terça-feira, julho 31, 2007

sexta-feira, julho 27, 2007

Manda o bom-senso que os candidatos a líder do PSD, ao menos, tentem evitar as mesmas explicações ridículas em que já caiu o actual líder.

 

Sobre a polémica em torno da aplicação da lei do aborto, Menezes defendeu que esta deve ser aplicada em todo o território, Madeira incluída, sendo que, defendeu, "manda o bom senso que haja uma compensação financeira para que ela possa ser aplicada".

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

segunda-feira, julho 23, 2007

Mala de cartão, provavelmente não tem. Mas mala com muitos cartões, bem podia ter.


Por favor, não façam da minha vida um romance. Não sou como a Linda de Suza e a sua mala de cartão", disse ela em Junho à Le Point. "Quanto mais tentam tornar romanesca a minha vida, mais legitimidade me tiram", disse à Nouvel Observateur.

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

O fundo da divergência está em saber quem deve ajuizar da ofensa.

Os jornalistas acham que deve ser o jornalista-ofensor.
O responsável da ERC acha que deve ser o leitor-ofendido.
Eu também acho que só pode ser este último, embora com limitações que evitem cair-se nos exageros exactamente contrários àqueles que, hoje, os OCS cometem. 

Trata-se do reconhecimento de uma margem de cidadania que protege, em condições de eficácia, alguém que, sem ser um ser hiper-sensível, considera que a sua reputação e boa fama foi atingida",

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

quarta-feira, julho 18, 2007

Mais um aviso para os "destemidos" defensores da Portela+1



O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse que o maior problema do Aeroporto de Congonhas não está relacionado à infra-estrutura ou ao congestionamento de vôos.  O problema é a cidade, que engoliu o aeroporto. Não foram respeitadas as distância de segurança em torno do dele  disse.


Source: Especialistas avaliam as causas do acidente - O Globo Online

segunda-feira, julho 16, 2007

Noite muito má também para o jornalista do respeitável"Público" começar a aprender a escrever em português.

30 por centos, ninguém saberá bem o que é.
De Mendes e Portas, qual deles é que "não vai esquecer tão depressa"?
Ou "não vão" esquecer os dois?
Seria o que o senhor jornalista queria dizer, mas não disse, por não saber "português" suficiente para isso?
Se Carmona e Roseta foram "as outras estrelas," afinal, quem foi ou foram "as não-outras estrelas"?
 Ao fim e ao cabo, ainda parece ter havido  muitas "estrelas," em noite de tantas trevas... jornalísticas!
 

O PS ganhou todas freguesias, mas não chegou aos 30 por centos. Carmona e Roseta foram as outras estrelas de uma noite que, de tão má, Mendes e Portas não vai esquecer tão depressa

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

sábado, julho 14, 2007

Felizmente, há sempre um "ilustre" constitucionalista de serviço, ao serviço de todas as aberrações autonomistas de Jardim.

 

Diferente é a posição do constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, em cujo parecer o governo regional se fundamentou para tomar a polémica decisão politica, conforme revelou Jardim Ramos. Segundo Bacelar Gouveia, estando o serviço de saúde regionalizado, a Madeira pode legislar em termos de protecção e de saúde, e não aplicar a lei que permite a interrupção voluntária da gravidez.

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

quarta-feira, julho 11, 2007

Finalmente, um "Carmona" acima de toda a suspeita?

 

Le problème de cette démarche, c'est qu'en matière de santé publique, tout comme en démocratie, il n'y a rien de pire que d'ignorer la science, ou d'en marginaliser l'expression pour des raisons dépendant de l'orientation politicienne. Le rôle du chirurgien général est d'être le médecin du pays, pas celui d'un parti politique", a-t-il ajouté.

Source: Le Monde.fr : La Une en 8 clics

sábado, julho 07, 2007

Mais uma experiência do "socialismo num só país"?

As anteriores experiências históricas, na Rússia, em Cuba , na China, não deixaram boas recordações!
Terá o "petro-socialismo" melhor sorte?
É muito duvidoso, mas nada se perde em ir acompanhando o fenómeno!

terça-feira, julho 03, 2007

Entre o J J e o J B



É entre estes dois personagens madeirenses,
que parece acomodar-se refém a vida pública e mediática deste Portugal-Século-XXI.
O JJ, por achar que nunca tem dinheiro suficiente para as suas fantasias autonómicas,
atravanca-nos a História com eleições extemporâneas, que ameaçam mudar tudo menos ele e acabam por (parecer) mudar a ele (tudo) e ao resto nada;
com arrotos mediáticos, que, pela sua repetição já começam a ter quase sabor de agradecimento a quem lhe vem dando de comer;
com revisões estatutárias novas que já nascem velhas e ameaças de revisões constitucionais futuras para tentar retocar o seu sótão de teias de aranhas de ideias de um antiquíssimo passado.
O JB, por parecer achar que tem dinheiro a mais e poder a menos, usa o dinheiro como arma de arremesso contra todos os poderes que pareçam debilitados, o Estado português na Cultura, o Mega Ferreira no Centro Cultural de Belém, o Jardim Gonçalves (mais um madeirense!) no BCP, O Luis Filipe Vieira no Benfica, a Sogrape nos vinhos, etc. etc.
Tenho de reconhecer que me incomoda muito mais o JJ que o JB.
É que eu sei que o JJ tem sido, e promete continuar a ser, um obstáculo à renovação da imagem e do conteúdo das autonomias insulares.
JB, pelo seu lado, bem pode ser o agente da destruição renovadora que o nosso capitalismo convencional e domesticado está necessitando, para se actualizar e revelar a sua verdadeira face.
E deixar, definitivamente, de parecer, apenas, uma outra forma de trabalhar por conta de outrém.

A despropósito das Eleições em Lisboa (I)



E mostrava os altos da cidade, os velhos outeiros da Graça e da Penha, com o seu casario escorregando pelas en­costas ressequidas e tisnadas do sol.
No cimo assentavam pesadamente os conventos, as igrejas, as atarracadas viven­das eclesiásticas, lembrando o frade pingue e pachorrento, beatas de mantilha! tardes de procissão, irmandades de opa atulhando os adros, erva-doce juncando as ruas, tremoço e fava-rica apregoada às esquinas, e foguetes no ar em louvor de Jesus.
Mais alto ainda, recortando no radiante azul a miséria da sua muralha, era o Castelo, sórdido e tarimbeiro, donde outrora, ao som do hino tocado em fagotes, descia a tropa de calça branca a fazer a bernarda!
E abrigados por ele, no es­curo bairro de S. Vicente e da Sé, os palacetes decrépitos, com vistas saudosas para a barra, enormes brasões nas paredes rachadas, onde, entre a maledicência, a devoção e a bisca, arrasta os seus derradeiros dias, caquética e caturra, a velha Lisboa fidalga!

segunda-feira, junho 25, 2007

DN Online: Ali, o Químico, vai para a forca sem remorsos

DN Online: Ali, o Químico, vai para a forca sem remorsos:
"'Obrigado, meu Deus, por eu ser executado em nome do corajoso exército iraquiano.
Longa vida ao Iraque.
Longa vida ao exército iraquiano.'"




O que a história recordará?
A bela frase ou as más acções?
Uma frase ou 180.000 curdos mortos?
Uma frase teatral,
no fim da sua vida?
Ou muitas acções de morte,
no decurso de toda ela?
Espera-se que a História,
continue a não ter
critérios de telejornal.
Assim, de certeza,
uma só bela frase
toda uma vida má
nunca mais apagará!

domingo, junho 24, 2007

sexta-feira, junho 22, 2007

Um ludista no sec. XXI

 

Andrew Keen vs. a Internet

Citações do autor de The Cult of the Amateur:

"Em vez de criar obras-primas, estes milhões e milhões de macacos exuberantes - muitos sem mais talento criativo que os nossos primos do reino animal - estão a criar uma infinita floresta digital de mediocridade."

"[A Wikipedia ou o Digg] são muito perigosos [porque são alimentados por] activistas da Internet que nos estão a roubar a nossa cultura."

"Os blogues (...) minaram o nosso sentido do que é verdadeiro e falso, do que é real ou imaginário. Hoje em dia, os miúdos já não sabem a diferença entre notícias credíveis de jornalistas profissionais e o que lêem em ZeNinguem.blogspot.com."

"Da mesma forma que nem toda a gente deve ser médico ou professor ou astronauta, nem toda a gente devia ser autor. A maior parte das pessoas não tem nada de interessante para dizer."

"Seríamos mais pobres se, em vez de 70 milhões de blogues, não tivessemos nenhum? Por outras palavras, o que é que os blogues têm feito pela civilização?"

Source: EDIÇÃO IMPRESSA

terça-feira, junho 12, 2007

Estou como o Lino

É verdade.

De repente.
Eu, com os meus blogues,
fiquei como o Lino
com a sua OTA.
Cansei-me
de martelar
a mesma nota.

Vou suspender
esta rota.
Aterrar
noutra margem.
Empurrar outra porta.

Tanto mais
que ninguém nota,
nem se importa.
Não há, aqui à volta,
qualquer Portela
em risco de exceder
a quota
dela.


Seis meses
devem chegar
para saber
(em definitivo,
e sem engano)
se o ventilhador
e o epigrama
me deixam dor.
Ou são apenas
cinza
sem chama
ou ardor.

Por brio,
por convicto brio,
vou manter
o Álamo Esguio.
Prolongá-lo mesmo
com outras
variantes.
E continuar
a esvaziar
(talvez a encher,
quem sabe!)
algumas estantes.

Deixo aí, o tempo marcado
para eventual regresso.
Até lá!
Internauta,
aqui passante.
É só um instante.
Breve.
Incerto.
Como a vida,
para aquém
ou
Para além da net.


Myspace Countdown Clocks at WishAFriend.com

terça-feira, junho 05, 2007

Afinal, o que se ganha com este tipo de "independentes"?

A substituição dos desentendimentos, profundos ou superficiais, de conteúdo ou de forma, de estrutura ou de conjuntura, de aparelho ou de personalidades, que, habitualmente, impedem as coligações entre partidos, como acaba de acontecer em Lisboa com as tentativas, mais simuladas que reais, de reconstituição da coligação do PS com o PC/ BE, pelo vago e indefinido "encontro de vontades que não foi possível"?

Que adianta isso, se, no caso concreto das eleições intercalares de Lisboa, Helena Roseta e Sá Fernandes, podendo embora aspirar a chegar também a outras franjas eleitorais, têm como seu terreno comum de disputa eleitoral, o eleitorado não-comunista da esquerda do PS?
Até podem ambos querer "afirmar-se" contra o PS, mas parece claro que só o podem fazer "firmando-se" no mesmo eleitorado.
Com a circunstância de o eleitorado "natural" do PS, que poderia estar agastado com o anterior PS, conotado com a actual gestão da Câmara de Lisboa, se deve ter esfumado com o tipo de lista apresentada pelo PS, quase tão distante da de Carrilho como as da própria Helena Roseta e Sá Fernandes.
Nesta cosmética eleitoral, quer o PS quer o PSD, não deixaram de ser eficazes, embora com modelos diferentes.
E a candidatura do próprio Carmona fez o resto. Eles aí estão todos juntos (Carmona e os seus vereadores "arguidos"), para assacarem com a totalidade das responsabilidades dos incomensuráveis erros da sua gestão da Câmara de Lisboa.

Miguel Portas tinha comentado minutos antes o falhado acordo entre a candidatura de Sá Fernandes e a candidatura independente da ex-militante socialista. "Em Lisboa dissemos, a quem tinha de saber, que não colocaríamos obstáculos ou condicionantes de natureza partidária a um entendimento entre José Sá Fernandes e Helena Roseta", afirmou, explicando que "o encontro de vontades não foi possível".

Source: Gmail - PUBLICO PLUS - Última Hora

quarta-feira, maio 30, 2007

As cadeiras vazias do dia da Região




Haverá alguma razão para que, nas imagens televisivas da transmissão em directo da cerimónia oficial das comemorações do dia da Região, na passada segunda-feira, as imagens que nunca mais se vão apagar da memória visual dos teleespectadores, sejam as da imensidão de cadeiras vazias, que ressaltavam em qualquer panorâmica do recinto preparado para o acontecimento?
Claro que há uma razão.
A mesma razão que faz com que, do recente Congresso do CDS/PP, por mais artifícios de comunicação de Paulo Portas, as imagens que hão-de marcar para sempre aquele Congresso, serão as da quantidade esmagadora de cadeiras vazias a reduzir a zero, o número, já escasso, de delegados presentes.
A mesma razão que leva a que se arraste, há mais de meia dúzia de anos, a decisão sobre a transmissão televisiva das actividades do Parlamento Regional. Aquilo que, erradamente, se resume na expressão oficializada de "Canal Parlamento".
Errada porque, com ela, se insinua, voluntariamente ou não, que, para a solução do problema, há apenas um processo. O recurso à solução tradicional adoptada pela Assembleia da República, com a montagem de uma estrutura dispendiosa e de nula audiência, que funciona com este nome. Mas não é assim. Há outras soluções, vindas do passado ou tirando partido dos mais recentes progressos tecnológicos nestes domínios.
Mas tudo isto são apenas desculpas de quem tarda em perceber o alcance desta decisão para uma Assembleia que tem, na sua imagem de proximidade ao povo que representa, a sua principal razão de existir e de funcionar.
E de quem, na grande oportunidade anual de dar uma imagem de entidade que o povo procura e nela se revê, através da organização do dia da Região, de que recentemente se passou a encarregar, não toma nenhuma providência, não se dá ao incómodo de qualquer cautela ou diligência, para que a regra da representação sem o povo, que é o seu drama de todos os dias, tenha, no dia da Região, a sua excepção.
Mas não.
Lá estão as cadeiras vazias, a ganhar dimensões de tragédia ( ou caricatura impiedosa) na sua força televisiva.
Quanto ao resto. Antes, quando a responsabilidade da organização do dia da Região era do executivo, tinhamos uma sessão com dois discursos. Um do Presidente do Governo, que era de circunstância, mas se esforçava por ser de reflexão. Outro de um convidado, que era de reflexão, mas se esforçava por se enquadrar na circunstância da comemoração.
Hoje passámos a ter dois discursos de circunstância. Um deles continua a esforçar-se por ser de reflexão. O outro... é, somente, a sua circunstância.
Além disto, há ainda a atribuição das insígnias honoríficas regionais.
Sobre este acto na passada segunda feira, apenas uma observação.
Para a escolha das entidades "insigniadas," e atendendo à unanimidade parlamentar da sua indicação, seria de esperar uma maior convergência de consensos, fora do parlamento, em relação àquelas que foram escolhidas por mérito da sua carreira política.
No jogo de agraciado rosa contra agraciado laranja, só me têm chegado ecos de descontentamento e surpresa, em relação a uma das rosas escolhidas.
Sempre foi rosa de mais espinhos que pétalas. E parece continuar a sê-lo.
Apenas mais um sinal de que, muita vez, quem representa o povo através dos partidos, está em risco permanente de se afastar, ao mesmo tempo, dos partidos e do zé-povinho?



terça-feira, maio 29, 2007

Shimon Peres, a previsibilidade imprevisível

Shimon Peree tem uma história política muito semelhante à do próprio país que serve há mais de meio século.
Toda a gente sabe qual foi a sua última derrota política.
Ninguém se recorda, já, de qual foi a sua última vitória.
Toda a gente sabe qual foi o último partido político a que pertenceu.
Ninguém faz a menor ideia de qual será o próximo.
Toda a gente sabe quem foi o seu último adversário.
Ninguém sabe qual será o seu próximo aliado.
Toda a gente sabe qual foi o último cargo a que se candidatou.
Ninguém sabe qual será o cargo para que estará disponível na próxima oportunidade política.
O cúmulo da ironia seria Shimon Peres,
que, enquanto líder do Partido Trabalhista de Israel,
sofreu derrotas sucessivas, frente à direita israelita do Likud,
acabasse por encerrar a sua sinuosa vida política
com uma derrota frente à candidata do seu antigo partido à Presidência de Israel,
a nossa conhecida Colette Avital
(antiga embaixadora de Israel, em Portugal).






DN Online: Veterano Shimon Peres candidato do Kadima à presidência de Israel



De regresso a Israel em 1953 assumiu cargos de chefia em todos os governos trabalhistas. Líder histórico do partido, em 2005 decidiu sair para se juntar ao velho rival Ariel Sharon no Kadima, a formação que este criara para chegar à paz com os palestinianos. Agora, é como candidato do partido centrista que tem a última hipótese de vencer a eleição nacional que sempre lhe escapou.
DN Online: Veterano Shimon Peres candidato do Kadima à presidência de Israel






segunda-feira, maio 28, 2007

Uma vitória da democracia

A simples realização de eleições é sempre uma vitória da democracia.
As eleições são sempre uma vitória da legitimação do poder pelo voto,
em substituição de outras formas de legitimação pela força das armas, do dinheiro ou da classe.
Mas, quando a esta vitória de todos, se pode juntar a satisfação dos dois principais contendores,
é caso para redobrado júbilo.
É o que, com mais ou menos sentido de humor, se pode dizer que ocorreu com as eleições autonómicas e municipais de ontem em Espanha.
O que significa apenas que as derrotas que todos sofreram (O PSOE em Madrid, por exemplo)não chegam para alterar substancialmente os actuais equilíbrios de poder em Espanha.
E as vitórias que todos tiveram (O PSOE, em Barcelona, Canárias, Sevilha, etc. e, genericamente, em número de lugares conseguidos nas autarquias) permitem-lhe apenas novo alento para pensar em reformular e afinar estratégias para o próximo embate decisivo das eleições gerais em Espanha.
Rajoy presenta los mejores resultados del PP en unas municipales y Zapatero asegura estar


Por su parte, Zapatero, no sin ironía, se ha referido a los resultados en estos términos:


"Yo estoy satisfecho de los resultados, veo que el PP también. Ésta es una de las cosas positivas de la democracia".
Rajoy presenta los mejores resultados del PP en unas municipales y Zapatero asegura estar "satisfecho" de los resultados - Cadena SER




sábado, maio 26, 2007

Uma má tradução portuguesa de Orwell

Uma vida, uma ficha 26.05.2007, José Pacheco Pereira


(via EDIÇÃO IMPRESSA)





Uma vida, uma ficha,
e um George Orwell,
de trazer por casa,
de levar à blogosfera,
e de chegar aos jornais,
chamado Pacheco Pereira.
Mas, ao contrário do autêntico Orwell,
não usa a imaginação para
antecipar o futuro.
Usa-a, para deformar
e caricaturar o presente.
E os seus desencantos
de vida e de pensamento
são sempre com o presente,
mal disfarçados em visões de futuro apocalíptico.
E, neste caso, desencanto com o presente político.
Ao contrário da maioria dos portugueses,
que escolheram este presente político e,
a avaliar pelas sondagens, continuam
a dar-lhe o seu apoio maioritário,
esta nossa versão portuguesa de George Orwell,
não gosta da presente situação política.
Está no seu direito.
Mas isto não chega para fazer dele o George Orwell,
que ele, modéstia à parte, (como sempre) se imagina já sendo.

quinta-feira, maio 24, 2007

O PSD-Açores Quer o Quê?




Mais debate político?
Claro que não quer.
Não quer.
Nem nunca quis.
Por agora, deixemos falar o Regimento da Assembleia,
para fazermos uma ideia daquilo que qualquer partido pode fazer,
na Assembleia Regional,
sobre a promoção de debates políticos.
Por agora também, comecemos por dar a palavra aos números,
para se fazer uma ideia daquilo que o PSD fez,
até hoje,
nesta matéria
e, sobretudo,
o que não fez,
em cerca de 30 anos de Assembleia
e 10 de oposição.


O que diz o Regimento?
1 "Os deputados podem formular oralmente perguntas ao Governo Regional, em pelo menos, uma reunião plenária por período legislativo"( artigo 180º do Reg.).
Vamos já aos números,
para percebermos a "força" da falta de vontade,
que o inefável e impagável PSD de Mota Amaral, Vítor Cruz, Costa Neves, Manuel Arruda, Costa Neves de novo,
conseguiu (evitar) fazer,
neste vastíssimo campo de debate político,
que são as perguntas orais ao Governo Regional.
Se pegarmos na letra do Regimento,
para tentar fazer um cálculo das oportunidades perdidas pelo PSD-Açores,


de promover o debate político na Assembleia, através de uma sessão de perguntas ( pelo mínimo) ao Governo,
em cada período legislativo
(sempre pelo mínimo, nunca pelo máximo, claro)
podemos arriscar o número provável de 179,5 oportunidades perdidas em 30 anos,
e de 59,5 oportunidades perdidas em 10 anos.
Como se percebe, este cálculo tem por base uma média de 6 períodos legislativos por ano.
É possivel saber o número exacto.
Mas não é isto que me interessa, por agora.
O que me interessa é dar a perceber a dimensão
e o número escandaloso de oportunidades perdidas
por este desperdício político,
que sempre foi, este PSD dos Açores.


E reconheçamos que este PSD do Costa Nevesx2 nem sequer é dos piores.
Não é, não senhor.
É mesmo o melhor de todos eles.
Melhor do que o PSD de Mota Amaral?
De Vítor Cruz?
De Manuel Arruda?
De Costa Neves X 1?
Pois claro que é.
Os outros todos,
perderam todas as oportunidades,
sem uma única excepção,
de utilizarem este mecanismo regimental de fiscalização do Governo e de debate político.
Costa Neves x 2, conseguiu ser a heróica, esforçada e meritória excepção.
Conseguiu fazer meia sessão de perguntas ao Governo.
Levou até 2007 para o conseguir.
Mas foi o único a vencer a inércia de mais duas décadas do PSD-Açores.
Conseguiu o verdadeiro passe de mágica da viragem.
Que é sempre o mais difícil.
E não tenho dúvidas que, num próximo Costa Nevesx3,
ele conseguirá levar o PSD-Açores a fazer uma sessão completa,
inteirinha, do princípio ao fim, de perguntas ao Governo.
Força, Costa Nevesx2.
O Guiness espera por ti.
Costa Nevesx2, ânimo!
"Pica," a fundo, para a sessão de perguntasx1.
O Chanceler de todas as ordens honoríficas portuguesas está a tua espera em Belém.
E as insígnias regionais ainda estão mais perto.
Até porque o "record" promissor da sessão de perguntas x 0,5,
já ninguém te pode roubar.
Tanto mais que há outros desafios regimentais, à tua espera.
Alguns deles, se calhar desconheces, como os debates políticos "urgentes".
Não sabias que o Regimento os prevê?
Não admira.
Tens andado tão ocupado a reclamar alterações ao Regimento,
que nem tempo tens,
nem fôlego te sobra,
para passar os olhos pelo actual.
Compreende-se.
Meia sessão de perguntas é um trabalho hercúleo.
Cuida-te.


Diário Insular  OnLine

PARLAMENTO
PSD quer mais debate político.
O líder do PSD anunciou ontem que vai propor aos restantes partidos com assento na Assembleia Legislativa - PS e CDS/PP - uma reforma do parlamento.
Aumentar o debate político e a fiscalização ao Governo são as principais metas.
Diário Insular OnLine












terça-feira, maio 22, 2007

Que país visitou Bento XVI?


Porquê este ar assustado e receoso?


Talvez, porque os "banhos de multidão,"
Não eram bem "à João Paulo II"?
Mas...



Mesmo assim, houve muita, fértil e festiva
imaginação popular.




E ainda maior animação e muita vocação para paparazi,
nos membros importantes da família.



Apesar disso, aquele olhar preocupado,
de germânico em terra de latinos,
aquele ar de pássaro caído do ninho,
não se desanuviou.

Por favor, levanta voo, Bento!
Por favor, levanta voo, Ratz!

Uma nova pista para Madeleine

A ideia é inglesa.
A pista é ,
sobretudo,
para espanhóis e ingleses.
O local do crime é que não mudou:
Algarve.
Ou será que também mudou para
ALLgarve?





ELPAIS.com - El captor de Madeleine puede estar en tu álbum de fotos - Internacional



El captor de Madeleine puede estar en tu álbum de fotos.
La policía británica pide a los turistas que visitaron el Algarve en mayo que envíen sus imágenes de viaje por si ayudan a encontrar a la menor Madeleine
ELPAIS.com - El captor de Madeleine puede estar en tu álbum de fotos - Internacional







sábado, maio 19, 2007

"Perguntar nada resolve"



Esta foi a advertência da mãe a Gunter Grass.
Ele, porém, passou a sua vida de escritor,
hoje com 79 anos
e uma obra literária vasta e polémica,
a desrespeitar este conselho materno.
Desde a sua estreia literária, com " O Rapaz do Tambor,"
até ao seu último livro autobiográfico,
lançado, agora, em edição espanhola.
Depois de tudo ter perguntado sobre a sociedade alemã
e os seus fantasmas
mal resolvidos e mal reconhecidos
e sobre o século que lhe foi dado viver
( "Mon siécle",na tradução francesa)
Gunter Grass,
hoje,
no declinar da sua vida,
resolve fazer as perguntas mais difíceis
sobre si próprio,
sobre a sua juventude de conivência ingénua com o nazismo agonizante.
Este é o tema central desta entrevista.











ELPAIS.com -







Yo me preguntaba cómo un chico que no era precisamente tonto había creído hasta el final en la victoria final.
Cómo fue posible que no lo pusiera en duda en ningún momento.
Cómo es posible que no se haya preguntado por el profesor del colegio que había desaparecido, y que volvió después de cierto tiempo, cómo no me pregunté qué había pasado con él.
Cómo no le preguntamos:
¿dónde ha estado usted?
¿En un campo de concentración?
¿Qué es un campo de concentración?
¡¿Cómo es posible no haberse hecho preguntas?!
¿Y qué había pasado con el compañero de clase que era testigo de Jehová y que no quería tocar su fusil?
¿Por qué desapareció?
Son cosas muy importantes sobre las que no me pregunté, cómo es posible que no me las preguntara.
ELPAIS.com - "Me dejé seducir por el nazismo sin hacer preguntas" - Cultura y Espectáculos - Agenda Ocio

















quarta-feira, maio 16, 2007

Bush contra Michael Moore

A doutrina neo-conservadora da guerra preventiva,
aplicada por Bush,
não a um país,
como o Iraque,
mas a um cidadão americano,
como Michael Moore.




MichaelMoore.com : Open Letter from Michael Moore to U.S. Treasury Secretary Henry Paulson



I believe that the decision to conduct this investigation represents the latest example of the Bush Administration abusing the federal government for raw, crass, political purposes.


Over the last seven years of the Bush Presidency, we have seen the abuse of government to promote a political agenda designed to benefit the conservative base of the Republican Party, special interests and major financial contributors.


From holding secret meetings for the energy industry to re-writing science findings to cooking the books on intelligence to the firing of U.S. Attorneys, this Administration has shown time and time again that it will abuse its power and authority.
MichaelMoore.com : Open Letter from Michael Moore to U.S. Treasury Secretary Henry Paulson



O Diario catalão La Vanguardia tem mais pormenores sobre esta exemplar estória bushista.

segunda-feira, maio 14, 2007

O outro assédio



O assédio para que a mulher seja o menos mulher possível.
O assédio de que , no Ocidente, as mulheres se podem queixar,
perante a lei,
é o assédio que sobrevaloriza um aspecto parcial da feminilidade,
em prejuízo da sua personalidade humana global.
Sobrevaloriza a diferença entre os sexos,
com desrespeito pela comum humanidade e natureza entre os dois.
O assédio de que aqui se fala e retrata pretende diminui-la em ambos.
Esconder a sua feminilidade para a anular como pessoa.












ELPAIS.com - Los vigilantes del decoro asedian a las iraníes - Internacional







Los vigilantes del decoro asedian a las iraníes
Más de 3.000 mujeres han sido detenidas en la ofensiva del régimen de Ahmadineyad contra la "vestimenta indecorosa" ÁNGELES ESPINOSA - Teherán - 14/05/2007
ELPAIS.com - Los vigilantes del decoro asedian a las iraníes - Internacional

















quinta-feira, maio 10, 2007

Que fazer com estas derrotas?

del.icio.us tags: , ,


Esta é a pergunta que os derrotados das eleições do passado dia 6 de Maio se devem estar fazendo, na Madeira e em França.
Em França, seguramente que se está agindo no sentido de lhe dar resposta e tirar lições.
O tempo político urge, com novas eleições à porta.
Na Madeira, é bem possivel que o estado de choque com os desastrosos resultados para as oposições, sempre previsíveis para os meros observadores, e sempre traumatizantes para os próprios intervenientes, ainda não tenha propiciado reflexão útil, para além dos habituais e inevitáveis lamentos sobre a fatalidade de ser oposição na Madeira.
Primeira questão.
Será mesmo possível englobar o caso francês e o caso madeirense numa mesma reflexão?
Pode não ser fácil, mas julgo que não será de todo impossível.
Tentemos.
Para que uma derrota política possa servir de alavanca a uma reflexão que aspire a ser ponto de partida para relançar os derrotados de hoje, no caminho de eventuais vitórias de amanhã, exige-se que se consigam juntar duas condições simétricas e simultâneas:

A primeira é que se tenham artes de construir uma alternativa para um eleitorado.

A segunda, é que se disponha de (ou se construa) um eleitorado para uma alternativa.
Estas duas condições, à primeira vista, podem parecer simples truismos ou elementares jogos de palavras.
Penso que não são.
A alternativa para um eleitorado, implica a construção de um projecto político, que seja percebido pelo eleitorado como inovador e mobilizador, em relação ao protagonizado pelo poder vigente.
E que, além de projectos claros e consistentes, agregados à volta de um tema central dominante, seja protagonizado por equipas de pessoas com credilidade na sociedade e com uma liderança emergente ou já consolidada.
Quanto ao eleitorado para uma alternativa, comecemos por explicitá-lo, por ser de conteúdo mais acessível e até quantificável, pelo menos aproximadamente.
Exemplifiquemos, na tentativa de o tornar ainda mais compreensível.
No caso de França, um capital eleitoral de 47%, como o obtido por Ségolène, no passado dia 6, resultando ainda, por acréscimo, de uma base eleitoral em movimento entre a direita e a esquerda, como se constatou na primeira volta, pelos 18% do eleitorado do centro de François Bayrou, é, seguramente, uma base eleitoral suficiente, para se perceber que há condições politicas e sociais, para se continuar a aperfeiçoar uma alternativa e consolidá-la para o futuro.
Também parece óbvio que, mesmo descontadas as circunstâncias, estruturais e ocasionais, em que foram disputadas as recentes eleições na Madeira, nem os 15% do PS, nem mesmo acrescentados das percentagens, ainda mais residuais e marginais, dos restantes partidos da oposição, são bastantes, para alicerçar uma base de apoio suficiente para a construção de uma alternativa.
Em reforço desta última afirmação, pode-se lembrar que, em 2004, o PS-Madeira conseguia uma das mais altas percentagens eleitorais da sua história, situando-se perto dos 28% do eleitorado.
Por contraste, e para um caso em que o PS conseguiu uma base eleitoral suficiente, para se posicionar como alternativa, como aconteceu nos Açores em 1996, o seu pior resultado de sempre verificou-se nas eleições de 1994, para o Parlamento Europeu.
Nessa altura, o PS-Açores quedou-se pelos 28% dos votos, mas não tinha qualquer representante seu na lista do PS e praticamente não participou na campanha eleitoral.
Entre este mínimo de 28% do PS-Açores, em 1994, e aquele máximo do PS-Madeira, em 2004, julgo que é fácil de deduzir onde se situa o patamar de um eleitorado para uma alternativa.

Mas esta segunda condição não se recebe, pelo menos inevitavelmente, como simples herança do acaso ou da história.
Pode construir-se, a partir da elaboração de uma alternativa para um eleitorado.
É o que poderá ser tema de próximas considerações sobre o assunto.
Esperemos que o sejam.

terça-feira, maio 08, 2007

O que fazer com esta vitória?

DN Online: O QUE FAREI COM ESTA VITÓRIA?


O QUE FAREI COM ESTA VITÓRIA?



DN Online: O QUE FAREI COM ESTA VITÓRIA?




É a única pergunta para a qual ninguém pode ajudar João Jardim a responder.
E este artigo de Mário Resende é bem a prova disto.
Prova e contraprova.
Porque escrito precisamente para alertar que:
João Jardim, "durante a campanha, ameaçou, aqui e ali, dar passos no sentido de um futuro que
só é equívoco para quem não estiver atento".
Mas, apesar desta afirmação,
nem o mais atento e arguto dos leitores de Mário Resende,
consegue descortinar
nem quais sejam esses passos
nem qual seja esse futuro.
Partindo do princípio que João Jardim se vai manter dentro do quadro legal existente,
só pode tomar iniciativas em dois domínios:
no domínio mediático e no domínio legal.
No domínio mediático, o máximo que pode fazer é continuar a diparatar contra os órgãos de soberania
e os seus representantes.
Não é nada que já não venha fazendo há muitos anos.
E estas eleições não lhe vieram dar
nem mais legitimidade
nem mais descaramento
para o continuar a fazer.
No domínio legal,
só descubro duas possibilidades:
Bombardear a Assembleia da República
com propostas sucessivas de alteração da Lei das Finanças das Regiões Autónomas
ou do Estatuto Político-Administrativo.
Ou ainda, inundá-la com outras iniciativas legislativas,
mais ou menos afrontosas da Constituição.
O que resultará daqui?
Depois de algum barulho mediático,
elas rolarem
para o poço sem fundo das gavetas das Comissões da Assembleia.
Ainda neste âmbito, pode descarregar sobre o Tribunal Constitucional,
repetidos e imaginosos pedidos de fiscalização da constitucionalidade das leis da República,
a começar pela das Finanças das Regiões.
E daí?
As gavetas do Tribunal Constitucional, para os pedidos de ficalizações sucessivas da constitucionalidade,
não são menos inesgotáveis do que as da Assembleia da República.
Resta-lhe esperar dois anos, abancado na sua nova maioria absoluta,
tal como já estava na anterior,
à espera que mude a maioria na Assembleia da República.
Tanto barulho, para tão pouco!
Uma sugestão:
Por que não tentar dar funcionamento efectivo a alguns dos mecanismos de consulta entre as Regiões e o Estado,
que, na vigência da anterior LFRA, pouco ou nada funcionaram?
Talvez seja uma forma mais eficaz de compensar a (reduzida) redução de verbas que sofreu com a actual versão da lei.
Mas também não deixaria de ser o cúmulo da ironia!

sábado, maio 05, 2007

Uma esquerda em renovação

Penso que vale a pena procurá-la,
na cola da batalha presidencial que se trava em França.
Quem se reveja neste campo
e nestas preocupações
tem tudo a ganhar
em ler este editorial
do novo director
do renovado "Liberation".
Une gauche renouvelée

Une gauche qui rassemble ceux qui croient qu’un autre monde est possible pour plus tard et ceux qui souhaitent, pour aujourd’hui, un monde meilleur, qu’ils soient d’une gauche radicale ou réformiste, cabrée dans ses refus ou bien ouverte au centre.
Pourquoi Ségolène Royal ?
Pas parce qu’elle est socialiste, mais parce qu’elle a su, avant tout, s’affranchir des pesanteurs de la vieille gauche pour ouvrir la brèche du renouveau.
Pas parce qu’elle est une femme, mais parce qu’elle est une femme libre.
On dit que ses chances sont minces.
Peut-être.
Mais l’élection n’est pas jouée avant que le peuple en ait décidé.
Nous y croyons.
Et, en cas d’échec, nous préférons être minoritaires en respectant notre idéal, plutôt que de l’affadir dans une neutralité sans âme.
A gauche donc, plus que jamais, sans exclure quiconque.
Au nom de notre passé, au nom de notre avenir.
Une gauche renouvelée

sexta-feira, maio 04, 2007

Afinal, É fácil, É barato e dá milhões

Não é isto mesmo que as pessoas ( e os governos ) querem?
Ou deviam querer?
Então, por que é que esperam?
Se o custo de fazer é menor que o custo de não fazer?
Se, hoje, tudo se tende a medir pela bitola do custo-benefício,
porque continuam a não-fazer?
Com elevadíssimo custo (para todos)
e sem benefício
(senão para alguns,
muito poucos,
embora sejam poucos
com muito
).
Controlar el cambio climático resulta posible y barato - Cadena SER


Controlar el cambio climático resulta posible y barato La ONU considera que mantener la temperatura en valores actuales supondría sólo gastar el 0,12% del PIB mundial 04-05-2007 AGENCIAS
Controlar el cambio climático resulta posible y barato - Cadena SER

quinta-feira, maio 03, 2007

É possível ganhar um debate, sem que o adversário o tenha perdido?

 

Technorati tags:

 

Acho que sim.
Se preenchidas algumas condições prévias.
Se o debate for na televisão.

Se o debate ocorrer dentro de uma campanha eleitoral.
Se as expectativas sobre o debate forem desequilibradas e um dos contendores tiver conseguido equilibrá-las.
Se um dos protagonistas do debate tiver de lutar, não só contra o adversário, mas contra estereótipos arreigados, como os de sexo, origem ou religião.
E se esta luta tiver sido ganha.
Se a atitude mantida durante o debate tiver sido a da determinação, persistência, convicções firmes, capacidade de luta, força para se impor ao aversário e para  o levar a reconhecer, explicitamente, ou a aceitar, implicitamente, falhas, erros ou imprecisões. 
Se o adversário tiver um legado político pouco coerente ou consequente com as posições que defende e isto conseguir ser posto em evidência.

Se as quase inevitáveis falhas ou imprecisões técnicas ocorridas durante o debate se revelarem  mais penalizadoras ou menos desculpáveis, para quem, por força das funções anteriormente exercidas, teria maior obrigação de evitá-las.

 

É certo que, este estendal de condições pode parecer excessivo em número e demasiado genérico, apenas  com o objectivo, consciente ou não, de esboçar um quadro muito concreto, para atribuir uma vitória, já previamente desejada ou mais ou menos preconceituosamente atribuída.
Tudo isto é possível.
Mas também é certo que é precisamente isto o que, realmente, penso do resultado do debate de ontem entre os dois "S" (Sarko-Sego) candidatos à Presidência de França.
Mal comparando embora, creio que Ségolène, ontem, se encontrava numa situação muito semelhante à de Mário Soares, nas últimas eleições presidenciais, em Portugal.
O seu maior inimigo não eram as suas ideias, méritos ou qualidades, no confronto com o seu adversário.
O principal inimigo a superar, eram os estereótipos correntes sobre alguém que já cumprira e conquistara o seu lugar  na história do país e, pela sua idade, devia aguardar apenas a entronização definitiva pelos historiadores e não, mais uma vez, forçar os eleitores a reconfirmarem tudo isso.
Só que Mário Soares nunca conseguiu essa superação.
Penso que, ontem, Ségolène Royal, pode ter dado um passo importante para esse objectivo.
Se chegará ou não, para lhe dar a vitória eleitoral, é outra questão.

A reacção de Bayrou, ao debate, e que dá título ao Le Monde, pode ser apresentada como uma confirmação possível do que fica dito.

quarta-feira, maio 02, 2007

Duelos em Maio

Tem sido esta a regra, em França, desde 1974.
É em Maio que os candidatos da 2ª volta das Presidenciais
jogam todos os seus trunfos nos écrans da televisão, perante 20/30 milhões de franceses.
Desta vez, será hoje mesmo.
Será um jogo decisivo para a França e para a Europa.
Pessoalmente, espero que o/a imprevisto/a vença o/a regra.



domingo, abril 29, 2007

De folhetim em folhetim até São Bento


Assim desejava o Gonçalo, Gonçalinho, Gonçalão da "Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queirós, o percurso da sua vida - da literatura nacionalista à política - de que, os acasos da permanente arrumação/desarrumação das prateleiras da minha biblioteca, me levou à releitura recente de algumas páginas.
Assim também chegaram, anteontem, a São Bento os previsíveis e previstos principais protagonistas do debate mensal na Assembleia da República.
O Primeiro Ministro, na sua estreia depois do desgaste do folhetim mediático da sua sinuosa licenciatura em Engenharia.
O líder da oposição, sob a constante ameaça de mais um arguido na interminável colecção de aprendizes de mafioso, em que parece estar transformada a lista dos membros do PSD na Câmara de Lisboa; depois das suas folhetinescas reviravoltas no caso OTA, e dos lancinantes gritos a rebate contra os governamentais assaltos à liberdade de imprensa, de que o PSD gosta de se reservar o rigoroso exclusivo.


E ainda, como terceiro personagem, Paulo Portas, o líder auto-entronizado da "outra" verdadeira oposição a Sócrates (o que quer que isto seja, só ele próprio o saberál), recém regressado do treino contra Sócrates no seu "putching-ball" privativo em que conseguiu transformar Ribeiro e Castro.


Digamos que, do ponto de vista das vitórias ou derrotas mediáticas, que sempre são estes embates mensais,
(mais até do que debates mensais),
nenhum destes protagonistas esteve além das expectativas criadas, mas os dois líderes das duas oposições (a oposição real que temos, a de Marques Mendes; e a oposição virtual que Paulo Portas nos promete) estiveram muito aquém do que seria desejável, previsível ou mesmo prometido.


Pelo lado de Marques Mendes, a derrota foi total.
Continuou a preferir "voar baixinho" pelos temas, já mais que explorados, da OTA e da saúde.
Com a OTA, não se livrou mesmo de se ver reduzido à caricatura mais própria da "contra-informação,"do que do debate políitco, que Sócrates conseguiu traçar do seu comportamento errático, que despreza os estudos de trinta anos sobre o assunto, para se contentar com visitas de turismo político, aos locais do "sim" e do "não" á OTA.
Mas a sua mais flagrante falha foi a de ter deixado cair o tema quente do celebrado discurso do porta-voz do seu partido na sessão do 25 de Abril.
Foi necessário Sócrates desafiá-lo, à queima-roupa, para o tema, fazendo-o, assim, passar de possível feroz acusador, no tom do discurso anterior dele próprio e do seu partido, a frágil e remisso acusado, balbuciando explicações e justificações.
É claro que o tema não passa de mais um dos muitos "blufs" mediáticos em que o PSD de Marques Mendes se tem vindo a enredar.
Daí a sua opção inicial de evitá-lo.
E assim acabou mais um dos seus repetidos insucessos nestes recontros mensais.
Quanto a Paulo Portas manteve-se no seu estilo habitual de fazer debate político na Assembleia, tal como fazia jornalismo no "Independente".
Ou seja, fiando-se no pressuposto jornalístico, de que trazer um assunto para a primeira página é que lhe dá importância.
Foi o que, manifestamente, tentou fazer no único tema de política geral que decidiu abordar.


Um tema claramente de simples importância política marginal, como foi o novo critério de actuação pedagógica em relação às faltas injustificadas no projectado estatuto dos alunos.
Para quem acabava de travar uma fragorosa batalha dentro do seu partido, para procriar uma nova oposição e um novo partido, esteve mais perto do modelo de Ribeiro e Castro, nas suas frouxas aparições televisivas, do que do revolucionário de peito ao léu, em que se tentou metamorfosear para as rerfregas partidárias internas.
O problema é que, desde sempre, génio para destruir nunca lhe faltou.
Dentro do seu partido e nos partidos dos outros.
Paciência e capacidade para recriar e substituir com melhorias, o que destruiu, é que continua sem acertar.
E não vai ser com a sua requentada proposta de transformar o actual modelo de solene debate mensal com o Primeiro Ministro, numa corriqueira sessão semanal de perguntas, que Paulo Portas vai alterar, nem o sucesso habitual de Sócrates nestes confrontos, nem os rumos da oposição ou da política portuguesa.

quinta-feira, abril 26, 2007

A Costa Neves, o líder que "bloqueou"

Uma sugestão, porventura útil, mas seguramente oportuna, para um (desesperado) político em estado de bloqueio institucional.




Play Mother of The Year

E imagine "Costa Neves, o ano do bloqueio".

terça-feira, abril 24, 2007

Na blogolândia, de novo






Da "Festa da Música" à "festinha com teclas brancas e pretas"





Creio que é um facto normal e inevitável.
Pelo menos, é o que me parece poder concluir da minha própria experiência de mais de dois anos por estas andanças da blogolândia.
A distância entre os blogues e a vida de cada bloguista não se mantém constante.
A quem adquiriu o vício de blogar, a maioria das vezes, a vida empurra-o para os blogues.
Mas, por vezes, também o afasta deles.
Dos seus, e dos blogues dos outros.
De fazê-los, ou, simplesmente, de lê-los.
Esta aproximação-afastamento ou atracção-rejeição é mesmo cíclica.
Pode alternar períodos de frenética actividade com fases de afastamento compulsivo.
E tem alturas do ano mais propícias a uma e outra das situações.
Comigo, por exemplo, os últimos dias de Abril e/ou os primeiros de Maio, têm sido sempre de tréguas nos blogues.
Os pretextos é que têm variado.
Em anos anteriores, sempre pela mesma boa e agradável razão.
A minha ida anual, durante os sete anos que ela durou, à "Festa da Música," no Centro Cultural de Belém.
Neste ano, porque o CCB resolveu transformar a, consagrada, reputada, convidativa e eclética " Festa" nuns incipientes, indefinidos, e incertos dias de festinha com pianos e algumas variantes de passatempo e pedagogia.
A mudança não foi suficientemente convincente para me levar dos Açores até Belém.
Para passatempo, pareceu-me demasiado juvenil.
Como pedagogia, demasiado infantil.
Aguardemos melhores indicações e referências para o ano que vem.
A verdade é que, não tendo conseguido arrastar-me até Belém, a festinha dos pianos afastou-me dos blogues.
Mas não me impede que regresse.
Cumpridos os dias de irritação com a transformação, nestes dias, do CCB (Centro Cultural de Belém) em mais uma das muitas PCP (Periferias Culturais Portuguesas) que já temos.

terça-feira, abril 17, 2007

O dia D e o Dia H português






É verdade, este bizarro país europeu pode estar a viver, hoje, como habitualmente sem disso ter consciência, e em simultâneo, o "seu" dia D e o seu dia H.
Este último vive-o, como todos os europeus, na memória magoada e envergonhada daqueles auto-intitulados mais caucasianos de todos os caucasianos, mais europeus de todos os europeus
( tão europeus que até eram arianos)
(tão arianos que até eram hitlerianos)
terem levado ao extremo potencial, a inteligência técnica europeia de produzir em série.
De produzir em série a morte,
como em série produz a técnica europeia vacinas para a vida, automóveis para as autoestradas
(por sinal, duas invenções também arianas, ou até mesmo hitlerianas)
ou farinhas para animais
(umas, já contaminadas à saída da fábrica; outras, nem tanto).




O dia D pode vir a estar a vivê-lo, na sentença que a Universidade Independente parece estar a reservar para esta tarde, para o seu primeiro ministro.
Como assim?





Sócrates aguardou aquelas mais de duas semanas, para falar a respeito do seu azarado diploma, sobretudo, por duas razões
(para além da razão oficial de aguardar a decisão do Ministro Mariano Gago sobre a Independente)
Em primeiro lugar, esperando que tivesse chegado ao fim, o tempo de exploração mediática e jornalística sobre o aparecimento de novos papéis comprometedores retirados da arca encoirada da sua licenciatura.
Em segundo lugar, aguardando a hora em que a exploração política deste caso já não tivesse espaço nem sentido.
Com os dados públicos até hoje existentes sobre o mofino tema, e apesar dos esforços de alguns jornalistas e quejandos, para acrescentarem mais algumas revelações de menor monta e fundamento, o seu cálculo mostrou-se correcto.
E Marques Mendes também mostrou, à sua custa, que não havia "engenharia" possível que permitisse à oposição "pescar" nestas águas.
Mas o aparecimento de novos dados, que, directa ou indirectamente, envolvam o nome de Sócrates pode levar ao renascimento de todo este embróglio desde a sua raiz mais apodrecida e envenenada.
É que a situação tornou-se, realmente explosiva, para Sócrates, em dois sentidos.
Num deles, porque o futuro da Universidade Independente está nas mãos de Sócrates, através da decisão do seu Ministro sobre o seu encerramento definitivo ou não.
E qualquer que ela seja
(neste momento só o encerramento parece fazer sentido)
sempre pode ser arremessada contra Sócrates.
Ou por excesso de rigor
(vingança)
ou por excesso de benevolência
(negócio obscuro ou medo)
No outro, na circunstância de o futuro político de Sócrates estar nas mãos das revelações, já ditas explosivas, daquela mesma Universidade.
Conseguirão os novos "papeis" da Independente invadir, de novo, as praias da "normandia" da política portuguesa?
Aguardemos.

sábado, abril 14, 2007

António, não morras agora que estão a olhar para ti.

 

 

António, não te sentes mal pois não, não vais morrer pois não, não morras agora que estão a olhar para ti e é uma vergonha, não posso dizer às pessoas
- o senhor desculpe mas o meu escritor português preferido morreu, assim, em frente de toda gente, logo depois de escrever para  toda gente que tinha sido operado a um cancro

         espera até chegares a casa e morre então se quiseres mas não agora, que mau aspecto, que vergonha, se queres morrer a sério como toda a gente, a gemer no hospital, com radiografias e análises médicas, imagina a vizinha de cima

- O António morreu numa vulgar esquina da literatura de nariz na corriqueira crónica semanal e não de cansaço criador no grande romance calculem
  diz-me lá se gostavas que dissessem isso de mim, de nariz no pastel de nata, calculem,

  imagina que bonito António, um grande escritor de nariz nos parenteses das tuas croniquetas, levanta-te, tevanta-te imediatamente, fazes o favor de te levantares, de esperar até chegarmos a casa, há autocarros de dez em dez minutos, não custa muito, e depois tiras o casaco, desabotoas o colarinho, pões-te à vontade, que ninguém te diz nada.

 

Nota -Adaptação, propositadamente incompleta, da parte final de uma crónica antiga de António Lobo Antunes, que, no último número da revista "Visão," publicou uma crónica que podia ter por título
(dele):
Olhem para mim. Acabei de ser operado a um cancro. Nunca morrerei de "uma (eufemística) doença prolongada".
O título
(meu)
(continuando a ser dele),
seria:
António, não entres por enquanto tão depressa nessa noite escura.

sexta-feira, abril 13, 2007

O Presidente é (politicamente) Irresponsável (II)

 

Façamos alguns"supônhamos", para falar em bom "pretuguês".
Mas, antes, como ponto de referência, voltemos a Canotilho e Vital Moreira.
Desta vez, aos "Fundamentos da Constituição"(Coimbra Editora, 1991, pag. 211), em que se diz:
"O papel constitucional (do Presidente da República), para além da sua função de representação, é, essencialmente, a de controlo da maioria governamental, de arbitragem institucional e de garantia do regular funcionamento das instituições"
Em face destes objectivos e critérios da actuação presidencial, atiremo-nos, então, aos "supônhamos".
Suponhamos que o Presidente de República  tinha resolvido pronunciar-se a respeito do projecto de pergunta a propor em referendo sobre o aborto, antes de a pergunta ser apresentada à Assembleia da República,ou durante a sua discussão, na Assembleia da República, ou depois da sua discussão.
Ou, em alternativa ou complemento, suponhamos que o fazia, antes de a enviar para o Tribunal Constitucional para parecer, ou durante a sua apreciação por aquela entidade, ou depois de a receber para promulgação.
 Suponhamos  ainda, que o fazia antes de iniciada a campanha para o referendo, durante a campanha para o referendo ou depois de ela encerrada.
Ou também que o fazia antes de depositar o  seu voto na urna, ou durante, ou depois?
Ou resolvia pronunciar-se antes de começar o debate da lei do aborto na Assembleia da República, ou durante o debate ou depois de ele ter terminado?
Ou ainda decidia pronunciar-se antes de terminado o período para o seu eventual envio para o Tribunal Constitucional, durante este período ou depois desta consulta?
Em qualquer destes casos, penso que ninguém  hesitaria em dizer que o Presidente da República quebrara o dever de isenção que lhe permitiria exercer com credibilidade a sua função de arbitragem neste caso concreto da temática do aborto. 
Em todos estes exemplos, teria sacrificado as condições do  adequado exercício daquela função, às sua inclinações, interesses ou cálculos de cidadão ou de candidato com determinada predominância de eleitorado?
Mais ainda, se o fizesse incorreria na mesma falta de isenção de um qualquer agente do Estado, que violasse direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, como se dispôe no art.º 271º da Constituição.
Questão final.
Haverá alguma diferença entre todos estes casos e o caso concreto de pronunciamento sob a forma de comentário ou mensagem à Assembleia da República, durante a promulgação da lei?
Haverá alguma diferença entre este comportamento presidencial na página oficial da Presidência da República, antes da regulamentação da lei ou o de um responsável governamental na página oficial de um qualquer governo, antes do voto no referendo?
É o que terá de ser demonstrado.
E não me parece nada fácil fazê-lo. 

quinta-feira, abril 12, 2007

O Presidente é (politicamente) Irresponsável

 

"Sob o ponto de vista político, o PR é irresponsável".
É o que, literalmente, se diz no comentário ao artigo da Constituição, sobre a responsabilidade criminal do Presidente da República, na minha velhinha edição de 1980 da Constituição (então, art.º 133.º) comentada por Canotilho e Vital Moreira.
O que nenhum comentador tecnicamente habilitado como os dois citados, ou cidadão apenas medianamente atento podia prever, era o sentido inusitado que o actual Presidente da República daria a este estatuto de irresponsabilidade.
Mas já tivemos duas amostras recentes sobre a sua pessoalíssima interpretação da irresponsabilidade política.
O primeiro foi o lamentável exemplo da exclusão de Mário Soares das comemorações presidenciais dos 50 anos da assinatura do Tratado de Roma.
Não será, por acaso, um refinado modelo  de irresponsabilidade política, o cidadão Cavaco Silva aproveitar o exercício de uma actividade como Presidente da República para, indirectamente, exprimir a sua opinião pessoal sobre o principal promotor da presença de Portugal na União Europeia?
A resposta é sim.
Resposta que levanta o verdadeiro problema que está por detrás desta irresponsabilidade "sui generis":
Cabe no âmbito do Estatuto do Presidente da República utilizar as actividades próprias da Presidência, para manifestar as  suas meras opiniões de cidadão, político ou candidato?
É evidente que não, face ao bom senso e às disposições constitucionais sobre " o regime geral da responsabilidade dos órgãos, funcionários e agentes do Estado" (arts 271.º e 21.º/22.º).
O segundo e último exemplo desta singular interpretação do Estatuto Presidencial revelou-se, ainda mais claramente, na promulgação "comentada" a que o Presidente procedeu com a lei do aborto.
As considerações a fazer sobre este segundo caso seguem dentro de pouco.   

domingo, abril 08, 2007

Basta de sarjeta jornalística!

Nesta outra OTA-licenciatura do 1º ministro.
Tal como na outra OTA-Aeroporto:
Ninguém tem argumentos sérios,
mas toda a gente tem dúvidas avassaladoras;
Ninguém olha sequer para as provas já publicadas,
mas toda a gente exige uma nova prova ainda por publicar;
Todos têm um palpite sobre a situação actual,
mas ninguém consegue apresentar qualquer alternativa consistente para outra solução
sobre o que devia ser feito,
nem quanto à OTA-aeroporto
nem quanto à OTA-licenciatura de Sócrates.
Toda a gente sabe que por cada nova prova apresentada,
aparecerá sempre uma nova dúvida mesmo que requentada.
Por cada novo personagem que entre em cena com uma resposta ou uma solução,
aparecerá inevitavelmente um velho/novo personagem trasvestido de jornalista ou comentador,
a acenar com uma sombra de dúvida mais ou menos hiperbólica.
Parece-me evidente, que a maioria das pessoas, que tem acompanhado as múlltiplas peripécias, sempre renovadas com novos pretextos a cada hora de novo noticiário televisivo, estão mais que desejosas de ver este assunto encerrado,
mas os senhores (ou senhoras, como no presente caso do DN- viva a igualdade do género...neutro) jornalistas, fabricantes de manchetes e folhetins intermináveis, agora já se dão ao luxo de fingir antecipar os argumentos e as provas que, aliás, sempre conheceram, para lhes retirar força quando o directo interessado as apresentar, mas prevendo, desde já, "que ele não poderá esclarecer todas as dúvidas".
Tal como a OTA-aeroporto,
a OTA-licenciatura DN Online: Sócrates forçado a mostrar diplomas para se defendercontinuará a correr na sarjeta jornalística dos jornalistas e comentadores em busca de sensacionalismo fácil ou politização desesperada dos factos ou enviesadas especulações, tal como os "colos preferidos" da campanha eleitoral de 2005, as férias no Quénia e na neve em 2006.




José Sócrates não poderá esclarecer todas as dúvidas que persistem em torno da licenciatura,
nomeadamente o facto de não existir Conselho Científico (o órgão que dá equivalências) na altura em que pediu as equivalências. Dirá que fez o que qualquer cidadão faz quando se dirige a uma universidade reconhecida pelo Estado para ministrar Engenharia Civil, nomeadamente por Manuela Ferreira Leite, que agora o critica: pediu equivalências, deram-lhe.
DN Online: Sócrates forçado a mostrar diplomas para se defender


sexta-feira, abril 06, 2007

Entre um deicídio e um genocídio



Génocide au Rwanda - Wikipédia


Le génocide au Rwanda dura du 6 avril au 4 juillet 1994.
L’ONU estime que quelque 800 000 Rwandais, en majorité Tutsi, ont trouvé la mort durant ces trois mois[1].
Ceux qui parmi les Hutu se sont montrés solidaires des Tutsi ont été tués comme traîtres à la cause Hutu.
D’une durée de seulement 100 jours, ce fut le génocide le plus rapide de l’histoire.
Génocide au Rwanda - Wikipédia




Poderá não parecer a muitos a escolha mais natural.
Mas, neste dia 6 de Abril de 2007,
em que se comemoram mortes com grande impacto na história da humanidade;
umas que muitos recordam,
outras que todos desejariam esquecer;
umas que datam de séculos,
outras que têm pouco mais de uma década;
umas que são religiosamente revividas,
outras que tendem a ser hipocritamente esquecidas;
achei oportuno lembrar um exemplo recente
destas últimas.
Ao século da banalização da morte,
não poderia faltar este título
"DO GENOCÍDIO MAIS RÁPIDO DA HISTÓRIA".









quinta-feira, abril 05, 2007

Em Abril, blogues mil


Do "Scripting news" ao "Pay Per Post".

Da novidade à normalização.

Da explosão à banalização.

Da marginalidade ao "mainstream."

Da indidualidade do bloguista à comunidade dos agregadores de blogues.

Estas e outras expressões do género simplificam mas resumem a evolução do mundo da blogosfera, nesta sua primeira década de existência.

Outros dez anos, e chegaremos ao resultado final de passar a ter tanto sentido, e ser tanto (tão pouco!) caracterizador de alguém dizer que tem um blogue como dizer, hoje, que tem um automóvel?
A este último, ninguém o define, só por isso, como "automobilista".
É, pelo menos, uma das evoluções previsíveis e já previstas por alguns estudiosos do fenómeno.











ELPAIS.com - Los 'blogs' cumplen 10 años - Tecnología



Este mes de abril se celebra en Estados Unidos lo que para muchos es el décimo aniversario de la aparición del primer blog. El autor es Dave Winer, al que se le atribuyen múltiples méritos relacionados con la web 2.0 y entre ellos ser el padre de los blogs con su Scripting news, una bitácora tecnológica y política, que empezó a escribir en abril de 1997.
ELPAIS.com - Los ’blogs’ cumplen 10 años - Tecnología


terça-feira, abril 03, 2007

De 100 em 100 dólares até aos 26 milhões


ELPAIS.com - Hillary pulveriza los récords de recaudación - Internacional

La candidata demócrata a la presidencia de Estados Unidos,
Hillary Clinton ha pulverizado todos los récords
de recaudación de fondos electorales en el primer trimestre de campaña presidencial. La senadora ha reunido la respetable suma de
26 millones de dólares,
casi el triple del anterior récord
de 8,9 millones, marcado por Al Gore en 1999, en una campaña que ha visto crecer el presupuesto de todos los candidatos
ELPAIS.com - Hillary pulveriza los récords de recaudación - Internacional



Hillary tem todas as razões para rir.
E nós, democratas de um país latino, todas as razões para nos espantar.
Primeiro, porque parece ser regra nos Estados Unidos, os candidatos conseguirem arrecadar dinheiro suficiente numa campanha, para lhes sobrar dinheiro para a campanha seguinte.
Entre nós, sabemos como é.
Sobram dívidas.
E "buracos" na legalidade das contas,
que o Tribunal de Contas vai,
zelosamente,
"tapando" com multas.
Segundo,
porque os americanos parecem continuar dispostos a pagar,
generosamente,
e directamente do seu bolso
( e não apenas indirectamente, através dos impostos e do simbólico pagamento, por uma escassa minoria, de uma quota aos partidos) os seus políticos e a sua democracia.
Apesar de os dias que, actualmente, nela se vivem nem serem especialmente exaltantes!

segunda-feira, abril 02, 2007

É a Escolha que Resta

A dimensão do desastre.
A dimensão considerada ainda suportável
representa 20% de alterações climáticas para os próximos cem anos.
O desastre total vai levar-nos até aos 40%.
Já não parece haver lugar para boas escolhas.
Apenas para escolhas menos más.
Opção lamentável
e pesada herança deixada ao futuro.
A opção do condenado.
A escolha entre a forca
e a cadeira eléctrica.
Entre a morte súbita
e a morte lenta
.






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Será difícil reconocer este planeta dentro de 100 años.
Aun en el mejor de los casos, con una política inteligente de control de emisiones, el 20% de la superficie de la Tierra habrá sufrido tal cambio de temperaturas y de régimen de lluvias que tendrá un clima enteramente nuevo.



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