sexta-feira, junho 02, 2006

"Corporações" Profissionais que Aprendem Depressa

... e corporações profissionais que não esquecem, nem aprendem, nem mudam.



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Dei comigo, ontem , a dividir as nossas organizações que representam a sociedade civil portuguesa (sindicatos e organizações patronais), nessas duas clássicas categorias, depois de ouvir um representante da FENPROF a barafustar argumentos contra a Ministra da Educação, nos seguintes termos:




  • A Ministra da Educação ofendeu todos os professores porque disse que os professores são responsáveis pelos insucessos do sistema escolar. E, como prova, leu o título de um jornal.
    Quem, nos dias jornalísticos que correm, utiliza o título de um jornal para prova de qualquer afirmação, de quem quer que seja, pretende enganar quem?
    Só se é a si próprio que, provavelmente, nada esqueceu, nada aprendeu e vive num mundo qualquer à parte.
    O mundo sindical, por exemplo.
    Provavelmente, um dos poucos "mundos", em Portugal, em que nada mudou nos últimos vinte ou trinta anos.
    Nem sequer os slogans das bandeiras das manifestações, que se podem considerar o equivalente sindical dos títulos dos jornais.
    Não existem para reproduzir a realidade, mas para mobilizar as pessoas.
    Como os títulos de jornais, que obedecem ao propósito, (compreensível, diga-se) não de resumir ou reproduzir o que as pessoas tenham dito, mas de "mobilizar" os leitores à compra e leitura do jornal.
    Esta característica do jornalismo actual é mais um defeito do que uma virtude?
    Também assim penso. Mas é um facto que não se pode fingir ignorar.


  • Acrescentava o mesmo arguto dirigente sindical, no sentido de agravar as malfeitorias da senhora Ministra:
    Só apresentou o novo Estatuto da Carreira docente, no mês de Maio. E quer negociá-lo em quatro meses.
    E, mais argutamente ainda, inculpava: Na realidade, serão reduzidos a dois, porque os outros dois coincidem com as férias escolares.
    Até ouvir este sindicalíssimo argumento sobre as férias escolares, julgava que a última classe que considerava as suas "preciosas" férias como um direito não só "adquirido", mas sagrado e eterno, eram os senhores juízes.
    Enganei-me.
    Os senhores dirigentes sindicais da FENPROF, também acham que não podem "sacrificar" as suas merecidas férias para negociarem o Estatuto dos professores.
    É claro que se percebe a lógica, sindicalmente adjacente ou subjacente, ao argumento das sacras férias governamentalmente violadas.
    O lamento sindical é porque, durante as férias, não podem contar com a dedicação docente dos seus sindicalizados para contribuirem, com a ameaça de mais umas greves, para "melhorarem" o insucesso escolar, o sistema de ensino e os critérios de avaliação dos professores.

  • A este propósito ainda, de (nada) aprender de novo, de (nada) esquecer de velho e de (nada) mudar para se adaptar, termino com a citação do historiador que ontem referi: Eric Hobsbawm:


Diz ele, ao analisar o comportamento dos sindicatos mineiros britânicos nos anos 80:
(Era) "patente que as ilusões de uma liderança extremista, baseada na retórica do militantismo e na tradicional recusa por parte dos sindicatos de retirar a meio da batalha, estava a conduzir a organização dos mineiros e as comunidades a que estes pertenciam a um desastre previsível".
Não parece ser outra coisa, o que aguarda a FENPROF:
O desastre previsível.


E quanto "às corporações" que já aprenderam à sua custa?
Aceitam-se palpites.
Em qualquer caso, elas hão-de aparecer por aqui, em próximas entradas.
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