução, segundo os dados do World abortion policies 1999 , nessa data, já se verificava em 52, do total de 193 países.
Actualmente, na Europa, esta é a solução adoptada em 16 países (Alemanha, Bélgica, França, Itália, Holanda, Dinamarca, Grécia, Áustria, Suécia, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia e Lituânia).
Esta evolução, porém, em nenhum caso, terá resultado de um processo referendário.
Com efeito, como se pode constatar deste levantamento do Senado Francês sobre a legislação e a prática do referendo na Europa e nos Estados Unidos, além de Portugal, apenas mais dois países realizaram referendos sobre o aborto, a Irlanda e a Itália.
A Irlanda, por duas vezes, em 1983 e 1992.
A Itália, em 1981.
Em ambos os países, os referendos foram exigidos e promovidos por partidos anti-aborto.
Em ambos os casos, as votações foram favoráveis a estes partidos.
Só a 11 de Fevereiro, saberemos se Portugal será a primeira excepção a estes precedentes históricos.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

De cortar à faca

Parece ser o ambiente que se vive nos bastidores da direita francesa, em vésperas de presidenciais.
O Primeiro Ministro quase é apupado no grupo parlamentar da maioria, que não lhe poupa as elegantes qualificações de " connard", "pauvre mec" e outras do mesmo estilo.
O Primeiro Ministro, pelo seu lado, gaba-se de "gerir o cérebro" do Presidente Chirac e de ele lhe dever as vitórias de 99 e 2005 e classifica-o de " un connard parmi d’autres".
Sarkozi, actual Ministro do Interior do Governo de Villepin e candidato designado da direita francesa, não se inibe de considerar Villepin um "salaud" que nem merece o lugar que tem ocupado na política francesa, porque nunca enfrentou o sufrágio universal.


Assim se vive o ambiente de fim de reinado nos domínios da "chiraquia".



A avaliar pelo tratamento com que mutuamente se mimoseiam os seus pricipais protagonistas, mais parece um dos subúrbios de Paris, cuja "canalha" tanta dor de cabeça deu ao primeiro polícia de França, que dá pelo nome de Sarkozi.







L’extravagant M. Villepin, Hervé Algalarrondo


’J’ai cru qu’il allait se faire lyncher.» «Son cas relève de la psychiatrie.» «Pendant qu’il parlait, on entendait des députés qui lançaient à voix haute: «connard», «pauvre mec».» Le passage de Dominique de Villepin devant le groupe UMP, la semaine dernière, restera dans les annales de l’histoire parlementaire. Jamais sous la Ve République Premier ministre en exercice n’a essuyé pareille bronca de la part des députés de la majorité. Les « godillots » d’hier se sont rebiffés. Leur demande quasi unanime : que Villepin «ferme sa gueule».
L’extravagant M. Villepin, Hervé Algalarrondo

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Muitas hipóteses de novidades





Poucas hipóteses de surpresas.
Poucas hipóteses de surpresas na corrida presidencial americana.
Algumas hipóteses de novidades nos resultados.
Poucas hipóteses para algum desgarrado
"dark horse" irromper na corrida.
Muitas possibilidades de estreias no desenlace.
Primeira Presidente.
Primeiro Negro.
Primeiro Mórmon.
Depois do mais
WASP dos presidentes,
a vitória do menos
WASP dos candidatos?
Pouco provável.
De todo imprevisível.
Não de todo impossível.







Rush of Entries Gives ’08 Race Early Intensity - New York Times


“It makes it nearly impossible for a dark horse candidate to break out of the pack and challenge the front-runner(s) and thus isn’t healthy for the process,” Mr. Weaver wrote in an e-mail message on Sunday.
Rush of Entries Gives ’08 Race Early Intensity - New York Times

Bush Linha a Linha


Bush linha a linha e nas entrelinhas

Depois deste fim de semana prolongado para o Ventilhador, voltemos ao outro singular documento, relacionado com o discurso de Bush sobre o Iraque.

A singularidade está em que, nele, se conseguem conjugar as maiores virtudes do jornalismo tradicional, com o aproveitamento inteligente e apropriado das tecnologias mais avançadas.

Não creio que esta afirmação careça de grande esforço demonstrativo, tão óbvia me parece.

O jornalismo actual, mormente o português, quase acabou com a transcrição literal das intervenções dos diferentes actores sociais, de modo especial dos actores políticos.

Os leitores, habitualmente têm de se contentar com curtos extractos das declarações e largos comentários interpretativos dos jornalistas.

Resultado: ficamos perfeitamente informados sobre o que pensa o jornalista ( que não é seguramente o que mais nos interessa nestes casos) e muito pouco sobre o que pensa e disse o verdadeiro actor social social/político.

Neste caso concreto, temos o casamento perfeito entre o melhor do antigo e do actual.

Não será caso único, sobretudo no mundo do jornalismo americano, mas parece-me suficientemente exemplar para o nosso jornalismo caseiro que bem merece uma referência.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Dois Documentos Singulares

Não me parece que o passado dia 10 deste mês, em que Bush apresentou ao seu país e ao nosso mundo a sua "nova estratégia" para o Iraque, venha a ficar na História dos "States."
Apesar do título impressionante( nova estratégia) ela só impressiona porque não é nova nem é estratégia.
Mas esse dia, bem pode vir a ficar na história da comunicação política e da comunicação social dos Estados Unidos.
Novo modelo de comunicação política de uma administração com os seus administrados, creio que se pode considerar este pormenorizado painel de alteraçãos na política de Bush para o Iraque, que a própria Casa Branca distribuiu quase simultaneamente com o discurso de Bush.
Proporcionar aos americanos uma "grelha" de leitura, em que são abordadas com clareza as mudanças no pensamento do Presidente subjacentes ao seu discurso oficial, facilitando uma leitura crítica por parte de todos ( incluindo os seus opositores, claro) parece-me algo que nenhuma administração europeia pensaria fazer.
Para quem se interesse por estes temas, acho que o texto merece uma leitura atenta e uma reflexão sobre o contraste entre o "modus faciendi" americano e europeu, nomeadamente o modelo latino, de considerar a política, como a arte, não de mostrar e revelar, mas de esconder e dissimular, pressupostos e objectivos.

ERROS E CORRECÇÕES

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Quanto ao outro documento, por hoje vou deixar apenas o link.
As consideraçõs hão-de vir depois.


Bush linha a linha e nas entrelinhas

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Finalmente, temos os dez maiores connosco

Quer dizer, já antes os tínhamos, mas não sabíamos.
Agora, temos e sabemos.
Vejam só o que progredimos de ontem para hoje.
Numa só noite de RTP, a superação de 9 séculos de ignorância!



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São estes os dez.
E serão sempre estes e nunca outros.
RTP disse, está dito.
Perdida grande parte da sua, em tempos, poderosa influência, sobre o nosso presente,
resta-lhe esta arbitragem sobre o nosso passado histórico.
Nove séculos a apurar uma raça, um país, uma história.
E o resultado é este.
Cinco Políticos.
Dois Poetas.
Dois Navegadores
Um diplomata.
Acham políticos a mais?
Deixemos de brincar com as palavras e com a história, chamando a uns (Salazar e Álvaro Cunhal) políticos, a outros estadistas (Marquês de Pombal e Infante D. Henrique) e a outros reis( D. Afonso Henriques e D. João II).
O que os iguala a todos e os torna diferente de todos os outros é o modo como exerceram uma actividade, que dá pelo nome de política.
E por que é que o Infante D. Henrique é estadista e Oliveira Salazar, não?
E por que é que o Marquês de Pombal é estadista e Álvaro Cunhal, não?
Só não classifico o Infante como político ( se merece a classificação de estadista é porque teve actividades de carácter político) é porque penso preferível conservar-lhe a designação tradicional de "O navegador".
A mesma designação que é dada a Vasco da Gama.
Por que não?
Muitas mais considerações se podem fazer sobre estas escolhas e as exclusões que as acompanham.
Mas não será hoje.
Assinalemos apenas o equilíbrio geral das opções que seleccionaram estes dez nomes da nossa história.
Muita gente temeu que não se viesse a verificar.
Creio que sem razão.
Embora seja sempre possível enunciar inúmeras razões contra estas opções e a favor de outras.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Hoje, o Presidente Bush Chorou

Como diz o New York Times

The president began crying Bush’s Plan for Iraq Runs Into Opposition in Congress - New York Times...




Infelizmente, não o fez por causa do Editorial do NYT sobre o seu "novo" plano para o Iraque.
Mas bem o podia ter feito.
O editorial começa assim:


President Bush told Americans last night that failure in Iraq would be a disaster.
The disaster is Mr. Bush’s war, and he has already failed.
Last night was his chance to stop offering more fog and be honest with the nation, and he did not take it.


Também não foi pelas reacções da maioria dos 21 senadores da Comissão do Senado que estiveram a ouvir e a inquirir Condoleezza Rice sobre aquele mesmo plano do Presidente Bush para o Iraque.


Mas bem o podia ter sido.


O presidente da Comissão resumiu assim as reacções dos senadores:


"I think what occurred here today was fairly profound, in the sense that you heard 21 members, with one or two notable exceptions, expressing outright hostility, disagreement and or overwhelming concern with the presidents proposal,"


Nem sequer foi pelas reacções individuais daqueles senadores.
Mas bem o podia ter sido.
Eis exemplos de algumas delas:


"dangerous foreign policy blunder,"



"quite possibly the greatest foreign policy mistake in the history of our nation."


"Why put more American lives on the line now in the hope that this time theyll make the difficult choice?"



Mas não.

Não foi por nenhuma destas razões de relevância política que

Hoje, O presidente Bush chorou.

Foi durante a cerimónia de atribuição da segunda "Medalha de Honra" desta longa e cruenta sua guerra do Iraque.

Guerra, em que ele, Presidente Bush, decerto, não se sai com medalha.

E é cada vez mais provável, que não venha a sair com honra.


Early in the day, in an emotional ceremony at the White House, Mr. Bush awarded the Medal of Honor to the family of Cpl. Jason Dunham, a marine from Scio, N.Y., who was killed in Iraq in 2004 when he threw himself on a grenade to save the rest of his unit. The president began crying during the ceremony. It was the second Medal of Honor proceeding to come out of the Iraq war.
Bush’s Plan for Iraq Runs Into Opposition in Congress - New York Times

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bush continua noutra onda





Neste dia em que Bush falou à nação americana para dizer mais do mesmo:
Mais tropas para o Iraque.
Mais guerra no Iraque.
Mais dinheiro para o Iraque.
Mais mortes no Iraque.
Menos paz no Iraque.
Neste dia, convém lembrar que há muito quem pense que, nas eleições de Novembro passado, o povo americano exigiu duas coisas que são o contrário de tudo isto.
Tropas fora do Iraque,
já.
Bush fora da Casa Branca,
quanto antes.


Resta saber como é que os Democratas navegam nesta "onda" de 7 de Novembro.
Como se fosse mesmo um ultimato do povo americano.
Ou apenas como um voto pio, para ir adiando até ao esquecimento.







Dois espectros pairam sobre os dois partidos políticos americanos.
Sobre os republicanos, o espectro de Nixon e o seu "impeachment" por mentir ao povo.
Bush também mentiu.
Sobre os democratas, o espectro de Gerald Ford, que procurou fazer esquecer a mentira e a impugnação de Nixon.
A pressão das decisões com fortes custos políticos imediatos ou a prazo podem levar os democratas a repetir o papel de Gerald Ford.







American Chronicle: Will Nancy Pelosi Remember Her Populist Roots?



The American people spoke on Nov. 7, 2006.
Their agenda has two main prongs to it.
First: Bring the troops home from Iraq, now.
Second: Punish the liars who got us into this mess.
The people want a peace, not a troop, surge.
As Speaker of the House, Pelosi will have a solemn duty to bring Bush and Cheney, via impeachment proceedings, to the Bar of Justice. Meanwhile, in her own backyard, in San Francisco, a “Pelosi Watchdog” group, led by Code Pink’s Medea Benjamin, has been formed to support her in maintaining an agenda that is Constitutionally mandated. (10) Finally, will House Speaker Nancy Pelosi remember her populist roots from her Baltimore days or pull a Gerald Ford? (11) The jury is out.
Stay tuned for the verdict!
American Chronicle: Will Nancy Pelosi Remember Her Populist Roots?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

O morto que todos os dias ressuscita

Foi morto à pressa.






Tão à pressa que até parece que não chegou a morrer.


Pode já não respirar.


Mas ressuscita todos os dias.


É como a própria guerra do Iraque.


Começou, quando os americanos afirmavam para todo o mundo que ela havia acabado!


Este morto "mal matado"
todos os dias
salta do armário
mal fechado
do Senhor Bush!


O problema é que não pode deixar de nos atormentar a todos nós!


E não só ao Senhor Bush!


Porque, nesta macabra história,
o senhor Bush
nos representa a todos,
no pior de tudo
que nós todos temos.






ELPAIS.com - Un nuevo vídeo muestra a Sadam con el cuello girado 90 grados - Internacional



Un nuevo vídeo
del ex presidente iraquí, Sadam Husein, donde aparece cuello girado 90 grados, ha sido colgado en Internet hoy, una semana después de su ejecución el pasado 30 de diciembre
ELPAIS.com - Un nuevo vídeo muestra a Sadam con el cuello girado 90 grados - Internacional


segunda-feira, janeiro 08, 2007

Um sonho português com raízes nas ilhas

É de propósito que uso esta terminologia "continentalizada" para lembrar aqui António Câmara que, há menos de um mês, foi premiado por estar no centro daquilo que o júri do Prémio Pessoa considerou "uma verdadeira revolução".


Revolução que, para ele próprio, António Câmara, tem um objectivo e modelo preciso.
Define-o assim


antcamara frase 3


antcamara jJL 4 1


E define-o, numa página autobiográfica em que, por duas vezes, invoca a sua ligação a São Miguel.
Ao referir-se à mãe diz que "a (família) da minha mãe (é) da ilha de São Miguel, nos Açores".
E ao escolher esta fotografia, com esta legenda

O sonho que a maioria dos portugueses não se atreve sequer a sonhar e, menos ainda, a acreditar, já tem um protagonista a sonhá-lo e a realizá-lo.
É filho de uma açoriana e chama-se António Câmara.


Jornal de Notícias - António Câmara recebe Prémio Pessoa



António Câmara recebe Prémio Pessoa

António Câmara tornou-se ontem no primeiro empresário português a ser distinguido com o Prémio Pessoa, atribuído pelo semanário Expresso e pela empresa Unisys.


O trabalho desenvolvido pelo professor universitário e presidente-executivo da YDreams, especializada em novas tecnologias de informação e conhecida sobretudo pelos jogos interactivos para telemóveis, foi considerado pelo júri "uma verdadeira revolução".
Jornal de Notícias - António Câmara recebe Prémio Pessoa

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Imagens e Fantasmas

Imagens de um mundo-cão

Imagens do meu quintal

Imagens de vida

Imagens de morte

Imagens da natureza

Imagens da sociedade

Imagens para esquecer

Imagens para recordar

Imagens de hoje

Imagens de sempre

Imagens de renovação

Imagens de degradação

Imagens de pesadelo

Imagens de sonho

Imagens de horror

Imagens de encanto


Imagens
Inimagináveis
para nos encherem
os dias
que passam
e nos atormentarem
as noites
que teimam em não passar.





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Enforcamento: apenas uma jogada política





Penso que é o pior que os americanos podiam fazer, em nome dos valores da civilização e da democracia de que se pretendem missionários e cruzados armados no Iraque.


Mas é uma explicação possível para a precipitação justiceira na execução de Saddam.


Tentar um volte-face na situação desesperada em que os americanos se encontram no Iraque, atirando como engodo político aos chiitas e ao Irão, o cadáver do odiado tirano.


A encenação que acompanhou a execução de Saddam, com a insólita troca de insultos sobre a morte por Saddam de um antigo dirigente chiita, podia fazer parte desta montagem teatral à volta deste enforcamento.

A morte-relâmpago de Saddam seria a "bomba atómica" possível para os americanos tentarem apressar o fim ou, pelo menos, alterar o panorama negativo da guerra do Iraque.

E bem sabemos que esta, é não só uma tradição americana, mas uma tradição de que os americanos foram inventores e iniciadores.







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[ El Watan :: Dernière ]



affaiblir les Irakiens en exacerbant les contradictions et les différences qui opposent notamment les chiites et les sunnites et, ensuite, jeter tranquillement les bases d’un futur Etat irakien à majorité chiite pro-américain, capable d’endiguer la « menace » iranienne.


Les faits pouvant participer à corroborer une telle lecture sont nombreux. Le premier d’entre eux reste bien entendu l’exécution de l’ancien maître de Baghdad qui ne peut être interprétée autrement que comme un cadeau fait par les Etats-Unis aux chiites d’Irak.


L’Iran aussi a célébré sans retenue la disparition de l’ex-président irakien. Nombre d’observateurs ne s’expliquent pas non plus comment l’Iran a pu prendre ainsi le risque de s’aliéner les opinions arabes (qui sont majoritairement sunnites) au moment où il se confirme de plus en plus que leur pays - qui a actuellement le statut de puissance régionale - est dans le collimateur de Washington. Des opinions qui plus est l’ont, jusque-là, soutenu dans le bras de fer qui continue à l’opposer au Conseil de sécurité de l’ONU sur la question du nucléaire. En ce sens, l’on trouve étonnant que Téhéran - qui a habitué à être perspicace - n’ait pas prévu que sa réaction pouvait jouer en sa défaveur et peut-être ouvrir la voie à son isolement.
[ El Watan :: Dernière ]


terça-feira, janeiro 02, 2007

Ditadores "made in America"

O meu primeiro passo na blogolândia, em 2007, tinha de ser sobre esta diferença que o ano que passou não conseguiu retirar-me, nem, da retina, as suas imagens, nem da cabeça, o contraste do seu desenlace final.
A existência de dois tipos de ditadores.
É o que os americanos acabam de tornar institucional como herança de 2006.
Os ditadores que os americanos protegeram, apoiaram, financiaram, armaram e utilizaram para defesa dos seus próprios interesses ou para exorcizar os seus próprios medos e preconceitos.
Estes ditadores conseguem morrer na cama.
Pinochet é o modelo perfeito.
Perfeição que essa proteção norte americana conseguiu levar ao extremo de o imunizar de forma a que ele fosse resistindo às malhas que o sistema judicial do seu próprio país e da comunidade internacional lhe foram tecendo.
Pinochet morreu devagar.
Pela força da lei da natureza.
Pinochet morreu impune.
Pela fraqueza da lei dos homens.
Enterrou-se sem honras de Estado,
mas com honras militares,
pela rara e pouca força,
que o Estado chileno conseguiu
ter contra ele.
E pela muita e perigosa força
que o exército chileno
continua a ter contra o Estado.



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O outro tipo de ditador é o que morre na forca.
Que é julgado rapidamente.
Condenado rapidamente.
Executado rapidamente.
Transportado rapidamente,
pelos americanos,
para o local da execução.
Transportado rapidamente,
pelos americanos,
para o local do enterro.
Tudo isto, furtivamente,
antes do nascer do sol,
procurando transmitir ao mundo,
apenas as imagens
quase-holioodescamente convenientes,
dos acontecimentos.


Tudo leva a crer que,
mais uma vez, a administração-Bush meteu "a pata na poça" no aloleiro do Iraque.
Porque o enforcamento de Sadam Hussein, nas circunstâncias expeditas e furtivas em que ocorreu,
ou foi inútil ou foi perigoso.
Inútil, se Sadam, como parece, já estava politicamente morto.
E a sua morte será apenas mais um pecado ou erro cultural e civilizacional dos americanos.
Perigoso, porque o inútil vivo só poderá ser transformado em herói morto, por uma razão.
Por ter sido morto, em especial ao olhar do mundo muçulmano, pelos americanos.
E, então os americanos acumularão o erro cultural com o erro político.


Nota (quase) final.
Não escrevo estas reflexões com a pretensão de que elas tenham especial interesse para quem, porventura, as leia.
Mas porque um blogue também é (ou é principalmente) um meio de esconjurar fantasmas que nos atormentam.


Nota (mesmo) final.
Teremos de concluir que os americanos, quando fazem intervenções militares com a desculpa de expandirem ou defenderem a democracia, só conseguem fazer vingar o pior da cultura do Ocidente.
Estes dois exemplos bem nos podem levar a esta conclusão.
No caso do Chile, a ditadura.
No caso do Iraque, a pena de morte.

sábado, dezembro 30, 2006

Não deixe...

Por favor, não deixe os segundos que restam de 2006 correr sózinhos.

Corra com eles!

Olhe que eles vão correr consigo!

Pague-lhes na mesma moeda.

Corra com eles!


A grande pergunta de 2006

A grande pergunta com que se pode encerrar 2006 é precisamente esta:
A diferença entre as imagens da Praça chinesa de Tiananmen eram tão grandes,entre as apresentadas na página do Google.com e na página do Google.china, em Janeiro de 2006, que não se pode evitar a pergunta:

Em Dezembro de 2006, justifica-se a visão optimista da "Time" de que já entrámos na era da informação em que o utilizador é que domina?
Por cada "You" dominador, quantos "You" ainda dominados?
Por cada "You" que se julga dominante, quanto "You" iludido?




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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Mais Natal



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Mais imagens de mais natal.
Muitos natais dentro do mesmo natal.

Natal: Adultos-Adolescentes, Adolescentes-Adultos...

...Que matam e morrem ao volante.
Sem glória nas alturas,
Nem paz nas sepulturas.
Primeiro mandamento português,
nas auto-estradas do Natal:
Matai-vos uns aos outros.
Todos, ou à vez,
Tanto faz
como fez!




«Calma, rapaz!» -
Vozes de prudência faziam-se ouvir.
Compreendia-se, os protectores do rapaz pareciam querer dizer que entre ele e aquelas máquinas não havia distância,
que era uma questão de inteligência,
uma entrega total do rapaz ao corpo dos carros,
uma vocação extraordinária,
não uma inconsciência da sua pessoa,
isso não,
antes uma hiperconsciência da engrenagem mecânica,
o que era fantástico.
Mas reconheciam que jovens assim constituem um perigo,
não distinguem onde o seu corpo começa e onde ele acaba,
e por isso se entregam a corridas desenfreadas,
fazem proezas e acrobacias, ferem-se e matam-se,
precisamente porque entre eles e os objectos não estabelecem dis­tinção,
sentindo-se eternos e invioláveis.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

terça-feira, dezembro 26, 2006

O Natal que fica... (I)



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...No tempo que passa.

Natal...que vai ficando

natal na árvore

O Natal que passa...
E vai ficando pela casa disperso.
É o que acontece tradicionalmente cá em casa.
As expressões mais variadas e mais singulares do presépio, algumas vindas dos quatro cantos do mundo geográfico e do mundo da expressão artística, mais ou menos popular ou mais ou menos erudita, vão encontrando acolhimento e exposição em móvel próprio durante todo o ano.
São muitos anos de procura e muitas peças de recolha paciente ou ocasional por regiões e países.
Algumas vezes lembradas, outras, muitas mais, esquecidas, estas peças vão sendo distribuídas e acomodadas nos móveis e lugares mais imprevisíveis da casa, à medida que o calendário nos aproxima do Natal.
Normalmente começam por tomar conta de um dos cantos da sala com o presépio, de outro com a árvore de natal.
Depois, vão-se dispersando por mesas de função e estilos diversos, combinando o tradicional com o artístico, o espontâneo com o cultivado, o despojado com o mais luxuoso ou aparatoso, o original com a cópia, peças únicas datadas e assinadas com cópias de origem e mão duvidosa.
Tudo acaba por ter lugar.
Tudo acaba por desempenhar algum papel.
Tudo acaba por ficar
pela casa disperso,
assinalando,
no tempo que passa,
o rasto
do natal que fica...
ou vai passando.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A Quadra Perfeita (II)

Confesso-me obcecado pela ideia de dar a possível continuidade a este tema da quadra perfeita.

Falo em possível continuidade, porque ponho de parte, em absoluto, a hipótese de tentar, eu próprio, rabiscar uma quadra que se aproxime deste modelo.

Falta-me tudo para me dar à ousadia de sequer tentá-lo.
Experiência, inspiração, talento.
Mas não desisto de procurar outros exemplos, entre a numerosa produção poética da literatura portuguesa.
Embora sem referir todos os atributos da quadra de José Gomes Ferreira que, dias atrás, apresentei como modelo, convém deixar claro que me circunscrevo a quadras de 5 sílabas e com todas as combinações de rima possível, a chamada redondilha menor.
Como esta, justamente considerada exemplar, de Fernando Pessoa:

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

Nota final: Os mais atentos (poucos, pouquísimos, claro) hão-de notar que o próprio Gomes Ferreira faz uma citação indirecta desta quadra, na carta a Fernando LopesGraça

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Entre grandes e pequenos escândalos

É assim que estamos vivendo esta, sempre antiga e sempre nova, época do ano.
Como todo o mundo de influência cristã (re)vivemos a hora alta do aparecimento histórico de Cristo.
"Escândalo para judeus e gentios", assim foi definido por quem lhe fez a síntese da vida e do pensamento.
O grande escândalo da história da humanidade, na visão de outros que não vislumbram, no percurso da humanidade, outro rasto de um Deus que incarna e sofre como qualquer outro ser humano. Apesar de não faltarem traços, na história da cultura pré-cristão, de deuses que se divertem com formas e comportamentos humanos.

Em Portugal, estamos a viver a hora alta-baixa dos pequenos escândalos de dimensão caseira que se sucedem em cadeia.
No mundo do futebol, o escândalo oscila entre a alcova e o gangsterismo de bairro da lata.
Entre Pinto da Costa e a sua ex-Catarina Salgado e o Mantorras e as muitas histórias confusas de intermediários de milhões e intometidos de milhares de euros.
No mundo da política, a cada passo do governo, a oposição descobre o escândalo do passo em falso.
É o escândalo do tatrifário eléctrico.
Que tanto é escândalo por ser elevado demais, como é escândalo por ser baixo de mais.
É o escândalo da demissão do Jorge da ERSE.
Que tanto é escândalo por só agora se ter demitido, como é escândalo porque se demite a poucos dias de terminar o mandato.
Que, afinal, termina, não por o próprio se ter demitido, mas por ter sido dispensado por oportuno despacho ministerial.
Ao que parece, antes de ter tomado a iniciativa da demissão, apenas o PS se terá preocupado em requerer a audição, na Assembleia, do referido Presidente da ERSE.
Agora, todos os partidos querem ouvi-lo, como se ele ainda fosse aquilo que já não é, mas não acham grande interesse em ouvi-lo, na qualidade de "individualidade", única coisa que ele, agora, é.
E é tudo?
Não. Não é.
Ainda falta o escândalo maior ( ou o mais pequeno).
O escândalo de um governo, que, acusado de cometer "crimes" de inconstitucionalidade, tem o supremo descaramento de se defender perante o Tribunal onde é acusado.
Já viram maior escândalo (anti) democrático do que este?
Um acusado, a defender-se?!
É lá possível!
Mas é o que a lei prevê.
Para toda a gente e para todos os casos.
E não só para o governo e para este caso.
Não interessa.
É um escândalo.
Jornalista dixit.
Está dito.
E político repetiu.
Está redito.

Quando será que inteligente jornalista (e político idem) percebe que se tudo é escândalo, nada é escândalo?














No seu requerimento, o PS lembra que no dia 12 deste mês tinha apresentado “um requerimento oral para a audição do então presidente da ERSE, engenheiro Jorge Vasconcelos”, sobre outras matérias “além da questão do tarifário da electricidade suscitada pelo BE”.O PS recorda que queria ouvir o presidente da ERSE sobre “as questões da política energética e, estando a individualidade em referência em fim de mandato, sobre a experiência no relacionamento entre a entidade reguladora e a Assembleia da República”.
PUBLICO.PT










terça-feira, dezembro 19, 2006

O luto de Tom e Jerry







E a tristeza dos Flinstones.
Pudera!
Nenhum de nós é filho da sua arte e do seu talento.
E estamos de luto.
E estamos tristes com a morte de Joe Barbera.

Porque todos vivemos muitas horas da nossa vida, com Tom, Jerry, Silvestre e os Flinstones.
Que, por isto mesmo, como Tom & Jerry & os Flinstones, foram horas de vida que devemos a Joe Barbera
.


Não era bem de nenhuma destas horas que Joe Barbera falava, quando recomendava:




Nós é que podemos falar dessa hora definitiva como a hora-Barbera.
E desejar que ela tenha sido a hora em que Joe Barbera se tenha podido encontrar consigo próprio, para além das personagens que criou e da personagem que foi.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Eu, a pessoa do ano?

Tu, a pessoa do ano 2006?
Eu, quando sou tu e tu quando és eu, as pessoas deste ano?
Será só porque ele está a acabar e é para atirar para o caixote do lixo da história com a última folha do calendário de 2006? Não.
Garantem-nos que não.
Não. Não é por causa dos anos velhos e dos anos novos que todos os anos acontecem.
É por causa de um mundo novo que está a nascer todos os dias em que martelas duas linhas para um blogue.
TU e EU?
e Eu e TU?
TU como EU e Eu como Tu.
Será mesmo certo que estes monossilábicos pronomes pessoais têm dentro de si a chave para esse mundo novo?
Não nos deixemos paralisar pela interrogação.
Continuemos a tentar.
Tu e Eu.
Tu como EU.
Eu contigo e Tu comigo.

No fundo, NÓS.

TIME.com: Harriet Klausner -- Dec. 25, 2006 -- Page 1

Person of the Year Cover Story: Person of the Year: You Yes, you. You control the Information Age. Welcome to your world.
TIME.com: Harriet Klausner -- Dec. 25, 2006 -- Page 1



domingo, dezembro 17, 2006

Lula :O melhor

Gazeta do Sul


Lula é considerado o melhor presidente da história 17/12/2006 - 14:15 | O instituto Datafolha divulgou ontem (16) o resultado de uma pesquisa que aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o melhor presidente da história do País.
De acordo com o levantamento, Lula foi o preferido de 35% dos entrevistados. Fernando Henrique Cardoso foi o segundo colocado, com 12% das preferências, seguido por Juscelino Kubitscheck, que teve 11%. A pesquisa também constatou que 59% da população tem expectativas positivas com relação ao segundo mandato de Lula, esperando um governo ótimo ou bom.
Gazeta do Sul








Mesmo encolhendo os ombros, com o habitual refrão: as sondagens valem o que valem.
Mesmo assim, os números desta sondagem não deixam de ser expressivos:
a) Para um Presidente que acabou de sair de uma eleição que o obrigou à difícil prova de uma segunda volta.
b) Para um Presidente que termina um primeiro mandato extremamente complexo pelas altas expectativas que marcaram o seu início e pela abrupta queda na opinião pública dessas expectivas no seu final.
c) Para uma função presidencial que, em termos de responsabilidade efectiva nos rumos da governação do Brasil, está nos antípodas da distanciada responsalidade do semi-presidencialismo português.
d) É tão grande a diferença para com o seu antecessor directo, Henrique Cardoso, que tem o sabor amargo de injustiça popular.





sexta-feira, dezembro 15, 2006

A quadra perfeita (I)




Ontem, resolvi não acrescentar mais nenhuma informação à "quadra perfeita", para ela poder ressaltar sem sombras e para não a manchar ou diminuir com a imperfeição de outras mensagens.
Hoje, passado esse momento de fulgor, inevitavelmente fugidio mas imprescindível, parece-me ser altura de acrescentar alguns dados.
Em primeiro lugar, o texto em que ela aparece, em atenção daqueles que, porventura, não tenham oportunidade de o ler no JL.

É este o texto:



Este caro Fernando é o Fernando Lopes Graça.

A "Rústica" de que fala Gomes Ferreira é uma das chamadas "Canções Heróicas" de Fernando Lopes Graça.

Alguma informação útil relacionada com José Gomes Ferreira e a importância que a músiva teve
no início da sua vida artística pode ser colhida aqui:


http://www.esec-j-gomes-ferreira.rcts.pt/AmusicadeJoseGomesFerreira.htm

quinta-feira, dezembro 14, 2006

A quadra perfeita







terça-feira, dezembro 12, 2006

A música que é a filarmónica ou a filarmónica que é a música

Todos sabemos que, para a nossa ruralidade açoriana, até há muito pouco tempo, estas duas realidades confundiam-se.
A música, não eram os cantos da igreja.
A música, não eram as modas tradicionais.
A música, não era o piano que a senhora martelava na casa nobre ou rica.
Menos ainda a viola que muitos dedilhavam por tradição familiar ou gosto pessoal.
A música era a filarmónica.
A filarmónica da Praia era a música da Praia.
A música da Vila era a filarmónica da Vila.

É, em memória desses tempos,
e aproveitando a comemoração dos 120 anos da SFUS (Sociedade Filarmónica União Sebastianense) a que já fiz referência neste blogue e no Epigrama, que vou deixar também aqui, a transcrição dos versos sobre o ensaio e a bandeira, da "Festa Redonda" de Vitorino Nemésio, dedicados à Música da Praia, precisamente na sua "Décima da Música da Praia":

A Bandeira


Bandeira da filarmónica,
Tu é que me hás-de embrulhar
Na serpente a ponto cheio,
Cruz negra que eu vi bordar...


Bandeira de seda fina,
Alva como uma rainha!
Ainda tremes da pureza
dos dedos da Lucindinha!


O Ensaio


A casa do ensaio à noite
(Cá fora chuva e galochas)
Parece a câmara ardente
Rodeadinha de tochas...



Geme o fá, o si repica,
Berra o sol, o lá desanda,
Dó chora, ré mia ao mi,
Cada um pra sua banda...


Mas, de repente, na estante,
Bate a batuta o papel:
A força do folgo é tanta
Que se ouve em São Miguel!








Nota final (com segundas intenções e para segundas interpretações):

Às vezes, é preciso mesmo muito "folgo," para, da Terceira, ser ouvido em São Miguel!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

O que morre com Pinochet

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A morte deste sanguinário ditador chileno significou a morte de muita coisa.
Algumas positivas, outras negativas.
A morte de uma era na América latina.
A era dos ditadores do século XX,
que teve uma vida mais longa do que na Europa,
mas que parece, finalmente, encerrada.
Entre as negativas, recordemos apenas, a morte da esperança de os representantes das vítimas o levarem, vivo, a um tribunal chileno que o condenasse pelos seus crimes contra os chilenos e no Chile cometidos.
Mas, sobretudo, morreu, a sua busca perversa da impunidade para os seus crimes, recorrendo a expedientes legais.
E isto é o que mais importa para o futuro da humanidade e de todos nós.
A hora da sua morte (17h15 TMG de 10 de Dezembro de 2006) é uma hora decisiva para todos.







Le précédent Pinochet  Comment les victimes peuvent poursuivre à l’étranger les criminels des droits de l’homme



Ce qui dans l’affaire Pinochet frappe tout d’abord, c’est qu’un juge espagnol ait eu le pouvoir d’ordonner l’arrestation de Pinochet pour des crimes commis principalement au Chili et contre des Chiliens. Ce pouvoir se base sur la règle de compétence universelle, c’est-à-dire le principe que chaque État est fondé à traduire en justice les auteurs de crimes spécifiques d’intérêt international, quel que soit le lieu où le crime a été commis, et sans égard à la nationalité des auteurs ou des victimes.
Le précédent Pinochet Comment les victimes peuvent poursuivre à l’étranger les criminels des droits de l’homme


(via Chili : Augusto Pinochet est mort, CHILI)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

8 de Dezembro Senhora da Conceição

Se, para si, o dia 8 de Dezembro não é, apenas, mais um dia feriado, mais um dia de montras ou de iluminações natalícias em várias cidades açorianas.
Ou se é tudo isto, mas você deseja que seja algo mais.
Ou se é mesmo algo mais, na linha de uma tradição religiosa que dedica este dia à celebração do mistério da Imaculada Conceição de Maria.
Ou mesmo se não é nada disto, mas você sente um vago e indefinido mal estar por este dia não ser algo mais do que o muito ou pouco que já é.

Então, está na hora de dar um salto até ao



ÁLAMO ESGUIO




ÁLAMO ESGUIO

e deliciar-se com versos como estes:


Avé Maria dos pobres
De porta em porta a pedir
sem migalha para a fome
nem andrajo de cobrir...


Avé Maria dos presos
Encerrados na cadeia...
Avé Maria dos bêbados
dormindo à lua-cheia.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A filarmónica de São Sebastião - O livro da Fundação



A Filarmónica de São Sebastião é uma preciosidade histórica com 120 anos.
Este livro, cuja capa acima ser reproduz, também o é.
Tem a mesma idade da filarmónica.
Não terá exactamente o mesmo valor social e artístico.
Mas também não teve direito à mesma consideração e empenho que a própria filarmórnica sempre mereceu aos sócios, executantes, dirigentes e aos sebastianenses em geral.
Embora uma filarmónica seja, por definição, uma instituição com muitas estantes, provavelmente, o livro que regista os seus primeiros passos e devia registar as principais datas da sua vida, nunca chegou a ter direito, sequer, a uma banal prateleira.
Teve de resignar-se ao fundo de uma esconsa e esquecida gaveta.
Por isso, acho que merece ser aqui lembrado, a propósito da celebração, no passado dia 29 de Novembro, dos 120 anos da Filarmónica União Sebastianense.
A história desta designação, Sociedade Filarmónica União Sebastianense, e das suas vicissitudes históricas, tais como as da própria instituição, que as sucessivas designações testemunham, só a poderemos conhecer e tentar compreender, se tivermos a oportunidade e a curiosidade de espreitar para as actas da sua fundação.
É o que faremos.

terça-feira, dezembro 05, 2006

O senso comum...é o menos comum dos "sentidos"

Cincuenta años de inteligencia artificial y los robots aún no tienen sentido común - 20minutos.es


Crear una inteligencia artificial dotada de "sentido común" y que sea capaz de pensar como las personas es "tan difícil" como explicar el origen del Universo, advirtió López de Mántaras, quien se lamentó de que algunos científicos de otras disciplinas "exigen" que la inteligencia artificial consiga en 50 años "lo que no han conseguido ellos en siglos".
Cincuenta años de inteligencia artificial y los robots aún no tienen sentido común - 20minutos.es







Só mesmo a subtil ironia "cartesiana" podia ter levado Descartes a começar a erguer o seu método das ideias claras e distintas, partindo do pressuposto contrário.


Ou seja, que:
"O bom senso é a coisa mais bem partilhada do mundo, porque todos pensam possuí-lo tanto que, mesmo os mais difíceis de contentar em tudo o resto, não costumam desejar mais do que aquele que já têm".


Esta é, como todos (os franceses) sabem, a primeira frase do "Discurso do Método" de Descartes.








segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ser Europeu




Ser europeu é preferir:


As catedrais às pirâmides;
Bruges a Quioto;
o mar Egeu às Caraíbas;
o sentido estético ao sentido prático;
as interrogações às certezas;
o cepticismo ao fanatismo;
a dissidência à ortodoxia;
a liberdade às verdades;
a sabedoria ao saber;
a síntese à retórica;
as palavras às estatísticas;
a imprensa à televisão;
a literatura à tecnocracia;
o indivíduo às massas;
a lucidez da razão às profecias sem razão;
as heranças aos testamentos;
as memórias dispersas à memória única;
a diversidade à uniformização;
o valor dos homens ao valor do dinheiro;
a visão de conjunto à visão parcelar;
a inquietação ao optimismo;
o sonho à diversão;
a contradição ao apaziguamento;
os cafés e esplanadas aos bancos e seguradoras;
o curso do Danúbio ao curso do Amazonas;
Porto­fino a Acapulco;
Santorini a Punta del Este;
o lago Cuomo ao lago Titicaca;
a Grécia de Péricles à China da dinastia Han;
o império Austro-Húngaro à Turquia dos sultanatos;
a Roma imperial ao Japão dos samurais;
o Spectator ao New Yorker;
o vinho à Coca-Cola;
Margaret Thatcher a Indira Gandhi;
De Chirico e Delvaux a Portinari e Andy Warhol;
Fellini e Truffaut a Spilberg e Tarantino;
Malaparte e Yourcenar a John dos Passos e Kawabata;
Mouzinho de Albuquerque a Pancho Vila;
Garibaldi a Sun-Yat-Sen;
Marco Aurélio a Confúcio;
por fim,
uma noção equilibrada do tempo,
nem estática nem acelerada.

Numa palavra, a história da Europa à história universal.

Abril 2002

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Costa Neves & Costa Neves, Sociedade de banalidades anónimas e lugares comuns ilimitados



Em 8 anos,
Entre 1998 e 2006,
Entre um primeiro mandato como líder do PSD-Açores,
E um segundo mandato como líder do PSD- Açores,
Costa Neves nada aprendeu e nada esqueceu.
Mantém os mesmos refrões, os mesmos lugares comuns,
a mesma incapacidade de pensar e reflectir, em análise e propostas,
as mudanças da sociedade açoriana.

É o seguinte o retrato mental de Costa Neves em 1998:

















É o seguinte o retrato mental de Costa Neves em 2006:




Diario Insular 2006




(...) eu digo pior, digo que não há modelo de desenvolvimento no arquipélago, não há uma estratégia, não há um fio condutor.(...)




(...) Portanto, há uma ausência completa de políticas, a todos os níveis.(...)




(...) eu acho que não há estratégia.




(...) o PS falhou em toda a linha em dez anos de Governo regional.





Diario Insular 2006

Alguma diferença substancial entre estes "apanhados"
do Costa Neves líder-98 e o Costa Neves- líder 2006?

Nenhuma, claro.

Mas é também claro que, em oito anos, tudo mudou.

Menos Costa Neves.

Então, que fazer?

Mudar quem não muda, para se poder acompanhar

aquilo que muda?