
Esta é a perspectiva da revista espanhola "Cambio 16" de 15 de Agosto (número ainda não disponível na Internet) sobre as mudanças políticas na Galiza com as recentes eleições, que derrotaram Fraga Iribarne e retiraram o PP do seu último grande reduto eleitoral nas comunidades autónomas espanholas.
A esta derrota da velhice "vital e política" não é alheia, seguramente, a mudança previsível do discurso e das perspectivas das correntes chamadas "nacionalistas" em Espanha e que, em português, designariamos por regionalistas.
Exemplo flagrante é a seguinte passagem do discurso do Vice-Presidente do novo Governo da Galiza, Anxo Quintana, representante do "Bloco Nacionalista Galego" (BNG) :
"Galicia comparte con Euskadi y Cataluña las dimensiones identitárias, pero tambiém con Andalucia y otras comunidades la necessidad de solidaridad territorial (...).
Por eso, defendré siempre una via em que la identidad no ponga limites a la solidaridad".
A este caminho, assente nestes pilares, da identidade e diversidade e da solidariedade e coesão, chama ele "una tercera via".
Sobre este caminho para a Galiza não posso fazer mais do que registá-lo.
Sobre este caminho para os Açores e para as autonomias insulares, já posso fazer mais do que isto. Compete-me considerá-lo, sob esta ou outra designação, a via real para o sucesso da nossa autonomia.
sexta-feira, agosto 19, 2005
A senectude vital e política perde...na Galiza
Publicada por Dsousa à(s) 2:30 p.m. 0 comentários
quinta-feira, agosto 18, 2005
É possivel chegar até às raízes?

Daniel Barenboim, o grande chefe de orquestra, que dedica uma parte importante da sua vida a manter e a dirigir a West-Eastern Divan Orchestra constituída por 80 elementos de todas as origens étnicas e culturais como judeus, palestinianos, andaluzes e outros, acha que sim.
Acha que é possível vencer as barreiras da ideologia e da história, proporcionando às pessoas encontrarem-se para além de todas as divisões. E para além de todas as decisões políticas, mesmo aquelas que mais parecem surgidas do impasse e do desespero, do que de qualquer programa de paz, longamente preparado e publicitado, como é a decisão israelita de retirar dos colonatos da faixa de Gaza, a que estamos assistindo por estes dias.
Mesmo que seja, como solução global, uma visão com uma "saudável" dose de utopia, é sensato ouvi-lo. Diz ele:
" Je n'ai jamais voulu rencontrer Yasser Arafat " dit Barenboïm. " Malgré un certain nombre d'invitations, j'ai préféré me rendre là où les hommes ont des échanges qui dépassent l'idéologie. Là où l'esprit de la paix entre Palestiniens et Juifs souffle déjà : dans les hôpitaux de Ramallah, dans les universités, dans le monde de la musique. C'est là que les solutions pacifiques pour le Proche-Orient trouvent leurs racines. C'est là que de grandes parties des peuples palestinien et israélien devancent les hommes politiques - parce qu'ils agissent avec logique, sens pratique et l'intelligence de leur cœur. Des qualités que Yasser Arafat avait malheureusement perdues de vue. Des qualités que l'Europe - tout particulièrement elle - devrait maintenant ramener dans cette région en crise. "
Só esperamos que o concerto que a West-Eastern Orchestra vai realizar em Ramallah e que vai ser transmitido pelo canal ARTE e pela France Inter, no próximo domingo, dia 21, seja, pelo menos, tão importante e simbólico, como a retirada israelita dos colonatos.
Publicada por Dsousa à(s) 11:00 a.m. 0 comentários
quarta-feira, agosto 17, 2005
Fazer Como o Eusébio
Continuar a reflectir.
Seguem alguns motes, para ajudar à reflexão.
"A capital alemã é o oposto da austríaca. Na metrópole dos Habsburgos celebra-se a veneração e a tradição. Com um imperador ancião, aparentemente imortal, a nação celebra a senioridade. Jornais apregoam medicamentos para fazer crescer a barba - imperioso aparentar experiência e maturidade".
"Não é com as ideias dos nossos avós, que vamos suscitar o entusiasmo dos nossos filhos".
"No início da tua carreira, não te poupes nem a longas horas de reflexão nem aos mais rudes esforços. Também não tomes iniciativas, se não tiveres a certeza de ter bom êxito. Tão brilhante quando te estreias como em qualquer outra coisa: uma vez conquistada a fama, mesmo os teus erros serão títulos de glória".
"Se te empurrarem para um empreendimento de que tens poucas possibilidades de sair ileso, mostra a melhor boa vontade, prepara-te ostensivamente, mas ao mesmo tempo procura referir a propósito de tudo e de nada os obstáculos que desde logo se apresentam. Terás assim tempo para imaginar as disposições de defesa que melhor te convém tomar".
"Não imagines que foram as tuas qualidades pessoais e o teu talento que te conseguiram um cargo. Se julgas que vais obtê-lo pela simples razão que és o mais competente, não passas de um tolo. Pensa que se prefere sempre confiar um cargo importante a um incapaz a dá-lo a um homem que o merece. Age, pois, como se apenas desejasses dever as tuas funções e as tuas prerrogativas à benevolência do teu senhor."
Publicada por Dsousa à(s) 3:13 p.m. 0 comentários
sábado, agosto 06, 2005
Autonomias Portuguesas e "Café" Espanhol
O editorial da revista espanhola Cambio 16 do passado dia 25 de Julho, é dedicado às perspectivas sobre a "refundação do Estado" que está em curso, nesta altura, em Espanha, com as revisões estatutárias da maior parte das "Comunidades Autónomas", particularmente, dos Estatutos das "Comunidades" históricas, como Catalunha, País Basco, Galiza, e outras mais.
Em relação ao futuro, considera-se, nesse editorial, que "no es nenhum secreto que avanzamos hacia um modelo federal de Estado y, además, contamos com las herramientas legales y legítimas para ello. Dónde está el problema?"
E acrescenta-se:"Se hace absolutamente necesario sosegar este debate, tranquilizar los ánimos y templar los nervios para construir um novo edificio en el que merezca pena vivir".
Em relação ao passado do actual modelo espanhol do "Estado das Autonomias" considera-se que " se los legisladores constituyentes hubiessem tenido la misma mentalidad de los que hoy clamam por la España una, grande y libre, bajo un mismo dios y una única bandera, la Constituición de 1978 jamás habria visto la luz. Sin embargo, fué el espíritu de cambio, de diálogo y de consenso el que hizo possible el Estado de las Autonomias, un café para todos que todos bebimos y que a todos nos dejó insatisfechos".
Penso que é este "café espanhol", que já não se aplica ao caso das autonomias portuguesas.
Não significa isto que o "café" das autonomias portuguesas tenha sido panaceia ( ou "mézinha") universal, tomada por todos os portugueses e agradado, sequer, a todos os açorianos.
Mas contam-se pelos dedos, por dois dedos "públicos" mais rigorosamente, aqueles teóricos ou políticos insulares que defendam um modelo federal para a evolução futura das autonomias insulares.
E nos dois casos que tenho em mente, ambos através de uma solução disfarçadamente regionalista e nominalista.
Explico-me.
Num destes casos, reclama-se a consagração da definição do Estado português como regional, em vez de unitário.
Para a outra visão, entende-se que as regiões é que devem ser designadas por "Estados Regionais", funcionando os Estatutos como suas verdadeiras constituições.
Bem sei que estou reduzindo ao seu mais elementar esqueleto teórico estas duas concepções , mas tenho a certeza que não as estou caricaturando apenas.
Quando está em curso uma importante revisão estatutária na Região; quando, há muitos anos, defendo que o modelo autonómico português consagrado na Constituição de 76 e elaborado segundo o modelo italiano ( infelizmente naquilo que ele tinha de menos eficaz e claro para as regiões) deveria dar o salto para se aproximar do modelo espanhol, desejo deixar claro que se tratou sempre do modelo da Constituição espanhola de 78.
Também penso que este modelo está a "romper-se" pelas costuras, em Espanha. O que não acontece de forma nenhuma, na minha maneira de ver, no caso portugês.
Não tenho dúvida que o federalismo é o modelo de "autonomia" para regiões ricas e quase auto-suficientes como a Catalunha, por exemplo. E que a autonomia é o "federalismo" possível para regiões pobres e dependentes.
Estes serão temas para retomar e desenvolver daqui por algum tempo. Por agora, contento-me com esta "proclamação", a encerrar por alguns dias, estes bate-papos de Ovent(ilha)dor.
Até breve! Vou ali. E já volto!
Publicada por Dsousa à(s) 11:01 a.m. 0 comentários
quinta-feira, agosto 04, 2005
Finalmente, a extrema esquerda útil a reconstruir e não apenas eficaz a destruir?
Segundo a perspectiva do Courrier Internacional esta seria uma das possíveis consequências das próximas eleições gerais de Setembro, na Alemanha.
É caso para aguardar com compreensível expectativa, não pelo conteúdo das propostas dessa "altergauche", que são do maior primarismo político, mas por duas circunstâncias absolutamente novas, que tornam único o caso alemão. A saber: A cisão no SPD e as sementes de renovação política, que possam surgir dos destroços da Alemanha de Leste.
Entretanto, O SPD parece manter-se firme e esperançado na linha de reformas difíceis que encetou. A avaliar pelas declarações de Klaus Brander do SPD e especialista em questões laborais, ao Deutsche Welle : "Talvez ( o eleitores) não estejam preparados e talvez seja preciso passar por experiências ainda mais duras, mas, falando francamente, depois é preciso se conformar. Eu acredito que seria fatal para o SPD pensar que agora é necesário fazer uma mudança de rumo. É preciso ter a sensibilidade de perceber onde há injustiças e ter a coragem de corrigir. Eu desaconselharia uma mudança nas atuais diretrizes. Não aposto neste caminho. Em seu âmago, este país é forte. Só que está passando por uma fase de total insegurança. Eu acho que devemos ver o lado positivo. No fundo, as pessoas estão preparadas para aceitar as mudanças".
Entretanto, acrescenta uma observação, que me parece útil salientar:
"Mudanças nas regras de garantia de emprego não contribuem para a criação de novos postos de trabalho. Não existe nenhuma comprovação científica de que a rigidez na garantia de emprego iniba a criação de novos empregos".
Publicada por Dsousa à(s) 10:08 a.m. 0 comentários
terça-feira, agosto 02, 2005
Na Hora dos(novos) retornados

Entre acordes de violinos
( os cinco do Sporting
e “os” dos concertos de Chopin)
regressar também é o mote.
Num verão ameno, cabe uma amena entrevista de Santana. Verdadeiramente, de novo, ele, nada, tem a dizer. Como nunca teve. Mas descobre sempre um tema de sensação. Desta vez, entendeu revelar-nos aquilo que não é. E aquilo de que não gosta. Sobretudo, aquilo que não gosta que digam que ele é.
Assim, diz-nos que:
Não gosta de casa própria,
Mas não descuida renda
De casa alheia.
Embora o persiga a imagem contrária.
Que além de não ter casa própria,
Não gosta de pagar renda de casa alheia.
Não gosta de jantares de smoking,
Embora não se livre da imagem inversa.
Situação perversa,
Ganha em sete anos
De fazer vida com Cinha
E com sina
De fazer o contrário
Do que nos quer forçar
A acreditar, agora.
Não gosta de Soares,
Ou do que Soares pode vir a ser.
Não gosta de Cavaco,
Ou do que ele sempre foi.
Não gosta de Marcelo,
Ou do que ele sempre diz.
Nunca gostou de Balsemão,
Único a quem sempre disse não.
Não está morto.
Como se comprova pela fotos,
Que acompanham a entrevista.
Não pela entrevista,
Que é pretexto
Para as fotos.
Não perdeu nenhuma esperança.
Nem a de ser,
De novo,
Primeiro,
No país.
E primeiro,
No partido.
Embora tenha perdido
Os hábitos,
Em que foi
Único.
No partido
E no país.
Usar pulseira
Como talismã.
E falar sempre,
No PPD/PSD,
Como refrão.
Não fez voto de pobreza,
Mas é como se fizesse.
Nasceu e cresceu pobre,
E pobre, morrer
Lhe apetece.
Agora, aos cinquenta,
Não tem casa,
Não tem carro.
Só não morre à fome,
Mas não tem nada.
Não fez voto de castidade,
Mas é como se o fizesse:
Não tem mulher,
Mas tem casos.
Não é casto,
Nem é cauto.
Não fez voto de silêncio,
Mas é como se o fizesse.
Para o fim da vida,
O seu sonho é o nirvana,
Não conquistado ao Tibete,
Mas urbano ou suburbano,
Como quem mergulha,
Ao fim de semana,
Numa das sete piscinas
Que vai inaugurar
Em Monsanto.
Por agora,
No verão,
Vai dando entrevista,
De salão.
Enquanto espera
Por um programa
Que, da televisão,
Como sempre
E para sempre,
O restitua
À nação.
Publicada por Dsousa à(s) 9:32 a.m. 0 comentários
sábado, julho 30, 2005
O Eusébio vai regressar ao futebol?
Também não lhe perguntei se... e se...e se...
Na verdade, a hora não é para perguntas. É para aceitações, convictas ou resignadas.
Se o Eusébio, já foi o que foi, antes de arrumar as botas, que razão é que há para duvidar que ele continue a ser o que foi, depois de voltar a "desarrumá-las"?
Nenhuma razão, objetiva e cientificamente demonstrável.
Quanto a mim...estou de regresso... ao Ventilhador.
Para continuar. Com esta intermitência própria destes tempos de verão.
Publicada por Dsousa à(s) 4:26 p.m. 0 comentários
quarta-feira, julho 20, 2005
quatro homens para uma página, ou para uma época ?

"O caldeirão da sua (de Bruno Vespa) carreira foi o 20º aniversário do pontificado de João Paulo II, na noite de 13 de Outubro de 1998. Está apresentar um número especial do "Porta a Porta". Nos sofás estão sentados cardeais, actores, tenores. De repente, o palco é colocado em ligação telefónica com o Papa, em directo. O soberano pontífice agradece a Vespa a honra que lhe está a dar. O apresentador finge-se surpreendido e derrama uma lágrima - nunca esteve tão perto do paraíso. Mais tarde descobre-se que tudo tinha sido combinado com o Vaticano."

(Tema e conteúdos baseados na página "em foco" da ed.port. do Courrier Internacional. nº15)
Publicada por Dsousa à(s) 9:10 a.m. 0 comentários
segunda-feira, julho 18, 2005
# 1 Julho, mês de muitos folhetins históricos?
É possível que ainda venha a retomar, neste blogue, alguma destas datas ou todas elas.
Para maior equilíbrio de perspectivas vou-me socorrer do testemunho de duas escolas históricas diferentes.
"Dans la nuit du 13 au 14, tout Paris illuminé par instruction du Comité, entend circuler les premiéres patrouiles du nouvel ordre social. La Garde nationale est née.
A l’aube du 14, l’émeute se rend maîtresse de l’Hôtel des Invalides, oú elle trouve trente-deux mille fusils; c’est aussi pour y chercher des armes qu’elle pense ensuite à la Bastille. Mais cette admirable intuition collective est aussi d’un tout autre ordre: il n’y a pas de meilleur symbole de l’ennemi que la prison légendaire qui barre de ses huit grosses tours l’entrée du faubourg Saint-Antoine. La fin de ce monstrueux anachronisme urbain, politique et humain, doit marquer comme naturellement l’avènement de la liberté.
Publicada por Dsousa à(s) 11:05 p.m. 0 comentários
# 2 Julho, mês de muitos folhetins históricos?
O povo (estava) de sobreaviso contra os planos aristocráticos de envio de tropas para Paris e incitaram-no a pegar em armas.(…) As multidões lançaram-se pelas ruas em busca de armas, que encontraram no Hôtel de Ville e no Hôtel des Invalides.
No dia 14 de Julho convergiram para a Bastilha, no Faubourg Saint-Antoine, onde se julgava haver armas e se suspeitava ser o baluarte donde as tropas reais atacariam, estando para tanto os canhões apontados para as ruas. Entrando em pânico, a pequena guarnição abriu fogo. Furiosa, a multidão, acompanhada por soldados rebeldes com artilharia, obrigou o governador De Launay a render-se e matou-o. «E uma revolta!», declarou o rei. «Sire», retorquiu -lhe um cortesão, «não é uma revolta, é uma revolução.» A queda da Bastilha teve importantes consequências. O rei tinha perdido o controlo de Paris. Paralelamente, o corpo de eleitores que escolhera os representantes de Paris, e que continuara a reunir-se desde então, rejeitou as autoridades da cidade e autoproclamou-se conselho municipal, ou Comuna. Criou uma milícia, a Guarda Nacional, no sentido de resistir a possíveis conspirações aristocráticas e de controlar os excessos populares. O seu comandante passou a ser Lafayette; a sua insígnia, a faixa tricolor. Surgiram por toda a França órgãos similares que destituíram as antigas autoridades".
Publicada por Dsousa à(s) 11:15 a.m. 0 comentários
sexta-feira, julho 15, 2005
Eis a Grandes Festas do Divino

Disse a “Santa Isabel” do século XXI,
sob o poético disfarce de mordoma e política atitude de Presidente da Camara, em rodagem de pré-campanha:
Meu povo Rei e Senhor, estas são as AS GRANDES FESTAS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO DE PONTA DELGADA.
E mais digo, meu povo Rei e Senhor, são grandes no nome, porque, na nossa sociedade da maior ilha açoriana, a grandeza de alguém ou alguma coisa deve começar na grandeza do nome.
São GRANDES, estas festas, porque representam uma tradição única. No mundo.
Não é o existir durante longos anos que as faz tradição, é o morrer, ritualmente de 20 em 20 anos.
Quem, nos Açores ou fora deles, se pode orgulhar de uma tradição como esta?
No ressuscitar é que está a sua força como tradição. Sem esta ressurreição, toda a nossa fé na grandeza destas festas seria vã.
São Grandes, meu povo Rei e Senhor, porque não podem deixar de ser grandes, feitas no maior concelho, que tem a maior cidade, da maior ilha dos Açores, só tem de ser, só podem ser GRANDEEEEEEES.!
As maiores, entre as GRANDES.
Até porque a sua medida de aferição não está em qualquer das outras oito pequenas ilhas dos Açores, mas no coração da GRANDE diáspora açoriana de Fall River.
São Grandes, meu povo Rei e Senhor, porque o homem, que mais luz faz brilhar sobre as maiores festas religiosas dos Açores, se encarregará, mais uma vez, de fazer luz sobre o assunto, dislatando solenemente:
"As maiores festas religiosas dos Açores são as festas de Santo Cristo e as maiores festas profanas dos Açores são as GRANDES festas do divino Espírito Santo de Ponta Delgada".
E mais podia ter acrescentado, meu povo Rei e Senhor: "Só nos falta ganhar o título das maiores festas do Carnaval, das Grandes Festas do Carnaval de Ponta Delgada".
Mas lá chegaremos.
Talvez, iluminando as “limas” de parafina da batalha das limas da terça-feira de Carnaval!
Além disso, nessas matérias, a RTP-Açores não dorme, está sempre pronta a dar dimensão açoriana a tudo o que tenha a medida da Avenida marginal de Ponta Delgada.
Mais ainda, a imaginação popular, num dos carros desta GRANDE festa , já se encarregou de introduzir, na própria GRANDE festa do Divino, a sua caricatura carnavalesca, com uma representação mecânica, em marionetes, de uma "folia".
Surpreendeu tudo e todos. Siderou o apresentador popular da televisão e o comentador erudito, que acabavam de garantir a genuinidade e autenticidade de toda aquela encenação.
Mas deu a nota justa, aquele carro.
Um dos poucos elementos autênticos daquele desfile de encenações foram as “folias”.
Mas num cortejo, que era, todo ele, um “pastiche, aquilo que era autêntico também tinha de ter, incluído no desfile, o seu próprio “pastiche.”
Note-se que, a encenação, tomada e aceite como tal, não tem grande mal.
O mal está em encenar a genuinidade e a autenticidade, com uma Presidente da Câmara, que se disfarça de mordoma e uma chefe de gabinete, que se disfarça de coordenadora e uma chusma de políticos de várias funções e calibres, mas todos da mesma cor política, se mascaram de devotos em procissão ou de membros de júri em tribunal.
Este júri é mais uma nota de falsificação. Nada, mais escandalosamente contra o sentido autêntico de uma festividade do Espírito Santo, que traduz a utopia da igualdade entre todos, do que um júri para contabilizar e premiar as diferenças!
O que menos faltam nos Açores são Câmaras que promovem festas, procissões e bodos, em cumprimento de promessas e votos.
O que não tínhamos ainda era uma Câmara que encenasse os votos, as promessas e as procissões que, com vera e genuína autenticidade, se realizam nas freguesias do seu concelho.
Passamos a ter.
A empresa de produção de eventos da dita Câmara não se chama “Anima”?
E, neste caso, não animou?
Quem?
O povo?
Claro que não.
As imagens da televisão não enganaram ninguém sobre a ausência de povo, neste “pastiche” do Espírito Santo. Ele, que nunca falta, nas autênticas manifestações do divino.
Mas animou a Câmara e sua Presidente e demais corte. Não é para isso mesmo que ela existe?
Já que parecem ter perdido, em definitivo, todos eles, a capacidade de ser povo e de estar com ele e de tê-lo consigo, mascaram-se de povo, simulando os actos do povo, que já não são.
Publicada por Dsousa à(s) 12:15 p.m. 0 comentários
quinta-feira, julho 14, 2005
A ANGRA-PATRIMÓNIO MUNDIAL

Em dois textos anteriores, referi-me à homepage do “World Heritage Comittee” sobre a “central Zone of theTown of Angra do Heroísmo in the Azores” referindo alguns erros elementares no seu conteúdo.
Alguns, revelando inesperadas falhas de apresentação.
Outros, dificilmente compreensíveis imprecisões e desactualizações de informação.
Na altura, nem me dei ao trabalho de explicitá-los. Tão óbvios me parecem.
Tenho porém, eco de terem ficado dúvidas na mente de algumas pessoas, sobre o bem-fundado da minhas observações.
Por isto mesmo, volto ao assunto.
Mas também, porque, durante esta semana, decorre a 29ª sessão plenária do “World Heritage Comittee”.
Iniciou-se, em Durban, na África do Sul, no passado dia 10 e prolonga-se até 17.
Mas voltemos às deficiências da “homepage”.
A primeira, surpreendente, mas que salta à vista, é a referência, em francês, a “Region Autonome des Açores”, no texto da versão inglesa. É um deslize que não consegui detectar em nenhuma outra homepage, das que fui visitando, ao acaso.
Os outros dois são:
A localização indefinida de Angra “in the Azores archipelago” e não na Ilha Terceira.
Mesmo admitindo que nenhuma das indicações devesse figurar sozinha,no mínimo, requeria-se a informação completa, tendo em vista quem acede, na esmagadora maioria dos casos pela primeira vez, a esta informação.
A exactidão da informação requeria a sua localização rigorosa, na ilha Terceira, nos Açores.
Mas a informação mais anacrónica e desajustada, no tempo e na realidade, é a que indica a “ "Central Zone of the town of Angra do Heroísmo in the Azores ( também este título se pode considerar incompleto) como estando a ser reconstruída ("being restored", e "en cours de restauration"). Agora.
Até se fica com a impressão que, os responsáveis do Comité, nunca mais se ocuparam com Angra, depois da sua classificação em 1983.
Mas não. Não é este o caso.
Angra foi objecto das atenções do plenário do “Comité”, por duas vezes, pelo menos.
Em 1998 e em 1999.
É o que veremos, em próxima oportunidade.
Publicada por Dsousa à(s) 1:45 a.m. 0 comentários
terça-feira, julho 12, 2005
As Cores Revelam ou

Nestes dois exemplos, servem para esconder.
No primeiro, servem, à natureza, para esconder o mortífero peixe escorpião. De que até possuímos uma variante azorica.
No segundo, esta colorida combinação, surgida no acaso de uma etapa do "Tour", esconde o conflito que, em breve, vai desfazer este aparente arco-íris de harmonia.
A propósito da cor, talvez seja oportuno recordar algumas noções básicas da Física sobre a cor e a sua percepção.
Por exemplo, esta: "No processo aditivo de formação de cor, o olho humano não consegue diferenciar componentes e sim a cor resultante; diferentemente do ouvido que consegue distinguir, por exemplo, dois instrumentos diferentes tocados simultaneamente".
Quem estiver interessado no tema pode encontrar aqui estes e outros interessantes aspectos.
Publicada por Dsousa à(s) 7:46 a.m. 0 comentários
segunda-feira, julho 11, 2005
A sabedoria de krishna contra as calinadas de João jardim

Como é possível que estes milhares de indianos se acotevelem para festejar o Deus Krishna, em imperturbável indiferança, perante os insultos de João Jardim, contra chineses e indianos?
Como sempre, no fundo, contra tudo o que, no universo, não caiba no pequeno mundo do PSD-Madeira. Um anacrónico Peppone que sobrevive, prisioneiro do seu "Mondo Piccolo", em que parece condenado a vegetar, rodeado da sua corte de indefectíveis, até ao fim dos seus dias políticos.
Portugal sentiu-se insultado, temendo pelo seu bom nome junto da China milenar.
O Embaixador chinês, diplomaticamente, reduziu o insulto às dimensões estivais dos "arrotos" de Jardim.
Os indianos, por sua vez, nem pestanejaram. E continuam voltados para Krishna. Àquela caravana, dos latidos estivais, nem eco.
Publicada por Dsousa à(s) 8:56 a.m. 0 comentários
domingo, julho 10, 2005
Subtis questões de escala

Sempre desconfiei que o golf era um desporto de elites, em qualquer planeta.
Em compensação, por força de uma qualquer regra de equilíbrio entre espécies afins, há seres humanos, que, no nosso planeta, se ocupam de tarefas, que os elevam a grandes alturas...na escala zoológica.
Há ainda outros, que, não sendo considerados terroristas, deixam os locais que atacam na hora da diversão, em pior estado do que os locais, oficialmente, destinados a recolher o lixo da espécie mais infatigavelmente poluidora de todo o universo.
Ou para se divertir.
No século,
que acabou de morrer.
Ou no século,
que acaba de nascer.
O ser humano,
que se preza
de o ser.
Por obrigação,
Ou por prazer.
Nunca hesita,
Para viver
Ou conviver,
- onde diz ir
para se divertir-
E sempre deixa
a peugada
da sua cultura
de poluir por poluir.
Publicada por Dsousa à(s) 8:52 a.m. 0 comentários
sábado, julho 09, 2005
Gente que resiste com lágrimas
Gente que chora mas resiste
Gente que sofre mas continua
Gente que atacada persiste
Gente, que faz mais um dia
daquele que podia ter sido
o seu último dia.
Foi em Londres,
numa manhã de terror.
O trânsito parou.
Mas,
nem o sinal verde
a sua cor
mudou.
O terror passou pela ilha,
Mas a ilha continua.
Na rua.
A vida na ilha continua
porque é sua
a rua.
O povo sofreu e chorou
na ilha.
Mas na rua
continua
a partilha
da vida
na ilha
que é sua.
Publicada por Dsousa à(s) 8:55 a.m. 0 comentários
quinta-feira, julho 07, 2005
# 3 Os "Oásis" de Roberto
Publicada por Dsousa à(s) 2:00 p.m. 0 comentários
quarta-feira, julho 06, 2005
DE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

#02 Poesia Errante Para um Planeta Enfermo
Infatigável
O progresso não recua.
Já transformou esta rua
em buraco.
E o progresso continua.
Vai abrir neste buraco
outra rua.
Afinal, da nova rua,
o progresso vai compor
Outro buraco.
Publicada por Dsousa à(s) 10:05 a.m. 0 comentários
DE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

#01 Poesia Errante Para um Planeta Enfermo
...onde quer que a valia
valha mais do que a vida
(...)A neve foi malfeita, não se faz neve
como em filmes e gravuras.
E me dói a cabeça, diz alguém.
E a minha também, e o mal-estar me invade o corpo.
Desculpem se vomito à vista de pessoas tão distintas.
Envenenada morre a flor-de-outubro
no canteiro onde o branco
deixa uma escura marca de gordura.
………………………..
Estranha neve:
espuma, espuma apenas
que o vento espalha, bolha em baile no ar,
vinda do Tietê alvoroçado ao abrir de comportas,
espuma de dodecilbenzeno irredutível,
emergindo das águas profanadas do rio-bandeirante, hoje rio-despejo
de mil imundícies do progresso.
Pesadelo? Sinal dos tempos?
Jeito novo de punir cidades, pois a Bíblia
esgotou os castigos de água e fogo?
Entre flocos de espuma detergente
vão se findar os dias lentamente
de pecadores e não-pecadores,
se pecado é viver entre rios sem peixe
e chaminés sem filtro e monstrimultinacionais,
onde quer que a valia
valha mais do que a vida?
Minha Santana pobre de Parnaíba
meu dorido Bom Jesus de Pirapora,
meu infecto Anhambi de glória morta,
fostes os chamados
não para anunciar uma outra luz do dia,
mas o branco sinistro, o negro branco,
o branco sepultura do que é cor, perfume
e graça de viver, enquanto vida
ou memória de vida se consente
neste planeta enfermo.
Publicada por Dsousa à(s) 9:52 a.m. 0 comentários
terça-feira, julho 05, 2005
# 2 Os "Oásis" do Roberto


"Escrevia cartas para casa, quase diariamente, e a sua vida estava toda nessas cartas;
tudo o resto lhe pareciam ser apenas acontecimentos sombrios e sem significado, etapas indiferentes, como as das horas num mostrador de relógio.
Mas quando escrevia, sentia em si qualquer coisa de diferente, de exclusivo.
Do mar das sensações insípidas que o envolvia em indiferença no dia-a-dia, nascia nele qualquer coisa como uma ilha cheia de sóis e cores maravilhosas.
E quando, no decorrer do dia, nos jogos ou nas aulas, se lembrava de que à noite iria escrever a sua carta, era como se tivesse uma chave de ouro escondida e presa a uma corrente invisível, com a qual, quando ninguém o visse, abriria o portão de jardins de maravilha."
Publicada por Dsousa à(s) 4:50 p.m. 0 comentários











