segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ser Europeu




Ser europeu é preferir:


As catedrais às pirâmides;
Bruges a Quioto;
o mar Egeu às Caraíbas;
o sentido estético ao sentido prático;
as interrogações às certezas;
o cepticismo ao fanatismo;
a dissidência à ortodoxia;
a liberdade às verdades;
a sabedoria ao saber;
a síntese à retórica;
as palavras às estatísticas;
a imprensa à televisão;
a literatura à tecnocracia;
o indivíduo às massas;
a lucidez da razão às profecias sem razão;
as heranças aos testamentos;
as memórias dispersas à memória única;
a diversidade à uniformização;
o valor dos homens ao valor do dinheiro;
a visão de conjunto à visão parcelar;
a inquietação ao optimismo;
o sonho à diversão;
a contradição ao apaziguamento;
os cafés e esplanadas aos bancos e seguradoras;
o curso do Danúbio ao curso do Amazonas;
Porto­fino a Acapulco;
Santorini a Punta del Este;
o lago Cuomo ao lago Titicaca;
a Grécia de Péricles à China da dinastia Han;
o império Austro-Húngaro à Turquia dos sultanatos;
a Roma imperial ao Japão dos samurais;
o Spectator ao New Yorker;
o vinho à Coca-Cola;
Margaret Thatcher a Indira Gandhi;
De Chirico e Delvaux a Portinari e Andy Warhol;
Fellini e Truffaut a Spilberg e Tarantino;
Malaparte e Yourcenar a John dos Passos e Kawabata;
Mouzinho de Albuquerque a Pancho Vila;
Garibaldi a Sun-Yat-Sen;
Marco Aurélio a Confúcio;
por fim,
uma noção equilibrada do tempo,
nem estática nem acelerada.

Numa palavra, a história da Europa à história universal.

Abril 2002

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