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quinta-feira, abril 17, 2008

A inteligência e a coragem de unificar e reduzir

Talvez seja oportuno lembrar que,
em 1996, o primeiro governo socialista dos Açores,
tinha precisamente esta estrutura unificada,
por razões de lógica e de eficácia.
As suas designações iniciais, nos estudos prévios que me foram pedidos, eram as de
Recursos Naturais(Agricultura e Ambiente) e Recursos Humanos (Educação e Assuntos Sociais).
As designações foram alteradas para as denominações tradicionais, mas a ideia vingou.
Apenas a cedência a interesses corporativos mesquinhos e oportunistas levou, mais tarde, a enterrar a solução.
Só pode ser com satisfação,que a vejo ressurgir num governo socialista espanhol.
Espero que para vida mais longa do que aquela que, entre nós, mereceu.

Cinco caras nuevas y sin Caldera · ELPAÍS.com



Cinco caras nuevas y sin Caldera · ELPAÍS.com


Ha unificado Agricultura y Medio Ambiente, cuya titular será
Elena Espinosa, lo que ha conllevado la salida de Cristina Narbona,
titular de Medio Ambiente desde 2004. También ha unificado los
ministerios de Educación y Asuntos Sociales,
cuya titular
será la anterior responsable de Educación, Mercedes
Cabrera.

sexta-feira, novembro 16, 2007

O "lulismo" generalizado, a nova ameaça às democracias actuais ?

Y Lula se ‘comió’ a la oposición · ELPAÍS.com



Y Lula se ‘comió’ a la oposición · ELPAÍS.com



La oposición podría presentar como alternativa, dicen los
politólogos, una democracia parlamentaria, sin resquicios para
los golpes de efecto populistas, con instituciones sólidas, con
partidos fieles a sus ideologías, con poderes independientes y
bien definidos, y con una lucha sin cuartel a la corrupción y a
la violencia. Y alertan de que un país sin oposición
puede a largo plazo crear mayores riesgos que una dictadura, ya que se
desvanecen los estímulos para luchar para cambiar la
situación.



A verdade é que, a situação de oposições que não se conseguem firmar como alternativa, parece tender a generalizar-se, pelo menos, nos nossos universos políticos mais próximos.
Para já não falarmos no caso extremo da Madeira que, penso, estar mais perto do modelo venezuelano de Hugo Chavez, do que do modelo brasileiro de Lula, podemos identificar várias situações de deliquescência e anomia, aparentemente irreversível, de oposições, sem perspectivas imediatas de regresso ao poder.
En França, o sarkosismo nascente, mas que parece a caminho de romper com os equilíbrios do semi-presidencialismo do gaulismo da V República, para se impor como hegemónico durante vários anos e mandatos.
De qualquer forma, a oposição de esquerda parece tardar em reencontrar-se e a de direita está em risco de se desagregar por completo em guerras de sucessão e na reconquista de espaço político.
Em Inglaterra, o blairismo vitorioso está a ponto, até, de conseguir resolver o problema mais difícil nestas situações, que é o da sucessão. E que parece não estar resolvido, apenas por alguns erros, mais de estratégia mediática do que de estratégia política, de Gordon Brown.
Na península ibérica, em Espanha, tudo parece jogar a favor de Zapatero e do seu "zapaterismo" que vai conseguindo, em simultâneo, manter a unidade mínima interna partidária para governar e superar os obstáculos dos nacionalismos e federalismos regionais mais exacerbados da "Espanha Invertebrada".
Em Portugal, o resultado do último Congresso do PSD, oferecendo a Sócrates, na mesma bandeja, a cabeça de Santana Lopes e de Luís Filipe Meneses, não podia ser mais propício a um reinado prolongado do "socratismo".
Na Alemanha, as "grandes coligações", com os dois maiores partidos desempenhando, ao mesmo tempo, as funções de poder e oposição, também parecem ter encontrado o "abre-te sésamo" para uma prolongada permanência no poder, não apenas sem alternativa, mas também sem alternância previsível.
E nos Açores?
Valerá sequer a pena fazer a pergunta e colocar a questão?
Ainda, ontem à noite, num programa da RTP-Açores, depois de os técnicos de "clínica geral política" se esmifrarem em receitas sobre o que o novo-velhíssimo líder do PSD, Costa Neves, devia e tinha de fazer, para conseguir arrastar a sua cruz até ao calvário das eleições de 2008, um deles punha o dedo na ferida.
Acabava por dizer, embora por outras palavras, que o povo dos Açores e a sociedade açoriana ainda não queriam mudar.
E é isto mesmo que falta.
Ou parece que virá a faltar em 2008, como já faltou em 2000 e 2004.
Apesar de o PSD, em ambos os casos, se ter auto convencido e auto intoxicado com uma pretensa hora de "mudança de ciclo".
Aspiração de mudança que estava, manifestamente, presente, em 1996, quando Mota Amaral, por isto mesmo, fugiu ao confronto eleitoral.
Além disso, no caso dos Açores, e de 1996, no passado, e 2008, no futuro, constata-se também outra coincidência que, em 1996, teve importância decisiva no sentido da mudança, e que, em 2008, a pode vir a ter no sentido da continuidade.
A força política no poder em Lisboa e a sua imagem na altura das eleições regionais.
À distância, o que se pode antecipar é que, por pior que seja, não deverá ser favorável ao anémico PSD-Açores e ao seu inflado líder, doentiamente inflado, pela idade política e pelo vazio (absoluto) de ideias.





sexta-feira, novembro 02, 2007

Azares suecos com as ministras suecas

La ‘número dos’ del Gobierno sueco dimite tras ser sorprendida en estado de embriaguez · ELPAÍS.com


La ‘número dos’ del Gobierno sueco dimite tras ser sorprendida en estado de embriaguez · ELPAÍS.com



En apenas un año en el poder, el Gobierno sueco de
centro-derecha ha vivido varios escándalos políticos, que
han llevado a la dimisión de tres ministros. Las titulares de
Comercio, Maria Borelius, y Cultura, Cecilia Stegö Chilò,
dejaron el cargo unas semanas después de asumirlo por
irregularidades en su economía privada

segunda-feira, outubro 15, 2007

Estranha forma de (não) "liderar" um Congresso

Para um líder recém-eleito por sólida maioria em eleições directas, a prova do congresso ou é uma confirmação institucional clara dessa liderança ou é um fracasso.
Ou não é uma coisa nem outra.
E é um fracasso.
De qualquer forma, muito dificilmente poderá ser mais um caso a confirmar a tradição teatral de que um mau ensaio geral é prenúncio de uma boa estreia.
Este tipo de Congresso só pode servir para a consagração, institucional, orgânica, aparelhística se quiserem, do poder do líder.
Não para a diminuição ou divisão do poder com outros.
É claro que é também o momento da partilha orgânica do poder, a partir do vértice da pirâmide já encontrado, mas não para transformar o vértice da pirâmide, em simples peanha para a entronização de outros pequenos líderes secundários.
Na realidade, nada do que aconteceu no Congresso de Torres Vedras me pareceu de bom augúrio para o principal interessado, Luís Filipe Meneses.
Principalmente por culpa dele próprio.
Por sofreguidão de estreante.
Ele confirmou que as pernas lhe tremiam, quando se aprestava para o seu primeiro discurso de encerramento, mas não foi aí que o prestígio institucional da sua liderança, mais "tremida" e diminuída saíu.
Quando ele iniciou o Congresso, já levava a pena de morte institucional, suspensa da decisão sobre o centro de gravidade mediático do congresso que a comunicação social, inevitavelmente, sempre cria, em todos os congressos, e de modo particular nos do PSD que ela, comunicação social, sobretudo a televisa, dogmaticamente, decidiu que são, por definição, mediáticos.
Aos partidos em Congresso, só resta tentar aproximar esse centro mediático daquele centro que interessa ao partido.
Segundo os tropismos mais primários do monstro mediático, já se sabe o "petisco" que ele mais aprecia. O único de que se consegue mesmo alimentar.
É sempre o mesmo: o "petisco" dos problemas não resolvidos.
Pode ser apenas um, por contraposição a milhentos de outros, porventura, já resolvidos. Mas será, necessariamente, neste, em que ela centrará as sua atenções.
E qual era esse problema, no Congresso de ontem?
A liderança do Grupo Parlamentar.
Para cúmulo, todas as pistas deixadas pelo líder apontavam para a mesma pessoa, sem que ele o assumisse claramente como a sua opção, matando, no ovo, a mórbida tentação mediática.
Resultado: o problema não resolvido de Santana Lopes tornou-se no tema central e no centro de gravidade medíática do Congresso.
Não contente com isso, Meneses, em vez de fazer o que todos os líderes fazem, que é dirigir os trabalhos, em coordenação com a Mesa, fazendo avançar as intervenções de acordo com o seu impacto medíático previsível, procurou dirigi-lo do palco, num impulso irresístivel e desesperado para tentar recuperar o único "notável- baronete" do PSD, que não pudera evitar o Congresso, por não se poder furtar a dirigir a mesa.
O repto publico do líder a Manuela Ferreira Leite só podia ter um efeito inevitável: Criar mais um outro centro de gravidade, agora dentro do próprio Congresso, e transformar o líder em humilde suplicante. Tributário rejeitado de uma pessoa e das suas ideias. Nem mesmo pensando como o líder, Manuela quer estar, politicamente, comprometida com ele.

Quanto ao discurso de encerramento, foi um óptimo discurso de Congresso, mas teve o mesmo defeito da preocupação dominante das listas.
Para as listas dos órgãos do PSD, o critério prevalecente não pareceu ser um qualquer critério político de renovação, competência ou adequação geográfica ou estratégica que se esperaria, mas o critério arqueológico de recuperação de todos os fantasmas políticos do PSD, desde a mais remota origem, vivos ou mortos, com longo ou curto passado, pessoal político ou partidário.
O discurso obedeceu a idêntica preocupação de tocar em tudo e para todos.Foi muito enciclopédico, mas pouco definidor. Muito abrangente, mas pouco clarificador. Muito de plateia e muito pouco de gabinete de estudos. Foi muito um pontapé de saida simbólico e muito pouco a primeira jogada do início de um verdadeiro desafio.
Resta-me uma pergunta de açoriano?
Com este líder estará o PSD português condenado a repetir o percurso do PSD-Açores? Cada vez mais, um partido para dividir com outro, o PS nomeadamente, os dois níveis de poder do país? Para ele, o poder autárquico. Para o outro, de momento o PS, o poder nacional?
Para um líder que acha que o PS detesta as autarquias e odeia as regiãos, poderia ser um forçado tratado de "tordesilhas,"mas pode ser também, uma consoladora ou paliativa compensação.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Costa Neves, mais longe e diferente de João Jardim do que seria necessário e útil ao PSD-Açores. Carlos César, mais semelhante e perto de João Jardim do que seria vantajoso e desejável, à imagem continental da autonomia dos Açores.

É evidente que me refiro, neste título, aos ecos nos OCS do continente, da actuação de um e outro, em níveis e âmbitos diferentes.
Costa Neves, no nível e âmbito partidário, no decurso das peripécias e do resultado das eleições directas do líder do PSD.
Carlos César, nas declarações prestadas e exploradas pelos OCS do continente na sua deslocação à Madeira, no âmbito da reunião das RUP.
Por hoje, falemos só de Costa Neves.
Muitos se recordarão que, na burocrática e "vexata" questão do pagamento das quotas dos militantes do PSD, Açores e Madeira partiam em situação semelhante: com divergências astronómicas entre o número de militantes-votantes apresentados pelas duas candidaturas. Creio mesmo que a situação da Madeira foi a primeira a surgir na comunicação social e, por isso, eu próprio me ter feito eco dela nesta entrada.
O que é certo é que, provávelmente, ninguém se recordará de como é que a questão foi resolvida na Madeira. Eu, pelo menos não me recordo. De qualquer maneira, foi resolvida "à João Jardim".
Como não era assunto que desse boa publicidade e imagem, foi resolvido discretamente, com um qualquer compromisso de bastidores ou mesmo com ordens expressas nesse sentido.
Com Costa Neves, ao contrário, foi resolvido de forma a fazer ressaltar aos olhos da opinião pública as maiores maleitas políticas que, desde sempre, caracterizam a prática pseudo autonomista do PSD-Açores, em termos partidários e de Região.
Incapaz de formular, (ou de impor a formulação) da sua verdadeira concepção da autonomia regional e, agora, partidária, ao nível dos textos legislativos (constitucionais e estatutários, no caso da Região e estatutários, no presente caso do partido), mas agindo na prática e procurando transmitir a falsa imagem de uma cobertura legislativa que, de facto, não existe.
Trata-se de uma autonomia em descarado e macaqueado "trompe l'oeil" que , há demasiados anos, vem prejudicando e dificultando o caminho para a superação dos impasses, em que a autonomia regional, revisão após revisão constitucional e revisão após revisão estatutária, se tem visto enredada (inextrincavelmente enredada).
Costa Neves, em todo este imbróglio da quotas nos Açores, tudo o que conseguiu foi mostrar que o PSD-Açores não sabe ser autonomista onde devia sê-lo, nos Estatutos Regionais do Partido que estabelecem o princípio do pagamento de quotas por todos os militantes, e finge ser autonomista naquilo que, em democracia, não pode sê-lo, defendendo uma prática anti-estatutária.

segunda-feira, setembro 24, 2007

A segunda vez como caricatura da primeira



A grande aposta do PSD, nas eleições directas para a liderança, que ora decorrem em 2007, era conseguir, com estes dois candidatos MM (Mendes e Meneses), para o partido e para a dinâmica política geral do país, o quase milagre da multiplicação da dinamização interna e do interesse da sociedade, que os candidatos AS( Alegre e Sócrates) conseguiram, para o PS, nas directas de 2004.
Seria o sonho da ante-câmara do poder, obtido na sombra e no rasto do sucesso do adversário.
Mas o que se sonhava repetição saiu caricatura.
E, dificilmente, poderia ser de outra maneira.
As chamadas eleições directas dos líderes, sempre muito reclamadas e propagandeadas como panaceia para vários males dos partidos e do sistema partidário, também podem transformar-se em mais um factor da sua degradação.
Tudo depende dos candidatos em confronto.
Toda a gente tem de reconhecer que os actuais dois candidatos do PSD estão a léguas, como personalidades e características de liderança, de Alegre e de Sócrates.
Por isso mesmo, só os podiam repetir como caricatura.
Por isso mesmo, tudo aquilo em que tocam, estragam.
Debates, ideias, métodos, questões internas, questões nacionais, passado pessoal e partidário, futuro partidário e nacional, etc., etc. etc.; tudo estragado pelo imbecil campeonato "de quem é mais incoerente e há mais tempo", com que os dois contendores tem entretido um país entediado e distante dessas bizantinas questiúnculas.
É que as directas são excelentes para fazer ressaltar as qualidades ou méritos dos candidatos ou dos partidos, mas não as criam e só as ampliam se elas já existem previamente. E são, igualmente, implacáveis a fazer ressaltar as insuficiências e limitações.
Quem, nos Açores, tenha assistido ao espectáculo de degradação contínua e, aparentemente irreversível, do PSD-Açores, com estas directas, está a assistir à sua "reprise" no continente.





sexta-feira, agosto 03, 2007

António Costa continua a surpreender





E os mais surpreendidos parecem ser aqueles que, teoricamente, deviam estar mais receptivos ao espírito de ruptura com o passado e mudança: os jornalistas e os "neo-independentes" (Carmona e Helena Roseta), que se apresentaram como os novos rostos para uma nova política na capital e no país.
Afinal, é António Costa que aparece a protagonizar os primeiros passos efectivos nesse rumo e sentido.
Escolheu o caminho mais difícil. O da audácia política e do afrontamento directo dos preconceitos mais radicados e das soluções mais inesperadas.
Juntar, à volta de opções claras, abertas e pormenorizadas, o partido do poder no país e o mais encarniçado modelo de contra-poder, tem algo da magia da verdadeira política no sentido mais radical do termo.


Se conseguir traduzir para o dia a dia da autarquia este rumo, quase se pode considerar premonitória esta foto da tomada de posse que o jornal Publico, muito provavelmente, pretendeu que fosse precisamente o contrário: inscrever o seu nome no quadro histórico dos grandes nomes da Câmara de Lisboa.



António Costa conciliador mas determinado na tomada de posse 02.08.2007, Ricardo Dias Felner Perante a hostilidade manifestada por alguns vereadores, o novo presidente da autarquia respondeu com beijos, abraços e diálogo

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

quarta-feira, agosto 01, 2007

Jardim, o Charrua da Madeira?; Ou Charrua, o João Jardim do Norte? Em qualquer caso, ambos do PSD e ambos a caminho do arquivamento.

Jardim foi intitulado pelo jornal espanhol El Mundo como "o professor português do insulto".

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

domingo, abril 29, 2007

De folhetim em folhetim até São Bento


Assim desejava o Gonçalo, Gonçalinho, Gonçalão da "Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queirós, o percurso da sua vida - da literatura nacionalista à política - de que, os acasos da permanente arrumação/desarrumação das prateleiras da minha biblioteca, me levou à releitura recente de algumas páginas.
Assim também chegaram, anteontem, a São Bento os previsíveis e previstos principais protagonistas do debate mensal na Assembleia da República.
O Primeiro Ministro, na sua estreia depois do desgaste do folhetim mediático da sua sinuosa licenciatura em Engenharia.
O líder da oposição, sob a constante ameaça de mais um arguido na interminável colecção de aprendizes de mafioso, em que parece estar transformada a lista dos membros do PSD na Câmara de Lisboa; depois das suas folhetinescas reviravoltas no caso OTA, e dos lancinantes gritos a rebate contra os governamentais assaltos à liberdade de imprensa, de que o PSD gosta de se reservar o rigoroso exclusivo.


E ainda, como terceiro personagem, Paulo Portas, o líder auto-entronizado da "outra" verdadeira oposição a Sócrates (o que quer que isto seja, só ele próprio o saberál), recém regressado do treino contra Sócrates no seu "putching-ball" privativo em que conseguiu transformar Ribeiro e Castro.


Digamos que, do ponto de vista das vitórias ou derrotas mediáticas, que sempre são estes embates mensais,
(mais até do que debates mensais),
nenhum destes protagonistas esteve além das expectativas criadas, mas os dois líderes das duas oposições (a oposição real que temos, a de Marques Mendes; e a oposição virtual que Paulo Portas nos promete) estiveram muito aquém do que seria desejável, previsível ou mesmo prometido.


Pelo lado de Marques Mendes, a derrota foi total.
Continuou a preferir "voar baixinho" pelos temas, já mais que explorados, da OTA e da saúde.
Com a OTA, não se livrou mesmo de se ver reduzido à caricatura mais própria da "contra-informação,"do que do debate políitco, que Sócrates conseguiu traçar do seu comportamento errático, que despreza os estudos de trinta anos sobre o assunto, para se contentar com visitas de turismo político, aos locais do "sim" e do "não" á OTA.
Mas a sua mais flagrante falha foi a de ter deixado cair o tema quente do celebrado discurso do porta-voz do seu partido na sessão do 25 de Abril.
Foi necessário Sócrates desafiá-lo, à queima-roupa, para o tema, fazendo-o, assim, passar de possível feroz acusador, no tom do discurso anterior dele próprio e do seu partido, a frágil e remisso acusado, balbuciando explicações e justificações.
É claro que o tema não passa de mais um dos muitos "blufs" mediáticos em que o PSD de Marques Mendes se tem vindo a enredar.
Daí a sua opção inicial de evitá-lo.
E assim acabou mais um dos seus repetidos insucessos nestes recontros mensais.
Quanto a Paulo Portas manteve-se no seu estilo habitual de fazer debate político na Assembleia, tal como fazia jornalismo no "Independente".
Ou seja, fiando-se no pressuposto jornalístico, de que trazer um assunto para a primeira página é que lhe dá importância.
Foi o que, manifestamente, tentou fazer no único tema de política geral que decidiu abordar.


Um tema claramente de simples importância política marginal, como foi o novo critério de actuação pedagógica em relação às faltas injustificadas no projectado estatuto dos alunos.
Para quem acabava de travar uma fragorosa batalha dentro do seu partido, para procriar uma nova oposição e um novo partido, esteve mais perto do modelo de Ribeiro e Castro, nas suas frouxas aparições televisivas, do que do revolucionário de peito ao léu, em que se tentou metamorfosear para as rerfregas partidárias internas.
O problema é que, desde sempre, génio para destruir nunca lhe faltou.
Dentro do seu partido e nos partidos dos outros.
Paciência e capacidade para recriar e substituir com melhorias, o que destruiu, é que continua sem acertar.
E não vai ser com a sua requentada proposta de transformar o actual modelo de solene debate mensal com o Primeiro Ministro, numa corriqueira sessão semanal de perguntas, que Paulo Portas vai alterar, nem o sucesso habitual de Sócrates nestes confrontos, nem os rumos da oposição ou da política portuguesa.

terça-feira, abril 17, 2007

O dia D e o Dia H português






É verdade, este bizarro país europeu pode estar a viver, hoje, como habitualmente sem disso ter consciência, e em simultâneo, o "seu" dia D e o seu dia H.
Este último vive-o, como todos os europeus, na memória magoada e envergonhada daqueles auto-intitulados mais caucasianos de todos os caucasianos, mais europeus de todos os europeus
( tão europeus que até eram arianos)
(tão arianos que até eram hitlerianos)
terem levado ao extremo potencial, a inteligência técnica europeia de produzir em série.
De produzir em série a morte,
como em série produz a técnica europeia vacinas para a vida, automóveis para as autoestradas
(por sinal, duas invenções também arianas, ou até mesmo hitlerianas)
ou farinhas para animais
(umas, já contaminadas à saída da fábrica; outras, nem tanto).




O dia D pode vir a estar a vivê-lo, na sentença que a Universidade Independente parece estar a reservar para esta tarde, para o seu primeiro ministro.
Como assim?





Sócrates aguardou aquelas mais de duas semanas, para falar a respeito do seu azarado diploma, sobretudo, por duas razões
(para além da razão oficial de aguardar a decisão do Ministro Mariano Gago sobre a Independente)
Em primeiro lugar, esperando que tivesse chegado ao fim, o tempo de exploração mediática e jornalística sobre o aparecimento de novos papéis comprometedores retirados da arca encoirada da sua licenciatura.
Em segundo lugar, aguardando a hora em que a exploração política deste caso já não tivesse espaço nem sentido.
Com os dados públicos até hoje existentes sobre o mofino tema, e apesar dos esforços de alguns jornalistas e quejandos, para acrescentarem mais algumas revelações de menor monta e fundamento, o seu cálculo mostrou-se correcto.
E Marques Mendes também mostrou, à sua custa, que não havia "engenharia" possível que permitisse à oposição "pescar" nestas águas.
Mas o aparecimento de novos dados, que, directa ou indirectamente, envolvam o nome de Sócrates pode levar ao renascimento de todo este embróglio desde a sua raiz mais apodrecida e envenenada.
É que a situação tornou-se, realmente explosiva, para Sócrates, em dois sentidos.
Num deles, porque o futuro da Universidade Independente está nas mãos de Sócrates, através da decisão do seu Ministro sobre o seu encerramento definitivo ou não.
E qualquer que ela seja
(neste momento só o encerramento parece fazer sentido)
sempre pode ser arremessada contra Sócrates.
Ou por excesso de rigor
(vingança)
ou por excesso de benevolência
(negócio obscuro ou medo)
No outro, na circunstância de o futuro político de Sócrates estar nas mãos das revelações, já ditas explosivas, daquela mesma Universidade.
Conseguirão os novos "papeis" da Independente invadir, de novo, as praias da "normandia" da política portuguesa?
Aguardemos.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Duas Receitas para os Males da América

A receita de Bush:
mudar as outras democracias
ou mudar as democracias dos outros.
Agora chama-lhe:
"Diplomacia Transformacional".
Resumidamente, consiste em juntar,
em camadas sucessivas,
um militar e um diplomata,
um diplomata e um militar.
A outra receita não tem nome pomposo nem promotor oficial.
Resume-se a um velho ditado:
Médico, cura-te a ti próprio
.





La nouvelle doctrine de Bush, François Schlosser


La nouvelle doctrine de Bush.
L’Amérique de Bush ne pouvait pas en rester à ses terribles échecs en Afghanistan et en Irak. Les tapis de bombes ne suffisent pas pour transformer en démocratie un pays dictatorial ou un Etat failli. Il fallait changer de méthode et diversifier les actions destinées à rendre le monde meilleur.
Une nouvelle stratégie a été élaborée à Washington et les instruments bureaucratiques de sa mise en oeuvre sont déjà créés.
Il s’agit de promouvoir une « diplomatie transformationnelle » dont la mission sera de « stabiliser et de reconstruire » les Etats.
La nouvelle doctrine de Bush, François Schlosser



Cindy Sheehan, en guerre pour la paix, Jean-Gabriel Fredet
- Les Américains s’intéressent très peu à ce qui se passe hors de leurs frontières.
Demandez-leur de quel pays Paris est la capitale, très peu vous répondront.
Quand je leur parlais de la mort de mon fils cinq jours après son arrivée dans la guerre, beaucoup me disaient :
«La guerre, mais quelle guerre? Le Vietnam?»
Cela peut vous choquer mais, malgré le nombre de morts, beaucoup d’Américains ont eu du mal à réaliser que leur pays était en guerre
Cindy Sheehan, en guerre pour la paix, Jean-Gabriel Fredet

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

França: A escolha entre dois modelos FEMININOS do exercício do poder?

LASTAMPA.it

Francese di ferro perché paragonato a Margaret Thatcher (la «Iron lady», la dama di ferro
LASTAMPA.it



Será mesmo este, o curioso e original dilema para as próximas presidenciais em França?
Pelo menos, tal é a leitura da batalha presidencial francesa vista de Itália.
De um lado, Sarkózy, o "francês de ferro," na peúgada do modelo inglês da "dama de ferro".
Do outro, Ségolene Royal, tentando abrir o seu difícil caminho, entre os chamados "elefantes" do PSF, desgastados na imagem e na doutrina, e o esquerdismo gratuíto da "esquerda muito parisiense e muito caviar"!
Curioso ainda o retrato-síntese que o biógrafo italiano de Sarkózy, nos traça do seu biografado: