segunda-feira, março 19, 2007
quinta-feira, março 15, 2007
Atirem-se ao Lobo (Antunes)
Aproveitem a desculpa do prémio Camões,
e atirem-se à leitura de Lobo Antunes.
E se têm dúvidas por onde começar,
se sentem alguma alergia aos romances de mais 300/400 páginas,
comecem pelas crónicas.
Atirem-se a elas como lobos.
Verão que lhes ganham o gosto e o vício.
Tenho a certeza que chegarão a lamentar que sejam apenas três volumes.
Géneros menores?
De género menor, somos todos nós,
que para aí gatafunhamos em blogues,
jornais e quejandos.
É a hora do Lobo.
A ele!
Todos a ele!
Livro de Crónicas, 1995
Segundo Livro de Crónicas, 2002
Terceiro Livro de Crónicas, 2006
Na concisão das crónicas há uma concentração de elementos narrativos e uma definição de personagens que acho inexcedível. As crónicas são experiências de processos narrativos e de personagens que depois vamos encontrar com outro tratamento nos livros. São uma espécie de laboratório. A crónica não é, de todo, um género menor. É um género muito difícil para quem o pratica. O texto curto é tão difícil quanto o romance de 400 páginas. São técnicas complementares, não se excluem de maneira nenhuma. A crónica é outra coisa, mas menor nunca.
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Etiquetas: escritor
quarta-feira, março 14, 2007
O descrédito da justiça à portuguesa
Há flagrantes da vida do nosso tempo que são mais instrutivos do que longos discursos, debates ou grandes discussões sobre um tema.
No caso em apreço, o flagrante é um "zaping" televisivo da noite de ontem, que me levou a um dos muitos programas das nossas televisões, com nomes bélicos (trio de ataque, no caso), e que, em sapientes grupos de três "experts," dissecam, implacavelmente, os males, passados presentes e futuros, do nosso futebol.
Na altura que entrei em "campo", Oliveira e Costa, conhecido responsável e apresentador de uma empresa de sondagens, falava de um relevante acontecimento não-desportivo que marcara a semana-desportiva anterior.
Refira-se, a talho de foice, que esta também é uma das mais notórias características do nosso inigualável mundo do desporto. As grandes questões em debate mediático no mundo do desporto raramente são de âmbito desportivo. A não ser que se circunscrevam às minudências televisivas dos erros dos árbitros contra algum dos três grandes, são declarações ou factos, que nascem nas páginas dos jornais, para nelas morrerem na semana seguinte, depois de acalorados e emocionantes duelos verbais entre personagens, que saem e entram na discussão, como actores num palco.
Mas qual era, então, o grande acontecimento que Oliveira e Costa, em cenário de fundo verde, na sua qualidade "televisiva" de sportinguista (por vezes até a gravata do "expert" também é da apropriada cor clubista) destacava na semana?
A revelação do verdadeiro "segredo de Fátima", desculpem, de um dos últimos dos grandes segredos deste transparente mundo futebolístico português.
A revelação, primeiro estampada na internet, depois com repetição exaustiva em toda a comunicação social, dos vencimentos dos jogadores do Sporting.
Sobre este facto fazia ele o seguinte raciocínio:
Em todos os tais grandes clubes portugueses de futebol, este é um segredo tão bem guardado, que, nem sequer, é do conhecimento de todos os membros das próprias direcções dos clubes.
Este segredo, até hoje mantido em inviolável reserva por todos os clubes, como é que, só no caso do Sporting, acabou nas páginas dos jornais?
Dedução de Oliveira e Costa:
Porque, em razão de um conflito, que, só indirectamente, envolveu o Sporting, mas se originou num diferendo entre um jogador do Sporting e o seu empresário, os vencimentos dos jogadores do Sporting chegaram ao conhecimento da justiça portugesa.
E esta só poude fazer aquilo que mantém como regra para todos os segredos de justiça: conseguiu fazê-los chegar à comunicação social.
Oliveira e Costa acrescentava que não tinha qualquer dado concreto, que lhe permitisse tirar esta conclusão, mas era a única que considerava plausível para o estranhno e inusitado acontecimento.
Penso que Oliveira e Costa, neste caso sem precisar de sondagens, nos fez um dos mais implacáveis e realistas retratos da imagem negativa que a justiça portuguesa tem, junto da generalidade dos portugueses.
Não só se revela incapaz de os defender, a tempo e horas, no exercício dos seus direitos, mas ainda os consegue privar daqueles que ela própria deve respeitar na sua actuação.
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Etiquetas: justiça
sábado, março 10, 2007
O Ruir de Lisboa
O ruir do país.
O ruir das pessoas em Lisboa.
O ruir das pessoas no país.
O retrato das pessoas,
de uma capital e de um país
no balanço literário de um tempo de desencanto.
O retrato de um país "deixado cair no meio da noite",
como uma das personagens de um dos contos de Teolinda Gersão.
Procure numa livraria perto de si.
Mas o tema mais forte para mim é o ruir de Lisboa.
Em Portugal atravessamos uma fase muito difícil.
Uma fase de grande desencanto,
de ausências de perspectivas,
de muito desemprego,
de todo o tipo de problemas sociais,
de percebermos que estamos na cauda da Europa,
de tanto esforço em vão,
de tantos sacrifícios pedidos sem as coisas evoluírem.
Estamos numa crise civilizacional e cultural terrível, e reconheço que há um lado sombrio no livro.
Embora haja também uma grande vitalidade, uma grande força e uma grande rebeldia.
Visão Online - JL - Contos do nosso mal-estar
(via Visão Online - JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias - nº 950)
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Etiquetas: literatura
quarta-feira, março 07, 2007
Na Madeira, há vozes mas não há nomes
Há denúncias mas não há denunciantes.
Há críticas mas não há críticos.
Há um nome mas não há nomes.
Há eleições mas não há opções.
Há oposições mas não há oposição.
Há escolhas mas não há alternativas.
Há ressentimentos que dividem emoções,
não há descontentamentos que unifiquem vontades.
Se calhar, cada vez faltam menos coisas,
mas também cada vez mais
se lhes sente mais a falta.
Na Madeira, o labirinto parece certo e seguro,
e a saída incerta e insegura.
Resta aos madeirenses
(e só a eles)
um esforço mais
(ou muitos esforços mais)
para acelerarem a hora,
da transformação do incerto
em seguro
e do inseguro
em certo.
Há quem diga, no entanto, o que Janina não disse.
Que Alberto João Jardim foi "um pedaço agressivo na forma, que não precisava de chegar ao ponto a que chegou";
que a convocação de eleições foi uma estratégia política para benefício próprio e que pouco beneficia a Madeira".
É uma aluna da mesma universidade quem o diz, mas
sem revelar o nome,
porque essa revelação "poderia trazer-lhe confusões". "Preciso de encontrar trabalho, sabe."
E o anonimato é salvaguarda para quem denuncia, mas também faca em que um dos gumes pode servir o denunciado. Seja.
De qualquer forma
não há nome.
DN Online: De Janina que nunca saiu da Madeira e da crítica a uma geração que alegadamente tem medo do ’on’, segundo um jornal que colecciona processos na ilha
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Etiquetas: Madeira
terça-feira, março 06, 2007
Da dificuldade(madeirense?) de compreender o parlamentarismo
Comecemos com exemplos concretos.
Um exemplo açoriano.
Em 1998, nos Açores, vivia-se em regime de governo minoritário do PS.
Em razão dos resultados eleitorais de 96, só com o apoio dos deputados do CDS/PP era possível aos dois partidos mais votados, o PS e o PSD, formarem maioria na Assembleia Regional.
É neste contexto que o líder do CDS/PP resolve retirar o apoio parlamentar que, até então, o seu Grupo Parlamentar havia dado ao PS e concedê-lo ao PSD.
Foi isto mesmo que ambos os partidos se apressaram a comunicar ao Ministro da Republica a quem, então, competia nomear e exonerar governos regionais.
Que fez este?
Lembrou-lhes (por estas ou por outras palavras) que, em regime parlamentar, a vontade efectiva de uma Assembleia nunca pode ser pressuposta, tem de ser, sempre, demonstrada pelos factos.
E que, em regime parlamentar, "o único facto" que conta é a vontade dos deputados, demonstrada em votos, e não aquilo que quaisquer líderes partidários, estribados em antecedentes, porventura, sem quaisquer excepções ou falhas, de férrea disciplina partidária, suponham dever deduzir-se.
O resultado é conhecido. A aventura do CDS/PP morreu na "praia", porque, nem ele nem o seu requestado parceiro do PSD se dispuseram a "mergulhar" nas "águas" da Assembleia Regional.
Outro exemplo mais recente, vindo de Itália.
Há duas semanas, o primeiro ministro italiano Romano Prodi apresentou a sua demissão ao Presidente da República porque, na sua opinião, deixara de ter condições para garantir apoio maioritário parlamentar, depois de perder no Senado o voto de confiança pedido para a sua política externa.
Que lhe lembrou o Presidente da República?
Lembrou-lhe (por estas ou equivalentes palavras) que só uma votação explícita, nas duas câmaras, sobre essa confiança, lhe permitiria tirar tal conclusão.
Assim o teve de fazer Romano Prodi.
E, hoje, continua Primeiro Ministro.
E óbvio que, em ambos os casos, o que interessa não é o desenlace concreto ocorrido em qualquer deles, mas o princípio aplicado em ambos.
Em regime parlamentar, em regime puramente parlamentar, em que a subsistência ou não de um governo, no caso italiano, ou da formação de um novo governo, no caso açoriano, nunca pode ser indiciada, suposta ou prognosticada, deve sempre ser testada, mais ainda em condições excepcionais de confiança ou censura de um governo ou de formação de um novo.
A pergunta que fica é se, no actual caso da Madeira, se respeitou esta regra.
É óbvio que não.
Mas é assunto para deslindar um pouco mais, em próxima oportunidade.
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Etiquetas: Madeira
sábado, março 03, 2007
Escolher Bagdade para morrer
Só necessita de ser lido.
Faça o linque para o texto em Espanhol ou Inglês e leia-o.
Faça esse favor a si próprio.

SÁBADO, DÍA 10 El ser humano perfecto
No hay más noticias sobre la ejecución del bibliotecario ni el otro compañero desaparecido. He decidido poner en marcha un comité especial para investigar el caso.
Me doy cuenta, cada vez más, de que hoy en día, en Bagdad, el ser humano perfecto sería aquél capaz de desconectar todos sus sentidos. Estar ciego y sordo ya no es una maldición en este país, sino una bendición.
ELPAIS.com - "M. no viene hoy; dice que una bala perdida mató a su hija" - Internacional
I have come to realise that nowadays in Baghdad, the perfect human being would be one who can switch off all his senses. To be blind and deaf is not a curse anymore, but a blessing in disguise
Diary of Saad Eskander (Feb 2007)(via Blogger: Login )
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Etiquetas: Iraque
sexta-feira, março 02, 2007
Discursos (I) O Discurso Perfeito
É o minimo que se pode dizer do discurso de Paulo Portas, ontem.
- Pelo folhetim preparatório dos sucessivos anúncios, adiamentos e reanúncios.
Que vêm de muito longe.
Pelo menos desde a sua aparição e realce inesperado, em jantar natalício, promovido pela principal estrutura de qualquer partido na oposição: o Grupo Parlamentar do PP.
Acrescente-que, num partido de quadros e de rarefeita implantação social. como é o PP, ser "dono" do grupo parlamentar é ser "dono" da imagem pública de um partido. O que é quase tudo o que um partido como o PP, na oposição, pode ter. - Pelos cenários escolhidos.
Digo cenários, porque foram dois:
O Centro Cultural de Belém, em primeiro lugar.
A sala do CCB escolhida., em segundo.
Esta só podia ser a mesma em que começou a última corrida vitoriosa da direita portuguesa: a candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República.
Assinale-se, desde já, que, com este cenário, Paulo Portas envia dois sinais àquele que ele julga ser o seu eleitorado (virtual, pelo menos). Que PP começa uma corrida que, para além do Largo do Caldas, visa Belém.
Que é ele quem virá concretizar as esperanças mais inconfessadas mas mais profundas que a direita portuguesa personalizou em Cavaco Silva e que, hoje, vive em desilusões mal contidas, pela colagem presidencial a Sócrates.
3. Pelo pouco que disse, pelo muito que subentendeu e ainda mais pelo que insinuou.
4. Por tudo isto, foi mais do que um discurso, foi um tiro de aviso.
- Para Ribeiro e Castro?
Não. Nem nele falou. Nem precisava. Portas não falou para quem (ele julga) que nem sequer chega a existir como obstáculo real. Ribeiro e Castro não passa de um acidente no percurso de PP. Mero acidente. E apenas pelo lugar que ocupa. Não pela pessoa que é.
Para o CDS?
Também não. O CDS é apenas um instrumento. O seu instrumento. O seu trampolim. Já o foi. Para tornar verosímil aquela pose de Estado que ele nunca mais despiu desde que exerceu funções ministeriais. E há-de voltar a ser. Para lhe graduar esta pose, de ministerial, em presidencial.
Para Sócrates?
Apenas para lembrar dele, aquilo que a direita que ele visa não encontra em nenhuma das suas actuais lideranças. A determinação. A segurança. A definição de rumos e metas precisas.
Afinal, Portas fez o discurso perfeito para quem?
Para aquela direita profunda, sociológica e que diriamos portuguesmente secular, que já não se revê totalmente na sua última vitória (a de Cavaco) e que, neste momento, ainda está "lambendo" as feridas da sua última grande, enorme derrota ( para ela, a mais inesperada e traumatizante de todas as derrotas até hoje sofridas, porque mais cultural do que política) do referendo ao aborto.
É desta direita que PP se quer o D. Sebastião.
É para ela que PP pretende trazer os segredos mágicos da sua Arte do Estado. E para quem, até hoje, ele esteve falando da tribuna televisa do seu Estado da Arte.
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quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Duas Receitas para os Males da América
A receita de Bush:
mudar as outras democracias
ou mudar as democracias dos outros.
Agora chama-lhe:
"Diplomacia Transformacional".
Resumidamente, consiste em juntar,
em camadas sucessivas,
um militar e um diplomata,
um diplomata e um militar.
A outra receita não tem nome pomposo nem promotor oficial.
Resume-se a um velho ditado:
Médico, cura-te a ti próprio.

La nouvelle doctrine de Bush.
L’Amérique de Bush ne pouvait pas en rester à ses terribles échecs en Afghanistan et en Irak. Les tapis de bombes ne suffisent pas pour transformer en démocratie un pays dictatorial ou un Etat failli. Il fallait changer de méthode et diversifier les actions destinées à rendre le monde meilleur.
Une nouvelle stratégie a été élaborée à Washington et les instruments bureaucratiques de sa mise en oeuvre sont déjà créés.
Il s’agit de promouvoir une « diplomatie transformationnelle » dont la mission sera de « stabiliser et de reconstruire » les Etats.
La nouvelle doctrine de Bush, François Schlosser

- Les Américains s’intéressent très peu à ce qui se passe hors de leurs frontières.
Demandez-leur de quel pays Paris est la capitale, très peu vous répondront.
Quand je leur parlais de la mort de mon fils cinq jours après son arrivée dans la guerre, beaucoup me disaient :
«La guerre, mais quelle guerre? Le Vietnam?»
Cela peut vous choquer mais, malgré le nombre de morts, beaucoup d’Américains ont eu du mal à réaliser que leur pays était en guerre
Cindy Sheehan, en guerre pour la paix, Jean-Gabriel Fredet
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Etiquetas: política
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
França: A escolha entre dois modelos FEMININOS do exercício do poder?
Francese di ferro perché paragonato a Margaret Thatcher (la «Iron lady», la dama di ferro
LASTAMPA.itSerá mesmo este, o curioso e original dilema para as próximas presidenciais em França?
Pelo menos, tal é a leitura da batalha presidencial francesa vista de Itália.
De um lado, Sarkózy, o "francês de ferro," na peúgada do modelo inglês da "dama de ferro".
Do outro, Ségolene Royal, tentando abrir o seu difícil caminho, entre os chamados "elefantes" do PSF, desgastados na imagem e na doutrina, e o esquerdismo gratuíto da "esquerda muito parisiense e muito caviar"!
Curioso ainda o retrato-síntese que o biógrafo italiano de Sarkózy, nos traça do seu biografado:
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Etiquetas: política
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
A lição Portuguesa
Avortement
La leçon portugaise
La leçon portugaise, Jean-Gabriel Fredet
Já o disse e aproveito para repetir.
Há uma lição portuguesa, para a a Europa, sobre o modo de alterar, através de referendo, a legislação sobre o aborto.
O sentido dessa lição, na minha opinião, já o deixei dito em anteriores "entradas".
De França, chega-nos a ideia de serem tiradas outras lições.
É claro que, entre os derrotados do "Não", também têm aparecido tentativas de "tirar lições".
Por exemplo, alguns "cavaleiros do Apocalipse" fazem leituras tremendistas dos resultados nos Açores.
Leituras "à irlandesa".É conversa para outra ocasião.
Publicada por Dsousa à(s) 11:08 da manhã 0 comentários
Etiquetas: aborto
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
A política "politiqueira" de Alberto João
Há quem comece a encontar virtualidades e até méritos na recente decisão espectacular de João Jardim, de se demitir para se recandidatar, em protesto contra a promulgação da Lei de Finanças Regionais.
Por exemplo, Pacheco Pereira e Lobo Xavier na Quadratura do Círculo de ontem.
Confesso que por mais voltas que lhe dê, não encontro naquela atitude nenhuma racionalidade que exceda os limites do gesto gratuito, da bravata descabida e do "a mim ninguém me mete medo","a mim ninguém me vira", de tradução política do gesto, que utilizando linguagem do próprio Alberto João, se deve considerar de "testicular".
Ou seja, eu, Alberto João, num país de quem eu já disse que ninguém "os têm no sítio", eu, Alberto João, vou mostrar a todos que os tenho e da cor tradicional!
Ainda ontem lia, a respeito de alguém situado entre o mundo do jornalismo e da política, o seguinte retrato:
"Ele podia levar as pessoas a reagir de formas imprevisíveis; podia inventar questões e depois soluções - igualmente inventadas, mas nem por isso menos populares"
Acho que estas palavras se aplicam como luva ao gesto de Alberto João.
Soluções inventadas para questões inventadas.
O mais fácil, provavelmente, de se fazer em política.
Pelo menos, muito mais fácil do que tentar encontrar soluções reais para problemas reais.
É este lugar ambíguo em que João Jardim se compraz em viver e arrastar os que com ele vivem e sobrevivem, entre ser notícia e fazer notícia, entre o palco da comunicação social e o palco da política pairando acima do mundo real e dos seus problemas efectivos.
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segunda-feira, fevereiro 19, 2007
As máscaras no carnaval da poesia
Só mesmo Camões
é que podia conseguir,
num só poema,
no mesmo poema,
dar forma e expressão,
às duas grandes correntes,
mais antigas
e mais singulares,
da poesia portugesa:
A cantiga de escárnio e mal-dizer
e a trova de amor.
Por obra e mão dele,
cada um de nós
pode repetir
este milagre
de metamorfose
poética.
É só ler as "trovas" seguintes,
na vertical,
e teremos a cantiga de escárnio.
Ou, então, na horizontal,
isto é,
ligando cada verso
da estância da esquerda
ao verso respectivo
da estância da direita,
e teremos
a mais bela trova de amor.

É o carnaval da poesia.
Goze-o. O melhor que puder.
Este. E o do calendário.
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Renée Fleming Aniversário


No passado dia de São Valentim, ocorreu mais um aniversário da soprano americana Renée Fleming.
É uma data que merece ser lembrada, por aqueles que já conheçam algumas das suas gravações ou actuações.
Pode ser um pretexto a aproveitar, por aqueles que a não conheçam e tenham curiosidade ou desejo de fazê-lo.
Ou simplesmente, para aqueles que estejam pensando concorrer ao "um contra todos".
Para todos, será um nome a reter ou a recordar.
Aqueles que desejarem conhecer algo mais sobre a cantora podem aproveitar
esta página
Aqueles que desejarem ouvir algumas das suas interpretações podem fazê-lo nesta
outra página
Uma crítica a um dos seus últimos trabalhos editados pode ser
lida aqui
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Etiquetas: Renée Fleming
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
O dia do amor ou dos amores ?
Sim. Acho que é mais dos amores.
De seus enganos e desenganos.
De seus encontros e desencontros.
De suas angústias e enlevos.
Da sua importância e insignificância.
Da sua incerteza e contradições.
Da sua efémera perenidade.
Foi talvez por tudo isto;
Ou por nada disto;
Que me lembrei de Camões.
E da sua "cantiga"
de um "cantar velho,"
que, tempos atrás,
numa tentativa
de encontrar
a quadra perfeita,
descobri.
Trata-se de uma cantiga
com mote.
E com um mote ridículo.
Vejam só:
"Coifa de beirame
namorou Joane".
Mas deixemos
para trás o mote.
Nem precisamos de
saber-lhe o sentido,
para perceber que,
mesmo sem
as referências ao mote,
nas "voltas"
da sua cantiga,
Camões surpreendeu
e registou
(genialmente)
todos
os caprichos,
as fantasias,
as incongruências,
os pequenos nadas
e os grandes arroubos
que definem
o amor
que fica
e os amores
que passam.
E o amor
que fica
nos amores
que passam.
Por cousa tão pouca
andas namorado?
Amas o toucado
e não quem o touca?
Amas o vestido?
És falso amador.
Tu não vês que Amor
se pinta despido?
Se alguém te vir,
que dirá de ti?
Que deixas a mi
por cousa tão vil!
Qem ama assi
há de ser amada;
ando maltratada
d'amores, por ti.
Eu não sei que viste
neste meu toucado,
que tão namorado
dele te sentiste.
Não sei de que vem
amares vestido;
que o mesmo cupido
vestido não tem.
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Etiquetas: amor
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Aborto:Após o dia do Sim
Para quem, como eu, antes do referendo, escreveu sobre este tema, justificam-se algumas considerações posteriores ao dia do Sim maioritário.
A primeira delas é relembrar que a vitória do Sim, num referendo sobre a IVG, e consequente alteração da legislação em vigor, no sentido favorável à despenalização do aborto, é um caso único na Europa. Pelo menos, na Europa.
Como já salientei, todos os exemplos anteriores, dos anos 80 e 90, na Europa, resultaram de referendos promovidos pelos movimentos e partidários do Não e o seu resultado final foi-lhes sempre favorável.
A democracia portuguesa protagonizou, assim, no passado Domingo, uma dupla singularidade.
É verdade, que o faz com um grande atraso temporal sobre os restantes países da Europa, que, já há muito, alteraram a sua legislação nesta matéria.
É verdade também, que a ideia do referendo, em 1998, foi engendrada por Marcelo Rebelo de Sousa, defensor do Não, e apoiada por António Guterres, igualmente partidário do Não, mas, a sua vitória, acabou por ser temporária, e o seu efeito reduziu-se ao adiamento de alguns anos, para a entrada em vigor de legislação que correspondesse ao sentir maioritário da sociedade portuguesa.
Neste aspecto, o fadário do Não tem sido sempre o mesmo.
Correr atrás da história e das transformações exigidas pela consciência social.
A segunda consideração a fazer sobre o tema é precisamente esta.
Qualquer legislação sobre este assunto, no sentido de romper com concepções com peso de séculos, na cultura, nos comportamentos e convicções religiosas dos portugueses, mas que não fosse, previamente, submetida ao veredicto final do conjunto da sociedade portuguesa, teria sempre a ensombrá-la, na sua aceitação generalizada e, sobretudo, na sua aplicação concreta, a dúvida, que os partidários do não, infatigavelmente, não deixariam de agitar, de ela corresponder mesmo ao sentir maioritário do país.
Esta dúvida metódica deixou de ter qualquer fundamento, com os resultados do referendo.
Mais algumas breves considerações sobre o caso dos Açores, que acabei por não fazer antes do referendo.
Faço-o agora.
Pode-se dizer que tudo o que o referendo revelou era previsível.
Elevada abstenção, esmagadora vitória do Não, algum progresso do Sim.
Realisticamente, não era possível esperar resultados muito diferentes.
Para mim, porém, há, ainda, dois sinais positivos.
Só ouvi a dois abencerragens do PSD, (Álvaro Monjardino e Reis Leite), uma referência à ideia de voltar a um comportamento, por parte do PSD, semelhante ao que teve, nos anos 80, aquando da aprovação na Assembleia da República da lei actualmente em vigor.
Apelar para as "especificidades" regionais (e para os resultados regionais) para que a legislação nacional nunca fosse aplicada na Região.
Sim, convém não esquecer que, figurões como Costa Neves, que, Domingo, lembravam a sua posição favorável à manutenção da lei em vigor, nos anos oitenta, faziam parte de maiorias e governos que defendiam que, nem a lei actual, que, agora defendiam, devia ser aplicada na Região.
A tal mesma regra de correr sempre atrás da História ou, neste caso, até contra ela.
Segundo sinal positivo.
Ao contrário do que aconteceu com os governos regionais do PSD, que, promoveram, activamente, o incumprimento, na Região, da lei actual, o Presidente do Governo Regional não deixou dúvidas sobre a sua intenção de cumprir e fazer cumprir a lei que resultar deste referendo.
Trata-se, apenas, de acertar o passo com a História.
Dados os antecedentes referidos, é de sublinhar.
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Etiquetas: aborto
sábado, fevereiro 10, 2007
Aborto: Na Véspera do Sim e do Não
Um sumário olhar sobre a campanha.
A cisão que divide a sociedade portuguesa entre o sim e o não à despenalização do aborto, deslocou-se, entre 1998 e 2007, do interior do PS para o interior do PSD.
Dito de outra forma, enquanto, em 98, as vozes hesitantes ou favoráveis ao não, tinham ainda um peso significativo, no interior do PS, em 2007, passaram a ser claramente residuais e sem qualquer impacto no seu eleitorado.
No PSD, tudo leva a crer que se tenha passado precisamente o inverso.
Traduzindo ainda noutros termos, a cisão entre o sim e o não passou a fazer-se por dentro do eleitorado de centro direita e o mais fácil consenso de posições e de discurso passou a ser mais notório entre o eleitorado de centro esquerda.
Este último facto, aliado à circunstancia de o partido polarizador do centro esquerda ter uma posição de referência favorável ao sim e ser mesmo o promotor do referendo, ao contrário do seu rival do centro direita, facilitou as condições de campanha dos movimentos do sim, embora me pareça que não chegou para a tornar nem mais activa nem mais eficaz.
Esta circunstância ainda, aliada a duas outras, à centralização da discussão directamente na despenalização e só indirectamente no próprio aborto em si, e à importância que assumiu o debate televisivo (particularmente através do "Prós e Contras" da RTP 1, graças ao impacto do seu formato e credibilidade) e a própria internet, dificultou em muito o discurso e a actuação dos defensores do não que, fora do tema dilemático, não ao aborto, sim à vida, revelaram dificuldades evidentes em se sintonizarem com as preocupções reais do eleitorado, que se situam muito mais no "como" e nas condições, legais e outras, do aborto, do que na sua legitimidade ética e aceitabilidade social.
Viram-se, assim, forçados a recorrer a sucessivas tácticas de ajustamento da sua campanha até acertarem no tom das modalidades intermédias de despenalização.
Neste contexto, parece razoável prever a vitória do sim, em termos políticos e de expressão do voto nas urnas, mantendo-se, no entanto, uma grande margem de dúvida sobre a mobilização para a ida às urnas, sobretudo, para se conseguir mais de 50% de votantes recenseados e arrumar, assim, em definitivo, e de forma única em toda a Europa, esta velha questão.
O caso dos Açores merecia uma referência, que espero fazer brevemente.
Publicada por Dsousa à(s) 11:54 da manhã 0 comentários
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
O blogue que incomoda Aqui e Agora
E deve incomodar muito gente,
além do Conselho Superior de Magistratura,
ao revelar consequências pouco conhecidas
da actual legislação portuguesa sobre o aborto.
Em situações ainda menos frequentes, toda a população é chamada a pronunciar-se, em referendo.
É o que vai suceder agora com o aborto.
Em meu entender, trata-se de fazermos uma escolha.
Devemos ou não continuar a enviar a mensagem de que é proibido realizar abortos em Portugal?
Imagine-se um patrão sem escrúpulos.
Numa reunião de trabalho com outras pessoas, vira-se para uma empregada, que acaba de engravidar e dirige-lhe as seguintes palavras:- Já chegou a considerar a hipótese de abortar? Pense nisso…Este homem seria julgado em tribunal, por instigar à prática de um crime. Estaria a sugerir a prática do crime de aborto.
Numa sala de aula, um professor conversa com uma aluna adolescente grávida:- Já reflectiste sobre se a manutenção da tua gravidez vai ou não prejudicar os estudos?
Também ele seria arguido num processo-crime. E expulso da escola, em processo disciplinar.
Caso o aborto seja liberalizado, poderão ser efectuadas todas estas sugestões, conselhos e recomendações.
A mulher é livre de abortar. Todos podem aconselhá-la, tentar convencê-la e induzi-la em qualquer sentido.
Aqui e Agora
Publicada por Dsousa à(s) 9:20 da manhã 0 comentários
Etiquetas: aborto
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A pergunta de 1998 e de 2007
É verdade.
O "não" anda a tentar inventar diferenças que, até historicamente, são insustentáveis.
A resposta às mesmas perguntas não pode ter um significado em 1998 e outro em 2007.
Veja as "diferenças", claramente vistas, entre a pergunta de 1998, que era esta:
Referendo de 1998
E a pergunta do referendo de 2007, que é esta:
Referendo de 2007
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Etiquetas: aborto
terça-feira, fevereiro 06, 2007
O "Não" trapalhão
O "não" ao referendo ao aborto do próximo fim de semana, está com uma tendência manifesta para as pequenas e grandes trapalhadas.
Exemplo de pequena trapalhada pode ser esta que já anotei no Epigrama.
Exemplo de grande trapalhada é a de tentar transformar totalmente o significado do "não," entre 1998 e 2007.
Em 1998, toda a gente entendeu (quer os adeptos do "não" quer os adeptos do "sim") que a vitória do "não" à resposta à pergunta feita ( exactamente a mesma, em 98 e agora) significava a manutenção da lei sobre o aborto, vigente desde 1984.
Alguns dos defensores do "sim" entenderam tanto assim, que, mesmo sem terem sido satisfeitas as condições jurídicas de obrigatoriedade do respeito pela decisão popular, a respeitaram ao ponto de se terem sempre recusado a alterar a lei, até novo referendo sobre ela.
Com estes antecedentes bem presentes na memória de todos, a que vimos assistindo, nos últimos dias de campanha, por parte dos defensores do "não"?
À tentativa de tudo baralhar.
De tornar o "não," exactamente igual ao "sim".
De tentar convencer o eleitorado que, votando "não," podem conseguir aquilo que só o "sim" pode obter: a alteração da actual lei.
De que, afinal, o referendo não se decide, como é da sua natureza, na escolha definitiva entre o "sim" a uma pergunta, ou o seu contrário, o "não".
Contra tudo o que os defensores do "não", sempre reclamaram desde 98, afinal, o "não" não é o contrário do "sim", é o "sim" menos qualquer coisa.
Sobretudo, se esse "menos qualquer coisa", não passar de uma menos que simbólica alteração da lei.
Afinal, o "não" dos grandes princípios está pronto a negociá-los com o "sim", a troco da tentativa de pescar alguns votos no campo do "sim".
Que "não" mais trapalhão!
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Etiquetas: aborto
domingo, fevereiro 04, 2007
Fim de semana em Nantes
Este fim de semana saiu prolongado.
É o que pode acontecer aos fins de semana que são vividos entre um passado que se tenta recordar, um presente que nos incomoda e um futuro em incerto projecto.
Desculpem as frases-feitas e, aparentemente enigmáticas, para dizer apenas o seguinte:
Passei o fim de semana a tentar seguir pela
Antena 2 da RDP
a "folle journée" de Nantes.
Lá fui conseguindo, muito fragmentada e ultraperifericamente, ir participando na
Tanto mais que, no decorrer da emissão da Antena 2, tinha a oportunidade de saber:
Que os brasileiros estavam preparando a sua importação para o Brasil, este ano.
Que calculavam que, no Brasil, a iniciativa custaria cerca de 600.000 euros.
Que os cálculos para o orçamento da "Festa" em Portugal eram de 1.200.000 Euros.
Que alguns dos grandes intérpretes presentes en Nantes, como Engerer e Berezovky, quando souberam que as razões(?) para a supressão da "Festa da Música", em Portugal, eram de ordem financeira, se mostraram disponíveis para participarem gratuitamente.
Que o responsável pela realização da iniciativa, Renée Martin, nunca chegou a ser contactado pelos responsáveis do CCB, para introduzir as adaptações que permitissem a continuidade da versão portuguesa da iniciativa.
Tudo razões que me levam a pensar que a supressão da "Festa da Música" foi precipitada por razões que parecem estar muito para além da questão financeira e que ficará, para sempre, como uma marca negativa para Mega Ferreira, o responsável último pela decisão.
É claro que posso tentar.
Na verdade, é mesmo o que vou tentar.
Mas nunca poderei sentir-me bem com a ideia de ter de ir procurar em Espanha aquilo que já tive em Portugal.
E que a RDP resumiu assim:
E que é o seguinte:

E que, quem acompanhou as anteriores edições da "Festa da Música", mesmo sem estar por dentro dos segredos financeiros (e outros) da "Festa," percebeu que foram sendo feitas sucessivas adaptações e alterações de programação durante todos estes anos.
Publicada por Dsousa à(s) 10:46 da manhã 0 comentários
Etiquetas: festa da música
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Um jornal da oportunidade perdida
É o que foi o Diário Insular do dia 31 de Janeiro.
Tudo por causa desta notícia doInstituto Nacional de Estatística (INE)
E, sobretudo, por causa deste mapa
E que, entre outras, revela estas realidades:
Entre 2000 e 2003, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (em termos nominais) da Região Autónoma dos Açores (RAA), foi o mais elevado de todas as Regiões do país.
A média do crescimento do PIB, nesses anos, foi de 7 % .
A média do crescimento nacional foi de 4,3%.
Imediatamente a seguir aos Açores ficaram a Região Autónoma da Madeira, o Algarve, o Alentejo e o Centro, respectivamente com crescimentos médios de 6,8%, 6,7%, 4,5% e 4,4%.
Mais ainda, em termos reais, em volume de crescimento, os Açores tiveram o segundo maior crescimento do país, com 2,9%, contra o crescimento real médio nacional de 0,7%, tendo sido apenas excedido pela Madeira, com 3,2%.
Mas onde está, então, a oportunidade perdida pelo Diário Insular naquele dia 31?
Está em ter conseguido levar, nesse dia, às páginas do jornal estes dois personagens maiores da nossa politica regional

mas, em vez de os colocar frente a frente e confrontá-los com estes e outros números e realidades reveladas por aquelas contas regionais, põe-nos, positivamente, de costas um para o outro.
Assim, oferece a Costa Neves a sua segunda página, para ele repetir, pela enésima vez, as suas lamurientes queixas contra a Inspecção Administrativa Regional e a falta de ambição do Governo Regional, quanto aos números futuros dos apoios da União Europeia.
Claro que se percebe a (anti) lógica "jornalística" do DI.
Confrontar Costa Neves com estes dados sobre o desenvolvimento económico do passado recente da Região, seria condená-lo, antecipadamente, à derrota.
O que, como é óbvio, ninguém quer.
Muito menos o Diário Insular.
Quanto a Carlos a César, o DI coloca na sua boca os números e a interpretação dos números, do Instituto Nacional de Estatística.
O que, como também é óbvio, só lhes diminui o impacto e a confiança que possam suscitar.
O que, porventura, muita gente também não que há-de querer.
Mas o DI pensa que sim.
São esses poucos que merecem a consideração do DI.
Felizardos beneficiários de uma oportunidade jornalística perdida!
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Etiquetas: jornalismo
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Como querem que eu me sinta?
Se não estou incluído nos 80 milhões, por exceder o limite dos 44 anos?
Não sou chinês, a não ser por contraposição a uns "jap’neses", que também não são do Japão?
E, se calhar, ainda me sobra menos tempo que aos responsáveis dos meios de comunicação tradicionais,
para estar à altura dos desafios que nos são colocados a todos, pelo "novo mundo" da internet?
Sim, como querem que eu me sinta?
Como é que uma simples notícia, nos pode "envelhecer" e atirar para o mundo sem esperança dos excluídos, tão súbita e definitivamente?
Que este dia morra e pereça!
Blogging craze soars for 80 million writers January 25, 2007
Blogs are set to become mainstream media with more than 80 million people aged 16 to 44 writing one.
China is the world's biggest blogging market with 25 million people writing one;
these are real challenges that brand owners and media companies must face up to
now - not in 10 years’ time."
Revolution Web Site
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segunda-feira, janeiro 29, 2007
Ainda o Aborto no Mundo (2005)
Acabei de verificar que existe um quadro muito mais actualizado sobre a legislação relativa ao aborto, nos países que fazem parte da Nações Unidas.
Trata-se do seguinte quadro, que pode ser consultado no population policies 2005 .
(pag.22 do pdf)

Vem acompanhado do seguinte texto explicativo e interpretativo:
(pag 21 do pdf).
Aí se salienta, por exemplo, que a percentagem de países que autoriza o aborto, a solicitação da mulher, se alterou de 11 para 28% e que, actualmente, é esta a legislação de 1 em cada 7, entre os chamados países desenvolvidos.

Publicada por Dsousa à(s) 10:40 da manhã 0 comentários
Etiquetas: aborto
domingo, janeiro 28, 2007
Aborto no Mundo (1999) e na Europa
Era este o quadro geral da legislação sobre o aborto no Mundo, em 1999, segundo as
Nações Unidas:
Este é o quadro da situação actual na Europa, segundo a edição portuguesa do Monde Diplomatique:
Como se pode constatar, a alteração proposta pelo referendo do próximo 11 de Fevereiro, é de colocar a questão do aborto no patamar da responsabilidade pessoal e da decisão individual da mulher.
Justifica-se este salto sobre o nível intermédio das razões de ordem económico-social em que se situam ainda o Luxemburgo, o Reino Unido e a Finlândia?
Entendo que sim.
Em primeiro lugar, porque a solução será adoptada ( se o for) por referendo.
Em segundo lugar, porque o bloqueio que actualmente se vive neste domínio, em Portugal, resulta menos da lei do que das interpretações restritivas que dela faz a classe médica portuguesa, em geral, e os seus organismos representativos.
Continuar a manter a intervenção de uma outra entidade, corria-se o risco de pouco ou nada alterar na prática.
Em terceiro, mas mais importante lugar, é que mesmo nas condições actuais, a decisão última e decisiva é a da mulher.
Para quê e porquê continuar a manter este patamar intermédio de intervenção de um "tertium quid," que, ou tem influência decisiva e, então, é apenas mais um obstáculo artificialmente criado( como ocorre agora em Portugal) ou não a tem, e é apenas um simples alibi ( como acontece em Espanha).
Tudo razões para se voltar a classificar o referendo do próximo dia 11, como um desafio de dimensões históricas.
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sexta-feira, janeiro 26, 2007
Um desafio histórico
É o que está lançado aos portugueses, no próximo dia 11 de Fevereiro, com o referendo sobre a despenalização do aborto, a solicitação da mulher.
Esta solução, segundo os dados do World abortion policies 1999 , nessa data, já se verificava em 52, do total de 193 países.
Actualmente, na Europa, esta é a solução adoptada em 16 países (Alemanha, Bélgica, França, Itália, Holanda, Dinamarca, Grécia, Áustria, Suécia, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia e Lituânia).
Esta evolução, porém, em nenhum caso, terá resultado de um processo referendário.
Com efeito, como se pode constatar deste levantamento do Senado Francês sobre a legislação e a prática do referendo na Europa e nos Estados Unidos, além de Portugal, apenas mais dois países realizaram referendos sobre o aborto, a Irlanda e a Itália.
A Irlanda, por duas vezes, em 1983 e 1992.
A Itália, em 1981.
Em ambos os países, os referendos foram exigidos e promovidos por partidos anti-aborto.
Em ambos os casos, as votações foram favoráveis a estes partidos.
Só a 11 de Fevereiro, saberemos se Portugal será a primeira excepção a estes precedentes históricos.
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quinta-feira, janeiro 25, 2007
De cortar à faca
Parece ser o ambiente que se vive nos bastidores da direita francesa, em vésperas de presidenciais.
O Primeiro Ministro quase é apupado no grupo parlamentar da maioria, que não lhe poupa as elegantes qualificações de " connard", "pauvre mec" e outras do mesmo estilo.
O Primeiro Ministro, pelo seu lado, gaba-se de "gerir o cérebro" do Presidente Chirac e de ele lhe dever as vitórias de 99 e 2005 e classifica-o de " un connard parmi d’autres".
Sarkozi, actual Ministro do Interior do Governo de Villepin e candidato designado da direita francesa, não se inibe de considerar Villepin um "salaud" que nem merece o lugar que tem ocupado na política francesa, porque nunca enfrentou o sufrágio universal.
Assim se vive o ambiente de fim de reinado nos domínios da "chiraquia".
A avaliar pelo tratamento com que mutuamente se mimoseiam os seus pricipais protagonistas, mais parece um dos subúrbios de Paris, cuja "canalha" tanta dor de cabeça deu ao primeiro polícia de França, que dá pelo nome de Sarkozi.
’’J’ai cru qu’il allait se faire lyncher.» «Son cas relève de la psychiatrie.» «Pendant qu’il parlait, on entendait des députés qui lançaient à voix haute: «connard», «pauvre mec».» Le passage de Dominique de Villepin devant le groupe UMP, la semaine dernière, restera dans les annales de l’histoire parlementaire. Jamais sous la Ve République Premier ministre en exercice n’a essuyé pareille bronca de la part des députés de la majorité. Les « godillots » d’hier se sont rebiffés. Leur demande quasi unanime : que Villepin «ferme sa gueule».
L’extravagant M. Villepin, Hervé Algalarrondo
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segunda-feira, janeiro 22, 2007
Muitas hipóteses de novidades
Poucas hipóteses de surpresas.
Poucas hipóteses de surpresas na corrida presidencial americana.
Algumas hipóteses de novidades nos resultados.
Poucas hipóteses para algum desgarrado "dark horse" irromper na corrida.
Muitas possibilidades de estreias no desenlace.
Primeira Presidente.
Primeiro Negro.
Primeiro Mórmon.
Depois do mais WASP dos presidentes,
a vitória do menos WASP dos candidatos?
Pouco provável.
De todo imprevisível.
Não de todo impossível.
“It makes it nearly impossible for a dark horse candidate to break out of the pack and challenge the front-runner(s) and thus isn’t healthy for the process,” Mr. Weaver wrote in an e-mail message on Sunday.
Rush of Entries Gives ’08 Race Early Intensity - New York Times
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Bush Linha a Linha
Bush linha a linha e nas entrelinhas
Depois deste fim de semana prolongado para o Ventilhador, voltemos ao outro singular documento, relacionado com o discurso de Bush sobre o Iraque.
A singularidade está em que, nele, se conseguem conjugar as maiores virtudes do jornalismo tradicional, com o aproveitamento inteligente e apropriado das tecnologias mais avançadas.
Não creio que esta afirmação careça de grande esforço demonstrativo, tão óbvia me parece.
O jornalismo actual, mormente o português, quase acabou com a transcrição literal das intervenções dos diferentes actores sociais, de modo especial dos actores políticos.
Os leitores, habitualmente têm de se contentar com curtos extractos das declarações e largos comentários interpretativos dos jornalistas.
Resultado: ficamos perfeitamente informados sobre o que pensa o jornalista ( que não é seguramente o que mais nos interessa nestes casos) e muito pouco sobre o que pensa e disse o verdadeiro actor social social/político.
Neste caso concreto, temos o casamento perfeito entre o melhor do antigo e do actual.
Não será caso único, sobretudo no mundo do jornalismo americano, mas parece-me suficientemente exemplar para o nosso jornalismo caseiro que bem merece uma referência.
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quarta-feira, janeiro 17, 2007
Dois Documentos Singulares
Não me parece que o passado dia 10 deste mês, em que Bush apresentou ao seu país e ao nosso mundo a sua "nova estratégia" para o Iraque, venha a ficar na História dos "States."
Apesar do título impressionante( nova estratégia) ela só impressiona porque não é nova nem é estratégia.
Mas esse dia, bem pode vir a ficar na história da comunicação política e da comunicação social dos Estados Unidos.
Novo modelo de comunicação política de uma administração com os seus administrados, creio que se pode considerar este pormenorizado painel de alteraçãos na política de Bush para o Iraque, que a própria Casa Branca distribuiu quase simultaneamente com o discurso de Bush.
Proporcionar aos americanos uma "grelha" de leitura, em que são abordadas com clareza as mudanças no pensamento do Presidente subjacentes ao seu discurso oficial, facilitando uma leitura crítica por parte de todos ( incluindo os seus opositores, claro) parece-me algo que nenhuma administração europeia pensaria fazer.
Para quem se interesse por estes temas, acho que o texto merece uma leitura atenta e uma reflexão sobre o contraste entre o "modus faciendi" americano e europeu, nomeadamente o modelo latino, de considerar a política, como a arte, não de mostrar e revelar, mas de esconder e dissimular, pressupostos e objectivos.
ERROS E CORRECÇÕES
www.ImageShack.us
Quanto ao outro documento, por hoje vou deixar apenas o link.
As consideraçõs hão-de vir depois.
Bush linha a linha e nas entrelinhas
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segunda-feira, janeiro 15, 2007
Finalmente, temos os dez maiores connosco
Quer dizer, já antes os tínhamos, mas não sabíamos.
Agora, temos e sabemos.
Vejam só o que progredimos de ontem para hoje.
Numa só noite de RTP, a superação de 9 séculos de ignorância!

São estes os dez.
E serão sempre estes e nunca outros.
RTP disse, está dito.
Perdida grande parte da sua, em tempos, poderosa influência, sobre o nosso presente,
resta-lhe esta arbitragem sobre o nosso passado histórico.
Nove séculos a apurar uma raça, um país, uma história.
E o resultado é este.
Cinco Políticos.
Dois Poetas.
Dois Navegadores
Um diplomata.
Acham políticos a mais?
Deixemos de brincar com as palavras e com a história, chamando a uns (Salazar e Álvaro Cunhal) políticos, a outros estadistas (Marquês de Pombal e Infante D. Henrique) e a outros reis( D. Afonso Henriques e D. João II).
O que os iguala a todos e os torna diferente de todos os outros é o modo como exerceram uma actividade, que dá pelo nome de política.
E por que é que o Infante D. Henrique é estadista e Oliveira Salazar, não?
E por que é que o Marquês de Pombal é estadista e Álvaro Cunhal, não?
Só não classifico o Infante como político ( se merece a classificação de estadista é porque teve actividades de carácter político) é porque penso preferível conservar-lhe a designação tradicional de "O navegador".
A mesma designação que é dada a Vasco da Gama.
Por que não?
Muitas mais considerações se podem fazer sobre estas escolhas e as exclusões que as acompanham.
Mas não será hoje.
Assinalemos apenas o equilíbrio geral das opções que seleccionaram estes dez nomes da nossa história.
Muita gente temeu que não se viesse a verificar.
Creio que sem razão.
Embora seja sempre possível enunciar inúmeras razões contra estas opções e a favor de outras.
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sexta-feira, janeiro 12, 2007
Hoje, o Presidente Bush Chorou
Como diz o New York Times
The president began crying
...
Infelizmente, não o fez por causa do Editorial do NYT sobre o seu "novo" plano para o Iraque.
Mas bem o podia ter feito.
O editorial começa assim:President Bush told Americans last night that failure in Iraq would be a disaster.
The disaster is Mr. Bush’s war, and he has already failed.
Last night was his chance to stop offering more fog and be honest with the nation, and he did not take it.Também não foi pelas reacções da maioria dos 21 senadores da Comissão do Senado que estiveram a ouvir e a inquirir Condoleezza Rice sobre aquele mesmo plano do Presidente Bush para o Iraque.
Mas bem o podia ter sido.
O presidente da Comissão resumiu assim as reacções dos senadores:
"I think what occurred here today was fairly profound, in the sense that you heard 21 members, with one or two notable exceptions, expressing outright hostility, disagreement and or overwhelming concern with the presidents proposal,"Nem sequer foi pelas reacções individuais daqueles senadores.
Mas bem o podia ter sido.
Eis exemplos de algumas delas:"dangerous foreign policy blunder,""quite possibly the greatest foreign policy mistake in the history of our nation.""Why put more American lives on the line now in the hope that this time theyll make the difficult choice?"Mas não.Não foi por nenhuma destas razões de relevância política queHoje, O presidente Bush chorou.Foi durante a cerimónia de atribuição da segunda "Medalha de Honra" desta longa e cruenta sua guerra do Iraque.Guerra, em que ele, Presidente Bush, decerto, não se sai com medalha.E é cada vez mais provável, que não venha a sair com honra.Early in the day, in an emotional ceremony at the White House, Mr. Bush awarded the Medal of Honor to the family of Cpl. Jason Dunham, a marine from Scio, N.Y., who was killed in Iraq in 2004 when he threw himself on a grenade to save the rest of his unit. The president began crying during the ceremony. It was the second Medal of Honor proceeding to come out of the Iraq war.
Bush’s Plan for Iraq Runs Into Opposition in Congress - New York Times
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quinta-feira, janeiro 11, 2007
Bush continua noutra onda
Neste dia em que Bush falou à nação americana para dizer mais do mesmo:
Mais tropas para o Iraque.
Mais guerra no Iraque.
Mais dinheiro para o Iraque.
Mais mortes no Iraque.
Menos paz no Iraque.
Neste dia, convém lembrar que há muito quem pense que, nas eleições de Novembro passado, o povo americano exigiu duas coisas que são o contrário de tudo isto.
Tropas fora do Iraque,
já.
Bush fora da Casa Branca,
quanto antes.
Resta saber como é que os Democratas navegam nesta "onda" de 7 de Novembro.
Como se fosse mesmo um ultimato do povo americano.
Ou apenas como um voto pio, para ir adiando até ao esquecimento.
Dois espectros pairam sobre os dois partidos políticos americanos.
Sobre os republicanos, o espectro de Nixon e o seu "impeachment" por mentir ao povo.
Bush também mentiu.
Sobre os democratas, o espectro de Gerald Ford, que procurou fazer esquecer a mentira e a impugnação de Nixon.
A pressão das decisões com fortes custos políticos imediatos ou a prazo podem levar os democratas a repetir o papel de Gerald Ford.
The American people spoke on Nov. 7, 2006.
Their agenda has two main prongs to it.
First: Bring the troops home from Iraq, now.
Second: Punish the liars who got us into this mess.
The people want a peace, not a troop, surge.
As Speaker of the House, Pelosi will have a solemn duty to bring Bush and Cheney, via impeachment proceedings, to the Bar of Justice. Meanwhile, in her own backyard, in San Francisco, a “Pelosi Watchdog” group, led by Code Pink’s Medea Benjamin, has been formed to support her in maintaining an agenda that is Constitutionally mandated. (10) Finally, will House Speaker Nancy Pelosi remember her populist roots from her Baltimore days or pull a Gerald Ford? (11) The jury is out.
Stay tuned for the verdict!
American Chronicle: Will Nancy Pelosi Remember Her Populist Roots?
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
O morto que todos os dias ressuscita
Foi morto à pressa.
Tão à pressa que até parece que não chegou a morrer.
Pode já não respirar.
Mas ressuscita todos os dias.
É como a própria guerra do Iraque.
Começou, quando os americanos afirmavam para todo o mundo que ela havia acabado!
Este morto "mal matado"
todos os dias
salta do armário
mal fechado
do Senhor Bush!
O problema é que não pode deixar de nos atormentar a todos nós!
E não só ao Senhor Bush!
Porque, nesta macabra história,
o senhor Bush
nos representa a todos,
no pior de tudo
que nós todos temos.
Un nuevo vídeo
del ex presidente iraquí, Sadam Husein, donde aparece cuello girado 90 grados, ha sido colgado en Internet hoy, una semana después de su ejecución el pasado 30 de diciembre
ELPAIS.com - Un nuevo vídeo muestra a Sadam con el cuello girado 90 grados - Internacional
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segunda-feira, janeiro 08, 2007
Um sonho português com raízes nas ilhas
É de propósito que uso esta terminologia "continentalizada" para lembrar aqui António Câmara que, há menos de um mês, foi premiado por estar no centro daquilo que o júri do Prémio Pessoa considerou "uma verdadeira revolução".
Revolução que, para ele próprio, António Câmara, tem um objectivo e modelo preciso.
Define-o assim

E define-o, numa página autobiográfica em que, por duas vezes, invoca a sua ligação a São Miguel.
Ao referir-se à mãe diz que "a (família) da minha mãe (é) da ilha de São Miguel, nos Açores".
E ao escolher esta fotografia, com esta legenda
O sonho que a maioria dos portugueses não se atreve sequer a sonhar e, menos ainda, a acreditar, já tem um protagonista a sonhá-lo e a realizá-lo.
É filho de uma açoriana e chama-se António Câmara.
António Câmara recebe Prémio Pessoa
António Câmara tornou-se ontem no primeiro empresário português a ser distinguido com o Prémio Pessoa, atribuído pelo semanário Expresso e pela empresa Unisys.O trabalho desenvolvido pelo professor universitário e presidente-executivo da YDreams, especializada em novas tecnologias de informação e conhecida sobretudo pelos jogos interactivos para telemóveis, foi considerado pelo júri "uma verdadeira revolução".
Jornal de Notícias - António Câmara recebe Prémio Pessoa
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quinta-feira, janeiro 04, 2007
Imagens e Fantasmas
Imagens de um mundo-cão
Imagens do meu quintal
Imagens de vida
Imagens de morte
Imagens da natureza
Imagens da sociedade
Imagens para esquecer
Imagens para recordar
Imagens de hoje
Imagens de sempre
Imagens de renovação
Imagens de degradação
Imagens de pesadelo
Imagens de sonho
Imagens de horror
Imagens de encanto
Imagens
Inimagináveis
para nos encherem
os dias
que passam
e nos atormentarem
as noites
que teimam em não passar.
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Enforcamento: apenas uma jogada política
Penso que é o pior que os americanos podiam fazer, em nome dos valores da civilização e da democracia de que se pretendem missionários e cruzados armados no Iraque.
Mas é uma explicação possível para a precipitação justiceira na execução de Saddam.
Tentar um volte-face na situação desesperada em que os americanos se encontram no Iraque, atirando como engodo político aos chiitas e ao Irão, o cadáver do odiado tirano.
A encenação que acompanhou a execução de Saddam, com a insólita troca de insultos sobre a morte por Saddam de um antigo dirigente chiita, podia fazer parte desta montagem teatral à volta deste enforcamento.
A morte-relâmpago de Saddam seria a "bomba atómica" possível para os americanos tentarem apressar o fim ou, pelo menos, alterar o panorama negativo da guerra do Iraque.E bem sabemos que esta, é não só uma tradição americana, mas uma tradição de que os americanos foram inventores e iniciadores.
affaiblir les Irakiens en exacerbant les contradictions et les différences qui opposent notamment les chiites et les sunnites et, ensuite, jeter tranquillement les bases d’un futur Etat irakien à majorité chiite pro-américain, capable d’endiguer la « menace » iranienne. Les faits pouvant participer à corroborer une telle lecture sont nombreux. Le premier d’entre eux reste bien entendu l’exécution de l’ancien maître de Baghdad qui ne peut être interprétée autrement que comme un cadeau fait par les Etats-Unis aux chiites d’Irak. L’Iran aussi a célébré sans retenue la disparition de l’ex-président irakien. Nombre d’observateurs ne s’expliquent pas non plus comment l’Iran a pu prendre ainsi le risque de s’aliéner les opinions arabes (qui sont majoritairement sunnites) au moment où il se confirme de plus en plus que leur pays - qui a actuellement le statut de puissance régionale - est dans le collimateur de Washington. Des opinions qui plus est l’ont, jusque-là, soutenu dans le bras de fer qui continue à l’opposer au Conseil de sécurité de l’ONU sur la question du nucléaire. En ce sens, l’on trouve étonnant que Téhéran - qui a habitué à être perspicace - n’ait pas prévu que sa réaction pouvait jouer en sa défaveur et peut-être ouvrir la voie à son isolement.
[ El Watan :: Dernière ]
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terça-feira, janeiro 02, 2007
Ditadores "made in America"
O meu primeiro passo na blogolândia, em 2007, tinha de ser sobre esta diferença que o ano que passou não conseguiu retirar-me, nem, da retina, as suas imagens, nem da cabeça, o contraste do seu desenlace final.
A existência de dois tipos de ditadores.
É o que os americanos acabam de tornar institucional como herança de 2006.
Os ditadores que os americanos protegeram, apoiaram, financiaram, armaram e utilizaram para defesa dos seus próprios interesses ou para exorcizar os seus próprios medos e preconceitos.
Estes ditadores conseguem morrer na cama.
Pinochet é o modelo perfeito.
Perfeição que essa proteção norte americana conseguiu levar ao extremo de o imunizar de forma a que ele fosse resistindo às malhas que o sistema judicial do seu próprio país e da comunidade internacional lhe foram tecendo.
Pinochet morreu devagar.
Pela força da lei da natureza.
Pinochet morreu impune.
Pela fraqueza da lei dos homens.
Enterrou-se sem honras de Estado,
mas com honras militares,
pela rara e pouca força,
que o Estado chileno conseguiu
ter contra ele.
E pela muita e perigosa força
que o exército chileno
continua a ter contra o Estado.
Publicada por Dsousa à(s) 1:08 da tarde 0 comentários























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