Mostrar mensagens com a etiqueta aborto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta aborto. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A lição Portuguesa

La leçon portugaise, Jean-Gabriel Fredet





Avortement


La leçon portugaise


La leçon portugaise, Jean-Gabriel Fredet







Já o disse e aproveito para repetir.
Há uma lição portuguesa, para a a Europa, sobre o modo de alterar, através de referendo, a legislação sobre o aborto.
O sentido dessa lição, na minha opinião, já o deixei dito em anteriores "entradas".
De França, chega-nos a ideia de serem tiradas outras lições.
É claro que, entre os derrotados do "Não", também têm aparecido tentativas de "tirar lições".
Por exemplo, alguns "cavaleiros do Apocalipse" fazem leituras tremendistas dos resultados nos Açores.
Leituras "à irlandesa".


É conversa para outra ocasião.




terça-feira, fevereiro 13, 2007

Aborto:Após o dia do Sim

Technorati tags:

Para quem, como eu, antes do referendo, escreveu sobre este tema, justificam-se algumas considerações posteriores ao dia do Sim maioritário.
A primeira delas é relembrar que a vitória do Sim, num referendo sobre a IVG, e consequente alteração da legislação em vigor, no sentido favorável à despenalização do aborto, é um caso único na Europa. Pelo menos, na Europa.

Como já salientei, todos os exemplos anteriores, dos anos 80 e 90, na Europa, resultaram de referendos promovidos pelos movimentos e partidários do Não e o seu resultado final foi-lhes sempre favorável.
A democracia portuguesa protagonizou, assim, no passado Domingo, uma dupla singularidade.
É verdade, que o faz com um grande atraso temporal sobre os restantes países da Europa, que, já há muito, alteraram a sua legislação nesta matéria.
É verdade também, que a ideia do referendo, em 1998, foi engendrada por Marcelo Rebelo de Sousa, defensor do Não, e apoiada por António Guterres, igualmente partidário do Não, mas, a sua vitória, acabou por ser temporária, e o seu efeito reduziu-se ao adiamento de alguns anos, para a entrada em vigor de legislação que correspondesse ao sentir maioritário da sociedade portuguesa.
Neste aspecto, o fadário do Não tem sido sempre o mesmo.
Correr atrás da história e das transformações exigidas pela consciência social.
A segunda consideração a fazer sobre o tema é precisamente esta.
Qualquer legislação sobre este assunto, no sentido de romper com concepções com peso de séculos, na cultura, nos comportamentos e convicções religiosas dos portugueses, mas que não fosse, previamente, submetida ao veredicto final do conjunto da sociedade portuguesa, teria sempre a ensombrá-la, na sua aceitação generalizada e, sobretudo, na sua aplicação concreta, a dúvida, que os partidários do não, infatigavelmente, não deixariam de agitar, de ela corresponder mesmo ao sentir maioritário do país.
Esta dúvida metódica deixou de ter qualquer fundamento, com os resultados do referendo.


Mais algumas breves considerações sobre o caso dos Açores, que acabei por não fazer antes do referendo.
Faço-o agora.
Pode-se dizer que tudo o que o referendo revelou era previsível.
Elevada abstenção, esmagadora vitória do Não, algum progresso do Sim.
Realisticamente, não era possível esperar resultados muito diferentes.
Para mim, porém, há, ainda, dois sinais positivos.
Só ouvi a dois abencerragens do PSD, (Álvaro Monjardino e Reis Leite), uma referência à ideia de voltar a um comportamento, por parte do PSD, semelhante ao que teve, nos anos 80, aquando da aprovação na Assembleia da República da lei actualmente em vigor.
Apelar para as "especificidades" regionais (e para os resultados regionais) para que a legislação nacional nunca fosse aplicada na Região.
Sim, convém não esquecer que, figurões como Costa Neves, que, Domingo, lembravam a sua posição favorável à manutenção da lei em vigor, nos anos oitenta, faziam parte de maiorias e governos que defendiam que, nem a lei actual, que, agora defendiam, devia ser aplicada na Região.
A tal mesma regra de correr sempre atrás da História ou, neste caso, até contra ela.
Segundo sinal positivo.
Ao contrário do que aconteceu com os governos regionais do PSD, que, promoveram, activamente, o incumprimento, na Região, da lei actual, o Presidente do Governo Regional não deixou dúvidas sobre a sua intenção de cumprir e fazer cumprir a lei que resultar deste referendo.
Trata-se, apenas, de acertar o passo com a História.
Dados os antecedentes referidos, é de sublinhar.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O blogue que incomoda Aqui e Agora

E deve incomodar muito gente,
além do Conselho Superior de Magistratura,
ao revelar consequências pouco conhecidas
da actual legislação portuguesa sobre o aborto.








Aqui e Agora



Em situações ainda menos frequentes, toda a população é chamada a pronunciar-se, em referendo.


É o que vai suceder agora com o aborto.


Em meu entender, trata-se de fazermos uma escolha.


Devemos ou não continuar a enviar a mensagem de que é proibido realizar abortos em Portugal?


Imagine-se um patrão sem escrúpulos.


Numa reunião de trabalho com outras pessoas, vira-se para uma empregada, que acaba de engravidar e dirige-lhe as seguintes palavras:- Já chegou a considerar a hipótese de abortar? Pense nisso…Este homem seria julgado em tribunal, por instigar à prática de um crime. Estaria a sugerir a prática do crime de aborto.


Numa sala de aula, um professor conversa com uma aluna adolescente grávida:- Já reflectiste sobre se a manutenção da tua gravidez vai ou não prejudicar os estudos?


Também ele seria arguido num processo-crime. E expulso da escola, em processo disciplinar.


Caso o aborto seja liberalizado, poderão ser efectuadas todas estas sugestões, conselhos e recomendações.


A mulher é livre de abortar. Todos podem aconselhá-la, tentar convencê-la e induzi-la em qualquer sentido.
Aqui e Agora

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A pergunta de 1998 e de 2007

É verdade.
O "não" anda a tentar inventar diferenças que, até historicamente, são insustentáveis.
A resposta às mesmas perguntas não pode ter um significado em 1998 e outro em 2007.

Veja as "diferenças", claramente vistas, entre a pergunta de 1998, que era esta:





Referendo de 1998



E a pergunta do referendo de 2007, que é esta:







Referendo de 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O "Não" trapalhão

O "não" ao referendo ao aborto do próximo fim de semana, está com uma tendência manifesta para as pequenas e grandes trapalhadas.

Exemplo de pequena trapalhada pode ser esta que já anotei no Epigrama.


Exemplo de grande trapalhada é a de tentar transformar totalmente o significado do "não," entre 1998 e 2007.
Em 1998, toda a gente entendeu (quer os adeptos do "não" quer os adeptos do "sim") que a vitória do "não" à resposta à pergunta feita ( exactamente a mesma, em 98 e agora) significava a manutenção da lei sobre o aborto, vigente desde 1984.
Alguns dos defensores do "sim" entenderam tanto assim, que, mesmo sem terem sido satisfeitas as condições jurídicas de obrigatoriedade do respeito pela decisão popular, a respeitaram ao ponto de se terem sempre recusado a alterar a lei, até novo referendo sobre ela.
Com estes antecedentes bem presentes na memória de todos, a que vimos assistindo, nos últimos dias de campanha, por parte dos defensores do "não"?
À tentativa de tudo baralhar.
De tornar o "não," exactamente igual ao "sim".
De tentar convencer o eleitorado que, votando "não," podem conseguir aquilo que só o "sim" pode obter: a alteração da actual lei.
De que, afinal, o referendo não se decide, como é da sua natureza, na escolha definitiva entre o "sim" a uma pergunta, ou o seu contrário, o "não".
Contra tudo o que os defensores do "não", sempre reclamaram desde 98, afinal, o "não" não é o contrário do "sim", é o "sim" menos qualquer coisa.
Sobretudo, se esse "menos qualquer coisa", não passar de uma menos que simbólica alteração da lei.
Afinal, o "não" dos grandes princípios está pronto a negociá-los com o "sim", a troco da tentativa de pescar alguns votos no campo do "sim".
Que "não" mais trapalhão!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ainda o Aborto no Mundo (2005)

Acabei de verificar que existe um quadro muito mais actualizado sobre a legislação relativa ao aborto, nos países que fazem parte da Nações Unidas.


Trata-se do seguinte quadro, que pode ser consultado no population policies 2005 .
(pag.22 do pdf)


Image-0222


Vem acompanhado do seguinte texto explicativo e interpretativo:
(pag 21 do pdf).
Aí se salienta, por exemplo, que a percentagem de países que autoriza o aborto, a solicitação da mulher, se alterou de 11 para 28% e que, actualmente, é esta a legislação de 1 em cada 7, entre os chamados países desenvolvidos.


Image-0223

domingo, janeiro 28, 2007

Aborto no Mundo (1999) e na Europa

Era este o quadro geral da legislação sobre o aborto no Mundo, em 1999, segundo as

Nações Unidas:


















Este é o quadro da situação actual na Europa, segundo a edição portuguesa do Monde Diplomatique:















Como se pode constatar, a alteração proposta pelo referendo do próximo 11 de Fevereiro, é de colocar a questão do aborto no patamar da responsabilidade pessoal e da decisão individual da mulher.
Justifica-se este salto sobre o nível intermédio das razões de ordem económico-social em que se situam ainda o Luxemburgo, o Reino Unido e a Finlândia?
Entendo que sim.
Em primeiro lugar, porque a solução será adoptada ( se o for) por referendo.
Em segundo lugar, porque o bloqueio que actualmente se vive neste domínio, em Portugal, resulta menos da lei do que das interpretações restritivas que dela faz a classe médica portuguesa, em geral, e os seus organismos representativos.
Continuar a manter a intervenção de uma outra entidade, corria-se o risco de pouco ou nada alterar na prática.
Em terceiro, mas mais importante lugar, é que mesmo nas condições actuais, a decisão última e decisiva é a da mulher.
Para quê e porquê continuar a manter este patamar intermédio de intervenção de um "tertium quid," que, ou tem influência decisiva e, então, é apenas mais um obstáculo artificialmente criado( como ocorre agora em Portugal) ou não a tem, e é apenas um simples alibi ( como acontece em Espanha).

Tudo razões para se voltar a classificar o referendo do próximo dia 11, como um desafio de dimensões históricas.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Um desafio histórico

É o que está lançado aos portugueses, no próximo dia 11 de Fevereiro, com o referendo sobre a despenalização do aborto, a solicitação da mulher.
Esta solução, segundo os dados do World abortion policies 1999 , nessa data, já se verificava em 52, do total de 193 países.
Actualmente, na Europa, esta é a solução adoptada em 16 países (Alemanha, Bélgica, França, Itália, Holanda, Dinamarca, Grécia, Áustria, Suécia, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia e Lituânia).
Esta evolução, porém, em nenhum caso, terá resultado de um processo referendário.
Com efeito, como se pode constatar deste levantamento do Senado Francês sobre a legislação e a prática do referendo na Europa e nos Estados Unidos, além de Portugal, apenas mais dois países realizaram referendos sobre o aborto, a Irlanda e a Itália.
A Irlanda, por duas vezes, em 1983 e 1992.
A Itália, em 1981.
Em ambos os países, os referendos foram exigidos e promovidos por partidos anti-aborto.
Em ambos os casos, as votações foram favoráveis a estes partidos.
Só a 11 de Fevereiro, saberemos se Portugal será a primeira excepção a estes precedentes históricos.