terça-feira, fevereiro 06, 2007

O "Não" trapalhão

O "não" ao referendo ao aborto do próximo fim de semana, está com uma tendência manifesta para as pequenas e grandes trapalhadas.

Exemplo de pequena trapalhada pode ser esta que já anotei no Epigrama.


Exemplo de grande trapalhada é a de tentar transformar totalmente o significado do "não," entre 1998 e 2007.
Em 1998, toda a gente entendeu (quer os adeptos do "não" quer os adeptos do "sim") que a vitória do "não" à resposta à pergunta feita ( exactamente a mesma, em 98 e agora) significava a manutenção da lei sobre o aborto, vigente desde 1984.
Alguns dos defensores do "sim" entenderam tanto assim, que, mesmo sem terem sido satisfeitas as condições jurídicas de obrigatoriedade do respeito pela decisão popular, a respeitaram ao ponto de se terem sempre recusado a alterar a lei, até novo referendo sobre ela.
Com estes antecedentes bem presentes na memória de todos, a que vimos assistindo, nos últimos dias de campanha, por parte dos defensores do "não"?
À tentativa de tudo baralhar.
De tornar o "não," exactamente igual ao "sim".
De tentar convencer o eleitorado que, votando "não," podem conseguir aquilo que só o "sim" pode obter: a alteração da actual lei.
De que, afinal, o referendo não se decide, como é da sua natureza, na escolha definitiva entre o "sim" a uma pergunta, ou o seu contrário, o "não".
Contra tudo o que os defensores do "não", sempre reclamaram desde 98, afinal, o "não" não é o contrário do "sim", é o "sim" menos qualquer coisa.
Sobretudo, se esse "menos qualquer coisa", não passar de uma menos que simbólica alteração da lei.
Afinal, o "não" dos grandes princípios está pronto a negociá-los com o "sim", a troco da tentativa de pescar alguns votos no campo do "sim".
Que "não" mais trapalhão!

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