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quinta-feira, novembro 01, 2007

Milhares de anos de prisão simbólica,contra centenas de crimes de mortes reais



São os símbolos possíveis à limitada e imperfeita justiça humana.
Aliás, pensando bem, a velha lei de talião, "do olho por olho e dente por dente" também não passava de um símbolo.
Tu mataste.
Tu serás morto.
O que tenta senão repor, através do símbolo de um acto da mesma natureza, a perda irreparável e irrecuperável de uma vida?
Parece que tem de aceitar-se como consequência, que, quanto mais monstruoso e gigantescamente desumano for o crime, como são todos os crimes de terrorismo de massas, como os do 11 de Setembro e 11 de Março, cada vez mais do domínio do simbólico têm de ser as suas penas.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Estes senhores magistrados são uns brincalhões, não são?

Se tiver dúvidas e quiser ser esclarecido, é só "clicar" no título.
O esclarecimento chegará rápido ao seu computador.
Este, por exemplo, entre muitos outros:

E, já agora, a última questão: se um juiz (que há meses sabe que o CPP entrava em vigor no dia 15 de Setembro) previa que tinha de libertar alguém já sentenciado em 1ª Instância por uma questão de prazos, bastava-lhe decretar (até sábado passado) a especial complexidade do processo, alargando o prazo de dois anos e meio para três anos e quatro meses, ganhando assim 10 meses.

quarta-feira, março 14, 2007

O descrédito da justiça à portuguesa

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Há flagrantes da vida do nosso tempo que são mais instrutivos do que longos discursos, debates ou grandes discussões sobre um tema.
No caso em apreço, o flagrante é um "zaping" televisivo da noite de ontem, que me levou a um dos muitos programas das nossas televisões, com nomes bélicos (trio de ataque, no caso), e que, em sapientes grupos de três "experts," dissecam, implacavelmente, os males, passados presentes e futuros, do nosso futebol.
Na altura que entrei em "campo", Oliveira e Costa, conhecido responsável e apresentador de uma empresa de sondagens, falava de um relevante acontecimento não-desportivo que marcara a semana-desportiva anterior.
Refira-se, a talho de foice, que esta também é uma das mais notórias características do nosso inigualável mundo do desporto. As grandes questões em debate mediático no mundo do desporto raramente são de âmbito desportivo. A não ser que se circunscrevam às minudências televisivas dos erros dos árbitros contra algum dos três grandes, são declarações ou factos, que nascem nas páginas dos jornais, para nelas morrerem na semana seguinte, depois de acalorados e emocionantes duelos verbais entre personagens, que saem e entram na discussão, como actores num palco.
Mas qual era, então, o grande acontecimento que Oliveira e Costa, em cenário de fundo verde, na sua qualidade "televisiva" de sportinguista (por vezes até a gravata do "expert" também é da apropriada cor clubista) destacava na semana?
A revelação do verdadeiro "segredo de Fátima", desculpem, de um dos últimos dos grandes segredos deste transparente mundo futebolístico português.
A revelação, primeiro estampada na internet, depois com repetição exaustiva em toda a comunicação social, dos vencimentos dos jogadores do Sporting.
Sobre este facto fazia ele o seguinte raciocínio:
Em todos os tais grandes clubes portugueses de futebol, este é um segredo tão bem guardado, que, nem sequer, é do conhecimento de todos os membros das próprias direcções dos clubes.
Este segredo, até hoje mantido em inviolável reserva por todos os clubes, como é que, só no caso do Sporting, acabou nas páginas dos jornais?
Dedução de Oliveira e Costa:
Porque, em razão de um conflito, que, só indirectamente, envolveu o Sporting, mas se originou num diferendo entre um jogador do Sporting e o seu empresário, os vencimentos dos jogadores do Sporting chegaram ao conhecimento da justiça portugesa.
E esta só poude fazer aquilo que mantém como regra para todos os segredos de justiça: conseguiu fazê-los chegar à comunicação social.
Oliveira e Costa acrescentava que não tinha qualquer dado concreto, que lhe permitisse tirar esta conclusão, mas era a única que considerava plausível para o estranhno e inusitado acontecimento.
Penso que Oliveira e Costa, neste caso sem precisar de sondagens, nos fez um dos mais implacáveis e realistas retratos da imagem negativa que a justiça portuguesa tem, junto da generalidade dos portugueses.
Não só se revela incapaz de os defender, a tempo e horas, no exercício dos seus direitos, mas ainda os consegue privar daqueles que ela própria deve respeitar na sua actuação.